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Trovar Claro, por Paulo Henriques Britto (com resenha, entrevista e sorteio)

em 9 de jun de 2010.

Hoje trago a vocês mais uma entrevista com Paulo Henriques Britto, desta vez acompanhada da resenha do livro Trovar Claro e do sorteio de um exemplar autografado! A entrevista, como poderão acompanhar, é interessantíssima, traz aspectos muito legais sobre o fazer poético. O autor falou sobre sua predileção por sonetos e também pela musicalidade, além de dar uma dica importante para os novos poetas (só publique quando tiver um livro muito bem trabalhado em mãos).

Para os que não sabem, Paulo Henriques Britto é um dos mais renomados escritores brasileiros da atualidade, especialmente no que se trata de poesia. Em 2004, foi vencedor do prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira e o Prêmio Alceu Amoroso Lima, pelo seu livro "Macau". Além dessas premiações, também conquistou muitas outras, como o Prêmio Jabuti - de maior renome em âmbito nacional - na categoria Contos e Crônicas pelo livro Paraísos Artificiais.

Nesta postagem, falarei de meu livro predileto, o Trovar Claro (vencedor do prêmio Prêmio Alphonsus de Guimaraens). Para mim, trata-se de leitura obrigatória para todos aqueles que gostam de poesia - tudo bem que talvez tal julgamento se dê pelo fato de eu apreciar muito o estilo de escrita do Paulo Henriques Britto, que, embora traga reflexões em suas obras, também coloca em seus poemas muita musicalidade, algo que me agrada muito. Há também uma boa quantidade de sonetos, uma forma pela qual o autor admitiu ter uma certa predileção, como poderão observar na entrevista. De uma maneira geral, Trovar Claro passa suas mensagens de uma forma direta, porém extremamente poética, utilizando de diversos recursos formais que tornam a leitura muito interessante. Além disso, há sempre uma forte presença de ironia nos poemas, alguns momentos que nos surpreendem nas leituras, o que é uma outra coisa que me agrada muito, algo que vejo muito presente também nas obras de Carlos Drummond de Andrade.

Enfim, fica aqui a dica desse livro excelente de poemas, que será sorteado no blog. Desfrutem a entrevista com o autor e depois leiam com atenção para saber como participar.



ENTREVISTA COM PAULO HENRIQUES BRITTO

Há aqui no Na Ponta dos Lápis uma outra entrevista com o autor, onde ele fala sobre muitos outros assuntos, vale a pena checar. Se quiser lê-la, basta conferir aqui.


Eu sempre tenho uma curiosidade em saber a razão dos nomes de cada livro; em alguns casos, é uma informação de grande importância. Então, pergunto: por que o nome "Trovar Claro"? Tem alguma relação com a proposta estética da obra?

R: Na verdade, era o nome de um poema meu que acabei não publicando. Na época que eu o escrevi, estava lendo as traduções do Augusto de Campos da poesia provençal, e na introdução ele falava sobre o trovar clus, que era uma poesia propositadamente obscura. Aí me deu a ideia de usar uma expressão que tivesse o sentido contrário.


Sei que costuma utilizar diferentes formas poéticas em sua obra. Há, por sua parte, uma predileção por alguma forma específica?
R: Acabei desenvolvendo um certo fetiche pelo soneto, não é? É uma forma longa o bastante para desenvolver estruturas semânticas razoavelmente complexas, e ao mesmo tempo curta o bastante para que não se perca de vista a totalidade da forma. Gosto em particular de intervir na forma do soneto, de fazer "sonetoides".


Em muitos dos poemas de "Trovar Claro" vemos uma presença constante de musicalidade. Esta era uma das intenções da obra? Para você, qual a importância da musicalidade - que pode se mostrar presente ou não - em um poema?

R: Sou um músico frustrado, uma pessoa que abandonou os estudos musicais por constatar não ter o menor talento para a coisa. A poesia me oferece uma possibilidade de trabalhar com sons e ritmos na esfera da palavra, na qual me sinto bem mais à vontade. Para mim, a musicalidade é fundamental.


Como você vê o panorama poético atual? Acha que está havendo uma renovação de estilo?

R: Falar em renovação é difícil num momento em que não há um estilo dominante, e sim uma pluralidade enorme de dicções. Mas estão surgindo novos poetas muito interessantes, o que é o principal.


Poesia é algo que, segundo muitos, não vende. O mercado para os novos poetas é, portanto, muito reduzido. Que dicas você daria ao novo escritor que decide tentar publicar um livro de poemas?
R: O melhor toque que dou é: não tenha pressa, escreva o que você gosta de escrever, publique só o que você escreveu de melhor, depois de trabalhar bastante em cima do texto.


