Quer meu livro de graça? Assine minha newsletter e venha conversar comigo!

Além disso, a newsletter é para ser algo mais pessoal, nela vocês podem responder e conversar diretamente comigo. E eu ainda pretendo enviar uma série de textos exclusivos por lá, sendo alguns mais pessoais, alguns capítulos antecipados de livros que serão lançados, assim como alguns e-books gratuitos.

Leia Mais

1

Cap.1 - Um presente inesperado (Parte II)

em 1 de nov de 2010.

Com a certeza de que Raugh tinha sido definitivamente derrotado, não havia mais motivos para bater em retirada, a batalha tinha finalmente se resolvido, tinha terminado da maneira que tanto desejavam. Sir Lance ordenou que seus comandados o seguissem e partiu em direção a Thomas para que pudessem marchar vitoriosos em direção a Cidade de Mármore, a sagrada cidade dos dragões.

- Muito interessantes essas suas armas! – comentou Robert, com um sorriso no rosto, assim que chegou com seus comandados ao local onde Raugh fora derrotado. – Têm um brilho um tanto quanto incomum.

Sir Brickmond retribuiu o sorriso.

- Foram presentes das fadas, antes de virmos para a batalha. Enquanto houver luz, ainda haverá esperança, elas disseram.

- E parece que estavam certas, não é? – retrucou Sir Lance. – Agora, vamos! Precisamos ir até a Cidade de Mármore: os dragões têm muito pelo que nos agradecer.

- Vocês estão com meu cavalo? – perguntou Sir Brickmond enquanto ainda analisava com muito cuidado a carcaça de Raugh; por algum motivo, não conseguia deixar de olhá-la.

- Sim, senhor. Está comigo, senhor – respondeu Gabriel, que puxava o cavalo de Thomas pelas rédeas.

- Olha para você, garoto. O único representante de meu feudo a sobreviver. E logo o mais jovem! Farei de você meu braço direito.

Sir Brickmond abriu um sorriso simpático para seu comandado e, então, subiu em seu cavalo. Como Robert já dissera, era hora de marchar em direção a Cidade de Mármore.

- O... obrigado, senhor. E o agradeço por ter salvo a todos nós, você foi incrível.

- Era o meu dever, garoto. Não eram só as nossas vidas em jogo, mas as vidas de toda a humanidade.

Gabriel não respondeu, apenas encarou Sir Thomas com muita admiração. Desde criança, ouvira histórias sobre o altruísmo e a sabedoria do general, mas agora que acompanhava a sua bondade de perto, não tinha como não ficar admirado.

- Todos prontos? – perguntou Sir Lance, de maneira quase retórica. – Então vamos, quero saber que prêmios os dragões terão para nós.

A pequena milícia começou a marchar, não passavam de dez homens. A batalha havia sido terrível, os seus corpos estavam fatigados e as memórias cheias de cenas horríveis, de atrocidades das quais nunca conseguiriam se esquecer. Os dragões sabiam ser extremamente cruéis quando queriam.

O sentimento de vitória, porém, começava a limpar o medo e a raiva de seus corações. Logo mais adiante, conseguiam ver a Cidade de Mármore, a bela Cidade Mármore, com suas torres altivas, maiores do que as de qualquer castelo humano, e seus portões dourados. Era uma fortaleza gigantesca, uma fortaleza de dragões, um solo sagrado.

Não demorou muito e cruzaram os imensos portões. Todos olhavam fascinados ao redor, com exceção de Sir Brickmond e Sir Lance. Os dois se mantinham calados, perdidos em seus pensamentos. Robert sabia dos poderes quase ilimitados que tinham os dragões, conhecia a sua magia. Sabia, por isso, que eles poderiam ser muito generosos, que podiam lhes dar artefatos inimagináveis, prêmios dignos para os heróis que tinha acabado de os salvar.

