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Livros "bons" e livros "ruins"

em 18 de out de 2010.

Faz alguns dias tornei a ficar com esta questão na cabeça, a velha discussão entre o que é um livro "bom" e um livro "ruim". Queria ter exposto o que penso sobre isso já na semana passada, mas em função do feriado achei que pouca gente ia ler e decidi guardar o tema para esta semana. Novamente, aviso que se trata apenas de um texto com a minha opinião, e que a intenção é justamente que o pessoal participe da discussão e traga suas próprias idéias. Acho que isso é o que torna o blog mais legal, fazer com que todo mundo pense junto sobre literatura. Digo isso pelos comentários da postagem O perigo dos conectores, gostei mesmo da participação do pessoal.

Hoje, porém, a questão que coloco é outra. E não é um assunto dos mais fáceis, há muitas implicações por trás de qualquer afirmação que eu possa fazer. Afinal, quais critérios utilizaríamos para julgar um livro como bom? Isso nos leva a outros problemas. Há uma linha mais seguida pela crítica literária brasileira que, por exemplo, tende a não valorizar muito os livros de entretenimento. Se o livro tiver esse intuito, dificilmente será bem visto. Já outros grupos de pessoas têm posição radicalmente oposta, acreditam que o livro tem que entreter e apenas isso, não dão muita atenção a qualquer outros valores (estéticos ou ideológicos) presentes na obra.

Eu, como na maioria dos casos, prefiro ficar no meio do caminho - e felizmente uma boa parte da crítica literária tem começado a ter uma visão assim também. Não é necessário descartar um livro apenas por ele entreter, assim como não se deve super valorizar os livros com exageros estéticos. Particularmente, gosto demais dos livros de entretenimento, mesmo aqueles que não trazem grande reflexão. Por outro lado, há algo que eu não consigo ignorar: a qualidade do texto. Para mim o que define um bom livro de um ruim é justamente a qualidade do texto, embora, é claro, a história precise ser interessante. Claro que quando falo em qualidade aqui, não me refiro simplesmente ao acerto gramatical, mas à habilidade narrativa, ao texto que é capaz de contar uma história de um modo envolvente, reflexivo, enfim, de uma maneira que tenha um profundo valor literário.

Por que falo disso? Pois, embora eu defenda os livros de entretenimento, acho que somente o fato de eles cumprirem o papel de prender o leitor e diverti-lo não os fará ser, ao menos por mim, considerados bons livros. Além de uma boa trama, eu também irei querer uma boa narrativa, um pulso narrativo interessante, um jeito de narrar que tenha boa qualidade textual e bom valor literário. Vejo muitos livros voltados para o entretenimento que não tem essas qualidades, mas que são adorados por muita gente. Nesses casos, por mais que a obra faça sucesso, eu não teria medo de dizer: esse é um livro ruim.

Sei que não necessariamente todo mundo pensa assim, mas essa é mais ou menos minha linha de pensamento. Primeiro: defendo os livros de entretenimento. Segundo: não gosto de livros que exageram nas "acrobacias" estéticas. Terceiro: No fundo, tudo o que é necessário é uma boa história acompanhada de uma boa narrativa, simples assim.

Enfim, esta é a minha opinião. Talvez tenha sido um texto um pouco diferente do que costumo botar no blog, uma vez que foi mais opinativo do que dissertativo, mas acho que pode gerar uma discussão bem interessante. Se quiserem comentar (ou ainda melhor, para quem tem, postar sobre isso em seus blogs e colocar o link aqui), eu ficaria muito feliz.

Para quem acha o assunto interessante há duas postagens bem antigas em que falo de coisas parecidas, com mais ou menos as mesmas idéias: A nova geração literária e as "massas" e A crítica literária se divide. De que lado você fica?

42 Comentários:

Gui Liaga

Esse assunto de livro bom ou ruim é muito pessoal, vai depender muito do que o leitor gosta, da sua cultura educacional... Se a vida toda a pessoa só leu bestseller, impossível ver filosofia com outro olhar. Acho que o segredo está na mistura, na mescla. Dar chance para qualquer tipo de livro e não ficar preso só a um tipo. É claro que vão existir milhares de livros ruins e 'bonzinhos', mas é só lendo pra encontrar os bons de verdade. e continuo achando que é uma questão pessoal.

Celly Borges

Sabe o que não entendo, é o motivo de haver tantas críticas quanto à literatura de entretenimento.

Pra mim, literatura É entretenimento. Claro que ter um pouco mais de profundidade no assunto abordado sempre é bem-vindo, mas se eu quiser buscar conhecimento em alguma área lerei livros técnicos...

Concordo totalmente com "Primeiro: defendo os livros de entretenimento. Segundo: não gosto de livros que exageram nas "acrobacias" estéticas. Terceiro: No fundo, tudo o que é necessário é uma boa história acompanhada de uma boa narrativa, simples assim."

Não suporto livros que sejam mal escritos, com falta de revisão e tal. Também não gosto de histórias cheias de palavras e frases que podem bem ser cortadas, usadas só pra enrolar e 'ficar maior'.

Parabéns pelo início da discussão ;)

A contadora de histórias

Para mim a determinação se um livro é bom ou ruim parte de cada leitor, como para tudo na vida há gostos diferentes é isso que torna as coisas interessantes, cada um tem uma opinão diferente. Eu particularmente considero um bom livro aquele que me faz esquecer de todo o resto a minha volta, que me deixa presa a ele sem que eu tenha a capacidade de parar de ler um minuto; esse é o livro bom para mim ele precisa apenas ser capaz de fazer isso.
Beijos!
acontadoradehistorias.blogspot.com/

Emanuelle Najjar

Qualidade do texto e sobretudo na narrativa não é tão simples assim. Simples como um conceito, mas na prática é difícil de alcançar. Afinal, é essa narrativa que leva o leitor a uma leitura que possa considerar interessante.