Ultimamente, após uma crônica de Flora Süssenkind no jornal "O Globo", iniciou-se um intenso debate sobre a crítica literária. Como você vê a crítica literária no Brasil? Acha que uma crítica mais forte poderia abrir mais espaços para os novos poetas, como acontecia há algumas décadas atrás?

R: Há de fato pouco espaço para uma crítica mais aprofundada na grande imprensa, que se contenta com resenhas breves que às vezes são pouco mais que releases. Seria bom, sim, se os cadernos culturais abrissem mais espaço para uma crítica menos imediatista. E seria muito bom, também, que os críticos estabelecidos dessem mais atenção aos novos autores que surgem.


Por mais difícil que seja expressar algum tipo de critério, para você o que define um bom poema?

R: Bob Dylan em uma boa definição de canção: "Qualquer coisa capaz de andar com as próprias pernas." Acho que também serve para a poesia.


Além de poeta, você também é um grande tradutor. Quais as dificuldades enfrentadas durante a tradução de uma poesia? Que critérios você usa para traduzir um poema sem perder a poesia original?

R: Obrigado pelo qualificativo. Essa pergunta precisaria de muito espaço para responder. Vou tentar ser bem resumido. Ao traduzir um poema, a gente tenta depreender quais são os recursos mais importantes de que o poeta se valeu -- recursos semânticos, sintáticos, fonológicos, rítmicos, etc., etc. -- e tenta achar efeitos razoavelmente equivalentes a eles na língua-meta.



CONCORRA A UM EXEMPLAR DO LIVRO

Para concorrer a um exemplar do livro basta deixar um comentário no blog sobre a resenha, a entrevista ou sobre sua opinião a respeito da obra do poeta (não se esqueçam de deixar o nome de você no twitter, exemplo: @leoschabbach) e tuitar a seguinte mensagem:

RT @leoschabbach Concorra a um exemplar autografado do livro "Trovar Claro", do premiado poeta Paulo Henriques Britto - http://migre.me/N5Fu

11 Comentários:

Nanda

Ei Leo,

O site ta mais lindo ainda, adorei o slideshow e os botõezinhos, tudo.

Hummm não conhecia este livro, são tantos, vou por na lista :)

Abs,

Nanda.

thipen

Gostei da entrevista. Ganhar todos esses prémios não é pra qualquer um não.

Meu Twitter: @_thiagoneves_

Espalhando a msg pelos 4 cantos do twitter ;D

Anônimo

Já li o livro. Tenho o Macau também (livro da epoca do vestibular)
Muito boa dica. E gostei muito do blog. Tá de parabéns.

Ass.José Maurício

Grupo de Evangelização Filho do Céu

Gostei muito da Resenha, ele é um grande escritor. Eu sou academico de Jornalismo, e espero um dia poder chegar lá, onde ele esta.
Parabens, por nos dar essa legria de ler essa entrevista.
Parabens mesmo....

............dri!

Gostei da entrevista do Paulo Henrique, ele é um poeta que tem conhecimento da poesia, não se resume a um talento que satisfaz o Ego, e gostei particularmente da escolha do nome do livro, acho que essa é, se não a parte mais complicada a que pelo menos deixa mais dúvidas.

Parabéns pela entrevista.

Marcos Reis

Fiquei muito curioso para ler o trabalho do Henriques Britto; primeiro por ele já ser um escritor aclamado, inclusive com um Jabuti; e segundo por ele realçar o seu conteúdo poético através de sonetos e formas que valorizam a musicalidade da escrita, aliás, com este título "Trovar Claro", o que me vem à mente é um estilo medieval típico dos menestréis. Será que a ironia que alguns de seus poemas possuem não é capaz de revelar uma sabedoria oculta?
Por alguma razão, talvez até esteja errado, pois não li os poemas do autor - ainda - mas acho que o Henriques Britto é o Wolfram von Eschenbach do séc. XXI, afinal, ele é mais do que um poeta, ele é um "minnesänger".
Parabéns caríssimo Paulo Henriques Britto, você com certeza merece todo a aclamação que os seus livros estão recebendo.
Obrigado Leo por nos instruir com esta entrevista e resenha.

Lilian Honda

Gostei muito da entrevista. No semestre passado, Paulo Henriques Britto entrou no programa de literatura brasileira da Letras/USP e foi um grande prazer estudá-lo.

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