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Os e-books anunciam o fim das editoras?

em 23 de jun de 2010.

Ultimamente, muito se tem discutido no mercado editorial sobre as novas tecnologias. Sem sombra de dúvida, algumas coisas irão mudar. As possibilidades da internet e o surgimento de novas formas de publicação abriram muitas portas aos novos autores, geraram, definitivamente, uma série de novas oportunidades a serem exploradas, novos meios de se entrar em contato com o leitor. Em resposta a minha última postagem (E-book: qual o preço certo?), o Ruberto Palazo (@rubertopalazo) levantou uma questão interessante no twitter: com a possibilidade de, no futuro, os autores poderem colocar seus e-books à venda em seus sites ou nos grandes sites, não seria possível se tornar independente das editoras?

A questão é, de fato, muito interessante e extremamente atual - há, inclusive, uma obra sobre o assunto do Robert Darnton, chama-se A questão dos livros. Podemos imaginar que a possibilidade de você pegar o seu texto e o transformar em um arquivo digital para depois vender pela internet possa, num futuro próximo ou não, tornar as editoras desnecessárias; afinal, o escritor estaria entrando em contato direto com seus leitores.

O cenário parece possível, mas eu, particularmente, não acredito que ele realmente o seja. O processo de edição e lançamento de um livro não é tão simples; na realidade, ele é por demais complicado, bem mais do que a maioria das pessoas pensa. Não é só produzir o texto e diagramar. É preciso pensar na diagramação com cuidado, criar um projeto gráfico. E antes disso, é preciso revisar o texto, notar se ele atrairia ou não o público, melhorar partes na narração (ou na argumentação, dependendo do livro), enfim, é necessário uma série de coisas que a maioria dos autores não seria capaz de fazer para se ter um livro pronto e bom nas mãos. Agora, as coisas não param por ai.

Talvez você até possa encontrar autores capazes de fazer sua própria revisão, ou que tenham algum amigo que possa fazer isso para eles. Teria como garantir que esta revisão possuiria a mesma qualidade do que a de um editor? Dificilmente, já que não se trata apenas de corrigir o que está gramaticalmente errado. Mesmo assim, ainda é possível, pode acontecer, naturalmente. A questão é que o lançamento de um livro no mercado não passa apenas por isso. É preciso ainda divulgar. Mesmo que a distribuição fique pela internet (o que já a limitaria muito, mas estamos falando de E-books), é crucial que o livro chegue às pessoas, que entre em contato com as pessoas.

Para isso, novamente, é necessário uma série de requisitos que nem todos os autores poderão preencher - ainda mais por estarmos falando de requisitos cumulativos: escrever o livro, revisar, editar e divulgar. Para que se tenha algum reconhecimento, será necessário enviar a obra para críticos literários, grandes e pequenos veículos midiáticos, blogs e etc...

Mas ainda tem mais: imagine um cenário em que centenas de milhares de autores coloquem seus e-books à venda em seus sites ou em sites especializados na venda desses produtos. Como o leitor definiria o que é bom ou ruim? Não quero dizer aqui, claro, que o leitor não saiba fazer essa distinção, muito pelo contrário. Mas diante de um número gigantesco de livros, como saber se aquilo que estou comprando é bom, como achar os bons livros? A crítica literária precisará adotar critérios, não terá como aceitar o livro de qualquer um para analisar. Se fizesse isso, receberia muito mais exemplares do que seria capaz de ler, como acontece hoje com as grandes editoras. Naturalmente, seria preciso haver a figura do editor e da editora para mediar esta relação, para selecionar, num universo completamente saturado de informação, aquilo que vale a pena ser lido. É claro que a seleção nunca será perfeita; livros ruins continuarão a ser publicados, assim como livros excelentes acabarão caindo no ostracismo.

De qualquer modo, sem a credibilidade dada por uma editora a um determinado autor, ele dificilmente conseguirá um espaço grande no mercado editorial e, com maior dificuldade ainda, conseguirá ser aclamado pela crítica. Por isso, os e-books, para mim, não irão acabar com o papel das editoras.

Ainda assim, haverá mudanças

E muitas. É claro que as editoras precisarão repensar uma série de coisas conforme os e-books forem se popularizando. Além disso, embora eu tenha falado que é difícil, numa escala macro, que os livros digitais substituam o papel das editoras, isso não quer dizer que numa escala menor isso não possa acontecer; alguns autores poderão sim se ver independentes delas.

Novamente entra em questão o poder da internet. Vou citar um caso atual. O Marcos Lemos, do Ferramentas Blog, criou um espaço virtual em que dá dicas para os demais blogueiros de como melhorar seus sites, como atrair mais visitas, produzir conteúdo de qualidade e etc... O Marcos conseguiu, em pouco tempo, um número muito grande de seguidores, de pessoas que assinam o Feed de seu blog e o acessam regularmente. Sabendo disso, lançou um e-book que fala justamente do ato de blogar, dá dicas de como tornar o seu blog melhor. Certamente, ele vendeu um bom número de exemplares e, conforme mais pessoas forem conhecendo o Ferramentas Blog através de sites de busca, mais gente comprará o e-book, o que torna a sua obra excelente, pois irá vender sempre. Ele, portanto, não precisa de uma editora, basta que faça, com calma, os processos de revisão e edição do livro (ou que terceirize, sabendo que esse dinheiro irá voltar).

O mesmo aconteceu com Eduardo Spohr (autor que pretendo entrevistar para o Na Ponta dos Lápis), mas não por causa do formato digital. Ele lançou o livro dele de maneira impressa por seu próprio site, o que acabou fazendo-o criar sua própria editora. A Batalha do Apocalipse vendeu mais de 5 mil exemplares no Brasil, sem o auxílio de livrarias, o que é incrível; aqui os livros não costumam vender nem 3 mil exemplares. É claro que o site do autor e o seu blog já tinham um número de seguidores enorme, mas este é mais um caso em que as editoras se tornaram desnecessárias.