Definiu bem a questão, rapaz.

Paul Law

É um assunto que nos força a pensar. Procuro ver a questão pela perspectiva simples, como você bem orientou. Acredito que um bom livro é produto de um texto simples que passe uma mensagem além de entreter. Deixo claro que não acho ruins textos que são simplesmente para o entretenimento, pois acredito que a "mensagem" deles é justamente esta possibilidade de ler sem se preocupar com o resto.
Enfim, tudo é válido desde que compreendido por mais alguém além de você mesmo.

Ótimo tema! Parabéns!

Leitor

Olá, Léo. Primeiro, teu blog é bacana. Estou sempre por aqui.

Acho que essa discução é bem mais complicada, porque existe infinitas ramificações dentro da própria crítica; há crítica estruturalista, a genética, a psicicanalitica, a história, etc; sem dizer que a crítica está sempre comentendo gafes, ignorando ou não sendo capaz de entender o valor de um livro na sua época, pra depois supervalorizar esse livro posteriormente. A crítica literária também vive de seus modismo, e há mais senso-comum debaixo das salas de doutorados do que se pode imaginar.

Sobre os livros de entretenimento, acho que não tem nenhum problemas neles, o que eu acho, é que a grande maioria tem um plot que é destruído na primeira leitura, e como sua força está nesse plot, no suspense, na aventura, o que ele ofecerece numa segunda leitura?

Mesmo os chamados clássicos, muitas vezes se tornam obsoletos, senão como adorno histórico, seja porque causaram uma revolução na época, ou porque marcaram uma época, mas perderam a voz fora de seu contexto.

Acho que o bom livro é aquele que tem várias vozes, que permite várias leituras, que não envelheça, que provocaque ressonância em cada uma das gerações que o acolhe.

Acho que é isso.

Leonardo Schabbach

Bem legal ler a opinião de todo mundo. Acho que temos ai algumas idéias que se encontram, hehe. Concordo também que muito do livro ser bom ou não vai para o lado particular. Mas como disse o Leitor, há alguns livros que se destacam mesmo um pouco mais pelo seu caráter atemporal, por poderem ser lidos muitas vezes. Eu considero esses livros excepcionais, estariam ainda acima da denominação de "bons" livros, hehe.

Meire Ribeiro

Eu acho que é uma questão tanto de gosto, quanto de conhecimento. Creio que não há livros ruins, mesmo que mal escrito, pode ter uma idéia boa. Concordo com Gui Liagia quando diz que uma pessoa que passa a vida lendo bestseller, não tem uma ampla visåo de filosofia.
Acho legal ver as pessoas aqui nos EUA lendo em qualquer canto da cidade, até nas mais agitadas sempre tem alguem com um livro na mão e eu sempre curiosa pra tentar ler o título, rs. Uma pena essa modernidade toda com livros digitais e iPads...nada como poder virar a pagina de um livro sentindo até mesmo o cheiro do papel. Bom, mas isso é uma discussão a parte.
Lendo a sua opinião, me fez lembrar dos livros que eu deixei no Brasil e que estão a minha espera, rs.
Gostei muito do tema, acho legal essa divisão de pensamentos e a oportunidade de debater isso aqui. Esta de parabéns mais uma vez, Léo.
Abs!

Fernando Heinrich

Achei muito interessante o que o Leo expôs nesse post. Naturalmente a individualidade tem que ser respeitada, pois livro bom e livro ruim, querendo ou não é subjetivo, se formos fazer enquete. Por isso, na minha individualidade, compartilho desse mesmo ponto de vista. A qualidade de uma obra é expressa, não só na gramática - que é básica para se poder ler alguma coisa -, mas também numa linguagem clara, numa narrativa bem amarrada e numa estória excepcional, que prenda o leitor do início ao fim. Isso é profissionalismo.

Anônimo

Por mais que se tente,não há uma maneira clara de dizer se um livro é bom ou ruim.Já ví muitos livros que ganharam prêmios em concursos literários, estacionados nas prateleiras das livrarias ou com sua vida útil encerrada na primeira edição. Acho também que o preconceito não é dirigido apenas aos livros de entreterimento,mas também aqueles que tem algo a dizer e induz a reflexão.Na verdade o universo literário é coberto de preconceitos.Um autor só é respeitado quando seu livro é publicado por uma grande editora.Caso contrário ele é apenas mais um no Hall dos autores anônimos...

Patricia Franconere

Anônimo

Da minha parte, devo dizer que a princípio nunca fui muito fã dos ditos best-sellers e dos livros exclusivamente de entretenimento.Contudo, devo admitir que a leitura da "Menina que roubava livros" e do "1808", escrito pelo Laurentino Gomes , realmente me surpreenderam, fazendo me transcender o meu preconceito bobo. Afinal de contas, citando a velha máxima de Plínio,"Nenhum livro é tão ruim que não possa ser útil sob algum aspecto". hehehehe
Meu segundo ponto, e que nada tem a ver com o tema em questão, é saber em que pé anda o processo da Antologia de contos Alétheia. Estou muito ansioso para sua publicação"

Abraços do seu fiel leitor, Pedro Garcia

Leonardo Schabbach

Está tudo certo com a antologia. Mas estamos esperando todos enviarem os contratos. Infelizmente, quando se trabalha com muita gente, às vezes as coisas demoram um pouco por coisas assim.

Quando recebermos todos os contratos, começaremos a conversar com os autores sobre as biografias e etc...

Ana Karenina

olá Leo

Concordo com Gui que a definição de livro bom ou ruim é muito pessoal e vai depender muito dos gostos, interesses e experiências de um leitor que irá definir a qualidade de um livro.

