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Cap. 7 - O Primeiro Posto de Vigia

em 1 de nov de 2010.

Ele tinha deixado para trás sua cidade-natal. Cavalgava agora pelos ermos, acompanhado de um homem que mal conhecia; uma pessoa misteriosa que tinha a aprovação total de seu Rei; enfim, alguém que conhecera o seu pai. Para James, isso já bastava, já era o suficiente para confiar naquele homem, naquele mensageiro, como ele mesmo se descrevia.

Os dois seguiram num trote manso por alguns dias, sem avançar tão rapidamente em direção às cadeias montanhosas. A atitude era até um pouco estranha, uma vez que fariam, naquela velocidade, o percurso no dobro do tempo costumeiro. Mas, de alguma forma, tudo parecia meticulosamente planejado. Lanir fitava as imensas cordilheiras rochosas a sua frente com alguma constância; pensava, olhava para as montanhas como se quisesse enxergar algo mais, como se pudesse enxergar algo mais.

James apenas observava. Aquele homem parecia mesmo estranho. Tinha uma aparência simples, utilizava uma arma quase caseira, quase improvisada, mas ainda assim transmitia a sensação de que era muito mais do que deixava transparecer, de que via as coisas por um prisma diferente; para ele, o mundo deveria ser outro.

A viagem seguiu a passos lentos pelos três primeiros dias, Lanir quase não falava. Ele podia sentir que havia algo de estranho, algo de anormal ocorrendo nas montanhas; os ventos lhe sopravam os gritos de augúrio, vindos de longe. Havia algo de errado mais à frente... talvez as criaturas estivessem mais próximas do que ele inicialmente imaginara. Talvez fosse melhor esperar, atrasar em alguns dias a entrada nas montanhas, até que o perigo se afastasse. E foi o que fez.

Apenas no quarto dia, o chão verde das planícies foi se modificando e sendo trocado pelas encostas rochosas. Grama já quase não existia. Ao cair da noite, alcançariam o primeiro posto de vigilância; e, assim, o primeiro objetivo que James tinha se imposto seria, finalmente, conquistado. Era desta maneira que o menino pretendia trabalhar: um passo de cada vez. Não estava acostumado a sair para aventuras, sabia que sentiria saudades de casa, de sua família. Nada lhe parecia melhor do que se focar sempre em um objetivo próximo, palpável; talvez assim conseguisse se manter longe de todos os pensamentos ruins.

- Quer descansar agora ou acha que podemos continuar o nosso caminho até o primeiro posto? – perguntou Lanir enquanto diminuía o trote de seu cavalo.

James sorriu.

- Não, não, podemos continuar sim. Nem sei qual o motivo que te faz ir tão devagar. Temos alguma razão para estarmos atrasando assim a nossa viagem?

Lanir olhou para o garoto por algum tempo: ele definitivamente sabia fazer as perguntas certas.

- Não se preocupe... se quer continuar, vamos. Apresse o passo!

Os dois aumentaram um pouco a velocidade de deslocamento. Naturalmente, o solo mais tortuoso impediu que se movimentassem muito rápido, afinal, era necessário cuidar bem dos cavalos; a viagem poderia ser longa.

Quando o sol já se punha atrás das cordilheiras rochosas, alcançaram o primeiro posto de vigia. Era uma pequena casa de madeira, de três cômodos, situada nas proximidades de um grande paredão rochoso. Em frente à porta de entrada, um soldado dormia, sentado em um banco de pedra.

- Humrum... – pigarreou Lanir. – Parece que alguém não anda fazendo o seu trabalho direito.

O soldado levantou assustado, sacando a espada, em um ato reflexo, enquanto fitava as duas pessoas a sua frente.

- E... eu... não estava dormindo, não estava. – negou, inutilmente.

- Tudo bem, isso não importa, não agora, pelo menos. – iniciou Lanir. – Eu e o garoto precisaremos descansar aqui nesta noite.

- Apenas soldados e homens do Rei podem descansar aqui, senhor. E, por favor, identifiquem-se. Sou um protetor do reino e tenho permissão para atacar! – o soldado, agora recuperado do susto, tentava intimidar os visitantes com o intuito de controlar a situação.

Lanir se aproximou calmamente e empurrou a espada, que estava apontada para seu pescoço. Depois, seguiu em direção à pequena casa de madeira.

- Fique mais atento. Olhe para o garoto, ele carrega as armas de Thomas Brickmond. Estamos aqui a mando do Rei, em missão mais do que secreta!

O soldado olhou para James e notou o famoso escudo preso as suas costas. A espada permanecia escondida pela capa de viagem.

- O... hein... o... quê? As... armas... ele está mesmo com as armas... mas é apenas um garoto...

Lanir olhou para James enquanto entrava na casa de madeira.

- Venha, vamos descansar. Quando ele processar o que viu, a gente explica as coisas.

