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Como divulgar seu livro: Entrevista com Felipe Pan

em 8 de abr de 2010.

Para trazer mais informações a respeito do mercado literário, fiz uma entrevista com Felipe Pan (@FelipePan), o autor do livro Rede de Sonhos, que pretendo sortear em breve no site O Legado (por uma coincidência bem agradável, você pode concorrer a um exemplar do livro no Viagem Literária, da Fernanda Assis @nandaassisbh). Escolhi este autor para a entrevista pelo fato de ele ter lançado seu livro pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, da editora Novo Século, um selo em que você precisa custear a própria produção.

Rede de Sonhos, Felipe PanAcho que a entrevista, por este motivo, traz à tona a idéia já trabalhada aqui de que o escritor deve sim gastar dinheiro para investir em si; deve pensar nisso como um investimento em sua própria imagem, em seu currículo. Agora, devo admitir que este selo da Novo Século em questão, apesar de dar muito mais visibilidade para seus autores, o que gerará uma maior vendagem e também credibilidade, pelas informações que obtive, acaba exigindo um dispêndio muito grande por parte do autor; dinheiro esse que só será recuperado caso se consiga vender mais ou menos metade da tiragem exigida pela editora. A 7Letras tem um processo parecido, mas permite que a tiragem inicial seja menor, o que diminui MUITO os custos para o autor.

Também gostaria de lembrar que este selo da Novo Século é mais voltado para livro mais comerciais, de uma maneira geral, claro, há exceções, enquanto o da 7Letras se volta mais para livros que serão mais bem aceitos pela crítica, procura uma literatura menos de "entretenimento" (embora eu odeie essa diferenciação) e mais "reflexiva". Enfim, no caso específico do Felipe Pan, seu livro foi muito falado pela blogosfera, bem recebido pelo público, e ele conseguiu vender os exemplares que precisou comprar. Por isso, faço a entrevista para que ele possa passar algumas dicas de divulgação que ele conseguiu.

- Veja o livro na Saraiva -


Primeiro, gostaria de que você me falasse um pouco sobre este selo para "Novos Autores" da Novo Século, para o pessoal saber como ele funciona.
R: A coleção "Novos Talentos da Literatura Brasileira" é um projeto muito bacana da editora Novo Século que tenta abrir o mercado nacional para autores brasileiros que estão em seu início de carreira. O processo todo é bem simples de entender - o autor envia seu livro para a editora e, caso a obra possua a qualidade e potencial de mercado desejados, é feita uma proposta contratual que seja boa para ambas as partes. É perfeitamente compreensível que, enquanto empresa, a editora não queira correr o risco de ter prejuízo ao lançar uma obra proveniente de um autor totalmente desconhecido e, devido a isso, a parceira entre autor e editora depende da aceitação do autor em arcar com certos custos de produção do livro.


Neste selo, é preciso desembolsar um bom dinheiro para a publicação. O que o levou a ter a convicção de pagar essa quantia?

R: O primeiro passo para qualquer autor que quer ver seu livro publicado é acreditar em sua própria obra, e eu sempre acreditei em Rede de Sonhos. É engraçado, mas quando criei o conceito do Sonífero e da própria Rede de Sonhos, tive a grata sensação de que tinha algo legal em mãos. É claro que o momento que vivo pesou bastante em minha decisão. Ainda não sou casado, tampouco tenho filhos. Trabalho desde os 16 anos de idade e posso dizer que consigo me virar bem por enquanto, por isso pude investir em meu sonho. Além disso, tenho bem claro que, na pior das hipóteses, a experiência pode pelo menos fazer com que eu me exprema para dentro do mercado literário do país, o que pode facilitar a publicação de alguma obra futura que eu queira lançar. Não faltam planos, isso eu posso garantir!


Uma das coisas que acho interessante é o fato de você ter conseguido vender todos os exemplares de que dispunha. Como foi feito o processo de divulgação? Tanto da parte da editora como da sua parte.
R: Não foi nada fácil, isso posso afirmar. O que me ajudou muito foi o fato de algumas escolas terem demonstrado interesse pela obra, o que rendeu vendas grandes de uma só vez. Desde o lançamento do livro, em novembro do ano passado, tenho feito o possível ao divulgar o livro em blogs, sites e meios pessoais. Ainda falta um número considerável de edições a serem vendidas pela editora para que a primeira tiragem se esgote, e essa é a parte mais difícil. Infelizmente, mesmo em sua época de lançamento, Rede de Sonhos nunca foi parar na bancada de novidades de qualquer livraria. Isso teria ajudado bastante, uma vez que a capa e a sinopse do livro são elementos bem chamativos.


Numa conversa com você, fiquei sabendo que conseguiu que escolas adotassem seu livro como material didático (um feito extremamente interessante e positivo). Pode nos falar um pouco sobre essa experiência?

R: Foi algo que tenho que descrever como mágico. Não sabia que a aproximação do autor com seus jovens leitores poderia fazer tanta diferença. A maioria dos adolescentes não tem o hábito de ler, por isso fiquei realmente espantado ao ver que todos, sem exceção, leram Rede de Sonhos de cabo a rabo depois que apresentei uma pequena palestra sobre a obra. Acredito que, ao ter me aproximado deles, acabei mostrando as consequências positivas de se adquirir o hábito da leitura e de se ter uma boa formação acadêmica, fatores que podem levar qualquer um a fazer algo tão legal quanto criar seu próprio mundo. O resultado disso tudo foi tão bom que alguns alunos chegaram até a encenar cenas do livro e gravá-las em vídeo posteriormente. Posso dizer que fiquei muito contente ao ver o legado positivo que minha conversa com eles deixou. No fim deste mês tenho outro encontro com uma das escolas que adotaram Rede de Sonhos, e estou bem ansioso para ver qual foi a aceitação do livro.


Qual a importância que você vê no fato das escolas adotarem livro de fantasia como material didático?

R: Acredito piamente que as escolas deveriam adotar livros que instiguem os jovens a ler, independente do gênero de cassificação da obra (é claro que o conteúdo tem que ser minimamente decente). Se fantasia é o melhor caminho, ótimo. Se for romance, também não há mal algum. O que tem de haver é a conscientização de que ler faz bem e é divertido.


Como você vê o mercado para o novo autor nacional?

R: Extremamente fechado, numa visão bem realista da coisa. Falta investimento e incentivo aos escritores brasileiros. É muito mais fácil lançar, perdoem-me pelas palavras, uma porcaria oriunda de um ex-bbb ou celebridade qualquer do que uma obra bem estruturada de um romancista nacional. Tenho esperanças de que isso mudará um dia, e contribuir para tal é uma de minhas maiores metas na carreira.


Que dicas você teria para os novos autores?

R: Não tenham pressa em escrever e ver o próprio livro publicado. Trabalhem forte com suas ideias e as desenvolvam ao máximo, até atingir o nível ideal. Editoras recebem pilhas e pilhas de livros incoerentes, sem objetivo ou escritos precariamente, por isso acabam por eliminar obras que até têm grande potencial. Levando isso em conta, sejam também originais. Criem, inovem, abram novos horizontes para conquistar os leitores. O maior prazer em escrever é justamente saber o quanto você pode cativá-los.

15 Comentários:

Nanda

Ei Leo,

Achei muito interessante o tema da entrevista, acho que todo mundo ja sabe como é difícil para um autor nacional ser publicado, lido e reconhecido.

Sempre questiono o que passa pela cabeça dos professores de portuguÊs e literatura rsrs que querem fazer um aluno gostar de ler, lendo machado de assis com 13, 14 anos.

E depois falam que brasileiro não gosta de ler, claro ne. Nada contra machado, eça, jose de alencar muito pelo contrário, mas ser forçado a ler estes livros na pré adolescencia é complicado.

O Felipe além de escrever muito bem é um amor de pessoa, e merece muito sucesso, adorei o livro e recomendo.

Parabéns pela entrevista Leo

bjoo

Anônimo

Achei legal o projeto de novos autores, mas bancar o próprio livro acho fora de cogitação. Eu estou publicando o meu pela Parêntese editora e lá nao tive que pagar pela edição, apenas passei pelo processo tradicional de seleçao de obra de literatura.
Abraços
Antonio Larz

Israel Teles

Ótima entrevista, o que confirma algo que eu já pensava a algum tempo (reafirmado pela Nanda em seu comentário): a leitura que é fornecida "oficialmente" aos jovens não tem se mostrado a mais adequada para cativa-los.
E parabéns ao autor pela conquista com sua obra!
Abraço!

Jana Lauxen

Parabéns ao autor – suas idéias são muito coerentes.
E parabéns ao blogue que, não somente nesta postagem, mas em quase todas, têm se mostrado pertinente e esclarecedor ao novo autor.
Vida longa!
Um abraço!

