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Uma nova "ficção científica"? (mais o resultado da última promoção)

em 11 de mai de 2010.

Nota: resultado da promoção do livro Múltipla Escolha, da Lya Luft no final da postagem.

Hoje quero trazer uma nova discussão para o pessoal, para saber qual a opinião geral sobre o assunto. Também é uma postagem interessante por tratar de um tema vinculado a nossa antologia de contos (saiba aqui como participar). Quero falar um pouco da ficção trabalhada por autores como Kafka (em A Metamorfose), Calvino, Borges, Saramago e etc... A questão que gostaria de colocar é a seguinte, poderíamos qualificá-los como produtores de ficção científica?

Talvez o questionamento seja por demais estranho, especialmente para os fãs de ficção científica, mas pretendo explicar melhor o que quero falar com isso, até por ser a área de meus estudos acadêmicos. Penso aqui na palavra "científica" no sentido de que a ciência trabalha por experimentos e, através deles, chega a uma série de conclusões. Quando o Saramago, por exemplo, propõe que uma estranha doença comece a deixar todos cegos, ele exerce, durante a obra, uma espécie de investigação. É quase como se ele realizasse, por intermédio da criação ficcional, um experimento em que pessoas fossem colocadas naquela situação e dali ele conseguisse aprender mais sobre o homem. Ensaio sobre a cegueira se desenvolve mais nas relações da humanidade do que na estranha doença, que é, na verdade, uma grande metáfora. Ainda assim, é quase como se, por intermédio da criação de uma outra realidade, Saramago pudesse investigar cientificamente o ser humano.

E o mesmo vale para obras deste mesmo gênero, que para mim teve o seu grande começo com Kafka. Em A Metamorfose (estou com vontade de fazer uma postagem só sobre este livro), o personagem principal, Gregor Samsa, acorda metamorfoseado em um inseto gigante. Não há explicações, simplesmente acontece, já nas primeiras linhas do livro. Deste momento em diante, novamente se entra de maneira profunda na essência do humano em Gregor, nas suas relações com os parentes, que agora precisam lidar com a espécie de monstro em que ele se transformara. E a história se desenrola, sempre nos fazendo refletir e pensar mais sobre a questão humana, podendo ver, pela história, onde aquilo irá dar, o que irá acontecer, justamente como ocorreria em um experimento científico.

Eu, particularmente, adoro este tipo de ficção, por isso também escolhi como temática para a antologia de contos. Acho que são sempre muito criativas e nos enriquecem muito, tanto pessoal como filosoficamente; fazem pensar. É claro que a ficção científica tradicional também apresenta todos estes tipos de característica, e, confesso, tem lá seu charme - adoro autores como Júlio Verne e Aldous Huxley, embora não conheça os mais novos do gênero. Agora, o que queria colocar aqui é se autores como Saramago (em livros como Ensaio sobre a cegueira, Ensaio sobre a lucidez e Intermitências da morte) não estariam produzindo um novo tipo de ficção científica, uma literatura capaz de criar hipóteses e testá-las em suas próprias realidades, para que assim todos nós possamos aprender com elas. Enfim, são só algumas idéias, gostaria de saber o que mais gente pensa sobre o assunto!


RESULTADO DA PROMOÇÃO

As duas sorteadas foram @bruninhamorales e @biancabriones. Entrarei em contato via twitter para que me enviem o endereço, repassarei para a Record e eles mandarão os livros. Podem ver a url do sorteio no sortei.me - http://sorteie.me/jly. Aviso também que em breve teremos mais resenhas com promoção e, se possível, entrevista, de livros muito legais, muito legais mesmo. Espere e verão!

10 Comentários:

Israel Teles

Bom, confesso que sempre que leio o termo Ficção Científica, o que me vem à cabeça são obras com forte envolvimento de ciências como biologia e tecnologia.
No meu ponto de vista, os autores citados no post não caberiam nesse rótulo, pois, o que eles fazem é um exercício de imaginação onde as regras "do mundo comum" não se aplicam e não fazem questão de propor uma explicação para isso. Por exemplo, no Ensaio sobre a Cegueira, o Saramago não se preocupa em explicar a origem/causa desse fenômeno, se tal situação ocorresse em um livro do gênero "tradicional" de FC, haveria uma explicação - aceitável ou não dentro da ciência atual - sobre tal.
O que os autores citados produzem se aproxima mais do "fantástico" do que do "científico", embora, qualquer estilo literário tenda ao mesmo fim: a tentativa de compreensão do ser humano.

Leonardo Schabbach

Sim, perfeito. Mas é exatamente isso que estou querendo propor. Não é uma ficção científica clássica, pelo motivos que você falou. Mas não deixa de ser científica no momento em que eles partem de uma hipótese e através dela querem, por intermédio do texto, fazer uma experiência, uma investigação; querem compreender melhor determinado assunto.

Não é uma ficção científica baseada em tecnologia. Mas de certa forma utiliza um método razoavelmente científico, como faz a História também (os estudos históricos).

Esse é ponto sobre o qual você falou é justamente o que quero por em discussão =)

Bianca Briones

Ai... Querido, nem posso dizer o quanto fiquei feliz em ganhar o livro da Lya Luft. =)
Muito obrigada.