Já Thomas não se importava tanto com os prêmios, não sentia que os dragões lhe devessem alguma coisa, afinal, ele também tinha lutado por si, por sua família e por todos os seres humanos. O que ainda lhe incomodava era a carcaça de Raugh. Não sabia o porquê, mas ainda sentia algo estranho, uma espécie de mau presságio, uma intuição que constantemente o incomodava.

Quando voltou a prestar atenção às coisas a sua volta, já se encontrava na praça principal da grande fortaleza, onde conseguia avistar um trono gigantesco. A Cidade de Mármore parecia completamente vazia. Até aquele momento, não tinha visto sequer um ser vivo, que dirá então os dragões.

No grande trono havia uma pessoa, um homem com cabelos grisalhos e com uma barba cheia, porém curta e muito bem aparada. Ele vestia um manto branco e uma capa em tons prateados; parecia definitivamente alguém muito importante.

- Então vocês são os homens que se aliaram aos dragões na guerra. Foram vocês os responsáveis pela derrota de Raugh, O Destruidor?

O homem se levantou enquanto falava, tinha uma voz calma e ao mesmo tempo confiante. Muitas vezes, parecia envolto por uma espécie de aura branca, uma energia que era quase imperceptível, mas que o dava um aspecto nobre e imponente. Os membros da pequena milícia se ajoelharam em reverência: sabiam que devia se tratar de alguém importante.

- Sim, somos nós. – respondeu Sir Lance.

- Os dragões são muito gratos por sua ajuda. – proclamou o homem enquanto caminhava na direção dos combatentes.

Sir Brickmond, ainda um pouco cauteloso, fez um leve gesto para pedir a palavra e, só então, perguntou:

- Me perdoe se for uma questão inconveniente. Mas quem é o senhor?

O homem sorriu.

- Como a pergunta do herói que salvou a nossa terra poderia ser inconveniente? Por favor, levantem-se, não sou nobre para merecer reverência, sou apenas um mensageiro. Escudeon Lanir, O Mensageiro dos Dragões.

Sir Brickmond, Sir Lance e os demais se levantaram lentamente, ainda mostrando um pouco de receio.

- Sou eu o responsável por parabenizá-los, por mostrar a vocês a gratidão dos dragões, por lhes dar aquilo que por eles me foi concedido.

- E onde eles estão? – perguntou Sir Brickmond.

- Os poucos que sobreviveram são muito jovens, seria arriscado que permanecessem por aqui. Eles partiram... – o homem agora andava pelo meio da milícia. – partiram para muito longe, para um local onde podem repousar em paz, afastados de todo o ódio que foi espalhado por este continente.

- E nossos presentes? O que irão nos dar? – perguntou Sir Lance, já muito ansioso para se conter.

O mensageiro retornou vagarosamente ao trono. Até então ninguém tinha notado que ali também se encontrava uma cesta, uma delicada cesta de madeira que guardava um pequeno bebê.

- Este menino é o presente dos dragões, uma dádiva concedida ao Reino dos Homens.

Sir Lance franziu a testa.

- Uma criança? Querem que aceitemos uma criança? E as armas, as riquezas, o que aconteceu com isso tudo?

O mensageiro permaneceu sério.

- Não há arma ou riqueza no mundo mais importantes para a humanidade do que esta criança. Assim decretaram os dragões, e assim será.

- Nós trouxemos nossos exércitos, sacrificamos centenas de homens, homens que tinham esposas e famílias... é assim que somos retribuídos? – retrucou Sir Lance, extremamente irritado.

- Acalme-se, Robert. – começou Sir Brickmond. – Precisamos nos manter calmos. Nós sempre confiamos na sabedoria dos dragões, sempre soubemos dos poderes e dos conhecimentos que eles têm. Se eles dizem que este menino é mais importante para nós do que qualquer riqueza que podem nos dar, devemos acreditar nisso.

- Você realmente pretende aceitar esse bebê?

Sir Brickmond fitou Sir Lance nos olhos.

- Nós não temos escolha. É isso ou nada. Eu confio nos dragões, irei aceitar a criança.

- Esta é uma escolha sábia, meu caro. – afirmou o mensageiro. – Tome, leve-o consigo, ele tem um destino a cumprir.

