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Cap. 2 - Quinze anos depois... (Parte I)

em 1 de nov de 2010.

Após o desfecho da Grande Guerra, o Reino dos Homens prosperou por longos anos. Os feudos de Sir Thomas Brickmond e Sir Robert Lance cresceram, tornaram-se dois imensos reinos: as duas grandes forças do continente. Por muito tempo, a paz prevaleceu, a bondade no coração das pessoas, a vontade de ajudar, de dividir. Os homens se espalharam, montaram pequenas vilas e cidades ao longo de todo o mapa, para além da Cidade de Mármore, que por algum motivo permanecia intocada e inóspita. Era como se as pessoas simplesmente optassem por ignorá-la, mantê-la inabitada, talvez com o medo de que um dia os dragões voltassem e reclamassem aquilo que era deles por direito.

Nos últimos meses, porém, a situação de calmaria começara a mudar, a humanidade estava assustada: uma nova ameaça surgira, um grupo de seres estranhos que aparecera nas Grandes Cordilheiras Vulcânicas, um conjunto de montanhas até então inexploradas ao extremo sul das terras de Sir Robert Lance. Eram seres cruéis e hábeis, cerca de meio metro maiores do que os mais altos humanos, e de um vigor físico e uma agilidade excepcionais. Possuíam peles escuras e resistentes; e as garras afiadas eram mais terríveis do que as armas construídas pelos melhores artífices.

Ninguém sabia de onde tinham surgido, muitos especulavam sobre o assunto. Alguns diziam que deveria ser uma raça que habitava as cordilheiras e o sul do continente fazia anos, uma espécie que se sentiu ameaçada com o crescimento abundante da humanidade. Mas poucos acreditavam nesta teoria. A violência e organização daqueles seres eram grandes demais para que se pudesse concordar com tal afirmação. Eles cresciam em número abundante, atacavam, planejavam, espionavam; queriam sem sombra de dúvidas firmar um império, dominar a tudo e a todos que cruzassem o seu caminho.

Em poucos meses, tomaram todo o sudeste do continente. Alguns rumores ainda afirmavam que algumas de suas tropas já teriam atravessado o Grande Rio e começado a estender sua dominação na direção da Cidade de Mármore. Não demoraria muito e chegariam aos reinos de Sir Brickmond e Sir Lance.

O pavor crescia. A sensação de impotência diante desta nova ameaça estava próxima ao limite; muitos já especulavam bater em retirada, fugir em busca de terras mais seguras. Sir Robert Lance era um destes. Apesar de ser um general corajoso, simplesmente não conseguia imaginar uma estratégia de defesa viável. Aqueles seres eram mais ágeis, mais fortes e mais numerosos; vencer era uma tarefa praticamente impossível. E o que lhe parecia ainda mais assustador: nas vezes em que lutara contra as criaturas, podia jurar que elas se moviam quase que simultaneamente nos campos de batalha. Era como se pudessem se comunicar telepaticamente, como se algo as conectasse e fortalecesse, dando-lhes uma potência até então jamais vista em qualquer exército humano. Lutar, portanto, não era possível. Era preciso fugir, fugir o quanto antes.

Sir Brickmond discordava de tais idéias, mas única e simplesmente por acreditar no que os dragões haviam lhe prometido anos antes. A situação caótica em que se encontravam apenas fortalecia o que o mensageiro Escudeon Lanir tinha profetizado: o bebê, que agora já deveria ser um jovem, teria de salvar a humanidade; não restava dúvida de que ele era a única esperança.

A sua saúde, entretanto, impedia-o de procurar pelo garoto nas florestas. Sir Thomas Brickmond já não era mais um jovem, não tinha mais o vigor de antigamente; estava muito doente, sabia que desta vez acabaria sendo vencido. A maioria de seus servos ainda seguia as suas ordens, especialmente Gabriel Tarathon, seu braço direito desde a época da Grande Guerra, mas todos tinham consciência de sua condição frágil, o que dava motivos para que alguns ousassem duvidar de suas palavras; um homem tão debilitado talvez não estivesse apto a tomar as importantes decisões incumbidas a um governante.

