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[Novos Autores] Um, romance de Geraldo Lima

em 17 de mar de 2010.

Como terceiro entrevistado na campanha de apoio aos novos autores, trago ao blog Geraldo Lima, autor do romance UM (que participa do excelente site literário O Bule e também tem um blog pessoal). Trata-se de um autor não tão novo assim, uma vez que já teve alguns outros livros publicados, incluindo um de contos, O Baque, pela LGE (sua editora atual). Ainda assim, é um novo escritor que se coloca no mercado e busca seu espaço. O romance em questão me chamou muita atenção; primeiro pela profundidade da história e da personagem principal e, segundo, pela grande habilidade narrativa demonstrada pelo autor. O trabalho com a linguagem em UM é realmente atrativo e, algumas vezes, mistura um pouco de prosa com características da poesia.

O livro retrata a história de Paulo, que nos relata seus pensamentos e reflexões, uma vez que foi escrito na primeira pessoa. O cenário é basicamente um, a casa do protagonista, onde ele relembra passagens de sua vida enquanto contempla uma solidão incômoda. Ao atingir o fundo do poço e afastar todas as pessoas de que gostava, ele acaba entrando em um processo reflexivo intenso. E é justamente por isso que a veia poética presente na narrativa tem um forte apelo. Além do prazer estético, somente uma linguagem poética pode passar com precisão o sentimento de angústia que às vezes domina Paulo, um ex-seminarista, agora sozinho e confuso.

Apesar do cenário ser basicamente a sua casa, a história acaba por nos levar a outros lugares. Isso acontece, porque Paulo relembra os momentos que passou com Ana, a mulher com quem morou por algum tempo, e sua amiga Ariadne, além de outros acontecimentos e pessoas presentes em sua vida, como o padre Artur, que lhe foi uma espécie de mentor. Desta maneira, o autor nos convida a mergulharmos na vida de seu protagonista e passarmos, junto com ele, por uma experiência transformadora, que nos causa, vez ou outra, certos incômodos (positivos, claro, provocam reflexão). Na entrevista mesmo, vocês poderão perceber como o próprio autor revela ter sido obrigado a entrar de cabeça nesse "momento revelador" de Paulo para escrever a história.

Enfim, de uma maneira geral, o livro é muito bom. Tem uma leitura muito agradável, conta com algumas passagens narrativas e formais excelentes e ainda provocará muitas reflexões. É um tipo de livro que eu gosto e que, creio, muitos também gostarão. Lembrou-me, em alguns momentos, um pouco de Clarice Lispector, como poderão conferir na entrevista.

Caso queiram conhecer mais a obra, especialmente o que falei em relação à qualidade do texto, podem checar aqui no blog um trecho disponibilizado pelo autor: clique aqui e confira.


CONCORRA A UM EXEMPLAR

Desta vez, o processo da promoção será um pouco diferente. Irei sempre variar um pouco. Desta vez irei sortear o vencedor do livro dentre as pessoas que participarem via blog e twitter. Leia com atenção as regras para saber como concorrer.

- Poste um comentário no blog dizendo o que achou da entrevista, da resenha ou do trecho disponibilizado do livro. No final, assine com o seu nome do twitter: no meu caso, por exemplo, @leoschabbach.

- Vá ao twitter e poste a seguinte mensagem: RT @leoschabbach concorra a um exemplar do livro "UM", do autor entrevistado Geraldo Lima! - http://migre.me/pdPa

***A promoção é válida até meia-noite de domingo, resultado na segunda***


ENTREVISTA COM GERALDO LIMA

Primeiro, sempre acho interessante perguntar: Como percebe este seu romance? O que ele significa para você?

R:   Percebo-o como a minha mais ousada aventura pelo universo literário, tanto em termos de linguagem quanto de forma.  Mesclar a prosa e a poesia é uma busca constante no meu fazer literário, mas creio que  no UM  alcancei um resultado que me deixou bastante satisfeito. Essa fusão entre a linguagem da prosa e a da poesia não dificultou a compreensão da história, pelo menos a resposta dada pelos leitores tem demonstrado isso. E a presença da linguagem poética  amplia o sentido do texto, cria  surpresas no percurso de leitura que só encontramos na leitura de poemas. Brinquei com a forma (digo brinquei porque, nesse sentido, é assim que consigo gostar do texto que estou escrevendo), pois lidar com ela é um ato lúdico para mim. Mas há o mergulho no drama existencial do protagonista, e isso exigiu de mim um esforço redobrado, ou seja, precisei descer junto com o personagem ao inferno que o atormenta. Com esse romance, consegui dar corpo a algumas das minhas inquietações, entre elas o questionamento das certezas religiosas  e a solidão do indivíduo na urbe moderna. Dessa forma, o UM é, para mim, o que de melhor consegui fazer em termos de literatura até agora. Sinto-me satisfeito com o trabalho de cinco anos na sua elaboração.