Sir Brickmond recebeu o menino nos braços sem contestar. Sempre fora menos intempestivo do que Robert, sempre preferia pensar nas coisas antes de agir; estava convicto de que deveria confiar nas palavras de seres tão sábios e poderosos como os dragões.

- Não sei por que aceitou esta criança. – comentou Sir Lance enquanto os dois se encaminhavam até seus comandados e começavam a se retirar da cidade.

- O mensageiro disse que ela tem um destino a cumprir. E se isso for verdade, precisamos levá-la.

- Está certo. Que ela fique com você então.

Sir Brickmond apenas concordou, já sabia que Robert não iria querer ficar com a criança. Não que o general fosse uma pessoa má ou que estivesse interessado apenas em riquezas, de maneira alguma, e disso sabia bem. Sir Lance era um combatente ferrenho, um comandante que realmente vivia as batalhas, sofria pelo seu povo. Era compreensível que ele esperasse mais dos dragões, que esperasse uma compensação imediata. Afinal, voltaria para seu feudo sem grande parte de seu exército. Era claro que um presente realmente poderoso ajudaria a diminuir as tristezas trazidas pela guerra.

A volta para casa, inclusive, não foi das mais agradáveis. Sir Brickmond e Sir Lance permaneciam quietos – cada qual imerso em seus próprios pensamentos – e os poucos homens que tinham sobrevivido se sentiam cansados demais para conversar ou comemorar. Após muitos dias de viagem, quando chegaram finalmente ao feudo de Sir Thomas Brickmond, a pequena milícia se separou. Sir Lance se despediu comedidamente e seguiu em direção às suas terras junto de seus comandados; nitidamente, ainda estava magoado com tudo o que acontecera depois da guerra.

Já Sir Thomas e Gabriel foram recebidos calorosamente por grande parte da população. O reino quase inteiro estava em festa. Apesar do luto pelos muitos combatentes que haviam perecido no campo de batalha, era hora de comemorar a vida, celebrar a liberdade, o fim de uma terrível ameaça. Em pouco tempo, uma multidão tomou as ruas para saudar e louvar seus grandes heróis. E a festa se estendeu por toda a noite. A alegria e o cheiro inebriante do bom vinho cedido para a festa por inúmeros comerciantes intoxicavam as mentes e aqueciam os corações de cada cidadão.

O único que destoava do clima festivo era Sir Thomas Brickmond. Ele se mantinha quieto, alheio às comemorações. Em muito pouco tempo, teria que fazer algo terrível, algo de que poderia se arrepender por toda a sua vida. Tinha decidido abandonar o bebê, largar a criança que lhe fora dada pelos dragões a sua própria sorte. Sabia que muitos poderiam considerar tal ato um crime terrível – e ele mesmo repudiava a sua decisão –, mas se os dragões estavam corretos, se aquele menino seria tão importante para humanidade, se tinha um destino a cumprir, ele sobreviveria; só assim a profecia se provaria verdadeira e o garoto poderia crescer sem a influência da sociedade humana.

No final da noite, quando todos pareciam ter finalmente esquecido de sua presença, Sir Brickmond saiu da cidade, cavalgou até a Floresta Escura e deixou a criança nas mãos do destino. Pelo menos ali, pensava ele, a magia sutil que envolvia a floresta a protegeria de quase toda a influência exterior.

1 Comentários:

J R

Estou encantado com a história! Essa segunda parte mostrou-se melhor de que a primeira. A criança abandonada na floresta escura, o clima introspectivo de Sir Lance, pensar sobre os feudo me trouxe lindas imagens a mente. Não sei não mas penso que um pequeno vício se inicia aqui. Tenho que continuar as próximas partes. Leonardo, Essa história é muito interessante!

Postar um comentário

Participe você também. Sinta-se convidado a postar as suas opiniões. Com a sua ajuda, o blog se tornará ainda melhor!

 
Copyright© 2010 Na Ponta dos Lápis
Apoio: Literatura Fantástica
Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger