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Poemas de João Cabral de Melo Neto

em 8 de ago de 2009.

Coloco aqui mais três poemas de João Cabral de Melo Neto, um dos meus poetas favoritos. O primeiro, O último poema, coloco por achar muito interessante, pois o poeta revela talvez a presença de algo que podemos chamar de inspiração, algo que ele sempre disse não possuir, o que talvez seja explicitado pelo verso "esse Quem (eu mesmo, meu suor?)".

O segundo poema chama-se O Ovo podre. Selecionei-o por achar impressionante a capacidade de João Cabral de descrever algo tão normal de uma forma tão incomum e ainda passar algumas reflexões. O terceiro faz uma alusão a Clarice Lispector, traz uma brincadeira, inclusive, da relação dela e da nação - principalmente dos homens - com o futebol. Por isso, achei interessante destacar.

Naturalmente, todos os poemas possuem uma beleza poética incrível, um trabalho impressionante com a forma.



O Último Poema

Não sei quem me manda a poesia
nem se Quem disso a chamaria.

Mas quem quer que seja, quem for
esse Quem (eu mesmo, meu suor?),

seja mulher, paisagem ou o não
de que há que preencher os vãos.

fazer, por exemplo, a muleta
que faz andar minha alma esquerda,

ao Quem que se dá à inglória pena
peço: que meu último poema

mande-o ainda em poema perverso,
de antilira, feito em antiverso.



O Ovo Podre

Por que a expressão do que não houve
não chega à força do ovo podre?

Há muitos podres pelo mundo,
muitos decerto mais imundos.

O podre do ovo está contido
para a maioria dos sentidos

e à vista não há diferença
entre sua saúde e sua doença.

Por que é que o ovo podre, então,
parece pesar mais na mão?

Será que pesa mais o real
quando em defunto, em pantanal?



Contam de Clarice Lispector

Um dia, Clarice Lispector
intercambiava com amigos
dez mil anedotas de morte,
e do que tem de sério e circo.

Nisso, chegam outros amigos,
vindos do último futebol,
comentando o jogo, recontando-o,
refazendo-o, de gol a gol.

Quando o futebol esmorece,
abre a boca um silêncio enorme
e ouve-se a voz de Clarice:
Vamos voltar a falar na morte?


Aos que gostam do poeta, aconselho a compra do livro "O cão sem plumas" (clique para conferir). Ele contém alguns de meus livros favoritos do João Cabral. Também é valido checar o livro "Melhores poemas de João Cabral", acho que o título é auto-explicativo.

6 Comentários:

Marcela

Eu gosto muito de João Cabral. As vezes não entendo muito bem, é difícil, mas depois de um esforço sempre acabo compreendendo melhor e acho muito bom.

Anônimo

João Cabral é demais. Bom q posata coisas dele aqui, é difícil de achar coisas dele na net.

vicktoto@hotmail.com

tb gosto dos poemas de João Cabral de Melo Neto. Muito embora, conheça poucos poemas dele, mas um em particular, me chamou a atenção é um que fala da catação de feijão, no qual o autor emprega de maneira simples e ao mesmo tempo complexa (fazendo uso de metáforas) coisas coriqueiras; dando assim beleza e magnitude ao poema .De tão simples chega a ser belo.

Cazf.

eu gostei muito, amo esse poeta usei seu site como referencia em trabalhos escolares muito bom msmo.
Esta de parabéns com o site só o banner principal que eu acho que se vse criasse algum logotipo seria espetacular! Mas esta de parabéns em quesito conteúdo!

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