Naturalmente, com a popularização do e-book, mais casos como estes se tornarão realidade - especialmente quando tratarmos de livros educacionais ou que trazem informação; também acho que esse poderá ser um caminho muito interessante para a poesia. Além disso, vejo também novas perspectivas para os grandes autores de best-sellers, principalmente os americanos. Com a popularização dos e-books e novas formas de impressão, eles poderiam, sem muita dificuldade, criar suas mini-editoras e lançar seus próprios livros por elas, obtendo assim muito mais lucro.

Enfim, a postagem acabou ficando muito grande, mas creio ser um assunto muito interessante, por isso ocupei um espaço maior. Algumas ponderações ainda ficaram de fora, mas acredito que este texto já retrata bem algumas das coisas que vinha pensando sobre o assunto.

7 Comentários:

Paul Law

Acho importante destacar este contexto que se faz em seu texto. Vislumbro, igualmente, mudanças no mercado editorial. Contudo, vejo-as como incentivo para a democratização da produção de livros. Acho isso positivo para os jovens autores, como eu.

É preciso ficar atento com empresas que querem comercializar e-bookess e ganhar em cima dos autores e não dos leitores é minha preocupação imediata.

No mais, o futuro é bem-vindo. Em contrapartida, os livros de papel não acabarão tão cedo, dado o fato de serem de fácil manuseio e transporte, além do que são tradicionais.

Abraço!

Junior Silva

Olá

Também acho interessante essa democratização de produção de livros, até porque tenho a impressão de que há muito coorporativismo e troca de favores entre editores e escritores, o que vulgarmente a gente chama de "panela", por isso a gente sempre fica no "mais do mesmo".

Só espero que a quantidade não seja desproporcional à qualidade.

Abraços.

contato@brunamaria.com

Eu não consigo ver algo como o fim das editoras, pelo menos, não atualmente. Acredito mais na possibilidade de mudança do foco, das estratégias de trabalho... que as editoras se adequem à realidade da popularização de e-books - e acho que sua postagem também demonstra que esse é um caminho possível.

De qualquer forma, vamos seguir observando as mudanças e pensando formas de agir sem ter total necessidade da uma editora... é sempre bom se informar!

Abç!!

Israel Teles

Adaptar, sim.
Acabar, não.
Alguém hoje em dia ainda ouve rádio? Sim.
E televisão, alguém vê? Sim.
Mas, tudo que essas duas mídias disponibilizam não estão na Internet? Sim.
Pois é...
Seguindo esse raciocínio - de que um modelo bem estabelecido simplesmente não desaparece de um dia para o outro - dá pra sacar que o modelo convencional de literatura ainda tem uma longa estrada pela frente ;)

Gilsa Elaine

Muito bom seu artigo. Não acho que as editoras vão acabar. Mas acredito que haverá mais democratização nas publicações e no surgimento de novos escritores. Sabemos que, durante séculos, as lutas travadas para entrar no mercado editorial, tornar-se lido e conhecido deixavam sempre os mais "fortes" na liderança, abafando, assim, escritores que foram bastante lidos, mas que não alcançaram o mercado editorial. Na internet isso não acontece. A possibilidade de se publicar e ser lido e reconhecido pelo leitor é muito mais democrático, o que sou totalmente a favor.

amanciosiqueira

Não vejo o fim das editoras sem o fim da crítica e da própria literatura. O papel de filtragem de conteúde é imprescindível. Mesmo sendo defeituoso, com obras imprestáveis publicadas e grandes obras preteridas, não podemos deixar de analisar o aspecto mais importante do trabalho editorial: a análise de obras antes de sua divulgação e a distribuição das mesmas.
O número de livros é cada vez maior, com novos autores que têm orgulho de dizer que não gostam de ler escrevendo compulsivamente. Como filtrar toda essa produção?
Outro elemento: correção textual. São poucos os blogueiros e autores que se preocupam com a coesão e coerência, com a correção gramatical. O leitor (animal cada vez mais raro) lerá qualquer coisa, sem um critério? Ou terá que conhecer o escritor e sua obra antes de comprá-la?
O fim das editoras faria o inverso do que se pretende: dificultaria ainda mais a vida de novos autores, que não teriam a seu favor uma leitura crítica, teria uma distribuição deficitária e, pior, os leitores dariam preferência aos autores clássicos, pois os novos não teriam qualquer garantia de qualidade.

Anônimo

Muito bom o seu texto, vou até guardar o link. Eu acho que o autor não precisa nem de editoras e nem de críticos literários. Mas acho que o autor, SE QUISER, pode sim terceirizar os serviços de edição em papel, revisão, copidesk, leitura crítica.Tanto é que as edições sob demanda faz exatamente isso. Porém o autor independente esbarra num problema: como DIVULGAR a obra. Normalmente o autor (como eu por exemplo)não tem tempo para isso. Eu acho que o ebook uma solução, dá pra divulgar em redes sociais com um preview ou degustação de números de página. Eu acho até que o livro em papel ai acabar (as árvores vão agradecer, mas em compensação o lixo eletrônico vai aumentar). Outra coisa: livro é como mulher, a gente se apaixona; nunca precisei de opinião de crítico literário ou de lista de mais vendidos da Veja para gostar e comprar um livro. Já vi ótimos ebooks na internet, distribuídos gratuitamente. Enfim, a coisa é complexa, mas vale apena analisar isso. Parabéns seu post está ótimo, eu li tudo (esse pessoal que reclama que muito texto na internet é ruim, é porque tem preguiça de ler)
Rogério
www.rogsildefar.tk

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