As Aventuras de Pi é plágio da obra de Moacyr Scliar. Divulguem!

Antes de entrar exatamente no que quero falar, deixe-me explicar a situação para quem ainda não a conhece. As Aventuras de Pi, livro mais do que premiado, que gerou a adaptação para o cinema, adaptação essa que faturou quatro estatuetas do Oscar ontem, trata-se de um plágio descarado da obra Max e os felinos, do autor brasileiro Moacyr Scliar.

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O preço dos livros no Brasil: algumas ponderações.

em 29/04/2010.

Essa é uma questão bem complexa. Decidi tocar neste assunto estimulado por uma das leitoras do blog (@travessadavida no twitter). Já li em muitos lugares pessoas reclamando do preço dos livros no Brasil e até mesmo os colocando como um dos principais motivos para que o brasileiros não leiam. Por isso, coloquei-me a pergunta: os livros no país são muito caros? A resposta é não. Mas, como disse, é uma questão muito complicada.

Se formos comparar os preços dos livros brasileiros com o de outros países veremos que eles não são tão caros como as pessoas pensam. Na realidade, mesmo comparando com os Estados Unidos, onde o mercado editorial é muito movimentado, as publicações daqui não ficam atrás: têm um preço muito parecido e, às vezes, até menor do que as de lá. Agora, caso olhemos para os best-sellers lá de fora, poderemos notar que o preço cai consideravelmente, o que se dá pelas altas tiragens. Ainda assim, a diferença não é tanta.

A questão, porém, não se resume a isso. Apesar das publicações daqui não serem tão caras e competirem, em termos de preço, com a de qualquer país lá fora, a população brasileira não tem tanto dinheiro para gastar em livros, por isso eles parecem tão caros. Enquanto aqui grande parte da população vive com um ou poucos salários mínimos, no Estados Unidos e nas potências européias mesmo o trabalhador comum tem uma qualidade de vida mais alta e pode se dar ao luxo de comprar um livro. Aqui, muita gente, mas muita gente mesmo, precisa contar o dinheiro para conseguir pagar as contas mais básicas e comprar comida.

Além disso, embora os livros brasileiros não sejam caros, eles poderiam ser ainda mais baratos. Isso não acontece por uma série de motivos - e aqui entram algumas ponderações. A primeira é que, realmente, um mercado consumidor de livros pequeno tende a inflacionar o preço. Afinal, a editora precisa, com poucos livros vendidos, pagar todos os custos de produção e ainda conseguir um lucro que sustente outros livros que venham a encalhar. Logo, se a população comprasse mais livros, os preços certamente baixariam. Agora, como isso seria possível se boa parte dos brasileiros realmente não pode ser dar ao luxo de comprá-los? É uma questão complicada.

Ainda assim, respondendo a questão que acabo de colocar, o potencial do mercado de leitores brasileiro poderia ser muito maior do que é hoje. É verdade que uma parcela da população não pode mesmo se dar ao luxo de gastar seu dinheiro com livros, mas também é verdade que há um grande número de pessoas que poderia fazê-lo. Acontece que, no Brasil, a leitura é vista, de uma maneira geral, como última opção de entretenimento, e o livro como o primeiro produto de luxo a ser cortado na hora de economizar. As pessoas preferem gastar o dinheiro em uma boate ou em uma ida ao cinema em vez de comprar um livro, mesmo que tudo custe a mesma coisa e que o filme ou a boate durem apenas umas poucas horas. Isso significa dizer que uma simples mudança de mentalidade poderia expandir muito os horizontes do mercado literário brasileiro.

Um segundo problema é a falta de livrarias no país (algo que, mal ou bem, também está relacionado ao baixo público leitor). Aqui, temos uma quantidade enorme - mas enorme mesmo - de editoras para um número extremamente reduzido de livrarias. Este gargalo acaba por dificultar ainda mais o processo de distribuição. As editoras são obrigadas a gastar um bom dinheiro com distribuidores e a ceder quantias muito altas às livrarias para conseguir uma boa exposição. Para terem uma idéia, a não ser que você seja dono de uma editora gigante (como a Record), você precisará ceder cerca de 40%, 50% do valor de capa para a livraria. Além disso, precisará aceitar vender por consignação, sendo obrigado a receber de volta os exemplares não vendidos (e lá se vai mais uma quantia alta para os distribuidores). Qual a consequência disso tudo? As editoras vão lá e aumentam o preço de vendagem do livro para que consigam um lucro razoável.

