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Criação de personagens e histórias (Considerações)

em 31 de ago de 2010.

Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas pela demora na atualização do blog. Os últimos dias, porém, foram muito ocupados, então ficou bem difícil de colocar novas atualizações por aqui. Mas prometo que o Na Ponta dos Lápis continuará com publicações interessantes e constantes. Tentarei preparar para as próximas semanas, inclusive, algumas entrevistas com novos autores brasileiros; creio que conhecermos as histórias desses autores que batalham por um espaço no mercado seja sempre bom, é algo que sempre nos trará novas idéias e nos mostrará que, algumas vezes, correr atrás pode valer muito.

Enfim, conforme alguns haviam me pedido, começo a tentar escrever uma série de postagens aqui sobre Criação Literária. Não sei exatamente sobre o que falar, portanto me guiarei por aquilo que os próprios leitores do blog sugeriram. Aviso, porém, que tudo o que eu falar aqui não deve ser encarado como uma regra a ser seguida; são só minhas impressões sobre como produzir um bom texto, são opiniões pessoais que podem, ou não, ajudar cada um a moldar o seu próprio estilo de escrever. De fato, não há uma fórmula para se tornar um excelente escritor, necessita-se de muito trabalho, além de um conhecimento grande sobre si, para que se possa produzir narrativas de acordo com um estilo próprio, um modo de escrever que não copie os de autores já consagrados. Além disso, eu, como qualquer autor, também estou sempre tentando aperfeiçoar a minha escrita. Imagino, por este motivo, que discutir, por intermédio do blog, com outros autores possa me ajudar a melhorar ainda mais a minha narrativa.

Decidi nesta primeira postagem falar sobre a criação de personagens. A idéia veio de uma pergunta feita no Formspring (veja a pergunta aqui) para o livro que irei lançar, O Código dos Cavaleiros. A grande questão, porém, foi que, ao pensar sobre como tratar deste assunto de uma maneira mais geral, não tive como escapar de dissertar também sobre a própria criação das histórias. Isso porque, para se construir um personagem (ou alguns personagens), é necessário saber que tipo de narrativa quer se fazer, que tipo de gênero, até mesmo, será trabalhado. Por exemplo, nos romances policiais, de uma maneira geral, a história é montada antes dos personagens. Cria-se a trama, como o assassino agiu, quem ele é e etc... Deste modo, é como se cada personagem exercesse uma função dentro da história para que ela se desenrole; o que irá acontecer, normalmente, já está bem definido antes mesmo que se comece a narrar a história. Neste cenário, os personagens, embora possam ser incríveis e ter grandes personalidades (como Sherlock Holmes), não costumam "guiar a história", como acontece em alguns outros gêneros. Nos romances policiais (com várias exceções, é claro), a história tende a guiar as ações dos personagens.

Já em outros tipos de obra, como em muitos livros de Realismo Fantástico - ou Realismo Mágico -, o meu gênero favorito, os personagens têm uma força tal que, a partir deles, a história vai sendo criada. Nestes casos, como dizem muitos autores, é como se eles tivessem vida, fossem capazes de construir os cenários e agir com tal grau de independência que os autores se tornam incapazes de prever exatamente o que irá acontecer. No caso do Realismo Fantástico, sempre gosto de citar Ensaio sobre a cegueira, do Saramago, e A Metamorfose, do Kafka. Em ambos os casos, um acontecimento estranho coloca os personagens em uma situação surreal que os faz passar por inúmeros problemas. Entretanto, a história vai se construindo justamente a partir do modo como estes personagens lidam com aquela situação, com aqueles problemas, como se as escolhas e reflexões feitas por eles carregassem e dessem valor à história.

Particularmente, eu prefiro este segundo tipo de construção de personagem. Normalmente, crio os nomes, imagino eles fisicamente (mesmo que não venha a descrevê-los com detalhes no livro) e lhes dou uma determinada personalidade. Porém, isso tudo é bem tênue. Gosto exatamente dos livros que fazem com que os personagens se modifiquem, para melhor ou para pior, de modo a instigar o leitor, a fazê-lo refletir junto com a história que vai se construindo. Neste tipo de criação, tento me imaginar mesmo no lugar dos personagens e pensar da mesma maneira que eles pensariam, tento resolver as situações do mesmo modo que eles resolveriam; e isso, geralmente, faz com que a história tome rumos que, inicialmente, não tinham sido por mim previstos.