O romance parte de uma personagem, trata de sua história, mas fala principalmente de relações humanas. O que você acha que ele transmite neste sentido? Do que realmente fala?

R: Paulo, protagonista da história, conseguiu, ainda que involuntariamente,  afastar da sua vida todas as mulheres com as quais conviveu mais estreitamente: sua mãe, sua amiga Ariadne e Ana Paula, com quem morou durante algum tempo. Sua relação com Ana Paula é a mais intensa e a que se desgasta mais, até a ruptura definitiva. Assim, podemos observar que essa incapacidade de manter intactas as relações interpessoais é que gera a solidão na qual ele se encontra. O livro nos mostra que, na maior parte das vezes, nós mesmos somos responsáveis por estarmos sozinhos. Mas esse estar sozinho pode significar um encontro mais intenso com nós mesmos. Só nesse estado de completo abandono é que Paulo consegue mergulhar fundo na própria existência e se pôr  à procura de uma verdade mais duradoura e radical. Desse modo, o livro nos fala sobre solidão, mas uma solidão que é o caminho para uma busca mais intensa da própria espiritualidade e do estar no mundo. Mas há muitas coisas aí que me escapam, e, com certeza, o leitor as perceberá com mais clareza do que eu.


O livro tem um caráter bem introspectivo, centrado na personagem principal, em seus anseios, medos, histórias e, principalmente, reflexões. Tem um estilo que caminha na direção, a meu ver pelo menos, de Clarice Lispector, no que se trata de se aprofundar nos sentimentos e pensamentos da personagem. Gostaria de saber como se deu o processo criativo do livro, como você construiu a história, pois é, sem dúvida alguma, um árduo trabalho de investigação das relações humanas.

R:  Quando comecei a escrever a história, não tinha ainda, bem definido,  o enredo. Comecei, na verdade, a partir do poema que abre o texto: domingo, domingo/finda a obra/ merecido descanso. A ideia da epifania já estava definida em minha mente: o personagem teria esse contato divino, ou suposto contato divino, e depois mergulharia numa espécie de devaneio e reflexões sobre sua existência. Só um pouco mais adiante é que a imagem do protagonista se delineou por inteiro, e aí fui correr atrás de informações sobre o seu universo intelectual e espiritual. Nesse percurso, li mais sobre Santo Agostinho. Li, principalmente, a sua obra Confissões. Por que Santo Agostinho?  O personagem Paulo tem um embate com a mãe que o quer padre num primeiro momento  e pastor assim que se converte ao Protestantismo. Isso se assemelha um pouco à luta da mãe de Santo Agostinho para vê-lo convertido ao Cristianismo. Não cheguei a algumas ideias e situações dramáticas da história assim de uma hora para outra. Isso levou cinco anos. Às vésperas de publicar o livro, ainda estava tentando ajustar algumas passagens do texto que não me agradavam. Como disse Luiz Costa Lima no seu Por que Literatura: “Ora, a criação sempre envolve um esforço árduo, muitas vezes penoso”. E a  busca da visceralidade ao narrar a história do problemático Paulo é que exigiu mais de mim. Como eu disse antes, é preciso descer junto com o personagem ao inferno existencial que o atormenta. É preciso se atormentar também. Nisso me sinto próximo de Clarice Lispector e de Dostoiévski.


Outra coisa que chama a atenção é a qualidade do texto, a maneira como trabalha a narrativa, às vezes até mesmo tomando algumas liberdades formais. Qual a importância que você vê nesse empenho ao trabalhar a língua? Houve a intenção e criar algum tipo de efeito?

