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Vida Poética (Poemas)

em 30/11/2009.
| Comentários: (8)
Tive a felicidade de esbarrar com esse poema quando revia alguns de meus textos mais antigos. Ele é definitivamente muito diferente do que eu costumo fazer, pelo menos eu achei, mas me surpreendi por ter gostado muito agora que fiz a releitura. Não sei o que vocês irão achar, mas espero que gostem. Como eu falei, talvez seja um pouco diferente das coisas que já botei aqui. De qualquer maneira, eu gostei muito de tê-lo encontrado.


Vida Poética

Os versos não fluem,
meus pensamentos estão certos,
seguros e resolutos demais.

Deixaram de ser aqueles seres-poéticos.
Perderam a ambigüidade,
o seu caráter de recém-descobertos.

Não posso mais chamá-los de versos,
mas não quero chamá-los de frase.
Não quero que, em mim, a poesia acabe
e que se acabe o meu mundo
de universos poéticos.

A cada grau de certeza,
perco um grau de beleza,
e a pureza das palavras,
a sua própria natureza,
se torna sólida,
como pedra,
que nos diz nada,
pedra que não pode ser lapidada.

Preciso do mundo,
esse lugar incerto.

Preciso de pessoas,
de dúvidas,
talvez do medo,
esse sentimento obscuro
que, sem mais nem menos,
nos mostra que nos imaginamos
sempre menos do que podemos.

Preciso da vida,
em todas as suas cores,
em toda a sua complexidade.

A vida, essa sim,
é a mãe de todos poetas,
a entidade incerta que deve ser consumida.

A vida é o elixir da vida.
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A internet e a vontade de aprender

em 28/11/2009.
| Comentários: (11)
Eu sou um daqueles que não têm uma visão extremamente positiva a respeito da internet. Acho que ela ajuda sim a divulgar muita coisa, mas que no final, por toda sua fragmentação, acaba por prejudicar muitas possibilidades de organização política. Ainda assim, faço um artigo hoje para falar de um aspecto positivo que tenho reparado e que muitas pessoas desconsideram. Falo do interesse que as pessoas demonstram em aprender. Normalmente, esta é uma característica que passa despercebida, até porque, ao mesmo tempo em que esse interesse existe, as pessoas também lêem com cada vez menos freqüência - aconselho que leiam a postagem O futuro dos blogs e os analfabetos funcionais, do Marcos Lemos, do Ferramentas Blog, para saber do que falo.

Acontece que, embora haja o fenômeno do desinteresse pela leitura, da vontade pela informação rápida e eficiente, aquela que promete que será possível aprender e conseguir resultados sem esforço, há também o outro lado da moeda. As pessoas também querem informação de qualidade, também querem refletir. Tenho reparado nisso por uma simples observação da blogosfera. Em uma análise rápida, podemos perceber que os blogs que mais fazem sucesso são, em geral, os que trazem informação pura e simples (notícias), os que trazem dicas sobre determinado assunto (aqueles que ensinam, os famosos metablogs) e os de humor. No caso dos blogs de humor, aqueles mais irreverentes, e também alguns de notícia, podemos enquadrar sim os leitores em um grupo que opta por uma leitura mais fácil e curta, eficaz, embora superficial, por assim dizer.

Mas existem também blogs que fogem a esta regra, sendo muitos deles os metablogs. É claro que o interesse por um local que te ensine a melhorar o seu projeto (que no caso seria seu próprio site) talvez não possa ser chamado literalmente de um interesse pela leitura e pelo aprendizado. Ainda assim, não é possível negar que o que as pessoas procuram quando entram em blogs como o Dicas Blogger (um dos mais influentes da internet brasileira) é aprender.

Além disso, não são só os metablogs que entram nesta categoria da qual falo. Na barra lateral aqui do Na Ponta dos Lápis, vocês podem notar que há um link para o Carta da Itália, um blog de um brasileiro que mora na Itália e que posta coisas sobre o país, assim como ensina a pronúncia de algumas palavras em italiano, traz receitas típicas de lá e muitas outras coisas. Apesar do layout padrão do Blogger, o site recebe um número muito bom de visitas e também de comentários, um fato que mostra a vontade das pessoas de conhecer outros lugares e aprender coisas novas, não importando o tamanho dos textos. Acredito que o mesmo aconteça com muitos blogs de literatura e, espero eu, com o Na Ponta dos Lápis também.

