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[Novos Autores] Estudos sobre a leveza, de Fernando Torres

em 23 de fev de 2010.

Publicar um livro de contos é uma tarefa complicada. E não falo aqui da dificuldade de se produzir e vender um livro do gênero, que é maior do que fazê-lo com um romance. Falo da árdua tarefa de "garimpar" entre os seus contos aqueles que formam um livro coeso, uma obra que tenha um determinado sentido. No livro Estudos sobre a leveza, Fernando Torres (@novasvisoes - sigam e entrem em contato com o autor) consegue executar tal tarefa com precisão. Há um ou outro conto que até podem fugir - não muito - um pouco da proposta principal do livro, mas nada que atrapalhe - pelo contrário, alguns deles são até meus favoritos, como o Trinta e Três Rotações, que possui uma veia mais surreal.

[Nota: Confiram com exclusividade o conto O Corpo, do livro Estudos sobre a leveza.]

De uma maneira geral, interpretei o livro, não sei se o autor há de concordar, como uma tentativa de entender ("estudar") o que é o humano, encontrar e definir os traços humanos nas mais diversas situações, sejam elas dramáticas, cotidianas ou, até mesmo, surreais. Creio que é com este objetivo que Fernando Torres, em muitas das histórias, faz quase como um "retrato" de um determinado momento da vida do personagem, sem se preocupar com o que veio antes e depois, com a intenção de mostrar o sentimento daquele instante, o que o aflige, o que o anima e etc... Creio que os contos Os Vermelhos e O Corpo (que o autor me permitiu publicar aqui em alguns dias para vocês degustarem) fazem bem este papel, cada qual mostrando aspectos opostos. Um traz as lembranças de uma mulher mais velha diante de um objeto de desenho (um sapato) e o outro denuncia, também com alguns traços surreais, a banalização da violência e a falta de conectividade entre as pessoas.

Devo confessar também que diante de alguns contos fiquei com uma sensação de que talvez faltasse alguma coisa, às vezes gostaria de vê-los mais explorados, mas isso vai do gosto de cada um. Como todo o livro de contos, umas histórias irão agradar a uns e outras a outros. Estudos sobre a leveza é, para mim, uma excelente obra de estréia e, até pela entrevista dada pelo autor, creio que pode indicar o surgimento de um novo escritor muito bom, que estará sempre procurando melhorar.



CONCORRA A UM EXEMPLAR

Seguindo o mesmo padrão da última promoção, que teve um sucesso muito grande, utilizarei um combinação de comentário no blog mais twitter. Então, leiam com atenção para saberem como participar:

- Colem a seguinte mensagem no perfil de vocês do twitter: RT @leoschabbach Concorra a um exemplar do livro "Estudos sobre a leveza" do escritor entrevistado Fernando Torres! - http://migre.me/l3pf

- No blog, respondam a seguinte pergunta com um parágrafo de, no máximo, 5 linhas do Word nos comentários: para você, como poderíamos definir hoje o que é ser "humano" (como qualidade)?

Vocês poderão enviar frases para a promoção até o próximo domingo (27/02). O resultado será anunciado na segunda-feira. E no comentário, favor, identicar-se colocando o nick do twitter. Exemplo: o meu é @leoschabbach.



ENTREVISTA COM O AUTOR

Por que o nome Estudos sobre a leveza?

R: Essa é uma pergunta que muita gente me faz. "Estudos" tem um duplo senso para mim, por um lado é idéia de ir a fundo em um tema, ou seja, debruçar-se sobre a proposição que colocamos, assim faço um exercício quase acadêmico quando me proponho a escrever um conto, mas assim como Adorno, considero o exercício acadêmico, se feito como deve, uma forma de arte. Por outro lado, encarar a empreitada de escrever o primeiro livro como estudo é uma forma se colocar em uma posição de humildade que eu acho necessária, que salvo raras exceções (e cito de forma ilustrativa James Joyce) ninguém pode encarar seus primeiros trabalhos como obras primas. Alguns escritores se arrependeram muito de seus primeiros escritos e muitas vezes por verem neles o ranço da prepotência juvenil. Achei que encarar o trabalho dessa forma me ajudaria a encontrar o tom apropriado para a minha estréia na literatura.