Mas uma coisa que pode nos situar um pouco nos ajudando a avaliar isso é a questão da boa escrita, mas o resto como você disse depende também do gênero literário e do objetivo e público que o livro pretende alcançar.

Bons debates literários agente vê por aqui, gostei, sempre saio um pouco melhor do que entrei :)

Um Abraço.

@anakint

Luiz Teodosio

O que diferencia livro bom de um ruim para mim é justamente ele ter uma boa história e uma boa maneira de contar esta história. Não precisa ter uma linguagem muito rebuscada, ainda mais se for para um publico jovem, mas esses dois fatores devem se concretizar na leitura.
Mas para que um livro seja dito como bom ou ruim, acho que a qualidade dele deve ser discutida apenas entre aqueles que apreciam o gênero em questão de determinada obra. Por exemplo, se eu disser que Fortaleza Digital de Dan Brown é um bom livro, outra pessoa vai dizer que é ruim, porém, esta pessoa não aprecia tal gênero investigativo tecnológico, e por isso a opinião dela difere, logo, somos dois leitores em patamares distintos.
Por isso, questões de tal livro ser bom ou ruim, devems er discutidas apenas entre pessoas que curtem o gênero deste tal livro.

marcos nunes

Bem, seguindo seus pontos básicos:

Primeiro: defendo os livros de entretenimento.

Comentário: isso não existe. Nada "entretém" sem repassar valores, posicionamentos, visões de mundo. Sugiro que você cite um único livro de "entretenimento". Simenon? Nick Hornby? Pense melhor sobre isso.

Segundo: não gosto de livros que exageram nas "acrobacias" estéticas.

- Comentário: Também não. Porém esses livros que fazem tal acrobacias terminam por se revelar os mais influentes na renovação formal que ocorre posteriormente, assimilando em algum grau tais acrobacias, sem, no entanto, deixar o livro chato, o que geralmente é o caso das tentativas formalistas em literatura.

Terceiro: No fundo, tudo o que é necessário é uma boa história acompanhada de uma boa narrativa, simples assim.

- Comentário: Boas histórias bem narradas são parte do caminho. As implicações é que são elas. Quando percebemos que a tal boa história narrada de forma atraente possui subtextos banais (culto ao sucesso, fama, dinheiro, poder, etc.) ou violentos (elitismos sadeanos, nazismos, fascismos e afins), a vontade é atirar o livro no vaso sanitário para ver se dá merda. Geralmente dá.

Leonardo Schabbach

Bom, vamos aos comentários então ponto a ponto. =D

Primeiro: existe sim uma literatura de entretenimento. No mercado literário esse já é um termo muito bem estabelecido (no mercado, não necessariamente na crítica). É claro que nada entretém sem passar valores, óbvio, minha tese de mestrado é sobre isso. Entretanto, há uma diferença bem grande entre um livro como "Harry Potter", por exemplo (do qual gosto muito), e "Grande Sertão: Veredas". Ou irá dizer que não?

"Harry Potter" pode passar valores, passa valores, mas isso se dá porque quem escreve não tem como não passar os próprios valores que tem para a história. Porém, ele é um livro de entretenimento, o objetivo principal não é passar valores, nem fazer com que as pessoas reflitam; o objetivo principal é simplesmente entreter, por isso literatura de entretenimento. Já obras como "Grande Sertão: Veredas", "Ensaio Sobre a Cegueira", "A Metamorfose" são diferentes; todas elas têm como objetivo principal trazer a reflexão sobre alguma coisa. Naturalmente, elas também entretém, mas como um caráter secundário. Percebe o porquê então da diferenciação?

Sobre o segundo ponto. Não me refiro à qualquer obra que tenha caráter experimental com a língua, sou a favor delas, tanto que defendo sempre Guimarães Rosa quando alguém ousa falar mal dele por perto. Acontece que hoje, não sei se tem acompanhado a crítica literária e novos autores, há muita gente produzindo as obras com esse caráter "experimental" unicamente por saber que a crítica falará bem deste tipo de obra - é o que alguns chamariam de masturbação intelectual. Eis ai a diferença entre uma obra com inovações linguísticas para uma obra com "acrobacias" linguísticas.

Sobra o terceiro comentário. Se você acha que subtextos banais como culto ao sucesso, fama dinheiro, são coisas ruins, então a história não se enquadraria como uma boa história, não é? Logo, ela não estaria na minha terceira exigência para um bom livro, afinal, a história seria ruim, mesmo que bem narrada, a história em si, a trama, seria ruim. Agora, nem todos necessariamente concordarão com você nesse ponto; afinal, a violência e os cultos citados mal ou bem fazem parte da sociedade. O que é necessário é ver de que maneiro esses temas serão tratados no texto.

Wander Shirukaya

Vamulá:
"não me refiro simplesmente ao acerto gramatical, mas à habilidade narrativa, ao texto que é capaz de contar uma história de um modo envolvente, reflexivo, enfim, de uma maneira que tenha um profundo valor literário"

Pra mim o Leo foi muito feliz nesse trecho, resumindo tudo. Não importa a que tripo de publico é destinado, se infanto-juvenil, adulto, etc., o importante é a qualidade do que é narrado. Muitos acima, como o Luiz, disseram que o q importanta é o jeito com q se conta, o que mostra que, mesmo q nao percebamos, exista sim a necessidade de se estabaelecer criterios de avaliaçao, o q derruba por terra a ideia d q tudo depende do gosto.
Como o Leo falou tbm, a qualidade nao está atrelada à gramática, pois para tanto existe a revisão do texto. A narrativa é que tem que ser interessante criando concisão e coerencia com toda a historia bolada.
Resumindo, prestar atenção nessas coisas nos ajuda muito a avaliar um livro, fugindo da coisa tendenciosa, como vemos aos montes, de dizer q um livro é ruim pq o personagem não torce pro meu time de futebol, por exemplo. O mau texto é aquele q apresenta falhas ao tentar atingir seus objetivos.
Quanto ao q o Marcos falou, nao concordo. Sexo e violencia estão aí aos montes e não destroem a narrativa necessariamente; cabe ao leitor ver como ela é utilizada dentro do texto, o que lhe dará significado. Há uma série de posts em meu blog sobre este mesmo tema: http://blogdoshirukaya.blogspot.com/2010/05/sexo-e-violencia-baby.html.
Bom, acho q eh isso.

