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Donatelo, o escritor: A xícara de café

em 1 de ago de 2010.

Como alguns aqui já devem saber, este conto se trata de uma série com um personagem fictício criado por mim. Confesso que os contos são curtos, mas dão até um bom trabalho, pois são bem pensados - e ainda tomo alguns cuidados até mesmo na escolha vocabular e na montagem do texto, na forma de narrar. Enfim, faz um bom tempo que não atualizo a "série", mas aqui vai mais um conto. A quem não leu os outro, aconselho dar uma olhada. Ainda assim, não é necessário ler os contos anteriores para desfrutar do atual, mas certamente a leitura trará alguns elementos a mais na compreensão. Espero que gostem.





Donatelo, o escritor: A xícara de café


O cheiro do café tinha um gosto saboroso, Donatelo podia quase degustá-lo. Era forte, como as coisas da natureza tendem a ser. Mexeu um pouco na xícara, a fumaça subia, espalhava-se por toda a cozinha, o líquido ainda estava muito quente.

Era engraçado encarar o café, ali, movendo-se lentamente ao balançar de suas mãos; negro, impenetrável. Donatelo o olhava, fascinado. Como as pessoas gostam desse líquido escuro! E como ele é misterioso. Outro dia, passava em uma loja e notou que existiam mais de cinqüenta tipos diferentes de café. Era um para cada gosto, as formas das mais variadas. De certo, era uma bebida democrática. Existia uma para cada tipo de pessoa. Assim ninguém precisava experimentar nada de diferente, ele pensava. No fundo, era como as pessoas de sua rua, cada um escolhia o seu grupo e ficava por lá, alheio aos outros sabores.

Olhou o café na xícara, a fumaça diminuía, agora já subindo lentamente até a ponta do nariz. Como o cheiro era gostoso! Abria sua mente, disso tinha certeza; sentia-se mais sábio.

O líquido lhe pareceu mais escuro, talvez por causa da temperatura fria. A forma tinha se modificado lentamente. Tratava-se de fato de uma bebida intimamente ligada às formas. Talvez por isso fosse tão consumida por tanta gente e em tantos níveis da sociedade. Aqui, ninguém parece dar muita importância ao conteúdo, interessam a forma e o efeito. E isso o café tem muito! O cheiro toma toda uma sala e a bebida, pelo que dizem, faz as pessoas trabalharem ainda mais rápido.

Com um sorriso no rosto, Donatelo se levantou, pegou a xícara com cuidado e jogou o conteúdo na pia. Ele gostava muito do cheiro do café, ajudava-o a pensar. Mas assim que ele esfriava, já não tinha mais graça, era hora de se preocupar com seus outros afazeres. O gosto... esse era terrível. Achava peculiar que o cheiro fosse tão bom.

6 Comentários:

Bruna Maria

Leonardo,
eu não conhecia essa série de textos. Li os outros dois, e, depois vim conferir este aqui. Não que seja uma questão de avaliar em comparações, mas gostei mais de "A poltrona verde". Achei muito bem escrito, muito inteligente também. E a forma como caminha para o fim, é ótima: "(...)agora que já anotei tudo em meu caderno, posso finalmente esquecer do assunto!" Gostei muito.

Mas, falando desse aqui (já que coloco o comentário aqui), achei interessante. Pensar coisas simples, corriqueiras, de maneira mais ampla, é algo que me atrai. E a subversão da "função" do café, que nem sequer é provado, apenas se perde no olfato, é algo que me colocou a pensar também...

Achei bem legal a ideia da sequência dos textos!

Abç!!

Isie Fernandes

Uau, Leo! Descobri por que gosto tanto do Donatelo, acho que somos "irmãos gêmeos"... Também acabei de escrever um capítulo em que a estrela é o tal do café - do qual não gosto do gosto, mas amo o aroma. Como quase gastrônoma, posso dizer que sua descrição foi brilhante (como o cheiro era gostoso!), e o cheiro é realmente muito gostoso, mas o sabor... Copiando o Donatelo, acho peculiar que o perfume seja tão bom.

Israel Teles (@israelteles)

Gostei muito do conto, do modo com que foi construído e da expectativa que ele cria no leitor, quebrando-a por completo no final.

Marcos Reis

Muito legal abordar o paralelo do conteúdo e da forma por meio do café como símbolo.
Legal ler novamente os contos do Donatelo...Também tô com saudades dos textos do Aletheia...hehe
Abraços

Tarcísio Mello

Graaande Donatelo. Eu também não conhecia essa série e simplesmente adorei. Aprecio bastante contos curtos, que exigem do autor bastante inteligência e talento.

thipen

Muito bom. Gosto da perspicácia para apreender um momento que de outra forma passaria desapercebido.

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