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Escrever é preciso?

em 13 de nov de 2009.

Começo esta postagem sem saber exatamente aonde ela vai me levar. Naturalmente, a questão central é a do título: escrever é preciso? Ando pensando sobre isso ao refletir um pouco sobre o ofício de escritor. Por que nós o escolhemos? O que nos empurra para esse mundo de contos, poesia e literatura? Por que há essa vontade de caminharmos em direção a algo que no Brasil é tão pouco valorizado? E não me refiro aqui apenas a escritores profissionais, mas àqueles que almejam viver disso - o que, convenhamos, no país é praticamente impossível - e também àqueles que escrevem apenas pelo prazer de escrever. Este, inclusive, é um ponto central: de onde vem esse prazer? Enfim, escrever é, de fato, uma necessidade?

Eu sei. São muitas questões complicadas, que geram respostas ainda mais complicadas. E é por isso que escrevo esta postagem, para tentar refletir um pouco e, quem sabe, formular uma idéia própria em relação a todos esses problemas. Por este motivo é que convido todos os leitores compulsivos, os contistas e os poetas que acompanham o blog a entrar também nesta discussão. Eu, particularmente, não sei dizer se escrever é realmente preciso, no sentido de que escrevemos por uma necessidade. Há quem escreva por profissão, para se sustentar e apenas isso. Há aqueles que dizem - embora eu não acredite muito - que escrever é um processo chato (sim, falo do Chico), mas mesmo assim o fazem.

Para tentar trazer mais elementos à discussão, falarei um pouco a respeito da minha própria experiência. Eu comecei a escrever quando, ao terminar um poema meio que despretensioso, percebi que o que eu tinha escrito havia ficado bom - pelo menos para o meu gosto literário da época. A partir dai fiquei um pouco confuso, porque tudo o que eu produzia ou queria produzir não se encaixava nos estilos literários que até então conhecia: eu ainda era novo, época de colégio. Foi quando entrei em contato com o modernismo e deste ponto em diante comecei a produzir e não parei mais.

Ou seja, de uma maneira geral, escrevo sempre que tenho idéias ou quando quero fazer algumas experimentações - poucas vezes faço um poema ou conto por causa de algum sentimento, o que não descarta completamente esta possibilidade. Se repararem, muitas das coisas que coloquei aqui no blog têm um embasamento filosófico por trás; isso acontece exatamente pelo fato de eu gostar de colocar algumas idéias em jogo e ver a literatura como a forma mais bela e até mesmo natural de fazer isso. Uma outra razão que também me impele à escrita é o fato de eu gostar muito de ouvir e contar histórias - por isso os contos policiais, por exemplo. Como sempre digo, não há nada melhor do que uma boa ficção.

Enfim, esta é mais ou menos a minha relação com a escrita: espero que ela possa ajudar aqueles loucos como eu que param para pensar sobre estas coisas. Naturalmente, gostaria também de convidar todos a participarem da discussão e colocaram também suas opiniões sobre o assunto.


Nota: acho que estas questões me vieram à cabeça porque o meu "novo velho" projeto aqui no blog - Donatelo, o escritor - trabalhará também um pouco com esta problemática.

4 Comentários:

Marcela

Eu não sou muito de escrever, prefiro ler. Gosto dessa sua maneira de colocar idéias dentro dos textos que você falou, seus textos são bons.

Quando escrevo costumo mesmo só colocar as coisa pra fora, é tipo um desabafo, por isso acabo não mostrando as coisas q faço.

Chris

Excelente teu texto, parabéns!
Pelo exercício de escrita.
Aliás, a escrita é um exercício. a fala já foi naturalizada e, talvez, daqui uns milhares de anos, as pessoas já nasçam escrevendo.
Enquanto isso não acontece, a gente exercita.
Obrigada por compartilhar teus textos. Sim, quase impossível viver disso no Brasil, mas vejo teu sucesso aumentar a cada mês. Ainda vou sentar do teu lado e pegar teu autógrafo. E te levar meu livro (quando escrever um) de presente.
Amo as músicas do Chico, mas agora entendi porque os livros dele não são tão bons assim.
É o prazer, que não precisa ser explicado, só sentido; que nos motiva. Por isso teus textos são bons: tu te dedica, tu gosta de fazer, tu lê, estuda, coloca tuas emoções e, imagino eu, reescreve.
Grande abraço,
Chris