- Ei... não pense que sou algum tipo de idiota! – disse o soldado, ao elevar o tom de voz e entrar na casa atrás de Lanir. – Só não esperava por isso. E quem garante que vocês não roubaram o escudo?

James seguiu os dois. O posto de vigia não parecia ser bem equipado. Havia alguns lugares para guardar comida, algumas camas feitas com palha e umas poucas armas espalhadas pelos cantos.

- Está certo. – Lanir sorriu, simpaticamente. – Me desculpe. Agora, acha mesmo que conseguiríamos entrar no castelo e roubar as armas, logo essas armas?

O soldado deu de ombros e se sentou em uma velha cadeira de madeira situada bem no meio da sala. A sua frente, na mesa, havia uma garrafa de aguardente e algumas fatias de pão.

- É. Eu sei, agora eu que peço desculpas. Querem comer alguma coisa? Ou beber?

- Não, iremos apenas descansar.

- Tudo certo, então. Descansem ali. – disse o soldado ao apontar para as camas feitas de palha. – Irei fazer minha ronda. Daqui a algumas horas estarei de volta.

- Obrigado, você foi muito prestativo.

O homem novamente deu de ombros, pegou a garrafa de aguardente e deixou a casa. Odiava quando esses enviados reais chegavam por ali. Eram todos uns arrogantes.



*******************


Lanir acordou assustado, a pequena casa de madeira estava vazia... silenciosa... escura. Só se escutava o barulho da fina chuva que caía do lado de fora; era suave e repetitivo: tenso. Ele se levantou, tomando muito cuidado para não acordar James, e foi até a lareira. O soldado ainda não tinha voltado, já era tarde. Provavelmente algo de ruim tinha acontecido; era preciso investigar.

Pegou uma tocha que estava encostada em um canto, acendeu-a cautelosamente e saiu na ponta dos pés. A noite do lado de fora era fria e escura; a lua se escondia por detrás das nuvens. Lanir caminhou por um tempo, tentando seguir as pegadas deixadas pelo soldado do pequeno posto de vigia. A terra molhada o ajudava, os rastros eram bem visíveis.

Enquanto caminhava, porém, muito sutilmente, podia escutar o barulho de passos: alguém o seguia. Mais à frente, avistou um vulto caído no chão; uma tocha repousava semi-acessa ao seu lado. Era o soldado, morto; o corpo dilacerado em muitos pedaços, com cortes profundos no peito e no pescoço.

De repente, um som agudo e aterrorizante começou a se espalhar por todos os cantos, sendo multiplicado pelo eco que as montanhas proporcionavam. Da escuridão, uma das criaturas espreitava; ameaçava Lanir com o som estridente que a garra produzia contra a rocha. Ela cercava, provocava, mas se mantinha escondida. Gritava, aterrorizava, mas não aparecia. Em meio ao breu, era como um fantasma; sorrateira, quase invisível.
Lanir esperava junto ao corpo do soldado, a tocha em sua mão esquerda e seu longo bastão de madeira, com uma navalha em cada ponta, na mão direita.

A criatura se movimentava, de pedra em pedra, os olhos fixos no alvo. Sentia prazer em matar, em apavorar, em tirar dos seres humanos até o último fio de dignidade antes de trucidá-los. Que homem tolo era aquele que viera buscar um soldado morto? Que seres patéticos eram os homens, com suas preocupações banais. À noite, eram presas fáceis. A luz das tochas os identificava, o breu noturno os cegava; quanta infantilidade!
Mais dois passos: já estava bem próxima, podia ver claramente o homem abaixado ao lado do corpo do soldado que acabara de assassinar. Chegava pelas costas, furtiva. Era a hora do ataque. Saltou.

Foi neste momento que o homem se pós de pé, ainda de costas, e largou a tocha no chão, fazendo com que se apagasse. No mesmo momento, virou o corpo, girando o seu bastão no ar. A criatura se surpreendeu. Como podia? Estava escuro... como podia? O bastão veio em sua direção. O homem a sua frente a fitou, pouco antes de atingi-la; os olhos levemente opacos pareciam refletir a quase inexistente luz do luar. A criatura engoliu em seco, sentiu medo. Aquele homem... aquele homem... era... o mensageiro!

O golpe foi mortal, certeiro, cortando e esmagando o crânio ao mesmo tempo. Lanir ainda se abaixou e se certificou de que a criatura estava realmente morta. Depois, levantou-se apressado e correu em direção ao posto de vigia. Ela o tinha visto, tinha o reconhecido. Certamente, neste exato momento, todas as outras criaturas já estavam sabendo. Ele precisava agir imediatamente, precisava pegar o garoto e sair dali o mais rapidamente possível.

1 Comentários:

J R

UOU! As lutas demais! Nada de chatice em descrever detalhes, o essencial e a sugestão dão a minha imaginação cenas fantásticas. Esse Lanir me lembra o Gandalf, só que mais atuante. GOSTEI!

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