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Cadernos do Homem Comum - Isaac e Bruno

em 4 de jan de 2010.

Nota: Este conto, embora tenha algumas características diferentes dos outros da série, encerra a primeira fase dos Cadernos do Homem Comum (a "segunda fase" deve começar envolvendo o Horácio novamente). Aconselho a quem lê-lo, que dê uma olhada nos anteriores, basta clicar aqui e checar - especialmente aquele em que Isaac aparece pela primeira vez, mas todos são bem legais, trazem uma abordagem diferente do que eu costumo fazer. Os contos são razoavelmente independentes, mas a leitura dos anteriores revelerá conexões bem interessantes, que dão um sabor a mais às histórias.



Isaac e Bruno


Isaac tinha um irmão mais velho: Bruno. Se dava bem com ele, respeitava-o, fazia quase tudo que ele mandava. Bruno tinha consciência disso, sabia da influência que tinha sobre o irmão. E gostava de usá-la, sempre que possível.

Os dois eram diferentes, Isaac era bobo, ainda ingênuo. Não gostava das coisas que os outros meninos de rua faziam. Não queria roubar, nem ser mal-educado; só pedia esmola quando achava estritamente necessário... preferia arrecadar alguma coisa fazendo pequenos trabalhos. Era pouco dinheiro, mal dava para se sustentar durante o dia, mas ele trabalhava, se orgulhava disso.

Seu irmão o achava um tolo, preferia andar com um outro menino, gostava de assaltar: era o jeito mais fácil de poder comprar comida. Assim se sustentava. A ele e ao irmão, que nunca conseguia o suficiente trabalhando; era um iludido, mas tinha bom coração.

Naquela noite, Bruno decidira sair com seu amigo para realizar pequenos assaltos pela praça. Isaac estava preocupado, sentia um nó na garganta, temia pelo irmão, não sabia o porquê; sabia que nunca sentira nada parecido, uma espécie de intuição. Os três seguiam em direção a um carro parado na esquina. Isaac puxava o irmão pelo braço, sentia que tinha de fazê-lo desistir. Bruno bateu na janela, gritava com o motorista, ameaçava.

Isaac ficou confuso, viu seu irmão e o amigo correrem de repente. O homem no carro tinha uma arma, o nó na garganta apertou: ele sabia que não deveria estar ali. Tentou correr, desperadamente tentava alcançar o outro lado da rua. Não houve tempo. Foram três tiros certeiros. Os três meninos estavam mortos. No dia seguinte, Isaac trabalharia como frentista.

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