Enfim, acho que já falei o suficiente em relação ao assunto. Claro que há mais pontos a serem tocados, mas acho que isso resume bem esta questão dos preços. Como eu disse antes, apesar dos problemas que citei encarecerem um pouco a produção, no Brasil os livros continuam não sendo tão caros como as pessoas falam. Poderiam ser mais baratos? Sim, poderiam. A população daqui não tem tanto dinheiro como lá fora? Sim, isso também. Mas esta questão do preço, para mim, é de longe um dos menores problemas. Na minha opinião, a mentalidade da população em relação aos livros - o fato de os perceberem como artigos de luxo facilmente descartáveis; são a primeira coisa a ser cortada nas horas de aperto - é o principal problema a ser resolvido.

Para isso, seria necessário que houvesse uma crítica literária mais forte e também um apoio maior por parte da mídia e do governo, mesmo que isso desse algum prejuízo de início, já que o público leitor ainda é pequeno. Com o tempo, a crítica cresceria, as discussões literárias também; o mercado, então, ficaria mais aquecido e os outros problemas aqui citados seriam solucionados mais facilmente. É claro que é um trabalho difícil, ninguém aqui vai dizer que não, mas é algo que tem que ser realizado.

17 Comentários:

Ernesto Diniz

Oi Leonardo, a questão é realmente muito complexa. Não acredito que o livro no Brasil seja um artigo barato, principalmente se formos comparar com o mercado americano. Nos EUA, consegue-se comprar ótimos livros em paperback por US$5 (talvez R$15, se você preferir capa dura). Aqui no Brasil não há livro de R$5 (ou, se convertermos o valor em dólar, R$8,60... sim, há alguns, nas promoções, mas... livros de capa dura e com acabamento melhor raramente custam menos de R$ 35, R$40). Claro que o problema não pára aí.

Juntamente com o preço há a questão da mentalidade. Mas pensar de forma linear causa/efeito é reduzir demais a questão. As pessoas não lêem por diversos motivos, que passam por educação, estímulo e cultura. Generalizar dizendo que "as pessoas preferem gastar o dinheiro em uma boate ou em uma ida ao cinema" é um pouco complicado: as "pessoas" quem? Há uma grande massa heterogênea hoje, em todos os aspectos. Há pessoas que preferem ficar em casa e ler um livro. Há o movimento do cinema criando novos vetores de acesso à literatura, há o RPG, mangas (que fazem parte da literatura, numa acepção mais aberta). Pensar em um "leitor médio", como diria Edgar Morin, é esterelizar todo o cenário complexo.

Você ilustrou bem a questão da distribuição, editoras e livrarias e acho muito válida a reflexão sobre o assunto. É bom chamar atenção para o preço e para o mercado editorial brasileiro que vive uma espécie de paradoxo e de editores, em grande parte, com pouco gosto para a ousadia e o desafio dos nossos tempos de tecnologia e explosão das (multi)mídias. Acho importante sairmos do discurso fatalista de que o brasileiro não gosta de ler, isso é uma inverdade. Dê educação e crie oportunidades e você vai ver como as pessoas começam a desenvolver o gosto pela leitura naturalmente.

E discordo completamente da questão da crítica. Não creio a crítica literária forte seja uma espécie de instituição que cria espaço e apoio. Vivemos o tempo dos blogs, dos fóruns de discussão, das mídias e redes sociais! Todos somos os críticos agora: as leituras se multiplicam, as experiências de leitura são difundidas a um número enorme de pessoas e os espaços são criados dentro desses (quase) infinitos movimentos. Esperar por espaço institucionalizado, apoio do governo e das mídias convencionais, pra mim, é acreditar numa espécie de modelo velho de pensar a Literatura.