Ainda hoje passarei meu endereço para entrega.

Quanto a antologia, sabe que estou participando e muito ansiosa para o resultado.

Beijo

DiegOpatto

Olha Leonardo, concordo com você quanto à utilização do método científico, apesar de como o Israel mencionou acima, Saramago não se ocupa em dar uma explicação científica embasada para a cegueira branca. Por isso, acho que o contexto de investigação e utilização dos métodos científicos não se aplica à explicar certos fenômenos, é mais psicológico e social, o problema de Gregor não é o fato de ter se tornado um inseto gigante, mas sim ter deixado de ser o sustento de sua família, se tornando um parasita.


Ps.: Desculpem se estiver confuso, eu me "embanano" todo ao tentar explicar pensamentos racionais escrevendo...

Leonardo Schabbach

Mas é justamente isso que falo, exatamente isso que você colocou. O Saramago não dá explicações (no caso, no meu livro eu explico melhor essa questão, da não necessidade das explicações), então na pode ser classificado como uma Ficção Científica clássica. Mas é científica no método. Algo como uma ciência social, que não deixa de utilizar o método científico, não deixa de ser, por isso, uma ficção "científica".

Também poderia colocar outras questões, que ai já envolveriam a minha pesquisa, em que falo que a ficção hoje também já não tem mais a necessidade de se basear tanto no real, uma vez que até o próprio real vem sendo colocado em xeque por muitos pensadores. Mas ai já seria pano para muita manga, hehe.

Anônimo

Do meu ponto de vista, não podemos justamente classificá-las e enquadrá-las no campo da Ciência Investigativa uma vez que suas hipóteses são direcionadas exatamente no ponto em que o autor pretende atingir.Suas premissas, por mais interessantes que sejam, estão comprometidas pelo ponto de vista do escritor que fará de tudo para que elas sejam comprovadas.

No âmbito da Ciência, uma experiência permite a quem realiza-a comprovar a veracidade ou não da tese que pretende comprovar,certo?Mas o objeto da tese a ser testado, e seu próprio resultado, independem do cientista que a realiza, o que não ocorre no caso da literatura.

Contudo, a genialidade dos autores citados por você reside justamente em sua capacidade de criar situações extremas que possibilitem uma melhor análise do homem e no fato deles nos fazerem acreditar que se tal coisa ocorresse, a reação de todos seria exatamente a prevista pelo autor.Mas como não dá para ter certeza do ´´resultado´´ do ´´experimento´´, não seria possível qualificá-los como produtores de ficção ciêntífica.

Leonardo Schabbach

Ai depende muito, depende do processo criativo do autor, de como criou a história. Nem sempre você tem uma idéia em mente que quer defender, você só cria a situação, as personagens e a coisa meio que se desenrola "sozinha". Certamente, de alguma maneira, ainda haverá uma parcela de subjetividade. Mas isso existe em todas as áreas de ciência. Desde experiência até as ciências históricas (essas sim, tem um grau de subjetividade bem grande). Então não necessariamente o autor pode querer defender uma determinada idéia. Ele pode ter como objetivo justamente investigar, que é o que acho que faz o Saramago em Ensaio sobre a cegueira, por exemplo. O objetivo não é defender determinado ponto de vista, mas investigar, como um historiador, como um cientista.

É uma questão complicada mesmo essa que você colocou. Daria muito o que se discutir. Mas é por isso mesmo que postei. Por ser uma coisa interessante e legal de se discutir! Adorei o comentário.

amanciosiqueira

Ficção científica como gênero literário não é assim tão científica. O gênero literário vai mais para o lado da futurologia, de prever como será a sociedade em dado tempo, tanto em aspectos socio-culturais como tecnológicos. Como gênero literário, os livros citados não são ficção científica, assim como Dom Quixote, embora se passe no século xvi, não é um romance histórico. Isso, é claro, não quer dizer que não tenha o viés histórico. Ou que as obras citadas não possuam viés científico.
Por exemplo, os romances médicos de Robin Cook tratam de ciência, mas não são ficção científica enquanto gênero literário.

Leonardo Schabbach

Sim. Mas é exatamente isso que estou propondo, a criação de um novo conceito; ou então a ampliação de um conceito antigo diante de um surgimento de um nova forma de ser fazer ficção.

Expressionador

Leonardo, de acordo com o que você expôs sobre os livros (pois li A Metamorfose há muito tempo e somente assisti o filme do Ensaio sobre a Cegueira) penso que eles são classificados como Ficção Científica ao passo que parecem pertencer ao subgenero de FC como História Alternativa ou Ficção Especulativa, por tratarem do mundo real tendo algum elemento (passível de pesquisa científica) que o modifica, e a partir desse ponto especular, ou experimentar como vc disse o que aconteceria em tal situação, a reação das pessoas, o rumo que o mundo tomaria.

Sobre ele ser científico de forma a testar uma hipótese e experimentá-la, a essência dos livros de ficção científica não seria essa? Propor realidades e mostrar suas consequências e os comportamentos dos seres dentro dessas realidades diversas?

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