Aconteceu algo assim quando escrevi O Código dos Cavaleiros. Tracei uma descrição rápida dos quatro personagens principais e de suas características físicas e psicológicas mais importantes. No decorrer do livro, embora estas características base tenham permanecido, cada um deles passou por grandes mudanças de pensamento. É quase como se a obra, além dos tons cômicos, da sátira e da aventura, falasse também sobre o amadurecimento de cada um dos personagens.

Todavia, como disse anteriormente, este é só um modo de trabalhar - há outras formas de lidar com este tipo de criação. Agora, mesmo nos casos em que é a história, a trama, que dá o tom do livro, criar personagens com grande profundidade é extremamente importante. Afinal, mesmo que não sejam eles os responsáveis por puxar as sequências narrativas, serão eles os responsáveis por conquistar o leitor. Mesmo num romance policial, por melhor que seja a trama, se não tivermos personagens realmente atrativos, o leitor acabará se chateando e se sentindo desestimulado a continuar lendo.

Enfim, o texto já está bem grande, acho que já deu para passar algumas das coisas que penso sobre o assunto. Mas gostaria de fazer um convite a todos os escritores e blogueiros que acompanham o Na Ponta dos Lápis:

Escrevam sobre suas experiências em criação de personagens e enviem o link das postagens para mim por twitter (@leoschabbach). Assim, daqui a alguns dias, crio um post aqui apenas para divulgar bons artigos sobre este assunto.

Espero que tenham gostado das minhas opiniões e que decidam aderir à campanha!

16 Comentários:

Paul Law

Suas considerações são muito interessantes, Leonardo. Eu não tinha conhecimento que em romances policiais era a história que ditava os personagens, de um modo geral.

Concordo com você quando nos diz que temos que imaginar o físico e a personalidade dos personagens antes de escrever. Achei o artigo muito interessante e proveitoso!

Um abraço

Giovanna Villardo

Gostei de seu texto, bem explicado.
Eu prefiro quando o personagem começa a me mostrar o caminho que ele quer tomar e como se ele criasse vida, passo a viver aquele personagem como se ele fosse real.
Entro na historia e faço parte dela. As vzs ele me permite por minhas opiniões, mais ele que tida às regras.
Parabéns pelo texto.

Fernando Heinrich

Olá, Leo!!

Perfeito! A criação dos personagens é essencial para se ter uma trama bem amarrada e realista! ... afinal, criar um romance, nada mais é do que buscar aproximar ao máximo da nossa realidade e das nossa vivências aquilo que está sendo escrito, principalmente para a ficção!

Grande abraço!

Fernando Vieira

Acredito que quando você cria uma personagem, a maneira mais natural e, talvez, o melhor resultado apareça se há correlação com pessoas que se conheceu.

Pelo menos esta é a impressão que tenho dos contos que produzi e daqueles que leio do G. Rosa.

A parte de imaginar o protoganista talvez seja essencial, mesmo porque muitos dos diálogos e reações da narrativa acabam brotando da ideia que o autor faz da personagem.

Abs, Fernando(@fjv1980).

Luiz Teodosio

Ótima analise sobre a importancia dos personagens. Concordo com o ponto de que personagens sem o minimo de profundidade enfraquecem o livro, pois não há aquela empatia que estes criam com os leitores. Personagens devem ser carismaticos. Isso é um diferencial importante para que o livro nos prenda.
Uma coisa que gosto de fazer bastante é uma ficha personalizada dos personagens, com todas as variaveis proprias da história. Assim eu sei tudo sobre eles, e não me perco nas personalidades de cada um.

Hm, acho que este fim de semana também vou postar algo sobre isso, seguido seu convite.

Leonardo Schabbach

Legal. Valeu pelos comentários pessoal. Pelo que vejo, cada um têm algumas idéias diferentes, até dependendo do estilo como falei. Citaram o Guimarães Rosa, ele realmente tentava passava a fundo a realidade quando escrevia, os personagens de fato representavam uma população que nem sempre tinha espaço na mídia e etc... que nem sempre chegava ao conhecimento do grande público.

