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Contos de Carlos Drummond de Andrade

em 28 de set de 2009.

Posto hoje um conto de Carlos Drummond de Andrade que achei simplesmente fantástico. Vale lembrar que eu sou um apreciador assumido de histórias que parecem um pouco sem pé nem cabeça, que sem problema algum ignoram nosso senso de realidade e criam um universo próprio, mas que são capazes de nos fazer refletir sobre muita coisa. Coloco hoje aqui "A beleza total", do livro Contos Plausíveis. Apreciem, pois vale a pena.


A BELEZA TOTAL

A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.

A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes, por sua vez, perdiam toda a capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.

O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma foto de Gertrudes sobre o peito.

Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou sem condições de vida, e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.


Comentário: Como disse mais acima, adoro este tipo de conto. Assim que comecei a ler este, achei espetacular. É uma maneira muito diferente de representar as coisas que eu, particularmente, acho muito interessante. Este é um dos quase 150 contos do livro. Se quiserem saber um pouco mais sobre esta obra em particular, podem conferir uma postagem mais antiga em que falo sobre o livro "Contos Plausíveis" aqui no blog. Reparem também no estilo narrativo de Drummond. Vejam como a sua prosa em muito é influenciada pela poesia: experimentem ler o texto em voz alta e verão do que estou falando.

Comentário 2: Continuo sem internet e correndo para casa de amigos para conseguir colocar as postagens no ar; hoje tive que recorrer a uma lan house. Melhor nem contar o que a net fez para não tirar a atenção do texto do Drummond, mas, sinceramente, eles foram patéticos, e tenho certeza de que esses "vacilos" que deram e que deixaram meu modem novo sem funcionar em muito tem a ver com fato de que vieram aqui trocar o modem por estarmos cancelando um dos serviços deles: o NetFone. Enfim, ridículo.

8 Comentários:

Marília Lia

Muito interessante esse conto, Leo.

O que mais me chamou a atenção foi que, apesar da beleza dela ter acabado com sua liberdade, ela ainda sentia-se feliz ao se ver. É uma espécie de vaidade cega....tão atual nos dias de hoje.

E, realmente, a narrativa é uma delícia!! sem comparações...

Bjus, Lia.

Bruno Ramalho

Como a leitura do Drummond [e gostosa, não é? O conto é bem poético! Salve, Drummond!

Anônimo

Bem, esse texto caiu na minha prova de português gostei muito é bem fictício na minha opinião amei Também olha de quem é o incrível Carlos Drummond Andrade.

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