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Todos Eles

em 25 de mar de 2010.

Não gosto de histórias em terceira pessoa. Nada de romances, contos, crônicas, poemas protagonizados por um ele ou por uma ela quaisquer. Eu quero a experiência sanguínea talhando as palavras que vêm dançar diante dos meus olhos e dedos.

Você, narrador, onde estava enquanto a vida trepidava entre suas mãos? Poupe-me de suas observações oniscientes sobre o tal casal; de seus comentários mordazes sobre a angústia do outro; de sua perspicaz análise da cena que acontece diante de si. Transborde!

Onde há a metódica construção do período perfeito, com sua precisão ortográfica e seus tons alaranjados, prefiro o exagero adjetivado – ali posso reconhecer um semelhante, uma pulsação que não simplesmente ressoa as teclas e letras, mas sim precede a elas.

Silêncio, sussurrará alguém. Façam com que ele encerre a derramação destas sandices melodramáticas, onde está o respeito aos cânones e à tradição? Que saída terá a não ser canalizar tamanho ímpeto para o sabor água com a açúcar da vida que se ilude?

Muitas perguntas e jamais me propus a entregar respostas, nem a mim, nem a quem por acaso as procure. Não falo de gêneros, encanta-me o modo: o texto é a varanda das experiências humanas. Pode ser grande, pequena, iluminada, mal cuidada. Pode até não existir.

Eu quero sentir os cotovelos no beiral, o sorriso invadindo o céu, as lágrimas salgando o ar. Não há outra pessoa para transviver esse mundo além da primeira. Eu sou nós e eles. Esperança e medo não se emprestam.

Cizenando Cipriano - @cizenando_ - é colaborador do Na Ponta dos Lápis; jornalista da área esportiva, com passagens por MB Press (UOL e IG), LANCE! e Rádio Nacional. Você pode encontrar mais textos do autor, com algumas pitadas humorísticas, no blog Pau Na Mesa.

8 Comentários:

Leonardo Schabbach

Valeu, Cizenando. Eu gostei muito do texto. Acaba tratando de um assunto complicado, o processo de criação e escrita, de um jeito bem literário.

Achei bem legal, por isso selecionei com o primeiro para colocarmos por aqui!

Grande Abraço.

Ana Karenina

Olá cipriano.

a forma como usamos o pronome faz toda diferença no texto. textos em primeira pessoa a depender pode ser meio egocêntrico, mas tudo vai depender do estilo linguistico que se use.
no meu caso, gosto de usar a primeira pessoas para versos e textos de opinião e outros textos acadêmicos ou profissionais uso mais o "nós" conjugado nos verbos ou uma forma mais imparcial.
enfim, a escolha depende das circunstâncias, motivos e publico que se deseja atingir.

gostei do seu texto, continue!

Um abraço :)

Bruna Maria

Olá, Cipriano!
Acredito que mesmo os textos nos quais o narrador se põe em terceira pessoa, e narra o que se passa naquilo que ele vê, há o dado de tudo estar sendo filtrado por ele. Dependendo de como ele trabalhará, vejo enormes possibilidades de, mesmo em terceira pessoa, ele apresentar exatemente a trepidação da vida que passa pelas suas mãos. O que quero dizer é que acho que é necessário mais um esforço completo, conjunto no fazer literário, que propriamente o apontamento acerca de um traço - q qauestão do narrador virá acompanhada pela questão do enredo a ser desenvolvido, por exemplo.
Eu particularmente tenho muito cuidado com os textos adjetivados... acho que são faca de dois gumes, é preciso saber dosar.
Um abraço!

Cipriano Junior

Olá a todos.

Primeiramente, fico feliz com os comentários e com a possibilidade de ter aqui uma janela para, mais do que colocar textos na rede, conversar sobre escrever.

Só quero que não percam de vista que, inicialmente, as linhas acima não são técnicas ou analíticas, mas uma ficção. Depois, ele pode servir como provocação.

Obviamente não descarto a importância da figura do narrador em terceira pessoa, nem as alternativas de enriquecimento literário que várias narrativas.

Mas o que proponho aqui é o destaque que se dá a uma escrita asséptico, seca, em detrimento de outros recursos que a língua oferece como adjetivos e o exagero.

Não coloco aqui um contra o outro, mas discuto a colocação do primeiro em um patamar superior ao segundo. O ponto é: há riqueza, vamos apreciá-la.

Escrevi demais, hehe. Mas espero continuar trocando ideias com todos aqui neste espaço.

Abraço

Leonardo Schabbach

É. Uma coisa a ser observada, pelo menos para mim, é que é uma ficção, como se um personagem fizesse ali o seu discurso, que não necessariamente reflete em todas as palavras o pensamento do autor. Mas, como toda boa ficção, provoca, faz refletir. Tanto que estamos aqui falando sobre as diversas construções narrativas =)

Parreira

e eu entrei na conversa de que o texto era mesmo a opinião do autor! provocação na medida certa!
parabéns pela estréia, Cipriano.

Cipriano Junior

Olá mais uma vez a todos!

Começo me desculpando pelo texto truncado no meu primeiro comentário - foi a pressa em participar.

Acho que, aceitando a provocação, usando o gancho do Parreira, podemos avançar no que já foi dito pela Bruna Maria e pela Ana Karenina sobre as pessoas (não resisti!) do narrador.

Uma regra que se tornou senso comum, seja na nossa formação, seja na rotina de quem escreve, é que o grande mérito do escritor/redator é saber cortar palavras. Será que isso não nos limita quando tomado como obrigação? E aqui, dialogo com a preocupação da Bruna com os txtos adjetivados e o risco de ser egocêntrico na primeira pessoa levantado pela Ana.

A pretensão de "Todos eles", ou melhor, uma delas, a partir da argumentação de seu narrador, é ser um alerta para que não tomemos as regras como absolutas (a discussão sobre construções narrativas, como citou o Leo) - afinal, tratamos aqui, no fim das contas com a criatividade, que se revela quando subvertemos expectativas.

Abraços

Josdag@bol.com.br

Caso tenha algum tempo, dê uma olha e avalie se este cidadão tem a mínima condição de ousar a escrever: humorpolicial.blogspot.com

*Ah, este cidadão, por sinal, trata-se de eu mesmo.

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