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Cap. 9 - O Segredo das Montanhas (Parte I)

em 1 de nov de 2010.

 James acordou assustado com o barulho da porta de madeira sendo escancarada por Lanir. O mensageiro estava sério, parecia nervoso e até mesmo um pouco descontrolado. Sem emitir sequer uma palavra, pegou o garoto pelo braço e o levou para fora da pequena casa. James apenas o seguia, como que por instinto, ainda muito confuso para compreender o que estava acontecendo. A chuva, do lado de fora, caía de forma extremamente violenta, o mundo repousava numa completa escuridão. E o que ainda era pior, o ar frio e as pesadas gotas de água golpeavam a sua face, deixando-o cada vez mais confuso; uma série de trovões destroçava o silêncio sagrado das montanhas.

- O que está acontecendo? – perguntou James enquanto tentava proteger o rosto.

- Venha, venha, precisamos ter pressa! – disse Lanir, ao retirar sua capa de viagem para cobrir o garoto.

Os dois seguiram caminhando pelas montanhas, em direção a um enorme paredão rochoso, certamente o caminho mais complexo para se alcançar a Grande Torre de Vigia, de onde poderiam tentar vislumbrar o garoto que precisariam encontrar na Floresta Escura.

A chuva não parava, continuava a cair torrencialmente, ampliando ainda mais a escuridão. James, inclusive, ficara um pouco desconfiado. Lanir parecia ignorar quase que completamente o poder e a violência da tempestade, que, de uma maneira estranha, não impunha aos dois sequer a mais leve dificuldade de movimentação. Na realidade, ela parecia até servir de cortina para que eles se movimentassem despercebidos; uma cortina capaz de apagar rastros.

- O que aconteceu?! – perguntou James, ainda protegendo os olhos.

- Uma criatura estava caminhando pelas montanhas, ela me viu... precisamos enganá-las. Com essa chuva, elas não nos verão escalando o paredão rochoso.

O garoto encarou Lanir com alguma surpresa.

- Mas também, quem ousaria escalar um paredão rochoso em meio a uma tempestade como essa?

O mensageiro apertou o passo, como se mal tivesse escutado a pergunta.

- É nossa única saída. Mas fique tranqüilo, nós vamos conseguir – ele respondeu, de maneira rápida e direta, sempre olhando em todas as direções para se certificar de que não estavam sendo seguidos.

- E você consegue enxergar nesse escuro? – reiniciou James. - Eu não consigo ver nada.

Lanir, desta vez, não respondeu, apenas acelerou ainda mais o seu passo e fez um sinal para que o garoto ficasse em silêncio; era importante que eles passassem despercebidos.

Em pouco tempo, chegaram até o paredão rochoso. Os clarões provocados pelas constantes trovoadas permitiram que James vislumbrasse a extensão do que precisariam escalar; eram muitos metros, e as pedras pareciam extremamente escorregadias, definitivamente seria um caminho tortuoso.

- Espera aqui. Conforme eu consiga avançar, vou te puxar por esta corda, está certo? – indagou Lanir enquanto entregava ao garoto uma das pontas da corda que acabara de amarrar em sua cintura.

- Tudo bem, tudo bem. Mas por que estamos fugindo se você já matou a criatura?

- O quê?!

- Há alguns fragmentos de escama no seu bastão e um pouco de sangue na sua roupa, achou que eu não fosse notar?

James agora gritava para Lanir, que já conseguira escalar alguns metros do paredão rochoso. Além da distância e da forte tempestade, as sucessivas trovoadas impediam uma comunicação eficiente.

- É claro que eu sabia que você ia notar, como não notaria? – Às vezes as observações até o incomodavam, Lanir pensou. – Mas esqueceu que esses seres se comunicam?! Provavelmente muitos deles virão atrás de nós. Vamos! – O mensageiro deu um grito potente, tentando superar o barulho de uma nova trovoada. – Comece a subir!

James colocou a perna direita em uma pequena deformação da parede rochosa, deu um impulso forte e começou a escalada. Os dois seguiram se movimentando, de forma bem lenta por um bom tempo; não trocavam sequer uma palavra. Todo o foco e todos os músculos de seus corpos se voltavam para uma única atividade: escalar, por mais que a água atrapalhasse, por mais difícil que fosse enxergar, para James pelo menos.

Após algum tempo, aproximaram-se de uma grande caverna, situada mais ou menos no centro do paredão rochoso. Lanir desviou dela e continuou subindo. A chuva continuava forte; os trovões castigavam os olhos e os ouvidos. Subitamente, um estrondo, um barulho ainda mais alto do que o da tempestade. Do alto da montanha, pedras rolavam violentamente, multiplicando-se conforme acertavam o paredão rochoso em sua queda. James quase não as via. Não fosse a luz de mais um relâmpago, teria sido acertado em cheio.

- Tome cuidado! – gritou Lanir. – Segure firme na corda, irei lhe balançar até a caverna.