Já a "Leveza" eu pesquei do primeiro capítulo de "Seis propostas para o novo milênio" de Italo Calvino (Cia. das Letras), pois eu fiquei apaixonado pelo conceito que ele trata. Eu acho que falta o olhar sobre a leveza em nossa literatura e o pesadume está presente em exagero. Claro que quando vamos fazer um estudo sobre a leveza, o pesadume está presente até como contraposição necessária. Mas é sobre a leveza que eu me debrucei ao escrever sempre. E digo isso por que eu acho que a arte enquanto "choque" está esgotada, nada mais choca as pessoas. Nós batemos palmas a exercícios de sadismos culturais, como são os "realities show" ou alguns programas de pretensa comédia. O mundo cão não pertence mais à arte como forma de chocar, mas à nossa cultura popular. A arte é dialética, ou seja, é necessária a contaposição àquilo que diagnosticamos como estabelecido.


Montar um livro de contos é sempre tarefa complicada: às vezes é difícil de dar uma unidade ao livro. Como foi esta tarefa para você? Que direção tomou?

R: Com certeza. Eu demorei três anos entre escrever o primeiro conto e ver o "Estudos sobre a Leveza" publicado. Existe um trabalho intenso de escrever, revisar, reescrever, colher opiniões, escrever, revisar, reescrever. Eu já escrevi um texto no meu blog em que eu dizia que não escrever (ou seja tudo aquilo que não seja efetivamente criar) é tão importante quanto escrever.

Para esse livro eu parti de um conjunto de 30 contos e alguns simplesmente não se encaixavam na proposta, mesmo sendo contos que foram elogiados ou que eu gostava muito. Depois que fechei esse universo que se encaixava na idéia título do livro, reli com cuidado, depois pedi para uma amiga com experiência fazer a revisão do texto. Quando achei que poderia apresentá-los, mandei para um amigo escritor com mais experiência e pedi uma leitura crítica, que trouxe sugestões essenciais. Ou seja, depois de trabalhar bastante no texto pude encará-lo como obra pronta.

Todo esse processo requer paciência e humildade, pois temos que ter a sabedoria de aceitar sugestões e mudificar aquilo que escrevemos.


Você tem algum conto ou conjunto de contos favorito no livro?

R: É muito difícil dizer se há um conto favorito. Existem contos com os quais tenho uma relação emocional, como "Os Vermelhos" ou "Cheiro de Café Quente", pois foram os primeiros que escrevi. Existem outros em que acho que acertei em cheio na minha proposta, como "Punctum e Fiaba", que é uma fábula a meu próprio modo, e "Mandala de Areia", no qual acredito que melhor adeqüei forma, técnica e conteúdo. Por outro lado existem contos em que acho que fui longe e rompi com meus próprios padrões como "Abstrato!" e "Trinta e Três Rotações" que têm elementos oníricos. Por fim, existe dois que costumam agradar as pessoas e por isso mesmo acabo me afeiçoando a eles que são "Barulho Seco" e "Inesperado Gol". Como você pode ver, é muito difícil escolher, então prefiro que você e os outros leitores escolham e me contem os favoritos.


Quais os contistas que você mais admira? Acha que algum deles influenciou sua obra? E como?

R: Eu acho que essa uma pergunta que devemos dividir em duas partes. A primeira é falar dos grandes clássicos da literatura, como Machado, Tchekov, Guimarães, Hemmingway, entre tantos outros. Acho que aprendi a escrever na forma curta com Tchekov, essa busca pelo impacto com poucas palavras, a objetividade e a ironia (que eu encontro também em Machado). Com Hemmingway aprendi especialmente com os contos "Colinas como elefantes Brancos" e "Os Assassinos" em quais aprendi a importância daquilo que não é dito. Talvez na literatura seja mais importante o que não dizemos.