- Nós não iremos fugir. – disse Sir Brickmond, calmamente, sentado em seu trono, depois que dois de seus supremos generais haviam questionado suas idéias no Conselho do Reino.

Em uma grande mesa, não muito distante do trono real, sentavam-se Gabriel, alguns nobres e quatro outros generais para discutir o que deveria ser feito naquela época de crise. Aproveitando-se da fraqueza de Sir Brickmond, Herbert Malenberg, um exímio combatente que, por mais de uma vez, enfrentara as criaturas que ameaçavam o Reino dos Homens, decidira se opor às ordens reais e sugerir que, junto a Sir Lance, Thomas também decidisse deixar o continente.

- Você diz isso por não ter enfrentado esses monstros. Todos aqui sabem: da última vez que bati de frente com eles, quase não voltei vivo. Quase todos os meus homens foram mortos, droga! – gritou Herbert enquanto dava um soco na mesa. – Você sabe bem como nos sentimos quando falhamos assim, Thomas! Acho que a velhice o fez esquecer de como pode ser cruel um campo de batalha.

O general Malenberg falava com sentimento e convicção. Era um homem habilidoso, forte, que já tinha passado por muitas batalhas. Tinha cabelo curto, músculos proeminentes e muitas cicatrizes de batalhas. Era, sem dúvida alguma, um dos homens mais respeitados de todo reino. Sua palavras seriam ouvidas com muita atenção por todos os membros do Conselho.

- Nós não podemos vencer! Sir Lance sabe disso, você sabe disso. Que tipo de esperança você tem? Não nos mate a todos! Por favor... – o general balançava a cabeça negativamente. – Não condene o seu próprio povo.

Quando Malenberg terminou o seu apelo, Gabriel se levantou muito lentamente para tomar a palavra; assim como o general, ele também era muito respeitado, era uma referência dentre os comandantes de todos os exércitos do continente. Desde a Grande Guerra, tinha seguido os ensinamentos de Sir Brickmond e se tornado um general sábio e poderoso, um homem que sabia também lidar com a palavra e administrar com facilidade os seus subordinados: tornara-se um líder competente e carismático.

- Eu também acho que não poderemos vencer. Eles estão em maior número, eles são mais fortes, mais rápidos e têm uma capacidade de organização inumana. Certamente, parece uma batalha perdida, não creio que sairemos vencedores. – Gabriel falava com calma, expressava-se em tom claro e seguro, procurando sempre que possível os olhos daqueles com quem falava. – Quinze anos atrás, foi também assim que me senti. Quando só sobramos eu, Thomas e outros cinco homens em um campo de batalha contra o mais terrível dragão que já existiu, pensei que sairíamos derrotados, achei que aquele seria o fim. E convenhamos. – Gabriel deu uma risada. – Eu estava certo, quem poderia parar um dragão como aquele? Mas ele foi parado. Sir Thomas Brickmond o derrotou... sozinho. Se ele diz que temos uma chance, creio que o melhor seja acreditar nele.

Um silêncio tomou conta de todo o Conselho. De algum modo, Gabriel tinha razão. Sir Brickmond sempre fora um visionário, alguém capaz de fazer o que outros achavam impossível. Talvez, mesmo já velho e quase incapacitado, ainda devessem lhe dar crédito; talvez fosse melhor confiar em suas decisões.

Já um pouco menos confiante, o general Malenberg se levantou por mais uma vez. Não sabia exatamente como se opor ao argumento de Gabriel, mas precisava tentar, precisava provar a todos na sala que estava certo, tinha de encontrar uma forma de convencê-los.

No momento em que ia começar o seu discurso, a porta do salão se abriu com um estrondo e dois soldados deslizaram pelo chão. Os generais presentes rapidamente colocaram as mãos em suas espadas, prontos a atacar quem quer que entrasse. Sir Brickmond, porém, fez um gesto para que eles se acalmassem. Um homem mal vestido, carregando um bastão de madeira, mais ou menos de sua altura e com uma navalha em cada extremidade, passou pela porta. Era um homem conhecido, tinha cabelos grisalhos e barba cheia, porém curta e bem aparada: era Escudeon Lanir, o Mensageiro dos Dragões.

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