Grande abr4aço, pessoal! ^^

marcos nunes

harry Potter só pode ser entendido como entretenimento se você não gosta de literatura. Citemos outro: A Sombra do Vento, que é um lixo literário que, além de presunçoso, se expõe como "literatura de entretenimento". Literatura para fazer dinheiro, enfim, e consumida por pessoas que não querem que a literatura traga questões importantes, mas concorde com ele e sua forma de viver e não venha aporrinhar com elucubrações acerca dos enganos e malogros humanos. O que você chama de literatura de entretenimento eu chamo simplesmente de lixo subliterário. É simples.

Eu, por exemplo, não suporto Guimarães Rosa. Não por ser experimental, mas por ser uma desconversa de subtração metafísica. Paciência.

Não disse que não se deve tratar violência em literatura; digo que a violência sob um registro gráfico, e que trilhe o caminho de ratificação de valores tais como "o que dá sentido á vida é a busca por dinheiro, fama, poder e sexo", esse tipo de bobagem. Tolstoi e Dostoiévski escreveram sobre sexo e violência, porém levando as pessoas a pensarem profundamente sobre o prazer e dor envolvidos no sexo (e seu subtexto de opressão e poder), e as mazelas ideológicas e sociais que estão na estrutura de produção mesma da violência. Mas é escroto escrever uma cena de violência para excitar o leitor e provar a ele o quanto é legal extrair do sangue alheio prazer individual, ou coisas do gênero.

Por fim, continuo discordando de você e você de mim. As coisas são assim.

Leonardo Schabbach

É exatamente contra o tipo de posição que você tem que estou me posicionando. O de pessoas que simplesmente por um livro ser de entretenimento o julgam ruim sem ao menos dar uma lida. É óbvio que "Harry Potter" não tem o mesmo valor que "Ensaio sobre a cegueira", por exemplo, mas o livro é bem escrito e a história interessante. Além disso, neste caso específico, há um fato muito interessante que a maioria das pessoas se esquece. Harry Potter é um livro juvenil, ou seja, não devemos esperar um livro num nível de Machado de Assis se ele é voltado para um público jovem.

Maioria dos livros de entretenimento, inclusive, são aqueles que costumam fazer leitores, fazer com que a criança ou jovem comece a gostar de ler e passe para outros livros, livros que tem um processo reflexivo muito mais elevado. Eu, por exemplo, comecei a gostar de ler com Sir Arthur Connan Doyle, com as histórias do Sherlock Holmes. É um personagem interessante, especialmente quando somos mais novos, e são histórias de entretenimento. Nem todo o livro precisa necessariamente ter um conteúdo super denso e reflexivo, às vezes o leitor necessita de um que o faça simplesmente ter o prazer da leitura, de uma boa história. Claro que, naturalmente, não devemos nos ater somente a eles.

E sobre A Sombra do Vento. Minha irmã comprou na bienal do Rio ano passado, eu dei uma lida nas primeiras páginas. Neste caso, concordo plenamente com você. O livro é horrível. Muito mal escrito, simplesmente não foi possível prosseguir com a leitura. E conheço mais gente que teve a mesma reação ao dar uma folheada.

Patricia Franconere

Leonardo,

Concordo plenamente com sua posição. Não conheço ninguém que iniciou no universo literário lendo Proust. São raras as exceções. No meu caso comecei lendo o que caia na minha mão (romances épicos de banca de revista). Com o tempo passei a gostar de temas mais profundos e de autores como Dostoiésvsky e Kafka (só para citar como exemplo). Isso não quer dizer que não gosto mais de leitura de entretenimento. De vez em quando me pego lendo um “Crepúsculo” da vida. Não dá para radicalizar.

Wander Shirukaya

"não venha aporrinhar com elucubrações acerca dos enganos e malogros humanos."


Bm estressado nosso colega, não?
Como vc eu tbm não gosto de Harry Potter, embora ao contrário de seu ponto de vista. É uma série inspirada na cultura celta, que pode servir tanto para conhecimento da mesma como para mero entretenimento. E mesmo se a série fosse realmente ruim (ou seja, totalmente mal feita), lembremos que isso jamais serviria de pretexto para se desprezar aquele que o lê.

Quanto ao q o marcos falou sobre a violencia, acredito q literatura nao tenha compromisso de doutrinar ngm, qdo se v coisas como o uso da violencia para "ratificação de valores tais como 'o que dá sentido á vida é a busca por dinheiro, fama, poder e sexo', esse tipo de bobagem" creio q isso necessariamente nao tenha a ver com o ponto de vista do autor.

Grande abraço a vcs.

Luis Narval

Comparo um Bom livro a uma "alavanca". Ou seja, detém em si a capacidade de arrancar-nos da inércia: intelectual, moral, espiritual, metafísica, a qual estamos atrelados pela ignorância, comodismo, medos e outros que-tantos. Portanto, todo aquele que não sair, de alguma forma "trasfigurado", quer objetiva ou subjetivamente da leitura do livro que escolheu ler, perdeu um tempo valioso, por mais que tenha se divertido. É como assistir um filme de zumbis, ou de uma violência grotesca qualquer,como tantos filmes de ação e suspense. São divertidos, isto é indiscutível. Mas e aí? Ninguém, honestamente, poderá dizer que são "bons", estética e intelectualmente falando. Os livros de qualidade duvidosa, embora noutro patamar (ou talvez nem tanto)têm muito disso. Servem (e se divertir com sabedoria e bom gosto é a coisa mais difícil e rara deste mundo) como mero entretenimento, fuga, dispersão. Ou como dizia Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa num verso, entre vários, perturbadores da Ode Triunfal. "Febris perdas de tempo nos bares, nos hotéis, nos Longchamps e nos Derbies e nos Ascots, e Piccadillies e Avenues de l'Opera que entram pela minh'alma dentro!"... Bibliotecas, salas de leitura, telas de computador, acrescentaria eu, já que estamos falando de livros.