A segunda parte está em escritores fora do cânone tradicional, que acabam sendo aqueles escritores por quem temos especial afinidade. Nesse caso posso citar alguns também, como Otto Lara Resende (que poucos conhecem como contista), o catalão Quim Monzó, minha amiga Suzana Montoro, entre outros.


Pode nos falar um pouco sobre as dificuldades enfrentadas pelos novos autores no Brasil?

R: Acho muito fácil entrar na ladainha que é difícil publicar um livro no Brasil. Publicar um livro no Brasil até que é fácil, existem muitas editoras (algumas piratas, outras idôneas) que publicam mediante o pagamento por parte do autor. As livrarias estão repletas desses livros, alguns que nem imaginamos. Graciliano Ramos bancou uma de suas obras (não me recordo qual), e seu editor foi o grande José Olympio. Existem outras pequenas editoras que trabalham com pequenas tiragens e em breve teremos métodos que facilitarão a publicação.

O difícil é estabelecer uma carreira literária de respeito. E claro, para isso queremos publicar com as grandes editoras. E precisa ser difícil, quando pegamos um livro de uma editora que admiramos, com ela está seu padrão de qualidade, ali está o trabalho de uma dezena ou mais de profissionais que dedicaram anos de estudos na arte de confecção de um livro. Dentre esses profissionais está o escritor que é força motriz desse engenho que é editar uma obra literária. Eu estou percorrendo um caminho de muito investimento pessoal, assim como todos escritores que admiro, é difícil? Sim, mas você prefere ter um médico, advogado, publicitário, engenheiro que se dedicou a conhecer sua área ou ou um inexperiente? Com escritor é a mesma coisa. É difícil? Sim, mas assim separamos o joio do trigo.

Talvez eu seja meio duro até com alguns amigos. Mas existem muitos aspirantes a escritor querem as coisas de mão beijada, mas isso é uma doença de minha geração, que não sabe lidar com as frustrações.


A Editora Multifoco tem se esforçado muito para encontrar novos talentos. Como foi sua recepção pela editora? E como os livros são comercializados?

R: A Multifoco encontrou uma maneira aparentemente eficiente de explorar esse mercado. Esse trabalho está, junto com outras editoras, movimentando o mundo literário e isso é muito bom. Meu contato com eles foi sempre positivo, principalmente por entender a regra do jogo. O negócio deles é uma parceria de esforços entre o escritor e a editora. Nisso o escritor tem de entender que o reconhecimento é algo para ser conquistado com esforço. Meu livro não está nas prateleiras das livrarias, mas é um passo para eu conquistar esse espaço. Assim, fica um pouco difícil eu ter um leitor acidental, porém, eu estou certo que de alguma forma eu já conquistei cada um dos meus leitores antes de ler meu livro, por meus esforços.

Meu livro hoje só vendido na minha mão, a próxima tiragem deve ser vendida tanto pelo site da Multifoco como na minha mão. Acho legal essa relação direta com o leitor por que aproxima os dois e o livro não vira mero artigo de luxo em sua estante. Mas, reforço, exige dedicação do autor. O reconhecimento, espero, será fruto desse esforço.

18 Comentários:

............dri!

"Ser “humano” é ser uma mutação constante, ser metade do que se quer e metade daquilo que se espera, é ser uma parte homem uma parte animal, é ser desumanamente humano, é ser necessidade e cobiça, é ser sentimental e ao mesmo tempo dureza. Ser humano é ser antes de mais nada confuso."

Bom enfim, não sei se era isso, mas o que vale é a participação.
Boa sorte para mim =p

Leonardo Schabbach

Eu esqueci de avisar isso no tópico, irei editar. Não esqueçam de deixar indicado o twitter de vocês, para eu fazer o controle. Exemplo: o meu é @leoschabbach.

O do primeiro comentário eu sei de quem é e sei que está tudo certo, mas pode acontecer de eu não saber. Então, por favor, coloquem a identificação do twitter para facilitar.

Desde já, agradeço,
Leonardo Schabbach

Marília Maciel

É saber reconhecer as peculiaridades de cada um, aceitando seus defeitos e qualidades; é ter compaixão pelos sentimentos alheios, e agir com bem senso e com justiça.

