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Algumas novidades e um poema de Manoel de Barros

em 4 de jun de 2010.

Bom, seguindo a programação da Semana de Poesia - que virou Quinzena e teve a velocidade diminuída nesse feriado, já que muito pouca gente entra na internet -, coloco dois poemas de Manoel de Barros por aqui. É a primeira vez que coloco algo do poeta no Na Ponta dos Lápis, mas, devido a alguns pedidos que recebi pelos comentários e pelo twitter, decidi que já era hora de fazê-lo. Além disso, falo também das novidades, tanto sobre a programação da Semana de Poesia, quanto sobre o blog. Os mais atentos devem ter notado mudanças.

O layout foi modificado, tentando torná-lo ainda mais agradável (dos comentários à navegabilidade). A ferramenta de destaque de postagens no topo da página está aperfeiçoada e há agora uma estante no pé do blog com alguns livros que resenhei e aos quais quero dar algum destaque, além de livros que estão em promoção (como a coleção Brumas de Avalon, que está com um desconto absurdo: quatro exemplares por 29,90).

A Semana de Poesia definitivamente virou uma Quinzena. Quando comecei a iniciativa, descuidei-me e não notei o feriado, então vou reduzir a velocidade das postagens até domingo. Além dos eventos e promoções que já estão rolando (Mini-Concurso Drummond de Poesia - que contém também um sorteio do livro "Quando é dia de futebol" - e a resenha do livro As Cidades, de Francisco Pipio, também com promoção) teremos na semana que vem uma resenha do livro Trovar Claro, do Paulo Henriques Britto e também uma entrevista com o poeta, um dos maiores da atualidade. Fica para semana que vem também a postagem (ou as postagens) com os bons poemas para mim enviados, assim como algumas reflexões sobre poesia e mercado editorial. Se tiverem sugestões tanto em relação ao layout como em relação à programação da Semana de Poesia, favor, deixar nos comentários, elas são sempre bem vindas. Agora, para que desfrutem bem, seguem trechos e poema de Manoel de Barros.


O Guardador de Águas

I
O aparelho de ser inútil estava jogado no chão, quase
coberto de limos -
Entram coaxos por ele dentro.
Crescem jacintos sobre palavras.
(O rio funciona atrás de um jacinto.)
Correm águas agradecidas sobre latas...
O som do novilúnio sobre as latas será plano.
E o cheiro azul do escaravelho, tátil.
De pulo em pulo um ente abeira as pedras.
Tem um cago de ave no chapéu.
Seria um idiota de estrada?
Urubus se ajoelham pra ele.
Luar tem gula de seus trapos.
II
Esse é Bernardo. Bernardo da Mata. Apresento.
Ele faz encurtamento de águas.
Apanha um pouco de rio com as mãos e espreme nos vidros
Até que as águas se ajoelhem
Do tamanho de uma lagarta nos vidros.

No falar com as águas rás o
exercitam.
Tentou encolher o horizonte
No olho de um inseto - e obteve!
Prende o silêncio com fivela.
Até os caranguejos querem ele para chão.
Viu as formigas carreando na estrada 2 pernas de ocaso
para dentro de um oco... E deixou.
Essas formigas pensavam em seu olho.
É homem percorrido de existências.
Estão favoráveis a ele os camaleões.
Espraiado na tarde -
Como a foz de um rio - Bernardo se inventa...
Lugarejos cobertos de limo o imitam.
Passarinhos aveludam seus cantos quando o vêem.

V
Eles enverdam jia nas auroras.
São viventes de ermo. Sujeitos
Que magnificam moscas - e que oram
Devante uma procissão de formigas...
São vezeiros de brenhas e gravanhas.
São donos de nadifúndios.
(Nadifúndio é lugar em que nadas
Lugar em que osso de ovo
E em que latas com vermes emprenhados na boca.
Porém.
O nada destes nadifúndios não alude ao infinito menor
de ninguém.
Nem ao Néant de Sartre.
E nem mesmo ao que dizem os dicionários:

coisa que não existe.
O nada destes nadifúndios existe e se escreve com letra
minúscula.)
Se trata de um trastal.
Aqui pardais descascam larvas.
Vê-se um relógio com o tempo enferrujado dentro.
E uma concha com olho de osso que chora.
Aqui, o luar desova...
Insetos umedecem couros
E sapos batem palmas compridas...
Aqui, as palavras se esgarçam de lodo.

VIII
Idiotas de estradas gostam de urinar em morrinhos de
formigas. Apreciam de ver as formigas correndo de
um canto para o outro, maluquinhas, sem calças, como
crianças. Dizem eles que estão infantilizando as
formigas. Pode ser.

XX
Com 100 anos de escória uma lata aprende a rezar.
Com 100 anos de escombros um sapo vira árvore e cresce
por cima das pedras até dar leite.
Insetos levam mais de 100 anos para uma folha sê-los.
Uma pedra de arroio leva mais de 100 anos para ter murmúrios.
Em seixal de cor seca estrelas pousam despidas.
Mariposas que pousam em osso de porco preferem melhor
as cores tortas.
Com menos de 3 meses mosquitos completam a sua
eternidade.
Um ente enfermo de árvore, com menos de 100 anos, perde
o contorno das folhas.
Aranha com olho de estame no lodo se despedra.
Quando chove nos braços da formiga o horizonte diminui.
Os cardos que vivem nos pedrouços têm a mesma sintaxe
que os escorpiões de areia.
A jia, quando chove, tinge de azul o seu coaxo.
Lagartos empernam as pedras de preferência no inverno.
O vôo do jaburu é mais encorpado do que o vôo das horas.
Besouro só entra em amavios se encontra a fêmea dele
vagando por escórias...
A 15 metros do arco-íris o sol é cheiroso.
Caracóis não aplicam saliva em vidros; mas, nos brejos,
se embutem até o latejo.
Nas brisas vem sempre um silêncio de garças.
Mais alto que o escuro é o rumor dos peixes.
Uma árvore bem gorjeada, com poucos segundos, passa a
fazer parte dos pássaros que a gorjeiam.
Quando a rã de cor palha está para ter - ela espicha os
olhinhos para Deus.
De cada 20 calangos, enlanguescidos por estrelas, 15 perdem
o rumo das grotas.
Todas estas informações têm uma soberba desimportância
científica - como andar de costas.

5 Comentários:

Márcia Luz

Ficaram excelentes as mudanças no blog e ficou divina essa seleção do Manoel de Barros. Ele é mesmo fantástico, não?

Um abraço.

Leonardo Schabbach

Pois é. Tenho gostado cada vez mais das mudanças, e em geral sou receoso quanto a mudar muita coisa. E Manoel de Barros é muito bom mesmo. O que coloquei faz parte do livro dele premiado pelo Jabuti.

Leonardo Schabbach

Valeu, bom saber que o pessoal está gostando. Na verdade não mudou tanto assim, foi um upgrade da versão anterior, digamos assim, hahaha. Pra deixar mais clean e facilitar mais a navegação também. Acho que deu certo!

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