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Um conto de Drummond e um poema de Bandeira

em 2 de abr de 2010.

Estamos no feriado, temos mais tempo para ler, então coloco duas obras de dois dos grandes escritores brasileiros. O conto Bom Tempo, Sem Tempo de Carlos Drummond de Andrade (do livro Contos Plausíveis - um dos melhores livros do gênero que já li, aconselho a compra) e o poema A estrela, bem musical, de Manuel Bandeira (do livro Antologia Poética). Normalmente eu costuma dissertar um pouco sobre as obras que coloco aqui, mas hoje deixo-as mais para apreciação mesmo, para tornar a sexta mais literária.

Também aproveito para avisar que para domingo prepararei um outro artigo falando sobre o Clube de Autores, tentando demonstrar algumas utilizações eficientes da ferramenta. E estou preparando mais uma entrevista com um autor, não para apresentar sua obra, mas para falar um pouco sobre as dificuldades de divulgação e como fazê-la bem, já que ele obteve sucesso. Quem sabe, também não faço um outro conto e coloco no ar semana que vem, o último ficou tão bom que fiquei com vontade. Enfim, espero que a leitura dos textos selecionados lhes seja agradável!


Bom tempo, sem tempo

Não chovia, meses a fio. Ou chovia demais. As plantas secavam, os animais morriam, os moradores emigravam. As plantas submergiam, os animais morriam, as pessoas não tinham tempo de emigrar. Assim era a vida naquele lugar privilegiado, onde medrava tudo para todos, havendo bom tempo. Mas não havia bom tempo. Havia o exagero dos elementos.

O mágico chegou para reorganizar a vida, e mandou que as chuvas cessassem. Cessaram. Ordenou que a seca findasse. Findou. Sobreveio um tempo temperado, ameno, bom para tudo, e os moradores estranharam. Assim também não é possível, diziam. Podemos fazer tantas coisas boas ao mesmo tempo que não há tempo para fazê-las. Antes, quando estiava ou chovia um pouco - isto é, no intervalo das grandes enchentes ou das grandes secas -, a gente aproveitava para fazer alguma coisa. Se o sol abrasava, podíamos fugir. Se a água vinha em catadupa, os que escapavam tinham o que contar. Quem voltasse do êxodo vinha de alma nova. Quem sobrevivesse à enchente era proclamado herói. Mas agora, tudo normal, como aproveitar tantas condições estupendas, se não temos capacidade para isto?

Queriam linchar o mágico, mas ele fugiu a toda.


A estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão frita!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

Nota: vocês podem conferir mais sobre o livro Contos Plausíveis em Contos de Carlos Drummond de Andrade. Também há uma rápida explicação sobre algumas características de Bandeira na postagem Poemas de Manuel Bandeira.

2 Comentários:

Anônimo

"Não chovia, meses a fio. Ou chovia demais."
Que relação de sentido existe entre esses dois períodos? Qual é a função da conjunção "ou" ?

Anônimo

Não chovia, meses a fio. Ou chovia demais."
Que relação de sentido existe entre esses dois períodos? Qual é a função da conjunção "ou" ?

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