Leonardo Schabbach

Bom, vou por partes. Esses livros que chegam a 5 dólares nos EUA mesmo por lá não assim são tão comuns, tratam-se de promoções, o normal é que os Bestsellers custem U$9,90. Mas esses são os livros de tiragem absurda, como mencionei no texto. Esses sim têm um preço um pouco menor, mas também não tão menor assim; aqui há promoções em que encontramos livros por 10 a 15 reias, quando falamos dos bestsellers (Paulo Coelho, por exemplo). Então a diferença de fato não é tão grande.

O problema é que lá as tiragens iniciais já são sempre mais altas e há um número de bestsellers (que vendem muito mais dos que o daqui, porque o mercado é muito mais aquecido) muito maior.

Também não falei que o brasileiro não gosta de ler. Gostar de ler e comprar um livro são coisas totalmente diferentes. Você pode gostar de ler e não ter dinheiro para comprar um livro, ou não querer gastar dinheiro naquele livro. Além disso, quando falo de uma crítica forte e de apoio do governo e da mídia, aponto exatamente para o que você falou: com uma boa educação, com incentivos a projetos culturais, a população passa a gostar ainda mais da leitura e passa a ter consciência da importância de ler.

Quando falo em crítica literária, não falo somente da especializada em revistas e jornais, também incluo ai os blogs, fórums e tudo mais que o que você citou... Só não podemos achar que a internet de fato vá revolucionar a visão da população em geral sobre o livro, uma vez que, justamente aquelas pessoas que não têm acesso a uma boa educação e tem uma chance maior de não se interessar pela leitura são as que NÃO tem acesso também aos meios eletrônicos.

Menos de 10% da população brasileira usa a internet com a devida qualidade, com o intuito de participar de discussões e aprofundar seu conhecimento. Por isso, é necessário que haja mais espaço para a cultura e para o debate também nas mídias tradicionais.

Blackyue

Bom normalmente eu não comento aqui, mas em certas coisas eu discordo contigo, principalmente em relação ao preço.
Todo bem de consumo no Brasil tem um preço abusivo em cima, principalmente de autoria extrangeira. E eu estou dizendo tanto livros, quanto Cds, e até mesmo aparelhos eletronicos.
A discução seria enorme e teria que te passar tanta informação q você ficaria meio tonto.. ^^
Por que eu tenho essas informações? por que participo de varios Fandoms consumistas. Em que o preço abusivo dos artigos consumidos é um empelicio marcante em cada uma das "culturas de massa" as quais estou engajada. Concordo com o foto que as pessoas não tem costume de ler e não tem o livro como uma alternativa de lazer primaria. Mas descordo que mais "criticos" vão fazer com que isso melhore, pelo contrario vai tornar o mercado mais enfadado. Pra mim criticos são pessoas que não tem um talento para exercer uma certa profissão ou arte e resolve se achar entendedor do assunto e discutir sobre ele.

Voltando ao preço. Como te mandei no twitter, um livro da Serie Cronicas de Spiderwick no uruguay estava custaando ano passado 256 pesos uruguaios que fazendo o Cambio daria uns 25 reais hoje. O mesmo livro em uma livraria da minha cidade na mesma epoca, custava 48 reais. E o tal livro não estava em promoção no supermercado no uruguay. e nen era uma verção inferior. Agora me diz o por que essa diferença gritante de preço?... Não não é culpa das editoras. É do governo que coloca taxas abusivas encima de todo o bem de consumo, principalmente se tiver autoria estrangeira.
É por isso q um CD de uma banda amaricana nos USA custa 10 dolares e para nós mesmo sendo feito na zona franca de manaus chega a quase 40 reais.. as vezes mais. E o cd dos gringos ainda vem com bonus e cheio de regalias, enquanto o nosso vem simples.

O governo não dá incentivo a culturo impressa ou fonica(tentandofalabunitoolhasó) Por que, um CD ou um Livro, não chama tanto a atenção do que teatro e cinema, que é degutido com mais facilidade. E o povo se lembra com mais facilidade. (taparecendodiscurçocomunistasendoqsouliberalXD)

Ms axo que eu passei mwu ponto de vista.. XD

Ana Karenina

Olá Leonardo

Concordo com você quando diz que os livros não são tão caros e que o maior problema pode ser a falta de dinheiro do pessoal mais pobre que gostaria de ler mas acaba tendo outras prioridades na família e não consegue. porém devo lembrar que não ter dinheiro pra comprar um livro não é desculpa pra não ler e eu sou um exemplo vivo disso pois comecei a ler por conta própria porque gostava de estudar, tinha carteirinha de várias bibliotecas e não lembro de meu pai nem minha mãe ter sentado comigo um dia pra ler nada, nem ter ido a livrarias comprar livros pra mim nem me dar de presente, naquele tempo a preocupação deles era com o trabalho, mas nem por isso deixei de ler então não acredito nessa desculpa de “não leio porque não tenho dinheiro pra comprar”, não lê porque não quer e porque não gosta, acho até muito natural, mas acho chato culpar o governo, o sistema, o mundo todo por algo que é escolha inteiramente nossa, culpar os outros até por escolhas individuais me parece um dos maiores pecados.

Outra coisa que você destacou bem, pessoas que tem condições de comprar livros, tem acesso a boa educação preferem boates, festas, férias na Disney, computadores e jogos de ultima geração, celular e roupa de marca tudo do bom e do melhor e os pais também incentivam isso, afinal querem dar tudo de melhor pro seu filho, só que estas coisas acabam, mas o conhecimento fica pra sempre e serve de apoio pra qualquer pessoa crescer na vida, mas conhecimento só se adquire lendo, estudando e aprendendo, nesse caso, vejo que certos valores em nossa sociedade andam bem distorcidos mesmo.

É importante frisar também que o papel do governo é sim educar, é sim estimular o uso da tecnologia e principalmente a leitura, só que estamos vendo governos investindo mais em Computadores para estudantes acessarem o Google do que realmente usando para algo útil, porque não usam a internet pra ensinar português, literatura e tantas outras matérias? A internet é um universo vasto, com tantas possibilidades, mas nossas crianças e adolescentes ganham computadores aprendem a mexer apenas pra usar MSN, Orkut e afins, mas não sabem nem digitar um documento no Word de forma legível, escrever então a mão é tragédia pior ainda, isso não é educação nem inclusão digital, pelo menos não está funcionando como deveria ser.

Enfim, pra resumir, essa questão é tão complexa porque envolve tantos fatores que acabam ampliando mesmo as discussões, acho que o papel dos blogs também é alertar sobre certos estigmas que empacam a leitura, pois assim mais gente se convencerá por fim de que decidir por ler é um ato pessoal e intransferível e que depende muito mais de nós mesmos do que dos outros.

Um abraço.

Leonardo Schabbach

Blackyue, sim, o que você aponta é verdade sim. Não acontece com todos os livros que vêm de fora, mas algumas questões como impostos e também o preço que a editora precisou pagar para ter o direito de publicar o livro podem ter aumentado muito o valor. Mas, de uma maneira geral, mesmo com os livros estrangeiros, isso não acontece tanto, mas acontece, principalmente quando os direitos para publicação dos livros saem muito caros.

Exemplo, o Código da Vinci, foi um livro que acabou saindo barato para a editora, eles gastaram apenas 12 mil acho pelos direitos, então dava para fazer um livro mais barato; isso nem sempre acontece, porém.

Agora, o que você falou de fato é uma verdade. Muitos dos produtos importados aqui no Brasil tendem a ser muito caros (o que não se aplicaria ao livro que você citou, já que ele foi produzido por uma editora daqui, os direitos de publicação é que devem ter sido muito caros). Só que há uma razão para isso. Se os produtos importados entrassem no país por um preço muito reduzido, os produtos nacionais não conseguiriam competir e a indústria brasileira sofreria. Então é preciso haver essa proteção (que poderia ser menor, talvez, ai já é uma discussão política) para manter as empresas brasileiras funcionando.

marcelo

matéria bem interessante sobre o asunto: recomendo!
http://www.anovademocracia.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2734&Itemid=105

Ernesto Diniz

Continuo discordando do teu argumento sobre preço de livros, pelo menos com a parte dos livros americanos. Editoras como a Penguin, Brown Books, Vintage e várias outras vendem livros em paperback por US$ 8, US$ 9, como preços normais (e não promoções). Claro, não há como comparar as tiragens deles com as das editoras brasileiras, mas comparar os preços dos dois mercados e dizer que não semelhantes é complicado.

Sobre o acesso a Internet no Brasil, estatísticas de 2009 apontam que o Brasil já tem 67,5 milhões de internautas. Nas áreas urbanas, 44% da população está conectada. Se a conexão é de qualidade e se esses usuários estão engajados em assuntos importantes, aí já entramos em outra discussão totalmente diferente.

Concordo contigo: a Internet não irá criar uma grande revolução pirotécnica e salvadora, mas as revoluções estão acontecendo já há alguns anos: mudança de paradigmas culturais, a mídia tradicional se alimentando, cada vez mais, do que acontece na Internet, os fluxos online e offline se misturando e multiplicando (filmes, textos, flashmobs, iniciativas online que impactam no offline, etc.). Então acredito sim que a Internet já é um componente importantíssimo de estudo do nosso tempo e que ela pode e está modificando o jeito que a população em geral encara o livro.

O debate e a troca de ideias é sempre o mais importante nisso tudo e levantar essa discussão mostra como o "problema" é complexo, mas sempre há meios de subverter a acomodação de esperar pelo governo ou pela mídia de massa. O governo, obviamente, tem papel importante e é peça-chave para fomentar várias questões, mas a gente sabe da tradição política do nosso país, então é bom que a gente arregace as mangas.

Leonardo Schabbach

Mas foi o que eu falei. Lá os Bestsellers tem como preço normal 8,90 dólares; 9.90 dólares. Só que são os livros de tiragem absurda de que falei no meu texto. Esses sim são mais baratos, mas não tão mais baratos assim. Inclusive, se tivessemos livros com tiragens tão altas quantos esses ai, poderíamos vender pelo mesmo preço numa boa.

E estar conectado e utilizar a internet de forma a buscar de fato conteúdo são coisas totalmente diferentes. Pergunte a jornalista e blogueiros também. No Brasil, a maioria esmagadora dos internautas só lê matérias muito curtas, com fotos, coisas ligadas ao humor. Se um texto se alonga um pouco mais, já perde muitos e muitos leitores. Isso é algo que não acontece na Europa, por exemplo, lá o perfil do internauta tende a ser de quem lê mais, mesmo artigos maiores.

Acho que é uma questão de tempo até que isso aconteça também no Brasil, que o público da internet goste de leituras com mais conteúdo (ou não procuraria colocar esse tipo de coisas no blog, hehehe). Mas continuo dizendo, somente a internet não irá trazer revolução nenhum. Sem apoio do Estado e também das mídias tradicionais, é difícil a cultura dar uma guinada significativa. Pelo menos agora, quem sabe daqui a 15, 20 anos as coisas possam estar diferentes.

Agora, que a internet já conseguiu diversas vitórias, isso é uma verdade. É uma ferramenta incrível. Mas como você bem disse: os momentos em que ela consegue mais influência é quando consegue uma movimentação tão grande dentro da internet que acaba chamando atenção da mídia tradicional, que absorve esse movimento e o divulga (infelizmente, às vezes, essa absorção é negativa).