Por este motivo, fiz esta postagem: para mostrar que, junto ao fenômeno da redução do tempo de leitura, há também aqueles que utilizam a internet para ampliar o seu conteúdo, aperfeiçoar seu aprendizado e, claro, para reflexão. Enfim, esta é basicamente minha opinião, gostaria de saber o que vocês acham do assunto.
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Fernando Pessoa, Heterônimos, Parte II

em 26/11/2009.
| Comentários: (3)
Continuando as postagens a respeito da obra de Fernando Pessoa, iniciada pelo artigo Poemas - Fernando Pessoa (Parte I), irei escrever hoje um pouco sobre o mestre dos heterônimos do autor. Trata-se de Alberto Caeiro, o heterônimo anti-metafísico. Acho, inclusive, que é justamente ele quem mostra a incrível capacidade de produção literária do poeta português. Poucos sabem que os 49 poemas do livro "O Guardador de Rebanhos", de Alberto Caeiro, foram escritos em apenas um dia.

Além disso, os vários heterônimos de Pessoa também revelam um domínio incrível sobre diversos temas e estilos poéticos. Isso porque as obras desses seus personagens criados diferem em aspectos importantes da obra do próprio Fernando Pessoa, dos poemas que ele assinava com seu verdadeiro nome. É difícil compreender exatamente por qual razão ele criou seus heterônimos - se por diversão, jogada de marketing, exercício imaginativo e etc... -, mas eles de fato tornaram o poeta um dos grandes escritores da língua portuguesa e um dos maiores nomes da poesia mundial.

Como já foi dito, cada um de seus personagens tinha de fato vida própria, possuía características peculiares em sua poesia (assim como temáticas) e também toda uma biografia, uma vida construída por Fernando Pessoa. No caso de Alberto Caeiro, por exemplo, ele escreveu: "Nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase alguma, só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia avó. Morreu tuberculoso". Vale lembrar também que os heterôminos Álvaro de Campos e Ricardo Reis, além do próprio Fernando Pessoa, viam Alberto Caeiro como um mestre. As características de sua obra são a linguagem simples e o vocabulário limitado de um poeta camponês pouco ilustrado. Ele pratica o realismo sensorial, numa atitude de rejeição às elucubrações da poesia simbolista.

Dentre as suas características mais marcantes está também sua rejeição à metafísica - o que creio que para mim e para muitas outras pessoas seja um aspecto extremamente interessante do heterônimo. Alberto Caeiro é avesso à metafísica, opõe a ela o desejo de não pensar, faz da oposição à reflexão a matéria básica de seu pensamento, fato que podemos ver no poema a seguir, que eu particularmente acho incrível.


V - Há Metafísica Bastante em Não Pensar em Nada

Há metafísica bastante em não pensar em nada.


O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.
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Lições de Vida: Palavras de um mestre

em 24/11/2009.
| Comentários: (5)
Nota: Este é mais um dos poemas dos meus de que gosto da leitura, até porque em alguma instância me lembra um pouco o Árvore da Serra, do Augusto dos Anjos, talvez por causa do diálogo entre pai e filho, que eu já li aqui no blog. Então este poema, também um poema talvez um pouco mais simples, mas bem musical, eu coloco com um áudio da versão declamada. Só sugiro, como bem observou o Eduardo Baldan (@edubaldan) que façam primeiro uma leitura "silenciosa" e depois comparem com a minha leitura, pode ser um processo interessante. (editado: houve um problema com a gravação, em breve, colocarei-a disponível novamente)


Lições de Vida: Palavras de um mestre

"Meu pai, diga-me, por favor,
o que são os sábios de quem fala o professor?"

"Meu filho, meu ente mais querido,
escute-me quando eu digo
que sábio algum eu sou."

O filho, ainda intrigado,
abriu um livro empoeirado,
levantou e apontou.

"Esse homem, meu pai, nesse velho livro,
disse o que agora digo,
que sábio eu quero ser."

