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Manuel Bandeira e a questão da forma na poesia

em 14 de jan de 2010.

Hoje vou dividir com vocês uma história sobre Manuel Bandeira contada por um professor que tive na Escola de Comunicação da UFRJ, Aloísio Trinta. Coloco ela aqui não só por achá-la interessante, por imaginar que traga à luz algumas peculiaridades de um dos maiores escritores brasileiros (ver a postagem curiosos "causos" de grandes autores), mas também pelo fato de ela colocar em discussão um assunto bem interessante e polêmico: a questão da forma na poesia.

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Segundo meu professor, em sua época de juventude, ele e seus amigos se encontravam sempre para conversar em um mesmo lugar (ele disse na época onde, eu só não me lembro agora). Por coincidência, por ali passava todo dia Manuel Bandeira, já com uma idade bem avançada, fazendo sua caminhada diária. Um belo dia, animado por ser também um poeta, meu professor resolveu falar com Bandeira e pedir para que ele olhasse os seus poemas. O poeta respondeu que sim, mas que, para cada poema que quisesse mostrar, ele deveria lhe entregar dois sonetos.

Meu professor achou estranho e perguntou qual era a razão daquele pedido. Eis que Bandeira respondeu: "a maioria nunca mais me procurar".

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Enfim, como eu disse, é uma história interessante. Claro que Manuel Bandeira não fazia aquele pedido apenas para se livrar dos almejantes a poeta que o procuravam. Acontece que, naquela época, o modernismo estava em seu auge, era um período em que a forma fora colocada em cheque, em que se experimentavam coisas novas e quase nunca os poetas se utilizavam de modos "mais formais" de poesia. O que Bandeira quer dizer, portanto, é que apesar de ele mesmo romper com esta forma, é preciso que os poetas a conheçam. Só tendo o domínio destas regras formais é que se pode trabalhá-las de maneira diferente - ou até mesmo criar outras formas poéticas.

Eu, particularmente, devo dizer que concordo com esta visão. Gosto muito de alguns aspectos formais, do trabalho com a rima e com a musicalidade principalmente. Como um amigo já me disse, mesmo no modernismo, há uma forma presente, por mais que se queira romper com ela. Ela só não é padronizada, não aparece igual em todos os poemas, o que não significa que não está lá, mesmo quando falamos de versos livres. Inclusive, acho que a grande dificuldade em fazer bons versos livres - pois acho que seja a maneira de se fazer poesia mais difícil - se encontra em construir uma forma em um texto aparentemente desprendido de qualquer regra. Na minha opinião, quando não conseguimos tal feito ao construir os versos livres, acabamos produzindo algo como uma prosa-poética que, para mim, não alcança o mesmo nível artístico de um grande poema.

Esta é minha posição. E vocês, o que acham? Como bônus, segue um poema meu sobre o tema:


Modo e forma

O modo molda a forma
assim como as idéias advém dos pensamentos.
Ele aflora e desabrocha com o tempo,
com o tato,
com o treino
com a vida.

O modo modula o poema,
pois ele o racionaliza.
Já a forma, o modo, concretiza
em figuras, fulguras e funções.

E passam sílabas,
passam palavras,
passam frases e sentenças
e cresce cada vez mais a crença
no modo formal de poesia.

Em cada verso vale de tudo,
falar de coisas, estrutura e conteúdo.
Mas sem a forma,
nada se transforma;
nada se cria.