Leonardo Schabbach

Valeu, gente! Fico feliz que tenham gostado. E pagar pra publicar pode ser bom sim, se você tiver uma boa plataforma. Eu acredito que esse selo da Novo Século dá essa plataforma, mas acredito que eles cobram caro demais por isso, então fica arriscado demais, pq se encalhar o prejuízo é muito grande.

A 7Letras faz um esquema parecido, mas com tiragens menores, o que facilita. Além disso, pelo menos por enquanto, tem mais nome no mercado (em termos da crítica literária), facilita o reconhecimento do bom autor que for publicado por eles.

Aline

Gostei muito da entrevista e das palavras do autor. Se antes eu tinha curiosidade em ler o livro, agora estou com mais vontade ainda. As dicas também foram muito pertinentes, tenho certeza que ajudarão os que querem entrar no mercado editorial.

Luiz dreamhope

Muita boa a entrevista. Já li o livro de Felipe e digo que é realmente muito legal. Ainda mais adotado em escolas, é perfeito e uma leitura muito recomendada para os que querem se interessar pela leitura.

thipen

Ainda não tive acesso ao livro, mas gostei da entrevista. É verdade, para nós que estamos começando nesse mercado é mto difícil lançar um livro sem se ter algum nome.

Michael KISS

Escritores, essa coisa de tiragens pode ser um pesadelo para os novos escritores. Hoje muitas editoras trabalham com tiragens sob demanda. Sou escritor, isso já faz uns 10 anos, comecei ainda adolescente, e atualmente publiquei 4 novos livros pela editora agbook blog de anúncio: www.michaelkisslivros.blogspot.com
e o melhor é que todos os 4 livros foram publicados gratuitamente. Essa editora conta com muitos livros de novos autores. Vale a pena conferir.

Ataíde Lemos

Realmente, não é tarefa fácil para um escritor, um poeta que esteja iniciando conseguir atingir um de seus objetivos que é a venda de livros. Hoje a internet até que colabora muito na divulgação, mas ainda esbarra no grande problema chamado: falta de habito, nem tanto a leitura, mas sim de comprar livros.
Também tenho vários livros publicados, somando um total de 5 títulos, 2 de poesias, 2 sobre o tema droga e agora lancei um livro profissional intitulado Profi$$ão Vendedor. Embora, meus livros podem ser encontrados nas livrarias virtuais como Cultura, Loyola, Asabeça, as vendas ocorrem quase que na sua totalidade através de meus leitores nas redes sociais e com ênfase ao orkut.
Tenho quase 2.500 amigos divididos em 3 perfil no orkut, todos me adicionam pelo fato de me conhecerem como poeta e gostarem de meus trabalhos literários, no entanto, não vendo nem para 10% da totalidade deles, ou seja, embora sejam meus fãs, repassem meus poemas e outros textos poucos são aqueles que adquirem livros. Em suma, há um abismo enorme entre ler e adquirir livros, mesmo por aqueles que apreciam uma boa literatura.
O entrevistado expõe algo interessante, inclusive já escrevi alguns artigos referentes as suas palavras, ou seja, muitas vezes se vende mais porcaria do que livros de qualidade, porque a grande maioria das editoras não estão preocupadas com o conteúdo, mas sim com o autor, isto é, um livro publicado por um ex BBB, ou apresentador de TV vende mais do que uma obra de qualidade de um autor desconhecido.
Na minha opinião, quem pode reverter esta situação é só o governo criando uma política referente à literatura através de incentivo a publicação e divulgação de livros. Por meio de incentivos fiscais as editoras com contra-partidas aos novos escritores. Enfim, sem uma intromissão do Estado neste campo a tendência é piorar ainda mais a inserção de novos escritores que resulta o empobrecimento da literatura brasileira.

Anônimo

Apresento essa obra:

https://www.clubedeautores.com.br/book/135451--Les_Poemes_Perdus

Tema: Ficção, Psicologia, Artes
Palavras-chave: desejos, sonhos, vida

Joel Vieira

Me deu vontade de conhecer a obra do autor!! Ele conseguiu que seu livro fosse adotado por escolar, achei isso incrível.

Parabéns Pelo Blog.

Ronperlim

A vida de um jovem autor não é nada fácil. Publicar por conta própria exige conhecimento de quem pretende tal façanha.

Ao autor, desejo sucesso e sorte!

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