"Meu filho, é aí que bem te enganas.
Ser sábio não é coisa que se quer.
O sábio, nesse mundo de aparência,
não é quem o 'tenta' ser
e sim aquele que o é."
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A Biblioteca - por Gonçalo M. Tavares

em 22/11/2009.
| Comentários: (4)
O senhor Juarroz gostava de organizar a sua biblioteca de maneira secreta. Ninguém gosta de revelar segredos íntimos.

O senhor Juarroz primeiro organizara a biblioteca por ordem alfabética do título de cada livro. Rapidamente, porém, foi descoberto.

O senhor Juarroz organizou depois a sua biblioteca por ordem alfabética, mas tendo em conta a primeira palavra de cada livro.

Foi mais difícil, mas ao fim de algum dia alguém disse: já sei!

A seguir o senhor Juarroz reordenou a biblioteca, mas agora por ordem alfabética da milésima palavra de cada livro.

Há no mundo pessoas muito perseverantes, e uma delas, depois de muito investigar, disse: já sei!

No dia seguinte, assumindo este jogo como decisivo, o senhor Juarroz decidiu arrumar a biblioteca a partir de uma progressão matemática complexa que envolvia a ordem alfabética de uma determinada palavra e o teorema de Godel.

Assim, para estranheza de muitos, a biblioteca do senhor Juarroz começou a ser visitada, não por entusiastas da leitura, mas por matemáticos. Alguns passaram tardes a abrir livros e a ler certas palavras, utilizando o computador para longos cálculos, tentando assim encontrar a todo o custo a equação matemática capaz de desvendar a organização da biblioteca do senhor Juarroz. Era, no fundo, um trabalho de descoberta da lógica de uma série, semelhante a

2 | 9 | 30 | 93

Pois bem, passaram dois, três, quatro meses, mas chegou o dia. Um reputado matemático, completamente vermelho e eufórico, segurando, na mão direita, um bloco gigante coberto de números, disse: Já sei!, e apresentou depois a fórmula da série que baseava a organização da biblioteca.

O senhor Juarroz ficou desanimado e decidiu desistir do jogo. Basta!

No dia seguinte pediu à sua esposa para organizar a biblioteca como bem entendesse. Por ele estava farto.

Assim foi. Nunca mais ninguém descobriu a lógica da organização da biblioteca do senhor Juarroz.


Comentário: É sempre bom poder dividir um pouco de boa literatura. Sem sombra de dúvida, o português Gonçalo M. Tavares é boa literatura. Como falei em outra postagem, talvez seja meu contista favorito - e é atual. Este conto em particular eu já tinha colocado em uma amostra numa postagem mais antiga - Gonçalo M. Tavares: um autor a ser lido - em que falo mais sobre ele e suas características. Como poucos devem ter o lido, coloco num post separado, pois acho esse conto simplesmente sensacional. Gostaria de dividir este autor com vocês, pois será com certeza, se já não é, um dos grandes nomes da literatura portuguesa. Abraço e bom domingo a todos.
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Rapidinhas Literárias - Jornal Rascunho, Caim e Clarice

em 18/11/2009.
| Comentários: (0)
Mais um vez, faço uma postagem para trazer alguns links interessantes aos leitores. Antes disso, porém, gostaria de comentar mais um texto que li no Jornal Rascunho - um excelente periódico sobre literatura, que você pode conferir online ou pagar a assinatura e receber em casa, como eu. Falo do texto Pão e Poesia, da Claudia Lage. Acho que foi uma das melhores crônicas-conto que li nos últimos tempos. É um texto muito legal, traz toda a relação dela com a poesia, colocando alguns trechos de poemas no meio da narrativa, enfim, algo muito legal de se ler. Achei ainda mais interessante porque trata, mal ou bem, de um assunto relativamente parecido com o do texto recente que coloquei aqui, o Escrever é preciso?. Se puderem, dêem uma passadinha lá no Jornal Rascunho e leiam, não vão se arrepender. Quando estiverem por lá, aproveitem e chequem o texto do Raimundo Carrero sobre as digressões, é uma aula.