R:  Meu texto tem algo de barroco. Minha prosa busca espelhar esse labor em relação à linguagem e à forma. A  Língua Portuguesa é de uma riqueza imensa, e creio que, como escritor, devo garimpar-lhe todas as possibilidades. Guimarães Rosa é quem foi mais longe nessa exploração das riquezas expressivas da língua. Daí a prosa se aliar à poesia, pois esta significa, antes de tudo, o trabalho incessante com a linguagem. Saramago disse, certa vez, que todo prosador deveria ser, primeiramente, um poeta. Concordo. Há um bom tempo não escrevo poemas, mas levei para a ficção toda a  minha experiência com a poesia. E o efeito que busco é este: que o leitor perceba, de um golpe só, tanto a carga poética do texto quanto o drama do personagem.
  

Embora eu costume entrevistar no blog novos autores, você já não é tão novo assim no mundo da literatura, uma vez que teve já algumas publicações, o que inclui um livro de contos, também pela LGE Editora, em 2004. Por isso, creio que os leitores do blog estariam interessados em saber de você o que acha importante para um autor conseguir conquistar seu espaço no mercado editorial brasileiro. Alguma dica?


R: Apesar de estar na estrada há um bom tempo, ainda não conquistei de fato meu espaço no mercado editorial brasileiro. Estou na luta como tantos outros. O livro de contos a que você se referiu, o Baque, foi publicado pela LGE Editora com a ajuda do Fundo de Apoio à Arte e à Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura do DF. O UM, da mesma forma. Ambos tiveram uma distribuição razoável, podendo ser encontrados em algumas livrarias, em lojas virtuais ou no site da editora (clique aqui se quiser comprar via Saraiva). Agora, após postar meus microcontos no blog O Bule, do qual sou um dos colunistas, recebi o convite do editor Wilson Gorj para publicar  o  livro de microcontos Tesselário pela Editora Multifoco, no selo 3X4, destinado às microficções. Assinamos, inclusive, o contrato de publicação. Já existe uma primeira informação sobre esse projeto na página da editora. Estou apostando na proposta de trabalho da Multifoco, que me parece bem prática. Assim, só posso dizer que o único meio para se conquistar um espaço no mercado editorial é procurar ocupar todos os espaços possíveis. Quando se alcança uma certa notoriedade, creio que isso fica mais fácil. Ainda não cheguei lá.  Para mim, no entanto, o mais importante é poder escrever de acordo com a minha natureza, sem mudar o estilo para agradar a quem quer que seja. Se isso me levará ao sucesso, não sei; sei, porém, que a satisfação é enorme ao finalizar o texto.

22 Comentários:

E.Landi

Creio que serei o primeiro a postar a minha opinião sobre o texto de abertura e a sua entrevista com o escritor Geraldo Lima; o qual, por suas colocações me pareceu talentoso.
É bem interssante a matéria!

Quanto ao livro UM, tem um título muito sugestivo, mas infelizmente pela sinópse, não tenho elementos suficientes para comentá-lo.
Digo apenas que gosto de livros introspectivos, onde a alma humana é valorizada, em detrimento a paisagens ou fatos exteriores; tão proximo do realismo psicológico do grande mestre Machado de Asiss.

Landi
http://mycapitu.blogspot.com/
http://twitter.com/

Anônimo

Pelo que li, parece que temos mais um novo escritor muito bom que precisa de reconhecimento no Brasil.

Não dá para ter certeza sobre o que achei logo de cara sobre o romance "Um", mas gosto desse gênero literário, de histórias que me dão alternativa para a fuga da realidade e de livros que me prendem a atenção do inicio ao fim. O autor brasileiro que mais admiro é Paulo Coelho.

Parabenizo o autor desde já.

Confesso que fiquei interessada em ler o livro.

Amanda.

@amymooree

Rogers Silva

também li o romance 'um', de geraldo lima. sou meio suspeito para falar, porque sou colega do geraldo n'o bule (fiquei feliz, inclusive, pelo 'excelente' se referindo ao bule).

sobre o romance, me agradou também essa linguagem poética num texto de prosa, tão em falta hoje em dia, e que tornou a história mais fluída, apesar da complexidade do personagem e das temáticas abordadas. pela leitura desse romance, fica claro o domínio da linguagem que o autor tem. as questões ali levantadas fazem o leitor refletir, algo que também está em falta na literatura contemporânea.

p.s: embora eu esteja comentando e vá retuítar a mensagem, não precisa me incluir no sorteio não. já tenho um exemplar :D

............dri!

Complementando o final do comentário passado: @tykkaa
(desculpe só lembrei depois de ter enviado)

............dri!

