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Avatar: um filme ideologicamente importante

em 10 de jan de 2010.

Nota: Não me preocupei em evitar spoilers, a resenha é mais para quem viu o filme, para que possa pensar sobre ele, refletir a respeito da história, perceber o que ela traz.

Faz algum tempo que não posto nada relacionado a filmes aqui. Como sei que algumas pessoas gostam (com o @adrianovinagre) - e também por me ajudar a pensar um pouco sobre minha pesquisa - resolvi falar de Avatar. Sei que estou atrasado na onda, pois todo mundo já deu seu pitaco sobre o filme, mas eu pretendo falar de coisas menos cinematográficas e mais focadas em questões como a mensagem e a ficção ali criada, nos parâmetros da série de postagens do blog Notas sobre a ficção.

Para quem não sabe muito bem como funciona essa análise, confiram a série de postagens, como a sobre o Bee Movie e Ensaio sobre a cegueira. A idéia é observar como a ficção pode influenciar a vida em sociedade. Neste aspecto, gostei muito de Avatar. É um filme bom (não achei espetacular), mas que traz também uma mensagem muito legal, uma mensagem a favor da natureza, da preservação. Eu, particularmente, fico muito feliz que uma super produção traga ideais tão positivos, pois certamente fará muita gente pensar um pouco sobre a preservação do nosso meio ambiente.

Isso irá acontecer por quê? Apesar de não se tratar ali efetivamente de nossa sociedade, por uma simples questão de analogias e metáforas, a mensagem presente no filme é levada para nosso mundo. Os humanos destruíram a sua própria terra e agora estão fazendo a mesma coisa em outros planetas. Avatar nos mostra como o ser humano é cruel neste sentido, como destrói aquilo que está a sua volta e que faz parte dele. O ponto negativo, pelo aspecto de minha pesquisa, é que se defende claramente uma idéia: há os homens maus que querem destruir o mundo, há as pessoas boas que querem proteger a natureza. No fim, os protetores vencem e a própria mãe natureza se revela no momento crucial, algo que ficou muito legal na história, foi muito bem construído, mas que, além de meio previsível, deixa evidente o posicionamento do filme. Claro que é um posicionamento positivo - e fico muito feliz com isso -, mas assim como numa produção que tenta passar um ideal lá não muito legal, como o Bee Movie, abre-se pouco espaço, neste aspecto, para a reflexão de cada um. A mensagem é clara, vertical.

Ainda assim, Avatar, embora tenha um posicionamento fixo, pode gerar uma reflexão, uma vez que cria todo um mundo e dá ao espectador mais do que um filme, dá a ele uma experiência (especialmente na versão em 3D). Quando somos levados a viver aquele mundo, aquela natureza exuberante, vivos e soltos nas florestas, em comunhão com tudo a nossa volta, certamente pararemos para refletir. Ao experienciar a vida dos Na'vi (povo que vive no planeta Pandora, um local rico em um valioso minério que os humanos querem explorar), nós entramos em contato com uma vida diferente, uma vida em conexão com o meio ambiente, onde tudo faz parte de tudo. É justamente neste aspecto que Avatar pode sim trazer reflexão e pode alcançar um poder de convencimento ainda maior. Isso acontece, porque não se estará argumentando. Não se coloca a lógica na mesa para falar da preservação ambiental, o que se faz é trazer, por meio da ficção, a experiência de um mundo em que tudo está conectado, todos os seres vivos fazem parte de uma coisa só. E após termos contato com tal mundo, iremos naturalmente levar o que sentimos e vivemos nele para o nosso; faremos a reflexão, exatamente como o personagem principal, Jake Sully, faz, uma vez que passou a viver tanto como humano quanto como Na'vi - e no caso opta pela vida dos Na'Vi.

Enfim, no geral o filme é muito bom, ainda mais com todos os efeitos visuais que tem. Como disse antes, é quase como uma experiência, não é somente uma história. Além disso, como já mencionei algumas vezes, é um filme importantíssimo, pois coloca em evidência uma questão que, para mim, torna-se cada vez mais crucial. A preservação ambiental é sim cada vez mais necessária e fico muito feliz em ver um produto com o alcance de Avatar defendê-la tão veementemente.

7 Comentários:

Chris

Excelente, Leo, como sempre!
Realmente importante um filme com tanto alcance tratar da questão ambiental de forma bela e tocante.
Espero também que isso atinja as pessoas profundamente.
Mudanças são necessárias.
Foi uma bela experiência - o filme e teu texto.

Anônimo

Eu tbem gostei muito deste filme,que nos dar uma coisa para pensar em relaçao a natureza,que é nossa, e estamos detruindo cada dia que passa. Sem ter nem um dever de mante-la,dever de melhora-la para os nosso filhos e neto que vão estar ai no futuro bem próximo1! eeeee,e realidade da vida? vilmar brasil.

Anônimo

Fantástica a sua reflexão. Está bem na linha do que venho discutindo com alunos de pós-graduação em educação ambiental e geografia do semiárido, onde trabalhei o filme. O cinema pode ser uma ótima ferramenta para se pensar técnicas de educação ambiental. Gostei muito de seu texto.

Luciana Rosenau

Muito bom ver um comentário de alguém que realmente captou a mensagem e pode ir além da análise de roteiro e tecnologias. Uma percepção da inserção em outro mundo e suas conexões com nossa vida. Parabéns!

Leonardo Schabbach

Fico muito feliz mesmo com o seu comentário. Muito significativo.

Espero que tenha apreciado o blog, e te convido a o seguir e acompanhar as postagens!

Izabel Santos

Concordo plenamente,deste filme Conclui que: Para os nativos da imaginária Pandora dizer eu vejo você é o mesmo que dizer EU VEJO DENTRO DE VOCÊ.
É perceber e reconhecer a essência daquele que está diante dos seus olhos.
É conhecer o “outro” e dar a ele o direito de ser “diferente” é a essência dos tempos atuais
Ver alguém é mais que olhar,é reconhecer uma presença.....
Ver outro diante de mim, e ao mesmo tempo em que reconheço a singularidade de sua presença, só o faço pelo reconhecimento do semelhante dentro de mim.
Este é um dos atrativos do filme Avatar que nos convida para uma maneira diferente de ver um ao outro, e o mundo ao nosso redor é mais do que ver o outro fisicamente, com os olhos.

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