Concluindo. O perigo,como todas as formas de distração leviana ou ingênua, evidentemente, é aquilo tudo que vem de contrabando ficar lá dentro (da alma,como quer o poeta), como uma pedra de não sei quantas toneladas, repousando placidamente sobre a nossa já excessiva inércia.

marcos nunes

O Narval tocou (sem trocadilho, por favor) na questão mais espinhosa para os defensores da literatura de "entretenimento": o conservadorismo que ela contém, e por isso é cultivada por alguns leitores, que se sentem confortáveis quando não são instados a questionar coisa alguma, mas viver sob a anestesia do tempo perdido e irrecuperável, sobre valores estáveis, imutáveis, onde bem e mal estão aqui e ali, sob determinadas formas e assentados sobre determinada estrutura.

Assim, quando o livro é "divertido de ler", ou seja, "entretém", o faz porque não trai a confiança do leitor naquilo que ele mais espera de tal "literatura": o imobilismo. O leitor pode passar pela leitura e ratificar seus pontos de vista sobre o mundo e as coisas justamente porque o livro não lhe dá o trabalho sequer para obrigá-lo a ratificar coisa nenhuma - está tudo ali, "evidente". Funciona como a publicidade: de tanto ver COCA-COLA, você bebe Coca-Cola, e considera até natural fazê-lo, mas não o é. Um anúncio de Coca-Cola, é claro, não contém nenhum conteúdo crítico, seu universo é o da demagogia - o partilhamento de virtudes entre o emissor e o receptor da mensagem em um plano ideal, que é o da mutualidade dos enganos.

Luis Narval

Vejo aqui, mais um vez, lendo os comentários do Marcos, que não estou pregando no deserto. Há sim mais gente nestas plagas com coragem e discernimento suficientes para contestar (amavelmente, sempre, mas com firmeza) essa triste massificação de opiniões complascentes para com tudo aquilo que, na sua boa-fé, não enxerga como uma grave ameaça à formação e ao estabelicimento de uma consciência crítica, madura e ponderada em nosso país. Quando a literatura de entretenimento (e quero frisar aqui, não sou contra ela) começa a ocupar nas editoras, livrarias, bibliotecas e lares (como nesses últimos a televisão) o centro exclusivo das atenções, algo precisa ser repensando. Esse apelo massivo aos baixos instintos, polêmica vazia, fantasias burlescas, imaginação descompromissada com qualquer lastro de realidade e verdade, de que normalmente estão eivadas semelhantes narrativas, representa um sério risco à nossa individualidade mais profunda e à nossa capacidade de nos solidalizarmos com aquilo que existe de perene, pungente e verdadeiro no ser humano. A gravidade, a solenidade (e diferentemente do mero entretenimento), o gozo, a alegria, o entusiasmo que encontramos na grande literatura - essa espécie de vara de equilibrista que ajuda os espíritos a se deslocarem sobre a precária linha da lucidez -faz com que reavaliemos nossa ordem de valores e nos possibilita compreender, e assim, interferir efetivamente e sabiamente na transformação do mundo.

Leonardo Schabbach

Luis, agora sim vocês tocaram num assunto diferente. O que fiz aqui é defender a Literatura de Entretenimento diante da crítica, que costuma julgar qualquer livro do estilo ruim apenas por ser mais voltado para o entretenimento, ou por conter características desse tipo de literatura.

Mas é claro que eu sou contra a leitura desse tipo de livros exclusivamente. Inclusive, creio que você e o Marcos possam se interessar pelo meu projeto de mestrado, quando eu finalizar de repente mando uma cópia. Eu falo justamente disso, de uma ficção de massa que é incapaz de fazer com que as pessoas dêem saltos cognitivos de modo a refletir sobre as relações de verdade e poder vigentes, sobre o paradigma cultural vigente, para depois tentar propor uma ficção que gere um processo reflexivo. E não falo só da ficção literária, mas também da televisiva e cinematográfica.

Portanto, eu sei de tudo isso que a ficção de massa também gera. Mas é bom ter um pouco de cuidado pra não termos uma visão muito ligada à Escola de Frankfurt nesse caso. Afinal, só pq aparece o merchandising da Coca-cola não significa que todo mundo irá achar aquilo bom, o público tem uma capacidade reflexiva própria também. É claro que a propaganda ali funciona, mas não necessariamente tudo o que aparece na televisão ou nos livros irão entrar na cabeça de todo mundo que assiste exatamente do modo planejado, isso é uma ilusão.

Fora isso, o que defendo aqui é a Literatura de Entretenimento, que não necessariamente tem a ver com tudo isso que falou-se acima (por vocês e agora por mim). Por exemplo, quando a JK escrever um Harry Potter da vida, obviamente ela não tem a menor intenção de propagar ideais que vão alienar os leitores. Ela somente criou uma história e quis contá-la, simples assim. É claro que ali vão aparecer algumas relações presentes na sociedade - família, amizade e etc... - mas isso é porque essas coisas fazem parte da vida de escritora e ela inconscientemente tende a passar isso para o livro. Então não há nenhum mal no livro, é só uma história para divertimento, e ninguém será incrivelmente manipulado por isso.