Adoro livros com ótimas construções psicológicas e baseando que ele leu Santo Agostinho, deve ser uma leitura que vale a pena.

A entrevista está ótima, perguntas bem direcionadas e dá base suficiente para nos deixar curiosos sobre o livro, particularmente eu fiquei.
Quero ter a oportunidade de ler o Um.

Parabéns pelo blog.

Parreira

Conheço o Geraldo do blog "O BULE", do qual participamos. Lá já é possível perceber a busca pelo rigor e a poética, que ele deixa bem claro a cada texto.
Ele diz na entrevista que levou bons 5 anos para concluir o romance. Isso dá bem a medida de que se trata de um texto denso, exigente - e como ele mesmo diz, essa viagem que empreendeu junto com o personagem ao seu inferno interior não é pra qualquer UM.

Tudo o que escrevi, no entanto, são impressões. Preciso ler o romance. Por isso deixo aqui o meu twitter para o sorteio:
@ClaudioParreira

Um grande abraço a todos vocês e ao Geraldo - e parabéns pelo blog!

Anônimo

Pela reportagem com Geraldo Lima fiquei muito curiosa para ler o livro, e gostaria de saber se ja esta a venda em livraria e como faço para compra?

@malvis2009

Leonardo Schabbach

No texto, toda vez que falei no nome do livro na resenha e também na entrevista, na última resposta do Geraldo, há links para você comprar o livro pela saraiva ou pelo site da editora. É só clicar que será levada ao site e pode fazer a compra!

Espero ter ajudado, e fico feliz que tenha se interessado em comprar.

Abraço.

Tiburcio Illustrator

Realmente na falta de uma pergunta filosófica pra respondermos ou da própria leitura da obra, resta-nos apenas torcer para sermos sorteados!
Meu twitter é @tiburcio_illus.
Em tempo, isolamento não é saudável não. Melhor que isso é sair em busca de boas companhias pois é a interação que nos faz melhores e permite aprender!

Celly Borges {Gisele}

Bacana a iniciativa de entrevistar novos autores.

Vou acompanhar sempre.

E quero concorrer tb ao livro, com certeza! ^.^

@cellyborges

Rafael Pereira

Muito boa a postagem! Fiquei bem interessado no livro. Essa interação poesia-prosa, esse teor psicológico, existencial e introspectivo são elementos que sempre aprecio. O livro parece ser bem singular(“um”) e busca inovação- no conteúdo e na forma. De modo indutivo, passa do particular do geral- dos dilemas existenciais do personagem, a história fala sobre as relações humanas: isso é muito bom- é o grande poder da ficção, afinal. Espero que eu possa desfrutar desse poder- e,provavelmente, esse livro deve tê-lo. [mas, para isso, também espero que vença o sorteio!! RS]
Rafael,
rafa__pereira ( o underline é duplo!)

Anônimo

Conheço o escritor Geraldo Lima há muito tempo desde os tempos de Ceub que, durante as aulas modorrentas de literatura, ficava escrefevendo, quase incessantemente, seus já bons contos. Com este romance UM, o escritor solidificou seu talento que, certamente, não tardará a ter o merecido reconhecimento.Asis Coelho.

caliope costa

novamente parabens pelo blog..

Li a sinopse do livro..e confesso gostaria muito de ler o final.
pois, mim deixou curiosa.

@musape

Mary Carvalho

Gostei muito da entrevista, principalmente pela discussão sobre a proximidade da literatura de Clarice Lispector. Imagino que "UM" seja um livro incrível, pois não são todos os autores que conseguem, usando ou não uma linguagem menos densa, despertar reflexões. Mas enfim, só confirmarei isso lendo, e é o que espero que aconteça em breve! ^^

Abraços.

Mariany Carvalho
@maryindrops
http:/badu-laques.blogspot.com/

Claudio M.O. Moura

Pensamentos e reflexões intensas diante da solidão humana devem proporcionar uma oportunidade de análise da vida muito interessante.

Gostei muito da linha que parece bastante criativa.

O trecho disonibilizado pelo Geraldo Lima no site deu-me a sensação de um romance daqueles que começaremos a ler e só pararemos no final.

Parabéns e sucesso.

Claudio M.O.Moura
http://twitter.com/_cmom_
http://webcasting-today.blogspot.com

Bruno Ramalho

Achei a história muito boa, bem literária. Digo literário com base nos grandes autores e pensadores.
Me interessei pelo livro e pela história.