Fora isso, gostaria de informar a quem não sabe que será lançado no Brasil uma biografia sobre a Clarice Lispector, um dos grandes nomes de nossa literatura. Eu fiquei sabendo pelo blog Tempo ao Sol. Vocês podem conferir um pouco mais sobre o livro na postagem  Nova biografia de Clarice será lançada este mês. Ainda no mesmo blog, podem conferir uma crítica interessante sobre Caim, o novo livro de José Saramago.
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Osvaldo Santana - Cadernos do Homem Comum

em 16/11/2009.
| Comentários: (3)
Nota: Este conto faz parte da série Cadernos do Homem Comum. Sugiro a quem nunca tenha lido nem um conto da série que leia, pois, apesar de serem razoavelmente independentes, eles têm também conexões interessantes entre si.

Ele limpou a sua arma pela terceira vez com uma dose extra de cuidado, fazia tempo que tinha uma relação íntima com aquele frio pedaço de metal. Aquela arma o tinha tornado famoso entre seus comandados: era o capitão Osvaldo Santana, o melhor atirador de seu batalhão.

O cheiro de pólvora exalava de sua mão, um sabor doce e agradável com o qual se acostumara desde cedo, desde que era um simples policial recém-iniciado.

Naquele dia, estava de folga, mas ainda assim decidira sair pelas ruas; sentia-se inquieto, não conseguia dormir sem respirar um pouco do ar fresco da cidade, das noites inseguras do Rio de Janeiro. Encostou o carro na praça Saens Pena, combinara de encontrar um amigo seu para tomar umas cervejas em um bar.

Como se a espera fosse excessivamente calma, sacou a arma por mais uma vez, segurou-a firme com a mão direita, sentiu-a se encaixar em seus dedos; era uma extensão de seu corpo.

Um barulho de batidas no carro o trouxe de volta à realidade. Três meninos de rua encostaram em sua janela aberta portando cacos de vidro. Eles ameaçavam, mandavam que ele entregasse todo o dinheiro e pertences que tinha.

Osvaldo apenas levantou a mão, deixou que as crianças vissem a sua arma; o efeito foi imediato. Os três meninos saíram correndo, desesperadamente tentavam atravessar a rua. Osvaldo abriu a porta do carro lentamente e saiu, apoiou a mão direita no teto e apontou para os garotos. Um, dois, três tiros... caíram todos mortos; a arma não estava mais fria, era agora um pedaço familiar de metal quente, produzia um calor agradável, um sentimento quase humano.

Osvaldo puxou seu telefone, ligou para o batalhão e mandou que enviassem algumas viaturas para tomar conta da situação. Também ligou para avisar seu amigo que não poderia mais ir com ele até o bar; estava com muito sono, decidira ir para casa descansar.
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Escrever é preciso?

em 13/11/2009.
| Comentários: (4)
Começo esta postagem sem saber exatamente aonde ela vai me levar. Naturalmente, a questão central é a do título: escrever é preciso? Ando pensando sobre isso ao refletir um pouco sobre o ofício de escritor. Por que nós o escolhemos? O que nos empurra para esse mundo de contos, poesia e literatura? Por que há essa vontade de caminharmos em direção a algo que no Brasil é tão pouco valorizado? E não me refiro aqui apenas a escritores profissionais, mas àqueles que almejam viver disso - o que, convenhamos, no país é praticamente impossível - e também àqueles que escrevem apenas pelo prazer de escrever. Este, inclusive, é um ponto central: de onde vem esse prazer? Enfim, escrever é, de fato, uma necessidade?

Eu sei. São muitas questões complicadas, que geram respostas ainda mais complicadas. E é por isso que escrevo esta postagem, para tentar refletir um pouco e, quem sabe, formular uma idéia própria em relação a todos esses problemas. Por este motivo é que convido todos os leitores compulsivos, os contistas e os poetas que acompanham o blog a entrar também nesta discussão. Eu, particularmente, não sei dizer se escrever é realmente preciso, no sentido de que escrevemos por uma necessidade. Há quem escreva por profissão, para se sustentar e apenas isso. Há aqueles que dizem - embora eu não acredite muito - que escrever é um processo chato (sim, falo do Chico), mas mesmo assim o fazem.

