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Poemas de Vinícius de Moraes

em 8 de mai de 2010.

Geralmente, gosto de colocar boas leituras para o pessoal do blog nos finais de semana, especialmente para o pessoal que assina o Feed (ou recebe o blog por e-mail) e acaba lendo domingo de manhã. Hoje, coloco dois poemas super conhecidos, que não sei como ainda não tinha colocado aqui. Entretanto, como sempre gosto de fazer, irei comentar. Isso porque as escolhas não são assim tão casuais. Ambos são de Vinícius de Moraes, que faz sua primeira aparição aqui no Na Ponta dos Lápis. Gosto do autor, acho ele um dos mais talentosos poetas brasileiros, sempre colocando muita rima e musicalidade em seus versos, e queria destacar alguns pontos de sua obra. Então, apreciem os poemas e, se estiverem interessados, leiam os comentários, acho que trazem uma visão interessante


Soneto de Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Comentário: Provavelmente muita gente aqui já leu ou ouviu algo deste poema alguma vez, é uma das obras mais conhecidas - senão a mais conhecida - de Vinícius de Moraes. O comentário que irei fazer talvez também já tenham ouvido, é sobre a ironia do poema, desde o título até o conteúdo. Sei que muita gente ama o Soneto de Fidelidade por achá-lo super romântico e coisa e tal. O que ele diz, na verdade, não é bem isso; é o oposto. Vinícius de Moraes sempre foi um poeta boêmio e mulherengo, algo que deixou fluir neste poema, embora muita gente possa interpretá-lo como romântico.  Os dois versos finais, definitivamente muito conhecidos, revelam exatamente isso. Fala de paixão, que é chama, intensa, surge do nada, que seja infinita enquanto dure; ou seja, é coisa de momento, deve-se aproveitar aquele instante, mas em breve partir para outra, para outros amores, como o próprio Vinícius fez durante a vida. Algo similar vale para o poema que colocarei abaixo, A mulher que passa. Ele revela aquela vontade de termos justamente aquilo que não podemos ter, a pessoa que não podemos, e como a idealizamos e desejamos, desde que seja a pessoa que passa, e não aquela que permanece, aquela que fica. Por sinal, acho o último verso simplesmente sensacional, a imagem poética que ele traz é fantástica; e se encaixa ainda na métrica e na rima.


A Mulhe Que Passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me concontrava se te perdias?

Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida
Para o que sofro não ser desgraça?

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!

Que fica e passa, que pacífica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.



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13 Comentários:

Nanda

Ei Leo,

Sou fã demais de Vinícius. Amo de paixão estas poesias, gosto muitooo também do Soneto do amor total e Ausência.

bjoo

Leonardo Schabbach

Legal, Nanda, eu gosto muito dele também. Nunca tinha postado nada, mas acho ele muito talentoso. Fazia os poemas rapidamente e eles tinham sempre seu toque de genialidade.

Se um poeta tivesse o talento do Vinícius de Moraes e a disciplina do João Cabral, seria perfeito =P

bjs.

Camila Alves.

Ah! tenho que comentar.
Vinicius de Moraes... eu simplesmente amo.
E não sei se te lembras, de uma vez que eu postei esse poema no meu blog e tu disse EXATAMENTE isso citado no comentário, sobre a boemia do Vinicius.
Eu, amo Soneto de Fidelidade. Até mesmo se não entendesse ele, iria amar.
Destaco aqui as suas palavras:
"Gosto do autor, acho ele um dos mais talentosos poetas brasileiros, sempre colocando muita rima e musicalidade em seus versos"

Exatamente por isso que eu amo a obra dele.

Abraços.

www.desentoa.tumblr.com

Leonardo Schabbach

Sim, eu lembro sim, foi a primeira vez que entrei no seu blog, vi o poema e comentei, hehehe. Ai resolvi comentar por cá também, com mais o poema A mulher que passa, do qual gosto muito.

gabrilafernanda

óla sou gabriela você mi encina a criar poemas com rimãs ?
beijos!!!!
gabrila fernanda estudo no diocesano
4 ano D
thau!!!!!!!!!

Anônimo

São realmente incriveis os poemas do cara.
Um dia eu chego lá! hehe

http://www.nobrevagabundo.com/2010/09/as-cronicas-do-gato-e-o-coelho-vii.html

Michelle Santos

Muito bom o seu blog.
Adoro os poemas de Vinícius de Moraes, simplesmente o meu poeta preferido !!.

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