Meu twitter: @marilia_maciel

daiane

É saber respeitar ao próximo, cumprindo com seus deveres e correndo atrás de seus direitos.
meu twitter: dada_florzinha

Mário Maciel

É ter a mente e o coração abertos para entender a natureza humana, e agir de acordo com as limitações desta.

@catataz

Van Lampa

Acredito que ser humano é saber viver em sociedade. E para isso, é preciso saber aceitar que não há perfeição, é preciso saber lidar com os defeitos de quem nos rodeia. Mais ainda que isso, é necessário saber lidar com nossos próprios defeitos e limitações. É saber transparecer o que a gente tem de melhor e nunca deixar que nossos defeitos prevaleçam em detrimento de nossas virtudes.
Ser humano é saber aproveitar cada momento da vida diante da fugacidade do tempo.


twitter: @nessaeponto

Anônimo

Ser Humano é sem sombra de dúvida viver na incerteza do erro.

@Cris_in_Sampa

caliope costa

SER HUMANO É UM SER IMPERFEITO,COM MOMENTOS DE GLORIAS E FRACASSOS,GRANDES VALORES E GRANDES DEFEITOS COM ALTOS E BAIXOS.
È TER AMOR AO PROXIMO E SABER SE AMAR, É VALORIZAR A VIDA ACIMA DE TUDO.

@MUSAPE

Letícia Viegas

Ser Humano é ter respeito!!
Respeito com as pessoas, com as diferenças, com os animais, com a natureza.
É saber onde acaba seu espaço e onde começa o do próxima!!
Ser Humano é mudar pra evoluir!
leticia_cviegas@hotmail.com

Fernanda Fiamoncini

Gostei bastante da resenha e da entrevista, é mesmo bem complicado montar um livro de contos coeso, é como montar uma colca de retalhos, um belo trabalho de edição!

Parabéns Fernando pelo livro e ao blog pela resenha!

cristiano

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Estamos, todos, numa atropelada corrida. Não dá pra dizer que nas trombadas e escorregões, algúns caiam sem nossa participação, sem nosso empurrão. É claro que é muito feio, infeliz reconhecer o quanto lutamos pra ser éticos, já que é um tanto quanto difícil ficar parado, apenas recebendo as pedras que são lançadas em nossa direção, no meu caso. Estou falando apenas de uma verdade que me faz pensar que, hoje em dia, ser humano é tentar a todo custo, ser o mínimo desumano possível. Pode parecer uma mentalidade atróz, só que nada mais é do que um 'seguro' de que não quero cair nos joguinhos e armadilhas, porque sei que posso ser mais suave que isso.

Um abraço,
@crosshackl

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Ana Celina

para você, como poderíamos definir hoje o que é ser "humano" (como qualidade)?
Hoje em dia, ser "humano" (como qualidade) pode ser definido como NÃO ser "político" (como defeito)!

Lucas Corrêa Mendes

Não sabemos se conscientizamos nossos instintos / Ou se somos instintivamente racionais,
Somos bailarinos dançando ao som desritmado do destino / Somos da vida, personagens reais.
Criamos forças e descobrimos fraquezas / Amordaçamos o bem em nossa rebeldia,
Conquistamos coragem em meio às incertezas/ Extinguimos o mal em desnuda calmaria.
Isso é ser Humano! - Lucas Corrêa Mendes (Twitter: @LucasCMendes)

Marcos Paulo

Será que dá tempo ainda de participar? Mesmo que não, aí vai: "Tudo que sei é que nada sei e isso me faz conhecer a mim mesmo. Ser "humano" é saber que nada sabe e ao saber que não sabe nada o "Ser Humano" se torna o sábio que sabe sobre si mesmo."

tereza rodrigues

Nao devemos ficar tristes se perdemos um amor pois antes de tudo devemos valorizar nnosso amor propio. Se alguem te der motivos pra chorar nao fique triste,pois deus pod te dar mil motivos pra sorrir.

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