3 Comentários:

Bernardo Veiga

Fala, Leo! Ultimamente venho pensando nisso também e concordo com o que você falou, quase em tudo. Acho que o mais importante da poesia não é a forma, mas o ritmo, certa musicalidade inocente que a poesia produz, ou que produz a poesia, com a mera inversão causando uma mudança na sonoridade... neste sentido, defendo que os conceitos não são formas, nem matematizáveis, afora conceitos, enfim, matemáticos, como um triângulo, mas qualquer outra coisa fora do espaço e tempo não é matematizável, como os sentimentos em geral. Assim, uma forma não pode ser amorosa, nem viciosa. Por outro lado, a forma é conveniente porque a poesia não é angelical, ela é humana e por ser humana é material conforme a sua representação, porque ela em si mesma é representação, uma representação linguística e, em consequência, fonética. É nesta materialidade que se encontra a sua forma, porque a representação é matematizável, a expressão é necessarialmente formal sob algum aspecto. Por isso, toda poesia é alguma forma, e as leis que regem a linguística e a fonética são as leis próprias da forma da poesia. Assim, uma poesia sem forma, é como um triângulo sem lado, um absurdo no próprio conceito. Mas, claro, a poesia não é só forma, da mesma forma como se se dissesse: "todo homem é mortal, homem é uma palavra de 5 letras, logo uma palavra de 5 letras é mortal". Claro que não é isso, a poesia não é só a linguagem, ela é a somatória da forma mais o simbolismo cultural que ela provoca, conforme a arbitrariedade da sua respectiva história. Só é possível dizer que a poesia é só a forma, na medida em que se diz que uma bola é só a sua esfera, mas é sempre algo além, há uma textura, há uma beleza, que a simples relação geométrica não conseguiria abarcar e, por outro lado, não poderia existir uma bola sem a matemática própria da matéria da bola. É isso! Viva a poesia! Viva o ritmo! Viva a beleza de um mundo desconhecido, sob as formas já existentes, rsrs (minha forma parnasiana sempre me entrega...rs)

Silvana Nunes .'.

Salve !
Em busca de leitores e de petrocínio para o meu blog, estou aqui para convidá-lo a conhecer "FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER...", em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Professora e pesquisadora da cultura brasileira, acredito num mundo melhor com menos violência através do exercício da leitura e da reflexão.
O afeto e a educação continuam sendo o maior bem que podemos deixar para os nossos filhos. Com amor, toda criança será confiante e segura como um rei, não se violentará para agradar os outros e será afinada com o seu próprio eixo. E se transformará num adulto bem resolvido, porque a lembrança da infância terá deixado nela a dimensão da importância que ela tem.
Além disso, divulgar esse imenso país com suas belezas naturais e multiplicidades culturais têm sido outra de minhas metas, afinal ninguém pode amar aquilo que não conhece, não é verdade. Eu me apaixonei pelo Brasil aos 12 anos, depois de ler "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna para fazer uma peça de teatro na escola onde estudava - Chicó foi o meu primeiro amor. Penso que falta ao povo brasileiro conhecer mais o seu país. Ultoimamente temos visto tantos escândalos na TV, dinheiro em mala, en cueca, em bolsa, escondidos até em meia...tanta gente passando necessidade e essa raça de políticos desviando milhões dos cofres públicos, deixando o povo a mercê da própria sorte. Uma total falta de respeito para com o seu país. Falta a essa gente o sentimento de pertencimento, afinal o Brasil ainda é o melhor lugar para se morar.
Bem, se você achar a minha proposta coerente, VAMOS TODOS JUNTOS NA LUTA POR UM MUNDO MELHOR.
Atualmente moro dentro de um pedacinho da Mata Atlântica, ruídos aqui só o canto dos pássaros, o Curupira,do Caruara, a Pisadeira ... vez por outra o Saci aparece aprontando das suas. Devido a localidade ser muito alta, o sinal que chega do meu 3G é muito precário, nem sempre posso estar online. Alé, disso tenho outro probleminha: os relâmpagos. Espero que compreenda as diversas limitações de quem escolheu viver no meio do mato e, na medida do possível, vou respondendo os e-mails que chegam e atualizando o meu blog FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Se você ainda não o conhece, dê uma chegadinha por lá, é só clicar no link em azul. Deixe para mim o seu comentário.
Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre e que os bons ventos soprem a seu favor neste ano de 2010 que se inicia.
Saudações Florestais !
Silvana Nunes.'.

Lucas

Olá! Gostei muito desse post! Eu acredito q a forma é muito importante na poesia! Eu, como poeta, gosto de 'respeitar' uma métrica nas minhas poesias! A grande maioria delas tem uma forma pré-definida! Mas nem por isso penso q a poesia pra ser boa deve ter isso! Na verdade, a forma, as rimas e td mais são importantes, mas o q mais importa são as idéias! Abraço!!

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