Espero que, em breve, possa ter um trecho ou algo retirado do mesmo.

Por alto, assim, fica difícil julgar, mas a resenha me desperto grande vontade em conhecer tal universo.

Leonardo Schabbach

Olha direito a postagem. No final da resenha tem um link para um trecho do livro. No post em que coloquei um conto do autor disponível há também o link para um trecho da obra (o mesmo da resenha).

Grande abraço, cara!

Diógenis Santos

Costumávamos chamá-lo Geraldinho, e já nessa época ainda garotos, ele já tracejava as linhas da poesia e redigia os textos das peças de teatro que encenávamos ali mesmo na comunidade. Já tenho o seu livro infantil "Nuvem-Muda a Todo Instante", mas ainda não tive o prazer de ler o "UM". Estou curioso, essa coisa de "gente, relacionamentos, conflitos" me atrai.Boa entrevista, o entrevistado foi bem claro e objetivo nas suas respostas. Parabéns, Geraldo! Vamos aguardar o próximo que já deve estar no forno, só espero que não demore cinco anos!
Um grande abraço,
Ginho

http://tweetphoto.com/home
www.blogdodiogenis.blogspot.com
http://porondandei.blogspot.com/

Ana Karenina

olá

comentando sobre a entrevista:

O autor Geraldo Lima faz uma mistura interessante de formas literárias com a mescla de poesia e prosa na mesma obra UM, o que traz para o leitor novas possibilidades de interação com seu romance. Se prosa pode ser uma conversa contada, a poesia pode ser uma junção de versos livres, estas trocas nos permitem navegar em distintos mares dentro de um mesmo oceano.

A história do livro pode revelar não só nossa incapacidade ou dificuldade humana de criar e manter vínculos afetivos como também descobrir o que nos afasta e nos aproxima das pessoas que gostamos ou queremos estar perto. O livro pode nos levar a uma viagem auto-reflexiva do que estamos sendo diante dos outros e as suas cruéis conseqüências.

Quanto ao título do livro UM pode fazer alusão a uma introspecção de um personagem meio indefinido nos seus próprios dilemas, mas paradoxalmente ele se torna plural (mais de um) quando ele (re)vive e (re)pensa suas inquietações enquanto ser e estar no seu meio social.

O resto só lendo pra saber. Mas até agora o que pude observar foi isto.

Um abraço 

@anakint

Marcos Paulo

O que mais chama a atenção, além do autor usar a prosa e a poesia para demonstrar os sentimentos mais profundos da personagem, é o fato de haver um único cenário, isso fortalece a sensação de que os ambientes na verdade são as emoções de Paulo. É como se Paulo estivesse à porta do templo que diz: "Homem, conhece-te a ti mesmo" e a partir disto o seu mundo desaba.Estes ambientes psicológicos - e não físicos - nos levam a sentir junto com a personagem a sua dor e a sua busca pela vitória final, a vitória consigo mesmo, afinal de que adianta ter ao seu lado pessoas que o ama - sua mãe, sua amiga Ariadne e sua amada Ana - se ele não está consigo mesmo, e é esta busca que o leva às profundezas do inferno para ter condições de merecer o céu, mesmo ele tendo já estado lá antes. Me fascinou o autor ter buscado referências em Santo Agostinho e creio que além da poesia e prosa, ele também faz uso da filosofia para auxiliar Paulo em sua peregrinação. Estas múltiplas ferramentas usadas pelo autor ajuda a mostrar que por mais que Paulo estivesse sozinho, ele ainda tinha os elementos necessários para vencer os desafios da vida e vencer o seu pior inimigo, inimigo este que se encontrava em seu mundo interior e que ao ser vencido o levaria a merecer os seus melhores amigos, estes sim, encontrados no mundo exterior.
Parabéns pela entrevista, obrigado pela dica e desejo sucesso ao Geraldo Lima. O livro UM tem tudo para se tornar um clássico e autores assim devem e merecem ser, inclusive, reconhecidos pela ABL.

@marcospsreis

Geraldo Lima

Agradeço a todos pelos comentários. As palavras de vocês me encheram de ânimo. Estou pronto para ir adiante. Tesselário, meu próximo livro, deve sair ainda este ano pela Multifoco. Nos veremos em breve.
Um abração.

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