Quer meu livro de graça? Assine minha newsletter e venha conversar comigo!

Além disso, a newsletter é para ser algo mais pessoal, nela vocês podem responder e conversar diretamente comigo. E eu ainda pretendo enviar uma série de textos exclusivos por lá, sendo alguns mais pessoais, alguns capítulos antecipados de livros que serão lançados, assim como alguns e-books gratuitos.

Leia Mais

1

A questão dos sujeitos na pós-modernidade [2]

em 25 de jun de 2009.

Após pensar mais um pouco e considerar algumas coisas que li nos comentários, tenho mais algumas considerações a fazer sobre a questão do sujeito com o intuito de tentar explicar um fenômeno que tenho observado com cada vez mais frequência.

Antes disso, entretanto, quero fazer umas considerações. Primeiro, explicar que quando me referi a uma linha de pensamento pós-moderna no post anterior, falava justamente dos pensadores que afirmam o fim de todos os fundamentos, de um real como simulacro, e não necessariamente do estilo de vida pós-moderno. Portanto, quando falo de um sujeito real me refiro a um sujeito que existe, podendo ser uma "essência" ou um sujeito histórico, mas ainda assim existente.

Posto isso, também gostaria de acrescentar mais um argumento para a não-existência do sujeito, que seria o argumento da eficácia. Ou seja, de que um sujeito é o que faz, e é um aos olhos de uma pessoa X, outro aos olhos de uma pessoa Y, outro aos olhos de uma pessoa Z e assim sucessivamente. Isso, portanto, descaracterizaria a possibilidade de existência de um sujeito, pois seríamos aquilo que os outros pensam que somos; logo, seríamos muitos, não haveria um "eu" verdadeiro.

Se considerarmos estes argumentos e os argumentos do post anterior, deparamo-nos com um paradoxo. Estamos em um mundo em que haveria uma não-existência do sujeito, por todos os argumentos já colocados, ao mesmo tempo em que este sujeito existe, pois - como anteriormente explicado - nós pensamos e a cada conceito formulado adcionamos um pouco de nossa subjetividade, somos sujeitos, portanto. Este é, inclusive, o grande paradoxo a ser resolvido na atualidade. Afinal, vivemos em meio a dois paradigmas opostos - isto é, em que uma teoria exclui a outra - à espera de um novo paradigma que possa dar um fim a tal relação conflituosa.

O fenômeno que gostaria de comentar surge justamente desta relação. Refiro-me a um fato bastante comum, o de pessoas mais velhas que se comportam como se tivessem uma idade muito menor do que a idade que tem. Esse tipo de comportamento surge justamente de tal paradoxo. Afinal, num mundo sem história (como afirmam os pensadores pós-modernos) não haveria as distinções de faixa etária, logo não haveria problema algum em se comportar de tal maneira. A grande questão é que, além de algumas situações que muitos considerariam embaraçosas (mas que facilmente podem ser ignoradas em termos de argumentação), na maioria das vezes o próprio corpo mostra o paradoxo de que estamos falando e as limitações impostas pela idade, deixando explícita a historicidade do ser humano, mesmo que apenas a biológica.

Não se pretende, porém, fazer qualquer juízo de valor. Só gostaria de destacar que tal comportamento evidencia esta angústia dos sujeitos na pós-modernidade; sujeitos que se vêem, de alguma maneira, perdidos entre dois "mundos" diferentes que, paradoxalmente, ainda coexistem, embora estejam para entrar em colisão a qualquer momento.

Como uma última observação, gostaria de apontar como o virtual aparece, em algum nível, como o lugar onde essas pessoas encontram um ambiente capaz de comportar esta não-historicidade do sujeito. Numa sala de bate-papo, num fórum ou em jogos como o Second Life, é possível agir e falar como se realmente não existissem as divisões de faixa etárias, até porque nesses lugares não existem as limitações reais para o indivíduo.

1 Comentários:

Any

Vários conceitos em pauta: idade, identidade, verdade,realidade, mentira.
Sobre o comportamento diferentes em grupos diferentes: isto é o papel social, conhecido através das representações sociais.
A verdade,apenas as empíricas e olhe lá!
Identidade: é a cristalização do q foi construído com as vivencias individuais, e tem também a identidade social.
Realidade, penso q acaba caindo na mesma cesta da verdade.
O "eu verdadeiro" ao qual vc se referiu felizmente é uma metamorfose, se tétrico e estático é doente.
Podemos assegurar o que somos e sentimos aqui e agora, sobre o que seremos amanha e o q fomos ontem apenas previsões e hipóteses. Deixaremos a esquizofrenia pra outro dia, ela não figura neste contexto.
Somos o que somos, nada é mentira, verdade, realidade, somos apenas nós.
A idade? Deixe que cada um se comporte com a idade q sinta ter, por mais ridículo que possa parecer.
bjs
Any

Postar um comentário

Participe você também. Sinta-se convidado a postar as suas opiniões. Com a sua ajuda, o blog se tornará ainda melhor!

 
Copyright© 2010 Na Ponta dos Lápis
Apoio: Literatura Fantástica
Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger