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Quem sou eu?

em 19 de abr de 2010.

O valor da joia está em sua beleza ou na grife que a produz? O brilho é característica da pedra boa ou da luz que se lança sobre ela? O ditado adverte que nem tudo que resplandece é ouro – mas o que fará o tom amarelado ser mais ou menos atraente?

As palavras dançam na tela, no papel ou no ar e o que importa, mais do que aquilo que elas dizem, é quem as diz. Sob uma realidade social em que o status de celebridade perverte o entendimento da produção cultural, ser alguém é mais relevante do que produzir algo.

O mundo gira cada vez mais rapidamente, os focos de interesse são vários e as linhas se atenuam. Diante deste enorme vão que se abre todos os dias sob os pés, a tendência é buscar referências que transmitam uma sensação de segurança, por menor que seja – o conhecido.

Por exemplo, quantos são os textos que correm a rede assinados por personagens do meio artístico como Luis Fernando Veríssimo e Herbert Viana e contém mensagem absolutamente banais? Ou, por outro lado, de conteúdo interessante, mas por ser de um autor pouco conhecido, é reassinado?

Você, leitor, experiente ou não: o nome antes ou depois do amontoado de letras formando frases, períodos, sentidos, molda sua avaliação? Como sussurram os românticos, quem vê autoria não vê texto?

Esta predisposição pela segurança do que já foi referendado explica em parte a dificuldade de envolvimento com novos criadores – seja para elogiar, criticar, interagir. Avançar no oceano sem boias e guias tem seus riscos.

Uma palavra prévia, o reconhecimento público (em maior ou menor escala), é como a autorização obrigatória para adentrar no universo daquelas palavras que estão em uma corrente, em um site, em um livro, em uma voz. Sem ela, é como estar infringindo a lei da sobrevivência na atualidade.

Quem é aquele que escreve e o que a assinatura diz sobre o texto. O risco do filtro ser calibrado sob estas medidas é o leitor seguir, em plena era digital, refém do século passado.



Cizenando Cipriano - @cizenando_ - é colaborador do Na Ponta dos Lápis; jornalista da área esportiva, com passagens por MB Press (UOL e IG), LANCE! e Rádio Nacional. Você pode encontrar mais textos do autor, com algumas pitadas humorísticas, no blog Pau Na Mesa.

6 Comentários:

Márcia Luz

Excelente questionamento sobre esse nosso mundo de aparências! Lembrou-me o poema "Eu, etiqueta", de Carlos Drummond de Andrade.

Leonardo Schabbach

Pois é. Eu gostei muito das colocações do Cizenando, além do jeito como ele escreveu o texto. Já que citou o poema do Drummond, como uma continuação à postagem, verei se procuro ele pela web a posto aqui depois.

E realmente, a questão do nome vale muito. E às vezes não só do autor, também da editora. Fico pensando, um autor que lance seu primeiro livro por exemplo por uma editora como a Record (estava pensando no caso da Tatiana Salem Levy, que estou lendo), naturalmente será visto com outros olhos. Irão pensar: "po, pra ter o primeiro livro lançado já na Record, deve ser alguém muito bom" - tudo bem, no caso da Tatiana acho ela realmente uma excelente escritora, mas entenderam o que eu quis dizer.

O mesmo vale para os grandes autores. Já li vários poemas e textos bem mais ou menos de autores consagrados que as pessoas julgam como geniais só por causa do nome que assina o texto. Em muitos casos, se um Zé Ninguém tivesse escrito eles não receberia muitos elogios, ou até receberia críticas. Essa questão do nome é, realmente, algo a ser discutido hoje.

Bruna Maria

Olá, Cipriano.

O questionamento que você traz é realmente importante. Muitas vezes, autoria vem antes do conteúdo da obra, e sai valorando o trabalho em questão. Ter um nome garante, em alguns casos, já ter a crítica positiva pronta; e qualquer coisa que o sujeito publique, por ser reconhecido, será considerado genial, incrível, maravilhoso, quando muitas das vezes, não é. Digo por experiência pessoal (e me desculpe se não cito o grande autor que me deixou com essa triste impressão; não cito por discreta demais que sou, rs), o nome não garante a obra mesmo. Há um texto de Tery Eaglenton que estive relendo recentemente, "O que é literatura", que, ao final, cita uma experiência de um professor que, certa vez, levou aos seus alunos vários poemas sem assinatura, para que a turma julgasse o que era válido ou não. Entre os poemas, muitos de grandes autores, e outros de autores desconhecidos. Qual não foi a surpresa? Autores consagrados foram criticados duramente e autores desconhecidos aclamados.
Não que seja uma regra que isso vá acontecer e que o nome sempre virá pré-valorando a obra. Mas sabemos muito bem que acontece. Acho que é importante ficar atento a isso e saber desfrutar do conteúdo em si, esquecendo do nome.

Um abraço!

Ana Karenina

olá cipriano e leonardo

essa questão é bem interessante, muita gente leva em consideração o nome do autor no da qualidade do texto. Será por isso a polêmica em torno do Paulo Coelho? Não entendo muito, mas dizem que há mais nome do que qualidade ali,não sei.

eu sinceramente sou amante de bons textos, independente da autoria, gosto de sidney sheldon que muita gente acha ruim, agora quando falo que li Leon Tolstoi, parece que subo no conceito de algumas pessoas.

é subjetiva demais essa questão de gosto, mas deveriamos pensar melhor na relevância do texto e depois no autor.

Um abraço

Leonardo Schabbach

Na verdade, pela crítica literária, o Paulo Coelho é considerado um autor muito ruim. Agora, muitas vezes a crítica no Brasil pega pesado demais com autores simplesmente pelo fato de que eles vendem (e a massa é burra, então se a massa compra, o autor é ruim; é assim que pensam). É uma posição ridícula, e já falei sobre ela no blog, mas é uma posição da crítica daqui.

Agora, o Paulo Coelho realmente é bem mal visto pelos críticos brasileiros. E muito bem visto pelo grande público.

Michelle

Oi...

Apesar de falar de um tema que é recorrente para quem está entrando (ou pelo menos tentando) no mercado e para quem pensa ele também, gostei muito da forma como o questionamento é feito.
De fato, compra-se uma ideia muito mais por quem fe do que pelo benefício que ela vai trazer. Falar que leu todos os livros do Humberto Eco é melhor do que dizer que sabe todos os detalhes da saga de Harry Potter. Pelo menos para alguns.
Aí é que está, não sou muito de me guiar por críticas, elas estão diretamente ligadas aquilo que o crítico acha bom ou ruim, e aí vem toda a sua bagagem cultural. Usar o comentário de outras pessoas como dica é legal, mas acho ruim quando vira regra. Corre-se o risco de ficar limitado...
Mas para mim pensar nessa questão é pensar como a gente, que parece tão aberto, fica tão burocrático quando entra em uma livraria e pega um livro, por exemplo. Pelo menos eu, reconheço, vou naqueles que conheço alguma coisa...
Talvez as coisas mudem quando a gente começar a comprar um autor desconhecido por mês, ou mesmo indicar, dar de presente... Ou quando enviamos o link de algo que gostamos ou que fizemos e perguntamos e aí, o que achou? sabe?
Bom acho que é isso, não sei se faz algum sentido, é só o meu ponto de vista sobre a questão...

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