As Aventuras de Pi é plágio da obra de Moacyr Scliar. Divulguem!

Antes de entrar exatamente no que quero falar, deixe-me explicar a situação para quem ainda não a conhece. As Aventuras de Pi, livro mais do que premiado, que gerou a adaptação para o cinema, adaptação essa que faturou quatro estatuetas do Oscar ontem, trata-se de um plágio descarado da obra Max e os felinos, do autor brasileiro Moacyr Scliar.

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A questão do sujeito da pós-modernidade

em 19/06/2009.

Nos últimos dias me deu uma certa vontade de dissertar um pouco a respeito da questão do sujeito na pós-modernidade. Escrevo aqui, portanto, para colocar algumas coisas que penso sobre o assunto - de uma forma mais coloquial e menos profunda, é claro, mas ainda assim dando a minha visão sobre o tema.

Tenho pensado muito sobre a linha pós-moderna de pensamento, em que se alega o fim de todos os fundamentos e, como consequência, o fim também dos sujeitos. Os argumentos para sustentar tal tese são fortes e simples de serem percebidos. Se pensarmos que a nossa consciência é formada por um conjunto de experiências vividas - como a educação dada pelos pais, o convívio com os amigos, regras sociais e etc... - o que se nota é que grande parte do que somos, senão a totalidade do que somos, como alguns diriam, é na realidade construída por essas experiências. Isso sem contar com o fato de que uma pessoa tem comportamentos totalmente diferentes dependendo do ambiente em que se encontra, sendo uma pessoa quando está sozinha, outra quando está acompanhada e outra quando está no trabalho. Logo, um "eu" verdadeiro, um sujeito, portanto, não existiria realmente, pois seria determinado por uma série de situações, seria um simulacro de um sujeito real.

Eu discordo, embora não totalmente, de tal tese. É claro que somos determinados em grande parte por elementos externos (tanto que volta e meia repetimos discursos que ouvimos de professores, interiorizamos as regras ensinadas por nossos pais, mudamos de comportamento conforme o meio social e etc...), mas é inegável que há um sujeito por trás disso tudo. Embora esteja dissimulado por trás de uma série de signos absorvidos e reaplicados, muitas vezes de uma forma mitificada, ele ainda exerce papel fundamental na definição do que somos; isto é, ainda somos sujeitos reais. Por mais que vivamos em um mundo em que é cada vez mais complicado discernir o que é verdadeiro do que é falso, o que é real do que é virtual, ainda temos diante dele um papel ativo, podemos ainda apreendê-lo e modificá-lo.

Naturalmente, a frase "penso, logo existo", já tão batida e desgastada, de Descartes vem à cabeça. Argumento razoavelmente nesta direção. Não acho que a garantia para o mundo existir se encontre apenas no sujeito, porém. Mas a capacidade de pensar certamente garante a existência do sujeito real, de um "eu" verdadeiro.

É claro que muitas das coisas que pensamos não são necessariamente nossas. Inclusive, na maioria dos casos, o que pensamos é em grande parte formado por elementos externos. A grande questão é que, em cada conceito que formamos, embora os formemos tendo como base uma série de elementos externos a nós, adcionamos sim algo de subjetivo. E essa subjetividade, em minha opinião, vem justamente do método de Descartes; isto é, vem da capacidade de duvidar, vem da capacidade de formular perguntas (e essa é a chave da filosofia). Por mais que você seja influenciado e formado por elementos externos, você sempre pode duvidar destes elementos, pode questioná-los, pode formular perguntas entre milhares de conceitos diferentes que irão contribuir para a geração dos seus próprios conceitos, de sua própria consciência. Isso significa dizer que tudo o que somos e pensamos advém de nosso contato com o mundo, mas quem dá sentido a isso tudo somos nós, na qualidade de sujeitos.

Ou seja, realmente muitas das coisas que pensamos, senão todas, não são necessariamente nossas, mas são, ao menos, parcialmente nossas. Somos como uma obra construída pela interação entre o mundo e um sujeito real, um "eu verdadeiro", portanto.

7 Comentários:

Elis

Interessante seu pensamento, mas não descarta a "esquizofrenia" inerente ao pós-moderno. Existiria o sujeito principal, e diversos "papéis" a serem representados. Nem sou especialista, mas uma coisa que eu detecto, principalmente em amigos na faixa dos 25 anos, é uma tendência a não se epecializar, a ser um "faz-tudo". Bom, divaguei. Bjss.

