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Como escrever bem?

em 15 de ago de 2009.

Observação: Veja também o tópico "Como escrever bem, técnica de redação (e narrativa)".

Hoje escrevo sobre uma temática complicada, uma questão que envolve todos aqueles que se arriscam nos caminhos da literatura: como escrever bem? Ou melhor, o que é escrever bem? É uma questão complexa, pois envolve diferentes gostos e diferentes linhas de pensamento. Destaco aqui as principais: a de uma boa parte da crítica, principalmente a brasileira e a européia (com exceção talvez da Inglatera), e a comercial.

Antes de entrar em mais detalhes sobre estas duas formas de encarar um texto literário, irei divagar um pouco mais. Eu, como todo o escritor e aspirante a escritor deveria fazer, leio constantemente, tanto livros de autores consagrados como de novos escritores, sejam os já publicados ou os milhares de blogueiros espalhados pelo país e pelo mundo. Naturalmente, reflito sobre aquilo que leio, tento identificar o que ficou bom e o que ficou ruim. Infelizmente, vejo muita coisa ruim. E vejo muita gente que produz coisas ruins reclamar de poucas oportunidades no mercado editorial. Sei que eles têm razão, as oportunidades são poucas, mas um pouco de cuidado com o texto poderia facilitar. Foi então que me ocorreu: como fazer para escrever bem?

Lembrei-me do livro "Os segredos da ficção", do Raimundo Carrero. É uma obra que vale a pena ser lida. Não possui, de maneira alguma, um caráter de auto-ajuda, não te diz exatamente como fazer um bom texto, mas te passa toda a experiência do autor e uma série de fundamentações teóricas, além de comentários sobre textos de autores consagrados, que devem ser absorvidos. Um ponto que destaco é quando Raimundo Carrero fala do pulso narrativo e do estilo do autor. Acho que isso é importante. Escrever bem não se trata apenas de escrever certo, trata-se de ter o seu próprio estilo. Quem não saberia identificar um texto do Saramago?

É justamente o estilo, portanto, que me impede de julgar com precisão o que seria um bom texto e o que seria um texto ruim - excluindo, é claro, os com excessivos erros de gramática e estrutura. Como dito anteriormente, é uma situação complicada. Dois de meus autores contemporâneos favoritos, José Saramago e Gonçalo M. Tavares, por exemplo, têm estilos praticamente opostos. Enquanto o primeiro tem um texto mais solto, o segundo apresenta obras mais secas, um estilo, inclusive, bem compatível com as preferências da crítica literária atual.

Defendo, por isso, que cada escritor procure encontrar o seu estilo, a sua forma de lidar com as palavras, sem se preocupar com o julgamento dos outros. Grande parte da crítica se dá por afinidade, por gosto: e é assim que deve ser. Afinal, só irei ler comentários de críticos literários que têm um gosto parecido com o meu; só assim saberei que os livros por eles indicados me serão agradáveis.

Neste ponto, retorno à questão dos diferentes tipos de crítica literária. Aqui no Brasil, esta crítica se dá em grande parte por uma "elite intelectual" que muitas vezes se prende a determinados vícios que eu, particularmente, não acho saudáveis; vícios que às vezes colocam a literatura quase que fora da sociedade, do mundo, do contato com o público, presa demais a questões de linguagem, isto é, fadada ao rebuscamento. Uma outra forma de crítica, liderada pelos americanos, exalta aquilo que é vendável, que consegue conquistar um grande número de leitores. Naturalmente, esta é uma maneira de se olhar para a literatura ainda mais perigosa. Afinal, a maioria das obras que alcança sucesso o faz por causa de uma boa publicidade e de uma distribuição inacessíveis a grande parte das produções atuais. Ou seja, às vezes a qualidade da obra não altera de maneira significante a vendagem.

Neste contexto, já ouvi umas pessoas dizerem que escrever bem é cortar palavras (é, repetindo Carlos Drummond de Andrade) e outras afirmarem que para se produzir um bom texto é preciso descrever bem a cena, com detalhes, para permitir que o leitor se envolva com o livro. De fato, existem estas duas formas de se produzir literatura, e milhares de outras formas intermediárias ou até mesmo totalmente diferentes. Todas elas podem fazer sucesso e podem, também, ser bem aceitas pela crítica. Como falei anteriormente, em geral, é uma questão de gosto. Resta ao escritor produzir o máximo que puder, reler, corrigir, rescrever. Resta a ele também mostrar o seu texto para outros, receber as críticas e, claro, saber diferenciar os comentários que se referem ao seu estilo daqueles que apontam para melhorias significativas em sua produção. Certamente, é uma tarefa difícil, mas ninguém disse que escrever bem seria fácil.

Veja a excelente postagem do blog Ofício Literário, incluindo uma entrevista com o escritor pernambucano Raimundo Carrero

17 Comentários:

Anônimo

Perfeito, Leo. Li, reli, questionei e achei muito interessante. Parabéns. Cris.

Eduardo Baldan

Muito bom, Leonardo.
Além de ler muito, tenho uma dica que considero fundamental. Apesar de não praticá-la.
É um tanto quanto óbvio, mas para escrever bem é preciso escrever sempre.
Acho que isso se extende para qualquer âmbito da vida. A prática é o melhor dos caminhos para a evolução. Aliada a bons estudos então, nem se fala.

Falando em estudos, uma questão técnica do blog, já que é do que entendo. Muito bom colocar o link para o Ofício literário. Mas para ter mais relevância em mecanismos de busca ( google ), seria muito mais interessante você colocar o link em uma frase como "Veja a excelente postagem do blog Ofício Literário, incluindo uma entrevista com o escritor pernambucano Raimundo Carrero". Não apenas no "aqui".

Um grande abraço!

Leonardo Schabbach

Valeu por acrescentar tanto ao conteúdo do post quanto ao conteúdo do blog. Veja que agora adcionoei também postagens relacionadas, pra facilitar pro pessoal.

Nos próximos dias vou colocar também uma dica de técnica narrativa muito boa que aprendi com um professor de português na universidade fantástico. Mas isso fica para daqui uns dias, hehe.

Bruno Ramalho

Excelente, Léo! Crítico e construtivo. Na minha opinião, escrever bem é uma dádiva. Nem sempre quem le coisas boas escreve bem. É uma coisa meio complexa. Acho que, hoje em dia, quem busca uma boa leitura tem acesso livre. Isso ajuda muito a melhorar a escrita, mas não garante uma boa produção textual ao meu ver. Conheço pessoas cultas e de boas leituras que não produzem bons textos.

Parabéns pelo texto.

Anônimo

Quando eu penso muito no que estou a escrever ou em escrever bem...bem, não escrevo nada...:( a "musa" tropeça na ortografia, na pontuação, na acentuação, no vocabulário, na gramática e esborracha-se no chão...:(


M.S.W

Sayd Mansur

Gostei do anônimo! hahaha!
Rapaz, grande texto. Grande.
Conseguiu abordar este assunto já um tanto desgastado de uma forma interessante, abrangente e harmoniosa.
Ritmo, estilo e poder de invenção, tbm podem estar a cargo da crítica... e pq não DEVERIAM?!

Leonardo Schabbach

Esse comentário anônimo foi sensacional mesmo, hahaha. Pena sabermos só as iniciais. E concordo. Gostaria que a crítica literária fosse mais devolvida aqui no Brasil, quem sabe até com algumas experimentações. Mas acho difícil. Só irá acontecer quando - e se - voltarmos a ter mais apoio a esta crítica, mais espaço nos meios de comunicação.

Miss Shag well

Olá...:)

Estava a ser discreta...:) Perdoe a "tontice" do anonimato, nem sempre sou bem recebida quando me conseguem "ver"...começam a "ver" apenas o meu "nome"...mas, gostei tanto do texto e do blog que não resisti a comentar na mesma..

Rosana Madjarof

Muito bom o seu texto Leonardo.
Deveria haver um critério, ou uma fórmula mágica, que fizesse com que as pessoas aderissem ao hábito da leitura.
Como as pessoas querem escrever bem se não gostam de ler?
Parabéns pelo texto.

Beijos no coração.

Rosana Madjarof.

Francisco Castro

Olá!

Excelente texto, tratando de um assunto tão importante para todos aqueles que gostam ou precisam escrever, seja por quais motivos. Escrever bem é muito importante tanto para quem escreve, quanto para quem irá ler.

Abraços

Francisco Castro

Osvaldo Mota

O segredo de escrever bem é escrever, nada substitui a prática, não tem remédio nem regras definidas. Leia bastante eescreva bastante e dê para alguém ler, esse é o segredo.

Pedro Júnior

Escrever bem, é ser vitima da paixão do lapis e papel. Colocar idéias, opiniões, amores e paixão num lugar que irá revelar maravilhas pessoais e sonhos adormecidos...

Primeira vez que escrevo, não sei se comecei bem. Quero aprender, despertar curiosidades nas pessoas....

Paulo Vasconcelos

Escrever é realmente um ato muito complexo. Mas, como tantos outros já mencionaram, a leitura é a grande facilitadora para se chegar a uma boa escrita.
Gostaria de dar a minha pequena parcela de ajuda para aqueles que se aventuram na arte de escrever.
É fundamental ter os olhos bem abertos para o que acontece a sua volta. Permanecer sempre atualizado, pois torna-se complicado escrever sobre algo que você não leu e também nunca viu.
Ninguém pode viver isolado, sendo assim, boas conversas rendem ideias que podem ser aproveitadas nos textos.
Ter conhecimentos gramaticais não garante a qualidade do texto, mas a ausência desses conhecimentos implica em má qualidade da escrita.
Uma outra dica que considero importante é o cuidado com a linguagem utilizada.A linguagem escrita é bem diferente da falada.
Não se preocupe em buscar no dicionário palavras que você não utiliza no seu dia a dia. Você corre o risco de não conhecer todos os significados da palavra e torná-la inadequada naquele momento.
Use palavras simples, de seu vocabulário diário. O que realmente importa é que estejam escritas corretamente.
Quem quiser manter contato e trocar ideias, meu nome é José Paulo e meu email é jppvasconcelos@gmail.com

Anônimo

Gostei do assunto, somente agora vejo quanto tempo perdi quando deixei de terminar os livros que inicie a leitura e parei nos 30%, virou mania; tenho que aprenser a ler, para aprender a escrever, bem no momento que tenho e devo escrever muito; tenho que me virar o mais rápido possível. Tenho o cargo na mão, "muito bom" por sinal, e, preciso dar conta do recado; passa a ser uma obrigação repentina. aceito dicas; o mais rápido possível. j28nascimento@gmail.com

Adriana Matheus

amei seu blogger .... estou passando por uma situação bem complicada certa editora diz que não publica meu livro por que é espirita disse que meus personagens não teem profundidade e de longe o meu livro é um romance, mas detalhe o meu livro não é um romance é uma trama. fico pensando será que essa pessoa leu realmente a obra? será que ela entendeu que é uma trama?
agradeço o espaço e mais uma vez parabens

Leonardo Schabbach

Bom aí não sei mesmo. Não tem como saber se realmente leram ou não. Mas na maioria das vezes, se ocorre leitura, é bem superficial.

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