Phallos

Sobre o que aponta Blackyue, a respeito do preço dos produtos "importados", interessante notar que são exatamente esses que entram nas listas dos mais vendidos. Ou seja, o preço não é o mais importante na equação publicação-consumo.
O Ernesto Diniz, nos seus comentários sobre internete, mostra estar bem alheio à realidade dos internautas. Aconselho que entre nos portais mais acessados e procure as chamadas de capa e as listas de mais buscados, para ver o interesse que a internete tem suscitado para a literatura. Só me lembro de uma única vez em que alguém ligado à literatura ficou na lista de mais buscados do yahoo, quando Saramago chamou o papa de hipócrita e cínico (e aqui desconfio que o mais importante para o público era o papa, não o escritor). Vale também lembrar que as pessoas citadas que preferem ir a festas que comprar livros não são uma tentativa de traçar o perfil dos leitores (ao menos assim interpretei, o autor pode falar melhor) mas dos não-leitores.
O trecho "Na minha opinião, a mentalidade da população em relação aos livros - o fato de os perceberem como artigos de luxo facilmente descartáveis; são a primeira coisa a ser cortada nas horas de aperto - é o principal problema a ser resolvido" coaduna perfeitamente com meu pensamento. Minha esposa, por exemplo, nunca entra nos meus blogues, por falta de tempo, embora quaisquer dez minutos sejam suficientes para entrar no orcute.
O livro é caro? Já me deparei com um cara que me perguntou o preço do meu livro. Ao saber que custa na livraria R$ 25, disse-me "está caro". Chegou um colega dele e perguntou-lhe se iria para a festa da noite, e ele respondeu "vou, mas não vou beber muito, que fiz uma farrinha com uns colegas sábado passado e gastei R$ 50 só com cerveja e tira-gosto". Esse é o perfil médio das pessoas.
Não se pode sequer dizer que achem a leitura um luxo, mas um lixo mesmo.
E não vai ser uma redução de cinquenta por cento nos preços dos livros que atrairá novos compradores. O mesmo colega que citei acima também não comprou um livro que editei por gráfica e vendia a R$ 7.

Leonardo Schabbach

Sim, quando citei as pessoas que descartam logo o livro como produto de consumo traçava o perfil exatamente dos não-leitores. E pensava em pessoas como esse seu amigo que você citou. Conheço muita gente assim também, gasta muito, muito mais do que 30 reais quando sai para uma boate ou coisa similar e acha 25, 30 reais caro para um livro. Ninguém deixa de ir ao cinema, por exemplo, e os ingressos hoje já estão em 20 reais em alguns lugares. Se você imaginar que a pessoa ainda vá comer alguma coisa, uma ida ao cinema sairia o preço de um livro e, ainda assim, as pessoas acham os livros caros.

É como eu falei, na minha opinião, o preço pode sim ser um problema, mas não é o maior deles: a mentalidade e a cultura brasileira precisam ser trabalhadas. E como esse é um processo difícil.

Tiffany Noélli

Oi, Leo! Sempre achei que a maioria dos livros vendidos nas livrarias atualmente, inclusive os Best Sellers, estão sim ao alcance de muitos que se interessam por leitura. A questão é o seguinte: Brasileiro reclma de pagar para algo voltado a cultura, e prefere mais, gastar dinheiro com bobagens por aí... Pode notar! Isso acontece infelizmente com nosso Teatro também, tem peça que a entrada é R$15,00 e mesmo assim não lota as salas. Na internet inteira, está cheia de ebooks para baixar, e mesmo assim a procura não é tão grande... Motivo? A Preguiça também para uma cultura nem q seja virtual... Bjs

Leonardo Schabbach

Não tenho muito como medir o que falou sobre os livros virtuais. Mas a questão do teatro foi bem lembrada, bem lembrada mesmo.

Beijos!

Antes da Chuva

Leo,

Sou uma leitora voraz desde cedo. Sobre o preço de livros no Brasil, sim, eles são caros. O que é notável tanto se você compara o salário médio da maior parte da população e o poder de aquisição de bens como com o preço de livros em outros países. Recentemente, visitei livraria em Londres, Paris, Barcelona e Lisboa. Comprei livros nas quatro cidades e os preços eram mais baixos do que no Brasil - mesmo convertendo meus reais para euro. Por exemplo, as edições de bolso, nesses países, tem uma média de preço que vai de 1 a 15 euros. Você consegue comprar clássicos da literatura por uma média de 2 euros (R$ 4,80). Estes valores não são de tabela de promoções, são os preços normais do dia a dia. Numa livraria mais refinada de Paris comprei um clássico do Sartre por 5 euros (R$ 11), aqui eu pagaria pelo mesmo livro, com o risco de pegar uma tradução ruim, 30 reais. Na tabela de livros de bolso da L&M Pocket e Cia das letras, por exemplo, não tem livros de 5 reais.