Marcos Paulo

Interessante post, Leo.
Penso que o ato de escrever, antes de mais nada, se relaciona à necessidade de comunicação, ou seja, essa é a premissa básica do ofício da escrita.
É claro, que se levarmos em conta a poesia, a literatura e outras manisfestações artísticas que fazem uso da ferramenta da escrita como meio para existirem, não se pode de forma generalizada, considerar que sua raison d'être se dê em virtude da necessidade de comunicação, pois aí, entra fatores inerentes ao escritor e o que o leva a realizar tais obras. Pode-se usar a escrita para exteriorizar um sentimento, buscar racionalizá-lo ou até mesmo, como você, caríssimo, usar para colocar idéias em jogo e promover o desenvolvimento intelectual e cultural ( o que para mim é a mais nobre de todas as forma e razões do ofício de escrever – se é que poder haver, no que concerne à escrita, um uso mais nobre que o outro)
Ainda, sobre estas formas e razões do ato de escrever, percebe-se que talvez, para quem usa as letras e palavras como forma de exteriorizar sentimentos, o escrever até pode ser chato, pois este ato é como o resolver de uma equação matemática; a fim de obter um resultado harmônico, estético e exato, necessita uma experimentação (inclusive me chama atenção essa abordagem em seu processo de criação, pois denota um minimalismo e uma racionalidade, o que torna o texto científico, filosófico e epistêmico - por mais poético que seja). Essa matemática se dá em testar palavras, trocar, retirar...é quase como um quebra-cabeça.
Agora em relação à viver de escrever, de fato no Brasil, e até mesmo no EUA, não é algo que demontra ser rentável, porém, na minha santa e ingênua ignorância, penso que se pode viver de escrever sim, só que se tem que buscar aplicar o talento e paixão pela escrita em áreas mercadológicas, como a redação publicitária, roteiros de conteúdos para TV, o jornalismo - incluisive a comunicação corporativa. Dessa forma, se consegue meios de aplicar o talento (escrever) para um fim específico (mercado) e com isso recursos financeiros para se sustentar, o que permite liberdade para escrever com fins artísticos e filosófic. Aliás, quais segmentos será o mais rentável financeiramente: o artístico ou o filosófico? Ambos tem sua importância cultural, mas o escritor filosófico opta muitaz vezes em não seguir a carreira mercadológica e se torna acadêmico e docente, enfim, um promotor da educação, o que certamente, é mais digno do que optar pela carreira corporativa.
Agora, é notável perceber que os maiores escritores brasileiros possuiam outros empregos, além da carreira literária. Alguns eram funcionários públicos (Machado de Assis e Drummond), outros foram redatores publicitários (Pessoa e Veríssimo), outros professores ( como o magnífico Bento Prado Jr).
Portanto, penso que para viver de escrever é necessário aplicar essa paixão ao mercado (corporativo ou acadêmico) e paralelamente construir uma carreira ao dedicar-se ao estilo que melhor agrada.
Bom, essa é a minha visão. Um tanto quanto ignorante, pois não sou escritor, somente sinto a necessidade de dar vazão os meus sentimentos e racionalizá-los para melhor compreender o meu mundo subjetivo, ou seja, o escrever para mim é uma terapia psicanalítica e uma forma de oração e de um contato maior com o Divino.
Abraços Leo.

Leonardo Schabbach

Agradeço aos comentários, aos elogios também e por vocês terem dividido um pouco o que é a escrita particularmente para vocês. Esta é uma questão complicada mesmo, e acho que os depoimentos pessoais falam muito mais do que qualquer dissertação sobre o assunto. E realmente, viver de escrever no Brasil é muito difícil. Acho que a saída é justamente fazer o que os grandes autores brasileiros já fizeram, ter um emprego que o sustente e lhe permita se arriscar pelo mundo literário.

Um abraço.

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