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Cecília Meireles e Manuel Bandeira - Poemas

em 9 de dez de 2009.

Trago na postagem de hoje dois poemas muito legais de dois incríveis poetas: Manuel Bandeira e Cecília Meireles. As duas obras que escolhi não tem necessariamente uma relação entre si, só achei interessante fazer uma postagem com dois autores diferentes. Naturalmente, eles dividem algumas características em suas obras de uma maneira geral. Se quiser saber um pouco mais, pode ler aqui mesmo um artigo sobre as características das obras de Cecília Meireles e, também, um pouco mais sobre os poemas de Manuel Bandeira. Enfim, espero que gostem!


A morte absoluta (por Manuel Bandeira)

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."

Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.



Serenata (por Cecília Meireles)

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

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