Para tentar trazer mais elementos à discussão, falarei um pouco a respeito da minha própria experiência. Eu comecei a escrever quando, ao terminar um poema meio que despretensioso, percebi que o que eu tinha escrito havia ficado bom - pelo menos para o meu gosto literário da época. A partir dai fiquei um pouco confuso, porque tudo o que eu produzia ou queria produzir não se encaixava nos estilos literários que até então conhecia: eu ainda era novo, época de colégio. Foi quando entrei em contato com o modernismo e deste ponto em diante comecei a produzir e não parei mais.

Ou seja, de uma maneira geral, escrevo sempre que tenho idéias ou quando quero fazer algumas experimentações - poucas vezes faço um poema ou conto por causa de algum sentimento, o que não descarta completamente esta possibilidade. Se repararem, muitas das coisas que coloquei aqui no blog têm um embasamento filosófico por trás; isso acontece exatamente pelo fato de eu gostar de colocar algumas idéias em jogo e ver a literatura como a forma mais bela e até mesmo natural de fazer isso. Uma outra razão que também me impele à escrita é o fato de eu gostar muito de ouvir e contar histórias - por isso os contos policiais, por exemplo. Como sempre digo, não há nada melhor do que uma boa ficção.

Enfim, esta é mais ou menos a minha relação com a escrita: espero que ela possa ajudar aqueles loucos como eu que param para pensar sobre estas coisas. Naturalmente, gostaria também de convidar todos a participarem da discussão e colocaram também suas opiniões sobre o assunto.


Nota: acho que estas questões me vieram à cabeça porque o meu "novo velho" projeto aqui no blog - Donatelo, o escritor - trabalhará também um pouco com esta problemática.
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1

Quando a cidade se encontra em trevas

em 11/11/2009.
| Comentários: (1)
Escrevo poemas à luz de velas:
são versos sinceros,
poesias singelas
que se expandem,
soltas como fogo no papel
até que as velas certa hora se desmanchem.

--

E a trilha sonora do apagão é o som distinto dos alarmes dos carros.


Comentário: Fica ai a homenagem à noite de ontem, hehehe.
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1

Casamento por cinco anos - por Carlos Drummond de Andrade (Contos)

em 09/11/2009.
| Comentários: (1)
Da idéia de prorrogar os mandatos populares defluiu a idéia de prorrogar o casamento de Bertoldo Seixas, cujo contrato matrimonial estipulava o prazo de cinco anos de vigência.

Não partiu de Bertoldo a iniciativa, mas de sua mulher Eufórbia, que alegou ser muito exíguo o período de cinco anos para se decifrar a verdadeira sociedade conjugal.

Bertoldo respondeu que contrato é contrato, e como tal deve ser cumprido, a menos que haja motivo justo para a rescisão.

Como Eufórbia insistisse em seu ponto de vista, Bertoldo anuiu sem convicção, e prorrogou-se o casamento por prazo indeterminado, isto é, para a eternidade.

Ao fim de seis meses de prorrogação, a mulher sentiu o peso da eternidade e propôs o cancelamento da união. Bertoldo opôs-se, alegando mais uma vez que os contratos merecem ser cumpridos. Discutiram bastante, e acordaram afinal em dissolver o vínculo. Bertoldo e Eufórbia voltaram a casar-se por cinco anos improrrogáveis, mas com outra parceira e outro parceiro, respectivamente. Parece que são razoavelmente felizes.


Comentário: Não há nada como o bom-humor de Carlos Drummond de Andrade. Eu, particularmente, gosto dos seus contos irônicos, são simplesmente fora de série. Mais uma vez, trago contos de Drummond para vocês, para mostrar um lado não tão conhecido do autor. Tenho de confessar que, cada vez mais, gosto do Drummond contista. Este texto foi retirado também do livro Contos Plausíveis, um obra fantástica do autor, com mais de 130 pequenas histórias. Se quiserem saber um pouco mais é sobre o livro é só conferir na minha primeira postagem sobre estes contos de Carlos Drummond de Andrade.

Para quem gosta do autor, também é possível conferi-lo declamando um de suas obras no blog nas postagem Poemas de Carlos Drummond de Andrade.
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Donatelo, o escritor - O melhor livro do mundo

em 07/11/2009.
| Comentários: (5)
Este é um projeto bem antigo, do início da criação do blog que resolvi retomar, reescrevendo os contos iniciais que eu já tinha apagado e produzindo novos. É um personagem fictício que, creio, trará historinhas bem interessantes para nós. Espero que ele agrade e que vocês tenham vontade de acompanhá-lo. Criei também uma espaço para colocar em ordem as histórias num post: Donatelo, o escritor.