James apenas fez um sinal de afirmativo com a cabeça; estava extremamente assustado. Os barulhos, o vento, os trovões e a poeira trazida pela enxurrada de pedras provocaram um efeito ameaçador terrível. E ele era apenas um garoto, um jovem que sonhava com a glória, que ansiava por novas aventuras, mas ainda assim um jovem, um menino despreparado; um novato, como muitos se apressariam em dizer.

Lanir o balançou com força e perícia, fazendo-o aterrissar sem muita dificuldade no interior da caverna. Foi quando um segundo estrondo ecoou por toda a montanha. Um novo deslizamento estava a caminho. Desta vez, muito maior do que o anterior. James colocou a cabeça para fora, curioso para saber o que estava acontecendo, sem notar que havia uma pequena criatura ao seu lado. Lanir foi atingido por um fragmento de rocha e despencou alguns metros, conseguindo se segurar pouco abaixo de onde o garoto estava, embora não estivesse próximo o suficiente para ser puxado.

- Irgh ri! Parece que o mensageiro tem problemas. – ironizou a criatura, que falava com uma dicção estranha, como se tivesse dificuldade em articular as palavras. – Cuidado que lá vem más zuma.

Um novo estrondo tomou conta da montanha e uma nova enxurrada de pó e pedra acertou Lanir, que agora se agarrava da maneira que podia a um pequeno arbusto que crescia em meio ao paredão rochoso.

- Vo-cê... – o mensageiro sibilou, fazendo muita força para sustentar o peso de seu próprio corpo. – Pare de brincadeiras, vamos!

James, que caíra sentado após a eclosão do terceiro estrondo, olhou para a criatura a sua frente com medo e curiosidade. O que seria aquilo? Um ser pequeno, do tamanho de uma criança, com a pele queimada, como que castigada pelo sol, e envelhecida. Tinha poucos fios de cabelos – três ou quatro, se estivesse enxergando bem – e os dois dentes da frente levemente projetados. As mãos tinham apenas três dedos, finos e compridos.

- É você que está fazendo isso? – perguntou o garoto, um pouco assustado.

A criatura se virou para encará-lo, seus olhos eram verdes e esbugalhados.

- Thhhhsim, talfex, quem sabisse. É a monthania, nem thudo é t-tão ssimples, meu caro.

- Como assim? Se você sabe o que está acontecendo, pare, por favor, pare, ou Lanir irá morrer! – James se pós de pé, talvez com alguma esperança de intimidar a estranha criatura, que era consideravelmente menor do que ele.

- Acho que não. Nada de problema pra ele.

No momento em que a criatura acabou de dizer sua última palavra, Lanir firmou a mão no arbusto que o dava apoio, pisou com força numa pedra do paredão rochoso e deu um salto incrível para aterrissar dentro da caverna. James o olhou até com certa incredulidade. Como um homem tão velho conseguira executar uma manobra tão complicada? Talvez nem o grande Gabriel, o cavaleiro mais capaz de todo o continente, conseguisse realizar uma proeza como aquela.

- Eu não dhisse. – a criatura resmungou.

Assim que colocou os pés no chão, Lanir puxou uma faca de sua bota e olhou ameaçadoramente para o estranho ser.

- Maldito! Eu devia matá-lo.

A criatura riu, emitindo um som estranho, quase como o barulho de um cuspe.

- Voxcê é que é mal agradezido.

- Isso é o que você diz...

A criatura murmurou algo inaudível por alguns segundos.

- Voxcês e sua eterna desconfhiança. Voxcê sabe que eu posso tirar voxcês daqui.

Lanir não respondeu, apenas encarou em silêncio a criatura por algum tempo; pensava. Talvez fosse a hora de confiar nela, pelo menos naquele instante; talvez ela realmente pudesse ajudá-los a fugir com segurança... quem sabe até não reduzisse o tempo daquela jornada, afinal, a montanha a obedeceria.

- Uarrati. O que decide? – a criatura perguntou.

O mensageiro continuou quieto por mais um tempo, ainda ponderando, até que baixou a sua arma. Naquela situação, seria melhor negociar; talvez também fosse hora de os dois terem uma conversa, uma oportunidade de esclarecer algumas situações do passado.

- Vamos com você.

- Ah... – a criatura sorriu, fazendo um esforço enorme para mostrar todos os dentes. – Então me shigam. Tem uma saída por ali. – ela andou para um pequeno túnel a sua direita enquanto fazia um lento gesto com os dedos para que James e Lanir a acompanhassem.

- Tenho certeza de que essa caverna não tinha saída quando fui jogado aqui. – disse o garoto, um pouco desconfiado.

- Érré, eu dhisse, asss coixsas mudam.

1 Comentários:

J R

A áurea misteriosa de Lanir é muito legal, espero que todos os segredos dele a respeito da capaciade dele não seja revelada, as vezes um personagem misterioso é mais atrativo.

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