Nestes casos, o personagem precisa ser ainda mais bem pensado. Guimarães chegava a modificar a própria narração, as próprias palavras para se adequarem aos seus personagens, e isso o tornou um dos grandes escritores de todos os tempos.

Enfim, é como eu falei, variando o gênero, varia-se a maneira de se tratar o personagem. Ou, quem sabe, variando-se o personagem que se tem, varia-se também o gênero. E agora? haha.

Michel Filipe

Frase: Os maiores escritores de todos os tempos são cruéis.

Calma, eu vou explicar. Tiro minhas próprias decisões e deduções de um raciocínio que é só meu, o que considero como algo mais valioso que possuo. Realmente, Leonardo, consigo ver qual ponto você quis chegar e concordo em tudo. Mas, acho que faltou algumas coisinhas, pode ser que você concorde, ou não. Mas acho que você vai entender.

Bom, para começar vou explicar a minha frase com um exemplo: Khaled Hossein. Ele é um dos escritores mais elogiados e consegue fazer você chorar como um bebê, mesmo que saibamos que não passa de uma história. Khaled Hossein não se importa se for necessário matar o principal para se fazer uma história atraente e emocionante. Seus personagens sofrem do começo ao fim, fazendo valer a frase: A recompensa pode demorar anos para chegar, mas uma hora ou outra ela vai aparecer.

Continua...

Michel Filipe

Agora um Exemplo de “Método e ordem”, Agatha Christie, um gênio da escrita. Sim, ela veio depois de Sir Arthur Conan Doyle de Sherlock Holmes, mas foi ela que sobressaiu com sua genialidade no mundo do crime. “Seus livros são os mais traduzidos de todo o planeta, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare, com mais de 4 bilhões de cópias vendidas em diversas línguas.”(WIIKIPÉDIA) Como em seu artigo, Leonardo, um autor de romance policial deve conhecer toda a história, ou melhor, o assassinato, antes de criar seus personagem, concordo. Mas para se ter o excelente romance policial, crio eu, pois literalmente não conheço muita coisa do mundo literário, é a originalidade e o “Método e ordem”, como diria o detetive belga, Hercule Poirot, o personagem principal dos livros de Agatha. Um livro sem pé nem cabeça é o pior tipo de leitura que alguém merece ler. Além de confundir o nosso psicológico, desviando-nos do assassino certo. Raciocínio lógico é o ponto central de um romance policial. Um personagem interessante é sim muito importante, mas uma história lógica é a base de todo o livro. Tenho certeza.

Continua...

Michel Filipe

Outra frase: Não dar um ponto sem nó. Demorei muito para entender esse ditado. Eu era pequeno, vamos dá um desconto. Bom, logo no começo da minha tese, eu acho que me desviei um pouco do assunto principal, mas acho que deve ajudar. Assim, saindo totalmente do assunto, ou não, vou concluir minha linha de pensamento. Além disso tudo o que eu falei , acho crucial, importantíssimo em uma história, é que seu inicio, meio e fim faça sentido. Parece idiota, mas não é. Cansei de pegar livros de ficção que tudo podia acontecer e que a explicação era muito vaga. “Por aqui tudo pode”, “Basta imaginar e pronto”, “ Porque é assim, nada mais, e que se de por satisfeito”. Esse tipo de livro pode até vender, mas nunca, jamais, vai alcançar o sucesso esperado de um livro onde o mundo criado tenha regras. Exemplo: J. R. R. Tolkien, esse é o mais popular. Outro, C. S. Lewis com As Crônicas de Nárnia. E o mais atual, J. K. Rowling com Harry Potter. Todos são histórias diferentes entre si, mas semelhantes em vários aspectos. Nada acontece por acaso, nem tudo é permitido, e a trama da história não é um mar de rosas para seus protagonistas. Vou pegar como exemplo J. K. Rowling. Primeiro, tudo o que acontece no livro é conseqüência de alguma coisa. Se ela falar que havia um livro aberto sobre uma mesa com uma pena encima, pode ter certeza que não foi simplesmente alguém que o colocou ali, vai ser, provavelmente, (Lembrando para não se levar em consideração minha maneira de criar uma história, só quero que entendam aonde quero chegar, pois se fosse a verdadeira J. K. Rowling que estivesse escrevendo, com certeza teria outra conclusão e uma bem melhor da que eu fiz.), que um personagem, ou o vilão, estava pesquisando algo e marcou, não no livro mas em outro lugar como no braço, um trecho importante e que para se livrar das suspeitas sublinhou um outro trecho do livro para confundir seus perseguidores. Resumindo, é vital que todo capítulo complete o outro e que ambas expliquem seus enigmas e que para isso não seja necessário a desordem.

Michel Filipe

Bom, gente é isso ai. Caso eu me lembre de mais alguma coisa eu escrevo aqui. Espero que esteja fazendo sentido. É só minha linha de pensamento para se ter um bom romance. Para os personagens tenho um outro pensamento. Depois eu falo para você.

Grande abraço.

Isie Fernandes

Olá, Leo.

Gosto dos personagens que obrigam a história a se moldar em torno deles, mas também tenho criações guardadas no fundo do baú, esperando apenas por um bom suspense para serem encaixadas.

Depois de ler o artigo e os comentários - e esse seu comentário -, senti ainda mais riqueza nessa proposta. A colocação que você faz é perfeita! Digo isso, porque me vi encurralada e mudei o estilo da narração do meu livro - tudo para que fique de acordo com o que as emoções e experiências dos personagens pedem.

Que venha a profundidade então.

Isie Fernandes

Olá, Michel, como vai?

Acho válido que você fale sobre suas impressões, percebo que está considerando especialmente os romances policiais. Não sou experiente no assunto, mas penso que tudo no enredo precisa mesmo fazer sentido. Caso contrário, tais informações seriam apenas ornamentos. Agora, discordo quando você diz que um capítulo precisa completar o outro, isso depende de muitos fatores, inclusive da ordem cronológica da história.

Gosto muito de livros intrincados, difíceis de desvendar, que só podem ser compreendidos no final. Daqueles que a última página não se refere, de fato, ao desfecho, entende?

Michel Filipe

Entendo, sim, Isie!
Meu tio, por exemplo, detesta Agatha Christie. Ele a chama de translocada e que foi fonte de inspiração para jack, o estripador, e outros sociopatas.

Eu só fico rindo.

Ele também diz que não consegue entender o pensamento dela, mas admite que é impossivel descobrir quem é o assassino dos livros dela. E é por isso que ele tem medo. "Aquela mulher é uma traslocada, louca, psicótica, ela estava muito a frente do seu tempo. Eu tenho certeza que no fundo ela tinha vontade de fazer tudo aquilo que ela falava em seus livros. ELA É UMA DOIDA."

Eu penso diferente. Como você disse, também adoro livros complicados, mas há uma diferença entre livros que te fazem raciocinar e em livros que não têm sentido.

Maurício Kanno

Valeu pelas ideias no post! Boa essa tb de sugerir ao pessoal pra trocar ideias em cada blog sobre personagens! qdo eu publicar (aproveitando até disciplina de criação de personagem e cena q vou ter agora na pós), te aviso!

aproveito pra convidar tb pro desafio literário de países exóticos! -> http://mauricio-kanno.blogspot.com/2010/08/desafio-literario-de-paises-exoticos.html

abs!

DragonMQTM

Boa,cara...Para criar um personagem eu faço o "esqueleto" da história,em seguida eu começo a acrescentar os personagens,dou um nome para eles e depois eu faço a história toda.Para criar um personagem eu penso primeiro na participação dele na história:Herói,vilão...Qual a importância dele com os os outros personagens?Depois eu faço uma história da vida dele,ou seja,uso um método muito parecido com aqueles de criação de personagens de RPG...

Anônimo

É a primeira vez que vejo seu blog, mas gostei muito de suas considerações. Gosto muito de escrever também e as vezes os personagens tomam caminhos antes não pensados e isso é bacana, por que uma coisa puxa a outra e vai se formando numa história super legal.

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