Entretanto, novamente, é necessário ressaltar que, naturalmente, não é só esse tipo de livro que deve ser lido, também não é isso que defendo aqui, mas deve-se admitir que esses livros tem o seu valor; muitas vezes são eles que formam e atraem novos leitores.

Além disso, há muitos livros de entretenimento que são ruins também claro. Eu, em geral, tendo a não gostar muito daqueles que tentam se dar um valor filosófico (algo como uma ficão de auto-ajuda), porque esses sim têm a intenção de passar alguns valores, e geralmente apenas reforçam os valores vigentes sem provocar qualquer tipo de reflexão.

Enfim, a discussão aberta nos comentários é bem grande, esse meu comentário já está muito grande, talvez seja melhor parar por aqui. Nisso tudo que falaram, poderíamos ainda acrescentar, por exemplo, as comédias românticas. Histórias basicamente sempre iguais que sempre trabalham com os mesmos valores. Ainda assim, creio que há filmes desse tipo que podem ser considerados bons. O que não se pode fazer, ai sim concordo plenamente, é se ter apenas isso como opção, ou se ler/assistir apenas este tipo de ficção.

marcos nunes

Um detalhe importante: a Escola de Frankfurt. O azedume crítico de Adorno é essencial. Caso contrário, vagamos entre os "valores de mercado", e o "entretenimento" possui laços com o conservadorismo que contém o princípio de tudo - o lucro como medida de todas as coisas.

Comédias românticas, cinema. Vejamos DESENCANTO, de David Lean. Uma comédia dramática romântica. Que se estrutura sobre a questão dos papéis sociais desempenhados dentro de uma estrutura de classes. É um bom filme por isso: o interesse humano associa-se à compreensão dos problemas e esta compreensão se dá a partir de conceitos factíveis, não platitudes.

É melhor você abrir um blog SÓ PARA ESTE TEMA. Isso dá um pano pra manga absurdo. Ou ao menos marcar para beber um vinho branco na beira da praia, eu, você e o Narval, acompanhados de seus pares. Prometo não levar minha pistola automática.

Luis Narval

Caro Leonardo, o assunto é delicado, e como tal fere suscetibilidades de todo tipo. Recentemente, numa palestra a que fui convidado a proferir na feira do livro de minha cidade, cujo tema era: "A Literatura como fator de transformação pessoal", abordei, entre outros assuntos, a questão da narrativa de entretenimento e, inadvertidamente, no calor da hora, citei, em termos, digamos, contundentes, a obra e o nome de um autor do gênero muito apreciado. Pelo menos duas das pessoas presentes, uma formada em filosofia, e a outra em letras, conforme disseram, reagiram de uma maneira surpreendente, para não dizer bizarra, dado a sua alegada formação universitária e correspondente bagagem de leituras. Disseram, entre outras coisas, que os chamados "clássicos" - e aí podemos incluir Shakespeare, Cervantes, Dante, Tolstói, Kafka, Prost, etcétera - só o são (clássicos) porque toda uma tradição, fruto de inumeráveis gerações de leitores e críticos, assim decidiu. E que, portanto, é muito provável que os best-sellers atuais contarão no futuro com a mesma sorte e dignos do mesmo epíteto. Bem, nem preciso dizer que o estarrecimento, para não dizer constrangimento foi geral. Esta estreiteza de visão, que reputa o sucesso comercial de um livro, os prêmios a que fez juz, o quanto ele é citado na mídia, e finalmente o número exponencial de leitores que alcançou mobilizar, como indicativo de sua indiscutível relevância, foi o que ficou evidenciado. Diante de uma base de julgamento como essa, onde o "sucesso" necessariamente demanda o mérito, todo o resto perde sua justificativa e, assim, pode mofar tranquilamente nas prateleiras do esquecimento. O perigo, volto a insistir, em não reconhecer o lugar certo de cada coisa, está no comprometimento da formação adequada de toda uma geração de novos autores que, mal influenciados e tentados pelo sucesso fácil, deixarão de explorar outras e mais profundas camadas da experiênica humana. Talvez seja exagero da minha parte, muitos dirão. E sinceramente, espero que assim seja.

Leonardo, quando à sua tese, me sentirei honrado em recebê-la. Abraços.

Leonardo Schabbach

Sim, eu gosto muito dos textos do Adorno, mas ele tem apenas este problema em desconsiderar que o leitor/espectador também tem certo grau de reflexão, que não irá aceitar tudo de bom grado assim. A única coisa que aponto, é que nem sempre a Literatura de Entretenimento tem essa função alienante, muitas vezes é só um hobby, como jogar futebol, somente isso. É claro que há casos e casos. E é claro que ela não deve se tornar única, logicamente a literatura é muito mais do que isso.

Já o que o Narval falou no último comentário. Eu até entendo o que essas pessoas quiseram dizer. Por exemplo, tinha um professor meu que era muito crítico com alguns livros de entretenimento, mas que apreciava demais o Sir Arthur Connan Doyle; as histórias do Holmes. Entretanto, mal ou bem, Sherlock Holmes é literatura de entretenimento. Porém, como foi com os livros das aventuras do Holmes que este meu professor começou a gostar de ler (e eu também), ele "livra a cara" do livro. Certamente, por isso cito Harry Potter, muita gente no futuro livrará a cara de Harry Potter pelo mesmo motivo. Enfim, muitos desses livros são bons, considero Harry Potter um bom livro, os livros do Doyle também. Tem boa trama, são muito bem escritos e não vejo nenhum mal maior que possam causar. Pelo contrário, costumam atrair jovens leitores, que começam com estes livros e depois se aprofundam numa literatura mais crítica. Infelizmente, há casos também de gente que continua somente na literatura de entretenimento.

