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Poesia, blogs e mercado editorial

em 7 de jun de 2010.

Um comentário na postagem sobre a importância dos blogs para escritores me estimulou a escrever sobre a questão dos blogs, da poesia e do mercado editorial. A leitora, na ocasião, perguntou sobre o problema dos direitos autorais e também se há instâncias de consagração dos poetas que publicam na internet. São duas questões realmente muito interessantes. Cheguei a responder nos comentários, mas decidi discorrer um pouco mais sobre o assunto.

Em primeiro lugar, não. Não há, de fato, nenhuma instância de consagração de poetas pela internet. É claro que há inúmeros leitores e poetas espalhados pelas diversas redes sociais, é claro que, com um bom blog, um bom trabalho de divulgação e uma disciplina grande na periodicidade das postagens, é possível conquistar alguns leitores e amigos. É possível conseguir algum reconhecimento pela internet. Mas ninguém, por favor, vá imaginar que isso possa levar a algum tipo de consagração. Mesmo que leve, de repente, a uma publicação, isso pode não significar muito, tendo em vista a maneira com o mercado e os leitores tratam a poesia. Infelizmente, ela não vende, o que chama muita atenção dada a sua alta popularidade na internet. É enorme a quantidade de pessoas que procura por poemas online, que acompanha poetas online. Ainda assim, tal interesse não se reflete em termos de venda.

Isso até poderia nos fazer pensar: por que há uma procura tão grande pela poesia no mundo cibernético e tanto desinteresse no mundo "real"? Será que a falta de apoio das próprias editoras não poderia estar bloqueando o crescimento de uma arte que ainda tem muito mercado?

Ao meu ver, essas questões são bem complicadas. Acho que é um pouco de tudo. A falta de apoio, o fato de leitores optarem sempre pelos poetas consagrados ou, então, a idéia absurda que se tem de que poesia tem que ser de graça. Talvez, se tivessemos uma crítica literária mais forte, com mais espaço na mídia, os autores pudessem se tornar mais conhecidos e, conseguir, com esse reconhecimento, ter uma expressão maior em termos nacionais - e em termos de vendagem também. Ainda assim, mesmo que fosse possível que tudo isso acontecesse, ninguém deve imaginar que vai viver de poesia. Mesmo o Paulo Henriques Britto (um dos maiores poetas brasileiros - do qual falarei esta semana) mal ganha dinheiro com seus livros de poema - excetuando-se aqui os casos de premiação, que não vêm, claro, do número de livros vendidos.

Por estes motivos, acho que a produção de poesia na internet deve seguir pelo caminho apontado pelo Francisco Pipio (poeta resenhado e entrevistado semana passada, confira aqui). É preciso produzir e continuar produzindo para manter a arte da poesia viva, como resistência. Produz-se online, as pessoas lêem, discutem. Publica-se também, mesmo que em baixas tiragens, mas se mantém a poesia viva, o interesse pela poesia vivo. Acho que a internet nos traz essa possibilidade, ou melhor, a multiplica, já que não se submete apenas à publicação física tradicional.

Além disso, bons blogs pessoais de poesia e bons sites que dêem apoio a esta arte, que aproximem o leitor do poeta - e também os poetas de outros poetas -, podem ser de extrema importância para a popularização do gênero, para o crescimento do mercado. Isso, na minha opinião, se deve muito ao que é apontado por alguns marketeiros atualmente: as pessoas não compram aquilo que você produz, elas compram aquilo que você é. Em outras palavras, o reconhecimento dado a um escritor pela crítica ou o reconhecimento conquistado por esse autor através das diversas redes sociais (um reconhecimento ainda mais forte, já que nessas redes há uma troca de experiências, há uma aproximação ainda maior) é o que pode ajudá-lo a cravar de vez seu pé no universo literário e até mesmo no mercado - embora, devo alertar novamente aqui, ninguém vá vender milhares de exemplares de um livro de poesia, salvo raríssimas exceções.


Sobre os direitos autorais: eu, como alguém que publico na internet, não tenho tantas preocupações assim com os direitos autorais. Naturalmente, sempre vai haver o plágio e sempre estaremos correndo atrás de quem está plagiando para nos protegermos disso. Mas, de fato, você não precisa se preocupar tanto com isso, já que, até por você publicar na internet e ter várias pessoas que acompanham o que você produz online, sempre será possível se provar o dono daquilo que foi publicado. Mesmo assim, caso alguém tenha uma preocupação ainda maior, coloque código nos sites em que você escreve para inibir a cópia do conteúdo. Eu quase fiz isso aqui, mas como tem algumas postagens (especialmente as promoções) que requerem a cópia do texto, optei por deixar a cópia em aberto.