Quanto aos livros mais caros, com edições mais refinadas, ou antologia de escritores importantes estas também são mais baratos na Europa do que no Brasil. Como explicar? Concordo que há muitas variantes, como você bem disse sobre o caso das editoras. Contudo, creio que o que prevalece aqui ainda é o lucro acima de tudo. Há iniciativas que são exceções? Sim, mas estas não estão na roda do mercado editorial. Tem ainda os sebos que são boas opções.

Há muitas camadas na discussão sobre o acesso aos livros no País. Tem a questão da educação como você e outras pessoas colocaram, mas creio que o problema não está em existir poucas livrarias, embora no Rio nos últimos meses tenhamos perdido algumas como a Letras e Expressões. Quantas o Braatualmente? Sei que existem boas bibliotecas na maioria dos estados que visitei. Há muito livros e poucos leitores, sempre! Uma via é educar e criar o hábito de leitura não apenas na população que não tem acesso aos bens culturais de luxo, como os livros no país, mas também os que têm dinheiro. Pois ser rico ou de classe média nesses nossos trópicos não é sinônimo de ter cultura e educação. Há um vasto caminho a percorrer.

Sobre os livros no EUA. Li outro dia no The New York Times que as publicações são tão baratas que as pessoas quando mudam de casa deixam os livros no apartamento antigo. As bibliotecas que foram criadas para a população doar livros excedentes estão cheias. Uma das coisas que fazem por lá é incinerar os livros porque não têem onde guardá-los. Até as editoras estão fazendo isso com o que não é vendido.

Bom, são mais pontos que devem ser considerados. Essa discussão aqui é boa!

Leonardo Schabbach

Elis, sim, o livro talvez não seja mais barato do que os de lá de fora, pode haver uma diferença, mas aqui também conseguimos umas quantidade boa de livros por 9 reias e etc... mas só daqueles mais vendidos, que poucas vezes são dos autores nacionais, inclusive. O problema maior mesmo é o que você falou, se comparar esse preço ao que o brasileiro ganha, ai sim a coisa fica mais complicada. Uma pessoa que vive de salário mínimo gastar 40 reias num livro seria absurdo.

Mas muita gente de classe alta, a maioria, inclusive, que poderia pagar esses preços sem problemas, não lê. Isso sim, para ser mudado, dependeria de um trabalho a ser feito em cima da cultura, dos hábitos culturais e etc... o livro teria que ter mais espaço na mídia.

Agora, concordo que baixar o preço das publicações seria um passo muito importante. Mas também posso te afirmar que não é tão fácil, como as livrarias ficam com uns 40% do valor de capa, coloque mais 10% para o autor, 10 a 15% para uma distribuidora e você vê que as coisas ficam complicadas para as editoras. A não ser que um livro venda 30, 50 mil, o preço bem baixo se inviabilizaria comercialmente. É uma situação complicada mesmo =/

Não sei se você já leu, mas tem um artigo recente em que defendo essa coisa do preço mais baixo: E-books - qual o preço certo?