Donatelo, o escritor: O melhor livro do mundo


Livros. Muitos livros naquela vitrine, pensou Donatelo enquanto atravessava a rua em direção a uma pequena livraria. Como um bom escritor e interessado nas novidades literárias, parou em frente à loja por algum tempo, olhando os novos exemplares.

Era curioso. Muitos livros sobre os assuntos mais estapafúrdios; alguns de auto-ajuda, outros de ficção. Donatelo logo começou a refletir... se tinha algo que gostava de fazer, era refletir.

Esses livros vendem... e muito, pensava ele. Mas os críticos não gostam deles. Os críticos geralmente gostam de livros que vendem pouco, pois assim se provam diferentes da massa. Não sei se esses livros são bons, nunca os li. Agora, qual seria o melhor livro do mundo?

E Donatelo ficou estático, mais algum tempo a pensar. E se houvesse um livro que fosse tão bom que todas as pessoas quisessem comprar? E se a vontade de comprar o livro fosse tão grande que as pessoas começassem a roubar e matar para consegui-lo?

Bem, definitivamente um livro que vendesse tanto não agradaria aos críticos, o que seria bom, pois muitos crimes estariam acontecendo em decorrência dele. Já um livro que fosse tão bom para os críticos que fizesse com que eles brigassem entre si não seria tão danoso. Afinal, poucas pessoas lêem os livros de boa crítica.

Ao lado da livraria, uma outra vitrine chamou a atenção de Donatelo; era uma sapataria. Um pouco intrigado, ele deu alguns passos para o lado e fitou a loja com curiosidade. As pessoas já matam por tênis, pensou ele, pondo-se mais uma vez a refletir.
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Em Aletheia - Os gênios

em 05/11/2009.
| Comentários: (2)
Os gênios são os mais respeitados habitantes de Aletheia, podendo exercer qualquer uma das três profissões daquele pequeno país: a de contempladores, de aventureiros e, até mesmo (são poucos os casos), a de outros. A genialidade não se encontra nas coisas complexas, muito menos nas simples, a genialidade encontra-se na própria coisa. Os gênios, para os aletheianos, são aqueles capazes de gerar mudanças; são aqueles que brincam com os paradigmas, que inventam e criam, e geram novas estruturas a serem copiadas por todos os outros reles mortais.
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Carlos Drummond de Andrade - Por Manuel Bandeira

em 04/11/2009.
| Comentários: (3)
Louvo o Padre, louvo o Filho,
O Espírito Santo louvo.
Isto feito, louvo aquele
Que ora chega aos sessent'anos
E no meio de seus pares
Prima pela qualidade:
O poeta lúcido e límpido
Que é Carlos Drummond de Andrade.

Prima em Algum Poesia,
Prima no Brejo das Almas.
Prima na Rosa do Povo,
No Sentimento do Mundo.
(Lírico ou participante,
Sempre é poeta de verdade
Esse homem lépido e limpo
Que é Carlos Drummond de Andrade.)

Como é fazendeiro do ar,
O obscuro enigma dos astros
Intui, capta em claro enigma.
Claro, alto e raro. De resto
Inteiramente à vontade
O poeta diverso e múltiplo
Que é Carlos Drummond de Andrade.

Louvo o Padre, o Filho, o Espírito
Santo, e após outra Trindade
Louvo: o homem, o poeta, o amigo
Que é Carlos Drummond de Andrade.


Comentário: Isso que é presente de aniversário, não é mesmo?

- E este é mais um poema retirado do livro "Antologia Poética", produção excelente da editora Nova Fronteira com poemas do grande Manuel Bandeira.

- No blog você também pode conferir poemas e contos de Carlos Drummond de Andrade.
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Ficção Científica e o filme Fim dos Tempos

em 03/11/2009.
| Comentários: (2)
Hoje pretendia continuar com as postagens a respeito de Fernando Pessoa em que trato das características de suas obras e também de seus heterônimos, ver "Poemas - Fernando Pessoa (Parte I)", mas mudei de idéia: resolvi falar sobre ficção científica e também sobre o filme Fim dos Tempos.

