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João Cabral de Melo Neto: o poeta íntimo da bola

em 28 de jun de 2009.

Aproveitando que o Brasil decide a Copa das Confederações hoje contra a seleção dos EUA, coloco por aqui algo muito interessante sobre o poeta João Cabral de Melo Neto. Achei uma reportagem muito boa sobre a relação dele com o futebol, o que inclui uma poesia sobre o grande Ademir da Guia, do qual os palmeirenses devem se lembrar muito bem. Vejam abaixo:


João Cabral: o poeta íntimo da bola

Por Regina Rocha

Cores vibrantes, ritmo, movimento... as imagens do futebol foram traduzidas em verso por um time de grandes poetas brasileiros - Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e Ferreira Gullar, entre outros, que dedicaram poemas a jogadores, lances ou mesmo à bola.
Mas, apenas um deles conseguiu, durante uma fase da vida, conciliar as duas vocações, escritor e jogador: o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), autor do clássico “Morte e Vida Severina”, que virou canção de Chico Buarque.

João Cabral ocupava a posição de center-half, ou, como se diz hoje, a posição de volante, e foi uma promessa do futebol pernambucano. Nele, disposição física e apuro intelectual conviveram sem crises ou antagonismos. Na adolescência, jogou pelos times América do Recife e Santa Cruz. Em 1935, aos 15 anos, foi campeão juvenil pelo Santa Cruz Futebol Clube. E um dos motivos que o levou a se afastar dos gramados foi a terrível dor de cabeça que o torturou a vida inteira e à qual dedicou até um poema (“Num Monumento à Aspirina” - prometo por em breve no blog)


É da lavra deste João as estrofes que traduzem ‘sensorialmente’ o estilo de jogar do craque Ademir da Guia:

Ademir da Guia
Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.
(do livro: Museu de Tudo, 1975)

Poeta e jogador de futebol...

Já nos primeiros versos, o poeta iria transferir a recordação da bola rolando no gramado para seu companheiro de time, Newton Cardoso, expressa nos seguintes versos:

(...) Depois saías
no seu encalço
como lembrança
que se persegue.
Depois saltavas
para alcançá-la
como a uma fruta
alta num galho (...)”
(do poema “A Newton Cardoso”, do livro: O Engenheiro)

Em 1988, perguntado sobre de onde vinha a sua poesia, João Cabral respondia assim à reportagem do Correio Braziliense:


“Meus poemas não têm origem. Eu vejo uma coisa que me interessa e escrevo. Eu não fiz um poema sobre a aspirina? Escrevi também muito sobre o Recife e sobre Sevilha, os dois lugares que mais me marcaram. O que faz ou não está na minha poesia é o acaso. De repente um objeto, ou uma obra de arte, um jogador de futebol, um fato, faz com que eu me interesse e escreva um poema... Eu não acredito em inspiração e nem sou poeta inspirado. O ato de criação para mim é intelectual. Minha poesia trabalha a criação e a construção".

Confira o resto da reportagem, que inclui mais dois poemas sobre futebol e uma pequena entrevista, direto no site de origem! Clique aqui.

Comentário: para finalizar, eu pergunto, será que por ter sido um bom jogador de futebol João Cabral levava vantagem ao produzir suas poesias sobre o tema? Os versos mais conhecidos sobre futebol no Brasil são de Carlos Drummond de Andrade, inclusive quando disse: "O difícil, o extraordinário não é fazer mil gols, como Pelé. É fazer um gol como Pelé".

Fica ai a discussão =D

2 Comentários:

Marcelo

Vou te falar que nem sabia que o Cabral tinha poesias maneiras sobre futebol. Do Drummond eu já conhecia.

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