Thiago Rogel

vamos lá pensar juntos... talvez fique mais claro e evidente nos nossos tempos que TODOS tem suas verdades... não temos um centro comum de acordo.. mas seguimos o que entendemos e pensamos... ao contrário do modernismo.. onde a ciência, as descobertas, levou o Homem para o centro, e era verdade o que era provado. E na pré-modernidade, era mais hierárquico, mais imposto, a igreja católica falava o que era verdade e se alguém discordasse era punido, fogueira neles.
Hoje, na pós-modernidade, cada tem o que acha que é verdade, mas mesmo não sendo, existe uma.
A melhor forma de entender isso seria 2 homens, em um monte, um deles olha e não vê um riacho, o outro olha, não vê, mas sabe que está lá, pq já viu de um outro ponto.

abss

Leo Schabbach

Fico feliz com a participação de vocês. Mas realmente a idéia não é descartar a "esquizofrenia" inerente ao pós-moderno, mas tentar enfrentá-la e pensar sobre ela, quem sabe resolvê-la. E, realmente, muito dessa esquizofrenia vem do que chamam de teoria das verdades. Na modernidade tinhamos uma teoria da verdade, portanto, verdadeira, hoje temos uma verdadeira teoria daS verdadeS, acho que é nesta direção que o Thiago apontava. O que pondero é que realmente não podemos descartar que muito do que somos advém de nossas experiências e muito do que somos advém também de como cada pessoa nos enxerga. A questão é que diante desse problema, vemos na pós-modernidade os pensadores recuarem e decidirem por descartar o sujeito. Mas o fato é que o sujeito ainda existe, e existe também esta multiplicidade de verdades, o que nos coloca realmente numa posição "esquizofrênica", num paradoxo até. E resolver este paradoxo pode ser algo bem complicado. Agora, o que não podemos fazer é descartar o sujeito, nem descartar esta "esquizofrenia" pós-moderna em que exercemos uma infinidade de "papéis". É preciso encarar o problema de frente e buscar uma solução, por mais impossível que isso parece ser.

Allan Robert P. J.

Creio que o ser humano é um resíduo do próprio passado, que nos formamos com o que conseguimos reter dos ensinamentos (informações externas) somado ao nosso próprio modo de perceber. O mapa não é o território. As impressões captadas vão depender sempre da nossa essência, da própria capacidade de interpretar e do que realmente é importante para cada um.

Acho que vou tomar uma cerveja. :)

vidaseverina

Na minha leitura de Sartre, ele parece sustentar que não há uma 'essência prévia' do homem (porque não há um deus que pense, antes, a 'idéia de homem'), mas que, depois que existe, o homem constrói sua essência nas suas experiências.

Eu caminharia de forma semelhante, mas falando em "os homens" de diversas culturas distintas.

Enfim, eu diria que o sujeito é histórico e relacional. Não há essência última, mas uma essência em contínua mutação; o que corresponde a dizer: não há essência, apenas existência. Por isso, eu não chegaria a dizer que há um "sujeito verdadeiro" (se por isso se entende algo imutável) em confrontação com a experiência, mas um sujeito sempre socialmente moldado. Aliás eu falaria em sujeitos.

Enfim, acho que divaguei na minha idéia sem falar do seu assunto.

Para deixar uma dica, Stuart Hall, em 'A identidade cultural na pós-modernidade', diz que "a idéia de que as identidades eram plenamente unificadas e coerentes e que agora se tornaram totalmente deslocadas é uma forma altamente simplista de se contar a estória do sujeito moderno".

Essas questões da pós-modernidade ainda são bem confusas para mim.

Leo Schabbach

Apenas para explicar a questão do sujeito real. Quando falo sujeito real me refiro a um sujeito de existência real e não um sujeito simulado, ou inexistente como alegariam alguns pensadores pós-modernos.

ana carolina

Como falar do sujeito pos moderno? como falar de mim? como um sujeito pos moderno que sou, com a implicações subjetivas historicas que se revelam no meu ser, ser este, sem forma, sem delimitação. Inexorável condição da dúvida, nua e crua, tal qual se revela no contemporâneo. Nua, crua e contínua e ainda, contaminada pelo escopo historico, social, cultural, cientifico, literário, etc...
Lembro-me entao de Foucault.

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