Alguns meses atrás, conversava com um amigo que estava escrevendo sua dissertação justamente sobre ficção científica. Eu falava de uma produção ficcional que se desprendia do real e não precisava mais se justificar, o que poderia decretar o fim do gênero. Ele, entretanto, argumentou que não era apenas através desta característica que se estabelecia o que pode ser ou não classificado como ficção científica. O principal aspecto, segundo ele, seria pensar a tecnologia e também as informações e descobertas científicas e o impacto que elas poderiam ter na sociedade. Isso é justamente o que acontece em Fim dos Tempos.

Recentemente, li uma matéria que falava de um fenômeno que teve seu início em 2006 em que as abelhas começaram a simplesmente abandonar suas colméias e desaparecer, ninguém sabe ainda ao certo dizer para onde elas vão. Hoje, esse fenômeno já se tornou até mesmo preocupante. Nos Estados Unidos, por exemplo, que é o lugar onde o problema está mais acentuado, 50 bilhões de abelhas já sumiram, esvaziando 40% das colméias do país. Surreal, não? Pois é, foi neste momento que notei que Fim dos tempos realmente tratava-se de uma tentativa, através de um filme de suspense, de dar um explicação para este estranho fenômeno.

No filme (e parem aqui caso ainda queiram ver), a história começa com uma estranha série de acontecimentos em que as pessoas simplesmente começam a se matar nas grandes cidades. Inicialmente, não há explicação para o sucedido, mas o próprio filme indica, bem de leve, a questão das abelhas estarem desaparecendo (há uma referência se não me falha a memória sobre a questão numa matéria de jornal no início do filme ou algo assim). Mais para frente, o personagem de Mark Wahlberg, um cientista que, pego no meio do estranho fenômeno, procura compreendê-lo, descobre que as plantas, como um mecanismo de defesa frente à evolução das cidades que as ameaça, começam a produzir uma substância que afeta o cérebro dos animais (e humanos) a sua volta e os faz cometer suicídio. O filme, através disso, acaba fazendo um alerta para a destruição do meio ambiente e etc... mas, como percebo agora, também faz uma especulação sobre esse fenômeno do sumiço das abelhas, pois aparentemente é dele que parte a idéia de todo o filme.

A questão das abelhas hoje foi explicada. Segundo a entomóloga May Berenbaum, da Universidade de Illinois (citação retirada da revista "Superinteressante"), "é uma infecção por vírus, que danifica o código genético dos insetos". O vírus, que ainda não foi isolado, causa modificações em 65 genes dos insetos - e isso é que estaria provocando o comportamento bizarro das abelhas.

Diante desta informação, fiquei bem intrigado, afinal, a explicação do filme não passa tão longe da realidade. Se é um vírus que causa essa modificação no comportamento das abelhas, não podemos, realmente, descartar a possibilidade de que ele possa contaminar também seres humanos, mesmo que precise sofrer algumas mutações para tal; afinal, ocorrer mutações em vírus é algo mais do que natural.

Frente a essas informações me pergunto: quem sabe a investigação científica ficcional não tenha, mais uma vez, nos dado uma indicação sobre o futuro? Achei a questão bem curiosa e interessante; imaginei que o pessoal que acompanha o blog poderia gostar dela. Acho que é um assunto que faz você pensar, não é? Pelo menos me colocou aqui em um estado de reflexão.
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Rapidinhas literárias e Page Rank

em 01/11/2009.
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Sempre gosto de separar um post ou outro do blog para falar de outras iniciativas legais no mundo da literatura, especialmente aqui no espaço cibernético. Mais uma vez vou falar um pouco sobre alguns pontos fortes de alguns dos blogs que acompanho, sempre que aparece uma coisa nova, diferente, eu tentarei colocar por aqui. Além disso, vou falar um pouco sobre o Page Rank do google, que aparentemente foi atualizado (o meu foi). Tenho algumas explicações e ponderações a respeito, o que pode interessar aos amigos blogueiros.

Versos Brancos - É um blog muito legal, que sempre tenta trazer importantes e recentes notícias literárias. Além disso, para quem escreve poemas e contos, pode ser uma ferramenta legal também. Lá vocês podem enviar seus textos para vê-los publicados no blog. Boa oportunidade para quem quer colocar seus textos por ai, mesmo que o Versos Branco ainda esteja crescendo. Enfim, é uma excelente iniciativa.

