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Cap. 3 - A Taverna dos Robinson (Parte I)

em 1 de nov de 2010.

A noite estava escura, sempre mais escura, Lanir podia sentir. Nos últimos tempos, os dias pareciam cada vez mais tenebrosos, a própria natureza se tornava sombria, anunciava períodos conturbados num futuro próximo. O mundo era sábio, percebia as coisas antes dos homens; ensinava. Tolos eram aqueles que não viam.

Do lugar de onde estava sentado na praça, mal conseguia ver as poucas pessoas que passavam; esperava pacientemente que o movimento cessasse e que sobrassem apenas os homens mais destemidos e aventureiros – além, é claro, dos menos virtuosos – a vagar pelas ruas. Lanir vigiava com interesse o movimento em uma taverna que, por algum motivo, parecia-lhe mais iluminada do que as outras: havia algo de diferente naquele lugar, era preciso investigar.

Após se certificar de que o restante da cidade dormia, decidiu se deslocar até lá: era o único local em que ainda havia algum movimento. Um agradável cheiro de carne assada e vinho o aturdiu assim que passou pela porta de entrada. Ficou surpreendido. Esperava por um estabelecimento mal cuidado, povoado por bêbados e valentões, como costumava ver nas demais tavernas que visitara. Ali, tudo parecia diferente. Uma música alegre ecoava por todos os cantos; algumas pessoas dançavam, outras comiam com calma e prazer. Havia também mulheres, não concubinas, mas donzelas, filhas de pessoas de bem. Se não tivesse certeza de que nada de importante acontecia na cidade naquele dia, diria que aquilo era uma festa, algum tipo de comemoração que mobilizara grande parte dos moradores.

Um jovem percebeu a sua entrada e veio lhe atender. Era um garoto novo, não devia ter mais de dezesseis anos; era magro, cabelos pretos e desgrenhados, vestia um avental branco. Certamente era alguém que trabalhava no lugar e percebera a chegada de um novo cliente.

- Olá, senhor. Bem-vindo a Taverna dos Robinson. Em que posso ajudar? – perguntou.

- Ahm... sou novo na cidade, apenas procurava por uma boa taverna. – respondeu Lanir, com um sorriso no rosto.

- Esta é a melhor da cidade, senhor. Mas temos regras. Não servimos álcool ao ponto de deixar nenhum cliente bêbado e não toleramos brigas ou comportamento inapropriado.

Lanir riu.

- Não acha estranho isso para uma taverna?

O garoto sacudiu os ombros, parecia despreocupado.

- Bom, quem não quiser vir, não venha. Estas são as regras de minha mãe. Até hoje, tudo deu muito certo. Somos o lugar mais movimentado de toda a cidade.

Lanir deu mais uma olhada em volta. As pessoas continuavam a dançar, comer e se divertir. Mais ao fundo, havia ainda um homem tocando piano. Era um rapaz forte, ainda jovem, mas com idade suficiente para lutar. Ao seu lado, repousava uma longa espada, algo inesperado em meio ao ambiente festivo.

- Aquele é meu irmão. Davis Robinson. Ele faz parte do exército, é um grande combatente. É ele quem garante a segurança na taverna. – explicou o garoto, antes mesmo que o mensageiro pudesse perguntar.

- Ah... compreendo. Você é um menino esperto... qual o seu nome?

- Sou James Robinson. E o senhor, como se chama?

- Pode me chamar de Lanir. – respondeu o mensageiro, ao começar a se movimentar pela taverna. – Será que você pode me levar até a sua mãe? Gostaria de falar com ela.

O garoto sorriu, procurava ser simpático, era assim que sempre tratava os clientes. Por mais que o homem a sua frente estivesse mal vestido e parecesse até mesmo um pouco suspeito, era melhor atendê-lo de maneira cordial. Como sua mãe sempre lhe dizia: faça o bem, não importa a quem. Ela adorava este tipo de frases, sempre as utilizava quando queria lhe ensinar alguma coisa. E James também gostava delas, por mais desgastadas que fossem; às vezes até as recitava para os clientes como forma de entretenimento.