Nas escolas, por exemplo, se junto com os clássicos, livros mais apropriados à faixa etária dos jovens fossem também ministrados, certamente muito mais gente passaria a gostar de ler - e, quando conforme amadurecessem, pegariam livros de maior porte e densidade.

Então, é uma situação complexa. Creio que os livros de entretenimento podem sim ser muito bons e são necessários, tanto por questões de mercado quanto por questão de formação de leitores e até mesmo hobby. Agora, isso não quer dizer que vamos perder de vista o fato de que muitos desses livros são ruins, que muitos têm sim um fator que poderíamos chamar de alienante. Porém, não podemos julgar um livro ruim somente por ser mais voltado para entretenimento. Conheço alguns livros de entretenimento com uma narrativa espetacular, com histórias espetaculares.

E claro, nunca a literatura mais crítica e experimental deve morrer ou ser deixada de lado. Isso é um absurdo.

Sobre o que o Narval falou novamente, esse pessoal que fez essas afirmações citadas por você segue a linha americana de que "se vende, é porque é bom", o que é uma bobagem absurda, convenhamos.

Luis Narval

Me perdoe, Leonardo, mas aproximar a autora de Herry Potter de Sir Arthur Connan Doyle, mesmo que despretensiosamente, é forçar um pouco a barra. Embora Doyle não possua a envergadura psicológica e metafísica de um Dostoiévski, por exemplo, e nem transite na mesma esfera de conflitos subjetivos, ele estava compenetrado de algo mais do que seus seguidores, na linha detetivesca, logo, de entretenimento, jamais estiveram. Ou seja, ele via (a exemplo de Poe), atrás dos impulsos homicidas e demais perverssões de seus criminosos, mais que simples cupidez, taras ou desequilíbrios mentais. Ele entrevia essa porção escura, viscosa, que tanto teme quanto deseja a luz (presente, diga-se de passagem, em todos nós), combatendo uma luta sem quartel, não contra a outra face (supomos), a "luminosa", mas contra si mesma, numa espécie de autofagia monstruosa. Assim, dentro do possível, dentro dos estreitos limites que comporta o gênero policial, fugia do maniqueísmo Bem x Mal, Certo x Errado, Crime x Punição, em que, infalivelmente, toda narrativa plana, sem outra pretensão (ou capacidade) senão a de entreter, chocar, convencer, doutrinar, acaba por naufragar.

Mas estou de acordo com o Marcos, esse assunto é infindável, e adoraria partilhar um litro de vinho, ou dois, ou quem sabe três, à beira-mar, com vocês e com nossas diletas cara-metade. Já que aqui onde vivo (serra gaúcha), o litoral está a pelo menos 250 Km de distância. Quanto ao vinho, não tenho do que reclamar, esse temos muito e de excelente qualidade. Abraços.

Leonardo Schabbach

É como eu falei. Não estou comparando um com o outro. Estou dizendo que os dois são literatura de entretenimento. E sobre as qualidades da obra do Doyle que você colocou, é justamente disso que estou falando: a literatura de entretenimento pode também ter qualidade. Existem livros bons e ruins dentro dessa classificação. Porém, muitos dos críticos tendem a descartar qualquer livro que seja mais voltado para o entretenimento, o que eu considero um erro.

Quanto ao Harry Potter e o Sherlock, é natural que Holmes traga muitas questões mais profundas, pois é um personagem muito rico e voltado para o público adulto. As histórias do Harry Potter por exemplo tem como público-alvo crianças, jovens e "jovens-adultos", logo as questões do livro naturalmente não poderiam ser profundas como as do Holmes. Neste caso, a diferença de "qualidade" de um livro por outro se dá muito também pela questão do público alvo. Não dá pra esperar um livro com questionamentos muito profundos se ele é voltado para um público muito jovem.

Agora, no caso específico das histórias do Holmes (eu sou fascinado pelo personagem), temos sim algo que trouxe inovação para a literatura pela época em que foi feito. Holmes foi o primeiro detetive da literatura a utilizar exclusivamente os métodos científicos, indutivos e etc..., para resolver os crimes. Isso inaugurou ai uma série de outras histórias baseadas neste método (hoje, um monte de séries policiais da TV seguem o padrão).

Wander Shirukaya

Como disse lá por cima, para se definir a qualidade de uma obra, temos que estabelecer critério, e que estes possam ser comprovados no texto, fugindo de abstração. A escola de Frankfurt é interessante em nos alertar para as artimanhas do mercado, entretanto não nos garante que algo feito sem a visão "mercadológica" da coisa seja realmente algo bom. Da vinci cansou de fazer obras sobre encomenda, Goya foi pintor particular do rei; mesmo assim eles conseguiram se tornar lembrados ao longo da história, mostrando que nem sempre a relações que poderiam ser taxadas de "traição ao movimento" são ruins.
O problema da cultura massificada é turvar nossas mentes para perceber a qualidade de certas obras, o q nos faz pensar q "se vende é bom", o que seria um erro, a meu ver.

A conversa está boa, hein? ^^

PS: Sem desmerecer Holmes, Leo, mas o primeiro detetive desta linha (q acabou definindo a "detective story" foi Sir Auguste Dupin, de E.A. Poe. Ressalvo que apesar de Dupin ter "vindo primeiro", Holmes a popularizou.

Leonardo Schabbach

Sim. Mas não foi isso que eu falei. O Dupin foi o primeiro detetive e foi o que iniciou as histórias de detetive. O Holmes foi o primeiro detetive a utilizar o método científico indutivo (aquela capacidade dele de dizer quem é a pessoa, etc e etc por observações de uma série de detalhes). Foi isso que ele inaugurou, detetives que utilizam este método. Hoje, séries como CSI, Bones, The Mentalist, House; todas utilizam estilo parecido.