Enfim, tentei colocar algumas questões interessantes por aqui, espero que isso estimule uma discussão saudável sobre o assunto.

10 Comentários:

antoniolacarne

O site está de parabéns, muita informação interessante, há pouquíssimo tempo comecei a acessá-lo e sempre passo por aqui.

viva a poesia!

Leonardo Schabbach

Valeu, cara. Fico realmente contente que você tenha gostado do blog e espero vê-lo sempre por aqui.

E, sim, viva a poesia! =)

Paul Law

Excelente assunto para se tratar. A meu ver, a poesia não vinga fora na rede pelo motivo de ser muito "pessoal" por assim dizer. Eu gosto de poesias, mas não o suficiente para comprar um livro delas. Algumas são bem-vindas, mas muitas, torna a leitura maçante.

Parabéns, pelo ótimo tema!
Abraços

contato@brunamaria.com

Oi, Leonardo!

Acho poesia muito difícil. Por mais simples as palavras empregadas em um verso, a linguagem do poema costuma, assim mesmo, tender ao hermético. Na minha opinião, este é um dos pontos que não permite o deslanchar da venda de poesia. Ainda que as pessoas leiam, procurem online, tenho a impressão de que, quando partem para a compra, se podem escolher entre uma prosa e um livro de poemas, escolherão a prosa. Posso estar enganada, eu sei. Mas essa impressão é muito viva em mim.
As pessoas que conheço/conheci que compram poesia geralmente são aquelas que se interessam muito de perto, ou por escreverem poesia, ou por trabalhar com pesquisa e ter que ler poesia. Os livros que tenho são todos dos poetas consagrados. O mais recente que tenho é do Carpinejar que acaba por ser alguém que muito me admira por ser tão popular na rede, e vender sua poesia.

Bacana postagem, muito bom pra pensar.

Quanto aos direitos autorais, eu sempre fico com um pé atrás, também. Mas até hoje só tive um probleminha que, com conversa, foi logo resolvido. Há um site que permite que você veja se seus textos estão sendo publicados em outros sites da rede, é o CopyScape (www.copyscape.com), você conhece?

contato@brunamaria.com

Ah, esqueci d dizer: o layout aqui ficou bem legal, Leonardo. A caixinha lá em cima com os destaques está linda, eu adorei, rs. Tá ficando muito bom! =)

Leonardo Schabbach

Valeu pelo elogio ao layout! Também to gostando muito. E sim, conhecia esse site, não dá pra ver tudinho, mas já ajuda bem =)

Gilsa Elaine

Olá, Leonardo. Obrigada pelo artigo e pelos esclarecimentos, mas acredito que o fato de ter muitos leitores, já é uma forma de consagração. Muitos escritores, por exemplo do século XIX, tornaram-se grandes por causa dos jornais. Muitos, como Machado de Assis tinha nos jornais seu melhor meio de circulação, só que ele não ficou apenas nesse suporte, ultrapassou-o, e temos um grande escritor de nossa literatura. O futuro é quem nos dirá, na verdade, se a internet, os blogs não são de fato um grande veículo de consagração, pois quem consagra um escritor é o leitor. O mercado publica porque sabe que tem público...
Vamos trocar ideias, com certeza vou continuar utilizando muita coisa de seu blog para minha pesquisa. Ele é uma grande fonte de estudo!
Um abraço!

Leonardo Schabbach

Sim, vamos trocando idéias pelos tópicos e por e-mail (precisarei me organizar para mandar um, hehe). Achei bem interessantes as colocações que você colocou.

Agora, é realmente bem difícil de conseguir um grande tráfego para os blogs ainda. Por outro lado, já começam a surgir uns bons sites de literatura dando espaço para novos autores.

Legal mesmo seu comentário!

Adriano Vinagre

Escrevendo bastante é capaz do escritor ser, um dia, um spam de e-mail com nome do Veríssimo ou da Clarice Lispector, brigar na justiça e receber uma notinha no jornal sobre o caso...

Tem que ter bastante peito para encarar e gostar muito.

É bem complicado.

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