- Bom, é só seguir até o bar. – o garoto apontou para uma senhora de idade já bem avançada que servia duas canecas de cerveja para alguns clientes. – Aquela é a minha mãe. Ela ficará feliz em atendê-lo.

Lanir agradeceu e caminhou em direção à mulher. Ela tinha os traços de uma pessoa trabalhadora, de alguém que abdicara de sua vida e de sua juventude para cuidar dos filhos. As mãos que seguravam os copos estavam calejadas, o rosto enrugado, com profundas olheiras que denunciavam o acúmulo de cansaço ao longo dos anos.

- Boa noite, minha cara senhora. – recitou Lanir, com a voz mais agradável que tinha.

A mulher levantou a cabeça e o olhou com atenção. Apesar das roupas esfarrapadas, conseguiu notar algo de diferente no mensageiro, não só no tom de voz, mas também no olhar vivo e penetrante.

- Olá, meu bom senhor. Quer alguma coisa para beber ou para comer?

- Não, não, estou satisfeito. – respondeu Lanir ao se sentar em um banco colocado em frente ao balcão do bar. – Preciso de um lugar para dormir. Não conheço a cidade, gostaria de saber se poderia ficar aqui por esta noite.

A mulher pareceu um pouco desconsertada.

- Me desculpe, senhor, mas não somos uma estalagem. Isso aqui é uma taverna normal.

Lanir deixou escapar uma risada simpática e discreta: não desistiria tão facilmente.

- Mas eu sou novo na cidade, não tenho para onde ir, será que não poderia fazer essa caridade?

A mulher baixou os olhos e começou a esfregar o balcão com um pano, quase que por extinto, enquanto tentava tomar uma decisão. Lanir esperava pacientemente; sabia que ela acabaria o aceitando. Era uma pessoa boa, de bom coração, como quase todos naquele estabelecimento. E pessoas assim nunca deixariam alguém necessitado sem amparo.

- Tudo bem. – ela respondeu. – Mas somente por esta noite. Suba aquela escada, você pode ficar no segundo quarto à direita.

O mensageiro sorriu.

- Muito obrigado, não sei como poderei agradecê-la.

- Não se preocupe. Deixe suas coisas lá em cima. – ela parou e o fitou por uns instantes – Isso se você tiver alguma coisa. E depois desça, iremos jantar daqui a pouco. Só eu, você e meus filhos. Em breve, os clientes irão embora.

Lanir fez um sinal de afirmativo com a cabeça e subiu. Ficara decididamente impressionado com aquela família e com aquele lugar; precisava de pessoas assim para a sua empreitada, gente que colocava o bem-estar dos outros acima do seu, indivíduos altruístas e decididos que nunca desistiriam de uma batalha caso tivessem de defender os seres humanos.

Ele entrou em seu quarto e parou por algum tempo em frente à janela. Dali, conseguia ver a rua, a escuridão que tomava conta da cidade: uma noite fria e silenciosa. Quase todos dormiam, poucos ousavam sair durante as noites, o pavor criado pelas criaturas – pois eram assim que começaram a chamar aquela nova raça que tinha surgido e que agora ameaçava a humanidade – impedia as pessoas de sair, aterrorizava: e se algum deles estivesse escondido na esquina? Talvez fosse um medo irracional, mas ainda assim tinha algum cabimento. Lanir sabia... podia sentir que eles estavam cada vez mais próximos.

2 Comentários:

J R

Lanir... Bem interessante, vou continuar a acompanhar esta história, até agora não arrependi-me de lé-la.

Leonardo Schabbach

Fico muito feliz que esteja gostando. Estou fazendo o máximo para postar com muita frequência mais pedaços da série!

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