Wander Shirukaya

Bom, pelo menos eu vi o Dupin fazer exatamente isso. D todo modo sao dois grandes detetives. ^^

Anônimo

Pessoal,
Vocês estão procurando pêlo em casca de ovo! Para quem serve tanta discussão pseudo-acadêmica? Qual a finalidade de rotular os tipos de leitura? Eu, como leio (ou tento, as vezes não consigo) tudo que me cai nas mãos só tenho dois parâmetros: os que gosto e os que não gosto. Os que de alguma maneira mexem comigo, me seduzem, me fazem pensar, ou simplesmente me entretem, são bons. Basta me prender do começo ao fim.
A literatura, como qualquer manifestação artística tem, para mim uma unica finalidade: dar prazer. Se dá prazer é bom. Se não...
Witoki
linguadetrapo-witoki.blogspot.com

Leonardo Schabbach

Mas é aí que está. Para você a arte tem que dar prazer. Para muitos aqui, a arte deve provocar reflexão, provocar o leitor/espectador. Logo, para pessoas que vêem a arte por esse prisma, é útil esse tipo de discussão. No seu caso, realmente não há o que discutir, a arte boa ou ruim será julgada por um caráter unicamente pessoal, sem problemas!

Só que, se formos pensar em termos de crítica literária, ficaria complicada uma crítica que fosse apenas pelo caráter pessoal, aí que complicam as coisas, hehehe.

Dentão

Compadre meu quelequem , comecei a ler Grande Sertão: Veredas e não conssegui continuar,não entendo a narrativa de Guimarães Rosa, vou ver a mini-serie para ter uma melhor noção do livro.

Cassio Barros

Olá, Leonardo! Boa surpresa encontrar seu blog quando realizava uma busca sobre “Literatura e Qualidade”. Estou numa fase de refletir mais sobre a qualidade do que escrevo e leio. Sobre a temática do seu post, acredito que a literatura tem um papel de transformação na vida das pessoas. Essa transformação poderá se dar por variadas vias como a do entretenimento ou da reflexão, por exemplo. De uma forma ou de outra, ainda continuará sendo literatura. Acho que a qualidade do que se lê deve ser analisada a partir da ótica do leitor - um ser em constante metamorfose de idéias e pensamentos. À medida que se relaciona com a leitura, ele se transforma e se habilita a atestar a qualidade do que lê.
Abraço
http://www.entretemperosepalavras.blogspot.com

CLODOALDO BASTOS

Complexo, parece as discuções sobre cinema, o que é um bom filme? Temos a questão do gosto pessoal, a questão de critérios de padrões estéticos, complicado olhar apenas pelo lado 'científico" e crítico ou apenas pelo lado subjetivo, assim também é na literatura.Quanto a diferenciação entre uma literatura com pretenções estéticas e discuções mais profundas e uma literatura de entretenimento é válida, mas há um limite muito estreito as vezes entre as duas definições dependendo do livro.No fundo o que está em jogo é o prazer de uma boa leitura, seja pelo entretenimento, seja pelas discuções que a obra tras, seja pelo prazer estético de uma narrativa bem elaborada.

Anônimo

Eu acredito que não existem livros ruins
depende da perspectiva de cada um.

Ajudante de Noé

Como falaram de Harry Potter:
Mas quem disse que o objetivo de quem escreveu Harry Potter era apenas entreter? E como dizer que Harry Potter não leva à reflexão? O fato de não haver reflexão a partir de Harry Potter (e há, sim, reflexão) significa menos que o livro não propicie isso e mais que a maioria das pessoas interessadas em literatura está predisposta a enxergar apenas divertimento na obra, classificá-la previamente como APENAS entretenimento e não procurar seus significados.
Se a história de Harry Potter fosse contada em uma linguagem experimental, a obra provavelmente seria mais respeitada por seu valor literário, já que, na tentativa de desvendar a linguagem, muitas interpretações surgiriam. Porém, como a linguagem é simples, as pessoas apenas leem o livro, se divertem e não vão além disso. Mas quem quiser ir além disso, certamente encontrará multiplicidade de significados, que é um dos fatores que definem se um livro é bom. E significados que não servem para ratificar a ordem vigente e nos deixar acomodados, como disseram aí em cima.

Para mim, no fim das contas, o que define se um livro é bom ou ruim, além da qualidade do texto em si, é um conjunto de pessoas/instituições com poder para isso.

nildanet

Para mim, um bom livro é aquele que nos faz querer continuar virando as paginas. Simples assim.

Nancy Alves

Olá, Leonardo

Sou autora e gostei bastante de seu posicionamento em relação aos livros que podem ser considerados bons ou ruins. Para mim, um exemplo de bom livro, com texto envolvente e linha narrativa impecável é uma, qualquer, obra de Eça. Reconheço, porém, que atualmente, no Brasil, é extremamente difícil para um bom autor colocar sua obra no mercado, seja ela boa ou ruim. E me atrevo a dizer que, mesmo ruim, se ela tiver apelo da mídia, vende bem e deixa-se de lado o "pequeno" detalhe de ter um bom texto ou qualquer ideia envolvida em seu conteúdo. Meu romance de estréia chama-se Contos Medievais - Sir Robert e é o primeiro de uma saga de cinco livros que sairão pela Editora In House, de Jundiai. Recebi excelentes críticas sobre a história e o texto, já que também sou professora e muitas colegas que lecionam língua portuguesa o leram. No entanto, enfrento uma resistência muito grande das livrarias e até das distribuidoras em colocar minha obra como livro físico nas lojas. Há um excesso ed interesse financeiro por trás do mercado editorial que atravanca as obras que poderiam ser grabndes livros de nossa literatura, mas que ficam pelo caminho por conta da ignorância que comanda o dinheiro. Mesmo assim, continuo firme em meu propósito de ter minhs histórias nas mãos e na mente de meus leitores. Um grande abraço. Nancy

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