Nika

Schabbach,
Gostei muito do seu blog.
Mas acredito que preço não seja o principal fator, embora, como integrante da achatada classe média, eu compre bem menos livros do que gostaria.
Tenho um comércio em Perdizes, São Paulo, e vi em 6 meses, 2 das 3 livrarias que existiam num trecho de 4 quarteirões fecharem, numa região em que a população residente tem, no mínimo, o triplo da minha renda mensal.
Imagino que, neste caso específico, as compras online também possam ser parte do problema, mas acredito mais na questão cultural.
Nas inúmeras vezes em que estive nessas livrarias, apenas uma vez encontrei um aluno de 2o. grau, buscando um livro e era de um filme que havia entrado em cartaz.
Li hoje um texto de 2009, cujo trecho a seguir chamou minha atenção: "Um indicador nacional de analfabetismo funcional em 2005 mostrava que 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguiam localizar informações em textos longos, apenas nos textos curtos." - Ednei Procópio ( http://ebookpress.wordpress.com/2009/09/03/o-mercado-editorial-brasileiro-em-numeros/ ).
Num país em que um aluno de 4o. ano primário não saiba ler ainda e não possa ser reprovado, o de 2o. grau já completo nunca tenha lido Machado de Assis (filha de uma funcionária) e um indivíduo com formação superior não saiba quando usar "SS" ou "Ç", fica difícil fazer o mercado editorial crescer, ou mesmo a sala de teatro popular lotar.
O que percebo é que realmente as pessoas não entendem o que lêem ou mesmo uma peça de teatro, que em geral tem uma complexidade maior que um filme. Então é muito mais fácil pagar um absurdo para ir ao cinema (comparado ao preço do livro, que é um bem adquirido) e ver qualquer coisa que entendam.
No segundo grau, ouvi muitas vezes alunos perguntarem quantas páginas tinha o livro. A minha formação de base foi excelente, mas hoje eu percebo que a daquela escola em particular não era.
Acredito sim que o brasileiro goste de ler, mas também acredito que boa parte, principalmente os leitores formados pela escola pública, não tenham aprendido a ler nem escrever. Aprenderam as palavras, mas não a compreender o contexto. O pensamento mais complexo não faz mais parte do ensino no Brasil há muito tempo, mesmo na rede particular.

Vicente Reckziegel

O preço dos livros no país podem não ser os mais adequados para os bolsos do cidadão comum, mas também acho que não é o problema principal da falta de leitura, ou falta de aquisição de livros no Brasil.
Quem nunca escutou, principalmente ao ver um adolescente(ou pré-adolescente) lendo, outra pessoa perguntando "pq você está lendo? é para algum trabalho?". se a resposta for negativa, a pessoa referida vai dizer "não sei porque perder tempo com um livro". Isso não é uma "histórinha" inventada, pois já ouvi isso não somente uma, mas diversas vezes. E justamente nessa fase da vida que se forma o gosto pela leitura. Nesses casos, a pessoa Cool é aquela que bebe, sai todos os dias, e não a que lê. E o sonho da maioria das pessoas nessa idade, é fazer parte do "todo". Nessa fase, é que perde-se um grande número de potenciais leitores, que dificilmente são recuperados mais tarde.
O povo brasileiro lê sim muito, mas muito pouco, só andar nas ruas, e ver a quantidade de pessoas com um livro nos braços, vá numa livraria de cidade pequena, e veja a quantidade pessoas adquirindo livros. Já trabalhei numa, e às vezes entrava uma pessoa por dia, ainda procurando um best-seller. Ai se pode dimensionar o drama do autor e da editora no pais.

rogeria

Parece que a questão gira em torno de " o ovo e a galinha". Nao há mercado consumidor porque os livros são caros, ou os livros são caros porque não ha mercado consumidor. Se as duas premissas são verdadeiras, o que é que vai quebrar o ciclo? Qual a iniciativa que pode solucionar o problema mais rápido? Acho que a iniciativa deve partir daqueles que tem o poder de fazer a mudança pelo caminho mais curto: talvez o governo e as editoras e algumas instuiçoes sociais. As escolas devem promover a leitura ( elas já fazem de certa maneira, mas podem melhorar), o governo pode tomar algumas iniciativas como , por exemplo: taxar mais alguns produtos como cigarros e bebidas alcoolicas e produtos de maquiagem e criar um fundo nacional para criar mais bibliotecas com livros comprados com o dinheiro gerado dessas taxas.
Outras iniciativas podem vir de instituiçoes e da sociedade. Aqui nos EU, vejo os malls, Shopping centers com programas de leituras durante as ferias. Eles oferecem premios as criancas, com "gift certificates" para as crianças que lerem um determinado numero de livros. Também, há times de baseball e futeball que dao ingressos de jogos para as crianças que lêem mais também. Nós, brasileiros somos criativos e podemos criar as nossas estratégias para aumentar o número de leitores.
Todos os consultorios medicos que eu vou aqui nos EU, há livros infantis na sala de espera para as crianças lerem ou os pais lerem para elas.

Não se deve culpar as pessoas por elas nao lerem. Cada um faz o que quer. O que se deve melhorar é o apelo a leitura, desde criança.

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