Paulo Henriques Britto é, em minha opinião, um dos melhores poetas contemporâneos. Eu conheci a sua obra na FLIP 2005 e, desde então, virei leitor assíduo. Gosto muito da forma como ele trabalha as palavras e também da maneira como "arquiteta" muitos de seus poemas. Para quem não sabe, ele é também um dos mais premiados poetas brasileiros. Em 2004, recebeu o Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira e o Prêmio Alceu Amoroso Lima pelo seu livro "Macau". Ainda no mesmo ano, conquistou o segundo lugar no Prêmio Jabuti (categoria Contos & Crônicas) pelo livro de contos "Paraísos Artificiais". Conquistou também o Prêmio Alphonsus de Guimaraens na categoria Poesia pela obra "Trovar Claro", em 1997; o Prêmio Paulo Rónai na categoria Tradução de Autores Estrangeiros para o Português da obra "A mecânica das águas", de E. L. Doctorow, em 1995; e mais recentemente (2007) o Prêmio Alphonsus de Guimaraens pela segunda vez, na categoria poesia, pelo livro "Tarde", que também conquistou o terceiro lugar no Prêmio Jabuti.
Como já devem ter notado, Paulo Henriques Britto é também tradutor (já traduziu 98 livros). Além disso, ainda é professor de graduação e pós-graduação na PUC-RIO, onde desenvolve linhas de pesquisa sobre poesia brasileira contemporânea e tradução poética.
Acho que todos deveriam conferir o seu livro "Macau", até pelo prêmio que recebeu. Mas o meu favorito é o "Trovar Claro" (você pode conferir um poema do livro "Trovar Claro" na postagem "Como escrever bem poesia?"). Enfim, confiram a entrevista:
R: Muito obrigado pela avaliação. Bem, ninguém escreve poesia pensando em ganhar prêmios ou dinheiro, e sim, no máximo, em ser lido, possivelmente por mais de cinquenta pessoas e por mais de quinze minutos. Não sei se vou conseguir isso, e também não sei que tipo de resposta dar a essa pergunta. O que posso dizer é que só publico os poemas que me parecem os melhores de que sou capaz; na dúvida, é melhor engavetar.
R: Claro, pois é a praticamente a única publicidade que se faz dos livros de poesia — isso e a conquista de um prêmio.
R: A meu ver, a poesia que escrevo é muito marcada pelas vivências da minha geração. Minha formação literária se deu sob o impacto direto das vanguardas de meados do século XX, num momento em que os mestres do modernismo estavam sendo definitivamente canonizados. Ao mesmo tempo, o impacto da música popular dos anos 60 tornava respeitável de novo o uso do verso, da rima, da métrica, das formas fixas, de todas essas coisas que as vanguardas haviam supostamente matado e enterrado.
R: Não tenho nenhum método. O ponto de partida mais comum é alguma coisa que li — um verso, um trecho de letra de música ou mesmo uma passagem de prosa — mas pode ser um ritmo, mas raramente uma imagem. Ou seja: quase sempre parto de palavras, um trecho de frase, um sintagma. Normalmente a forma se define ainda no começo do processo — quando ainda estou nos primeiros versos já sei se vai ser um soneto, uma sucessão de estrofes em redondilha maior, um poema em verso livre. Mas como entre o verso inicial e a forma final do poema podem se passar até anos, muita coisa pode acontecer, e a forma inicial pode acabar sendo substituída por outra.
R: Ué, essa frase não é do Picasso? Bom, seja quem for o autor, faz sentido. “Inspiração” é isso: acaso, irrupção do inconsciente, o que não é planejado. Apenas dez por cento do total, mas é claro que esses dez por cento são importantíssimos.
R: Hoje em dia não vejo esse desdém, não. Há trinta, quarenta anos, sem dúvida, mas isso mudou. Hoje em dia, de modo geral o poeta que usa basicamente verso livre tem consciência de que o verso livre é apenas mais uma forma tradicional, que aliás já tem mais de 150 anos de existência — nem melhor nem pior que as outras. Pessoalmente, acho o verso livre uma das formas mais difíceis, e tenho uma admiração imensa pelos poetas que o utilizam de maneira magistral.
Em seu poema "Um pouco de Strauss", do livro "Trovar Claro", você faz uma crítica ao excesso de subjetividade na poesia (que leva ao egocentrismo). Há também quem critique o excesso de objetividade, de falar apenas de coisas concretas. O que você acha que é necessário para encontrar um equilíbrio entre o subjetivo e o objetivo nos poemas?
R: Não, realmente não tenho acompanhado blogs. Mal consigo dar conta dos livros que leio por obrigação e por interesse. O tempo é escasso.

























2 Comentários:
sinto-me um pouco envergonhado em dizer isso, mas não conhecia o poeta. lendo o que ele falou fiquei interessado em conhecer um pouco melhor, o poema do outro post é muito bom.
mt bom post
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