Fio de Ariadne - Um blog já bem tradicional sobre literatura. Tem um bom tempo na internet e costuma ser atualizado com constância, volta e meia com a republicação de excelentes contos. Enfim, vale checar.

Imaginário Poético - É um blog que comecei a seguir não faz muito tempo. Lá, há umas postagens bem legais, trazendo trechos selecionados a dedo de grandes autores da literatura e até mesmo da filosofia.

Ofício Literário - Um blog com conteúdo muito legal. Não é atualizado com uma freqüência alucinante, mas compensa o tempo a mais de espera (que não é muito) com postagens de extrema qualidade. Vale checar!

Abre Aspas - Não é especificamente um blog de literatura, fala mais de comunicação, redes sociais e etc... Como essas coisas nos cercam o tempo inteiro (alguém não ouviu falar em Orkut, Facebook, Twitter?), a leitura é muito interessante.

Enfim, numa outra postagem falo mais de outros blogs e outras iniciativas legais. Agora irei falar um pouco sobre Page Rank. Como disse, aparentemente ele foi - ou está sendo - atualizado. Fico feliz em dizer que em quatro meses me dedicando ao blog consegui elevá-lo para 3. Acho que é um bom começo para um site de literatura e tentarei aumentá-lo ainda mais nas próximas vezes. Por isso, quem quiser ajudar blog a crescer pode adicioná-lo ao seu blogroll ou copiar o banner ali à direita - entretanto, tenho minhas razões para acreditar que o bloroll seja uma ferramenta mais eficiente e segura de se conseguir PR, mas isso fica para um possível outro post.


O que é Page Rank?

Para quem não sabe, irei dar uma leve explicação. O Page Rank nada mais é do que uma maneira encontrada pelo google de identificar um site como relevante ou não. Ele funciona da seguinte maneira: cada link que sua página recebe é considerado um sinal para o google de que ela é relevante. Entretanto, se este link vier de um site de Page Rank alto, ele valerá mais do que de um ainda mal rankeado. Da mesma maneira, quanto mais links você coloca para outros sites na sua página, menor será o valor do seu voto para as páginas que você linkar (mas vale lembrar que o seu Page Rank não é afetado por isso). Quando você "indica" muitas páginas de uma vez, seu rank é dividido pela quantidade de links que você utiliza, o que significa que se você indicar muita gente, seu "voto" para não valerá tanto assim, mesmo que seu rank seja alto.


Qual a importância do Page Rank?

Naturalmente, por ser o valor de relevância dado ao seu site, o Page Rank ajuda - e ainda ajuda muito - o seu site a aparecer em boas posições nas pesquisas feitas no google. É muito mais fácil para um site de Page Rank alto conseguir colocar seus artigos nas primeiras posições das pesquisas em palavras-chave importantes (o famoso google page 1). Para quem não sabe, o Page Rank varia de 0 a 10, sendo que dificilmente um site consegue atingir um total de 9 ou 10 (que para mim é impossível), ainda mais no Brasil. Para terem uma idéia, a Globo.com e o Terra tem um valor de 7.

Agora vou explicar o porquê de eu achar impossível algum site alcançar Page Rank 10. Isso porque, pelo que entendi quando li sobre, você ter um Page Rank 3 como o do meu blog significa que, para o google, seu site é mais relevante do que 30% dos sites presentes na internet. Deste modo, para que um site tenha um Page Rank de 10, é preciso que ele seja mais relevante do que 100% da internet, ou seja, é a história do Highlander (=P), só pode haver um; e esse um, como todos sabemos, é o google. No máximo posso aceitar que algum site alcance o Page Rank 10 por arredondamento, isto é, o sistema considerá-lo mais relevante do que 96% dos outros sites e, por isso, conceder-lhe um PR de 10. Enfim, espero que a explicação tenha ficado clara e possa ter ajudado vocês a entender melhor como a coisa funciona. Se quiserem que de vez em quando eu fale mais sobre este tipo de coisa (como checar seu PR e etc...), é só deixarem um comentário.
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