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Michel

em 10 de dez de 2008.

Comentário: Segue mais um conto da série. Para quem não leu, vale checar a categoria "Cadernos do Homem Comum" acima. Todos os contos são curtos e, muitas vezes, vale ler os anteriores para compreender o atual.

[1]

O teto era branco; assim como o chão, as paredes e os uniformes das enfermeiras. Por vezes, a claridade do hospital lhe parecia como a de faróis de carros; uma irritação constante. Ele permanecia parado. Fazia horas que estava deitado na cama, olhando fixamente para cima. Não conseguia desviar o olhar, sentia-se culpado. Sabia que era por sua causa que o ônibus batera.

Ajeitou o corpo com algum esforço; suas costelas doíam. Por algum tempo ponderou a respeito de seu trabalho; temia perdê-lo. Levantou-se com alguma dificuldade, finalmente tivera coragem de olhar ao seu redor. O hospital estava cheio. Muitas das pessoas ao seu lado ele reconhecia, eram passageiros; passageiros do ônibus que ele dirigia.

Por algum tempo, olhou para os feridos. Sabia que a culpa era sua. Não que acidentes fossem coisa rara, mas aquele em específico ele sabia a causa. Batera por não conseguir perceber a aproximação de um carro pelo seu lado direito: não tinha retrovisor. Um menino de rua o quebrara. Mas tudo ocorrera por erro seu. Fora ele quem proibira o menino de entrar no ônibus; temia por seu emprego. Se tivesse sido um pouco mais corajoso, um pouco mais bondoso, talvez toda a catástrofe pudesse ter sido evitada. Ele sabia disso, sabia bem, e isso o incomodava.

[2]

Michel foi levado à delegacia para prestar depoimento sobre o acidente. A empresa de ônibus estava irritada, pressionava-o. Os investigadores perguntaram o que acontecera. Ele mentiu... temia perder o emprego.

2 Comentários:

Meirelles

Fala, Leo!
Os contos seguem muito bons. Me pego entrando mais de uma vez por dia para ver se já saiu a continuação. Parabéns!
Abraço!

Cizenando

Fala, Léo

Antes de mais nada, não consigo imaginar um motorista de ônibus chamado Michel, hehe...

No mais, os Cadernos continuam interessantes. É bom perceber que há uma unidade. Acompanhando os personagens, rostos indistintos na multidão, o leitor vê um painel de suas dores e delícias (e que as de todos estão interligadas).

Abraço

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