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Cap. 3 - A Taverna dos Robinson (Parte II)

em 1 de nov de 2010.

Ele fechou a janela, como se quisesse deixar a noite do lado de fora, e desceu para jantar. À mesa já estavam James, Davis e a mãe, que atendia pelo nome de Irina. O mensageiro se sentou e começou a comer sem dizer sequer uma palavra; conseguia perceber que, embora a família fosse muito simpática e sociável, sua presença causava um certo desconforto.

- Mãe... – iniciou Davis, com a voz abafada, pois colocara uma quantidade considerável de carne na boca. – Ouvi dizer... hoje mais cedo... que amanhã o general Gabriel Tarathon vai realizar um torneio. Falam que o vencedor vai participar de uma tarefa muito importante.

Lanir parou de comer por uns instantes, aquela conversa lhe interessava.

- Mas isso é muito bom. – disse a mãe, enquanto se levantava e colocava mais um pouco de comida na mesa; pães, geléia e uma garrafa de vinho. – Você tem treinado muito, não tem? Pode ser a sua chance!

- É irmão. – começou James, enquanto cortava calmamente um pedaço de pão. – Você pode se tornar um grande guerreiro. Quem sabe não pode me levar com você? – o garoto levou um pedaço do pão à boca e mastigou sem pressa. – E Senhor Lanir, você sabe alguma coisa sobre esse torneio? Me pareceu tão quieto assim que Davis tocou no assunto.

O mensageiro olhou lateralmente para o garoto, ele era realmente observador; talvez fossem os anos trabalhando como atendente na taverna, mas já era a segunda vez naquela noite que ele se mostrara inquietantemente perceptivo.

- Eu? – Lanir riu. – Olhe para mim. Que poderia eu saber sobre tal assunto?

Davis e Irina também deixaram escapar algumas risadas. Sabiam como James podia ser desconfiado – e como tinha uma imaginação às vezes exageradamente fértil. O garoto não achou graça; continuou comendo, ainda um pouco contrariado.

- Desculpe pelo meu filho, senhor. Ele é assim mesmo, muito... ahm... criativo, vamos dizer assim.

Lanir apenas sorriu. O jantar continuou sem muitas outras conversas; todos pareciam famintos e também cansados demais para qualquer tipo de discussão. James ainda comia quieto, olhando para o mensageiro de vez em quando; tinha uma forte intuição de que ele escondia alguma coisa.

Assim que todos se deram por satisfeitos, Davis e Irina desfizeram a mesa e, logo, retiraram-se para seus aposentos. Lanir ainda ficou sentado por um tempo, encarando James em silêncio. Quando se preparava para subir ao seu quarto, o garoto, que até então ainda comia lentamente seu pedaço de pão, pegou-lhe pelo braço.

- Venha. Tenho algo para te mostrar!

James levantou e puxou o mensageiro até a entrada do porão. Eles desceram as escadas, estava tudo muito escuro, devia ser difícil de enxergar os degraus. Mas o garoto parecia habituado a fazer o caminho, mexia-se com desenvoltura. Logo acendeu um pequeno lampião e uma luz tênue iluminou todo o cômodo, que era bem maior do que Lanir esperava. Ao seu lado, embaixo da escada, repousavam duas grandes bestas; eram armas antigas, de tamanho muito maior do que as convencionais, ele se lembrava bem: tinham sido utilizadas na Grande Guerra, eram muito efetivas contra os dragões. Possuíam pouco mais de um metro de comprimento e podiam ser usadas por uma só pessoa, desde que fosse muito habilidosa. Na guerra, Sir Brickmond e seus guerreiros derrubaram muitos dos aliados de Raugh com aquelas armas; foi por isso que, no final, restaram tão poucos homens: os dragões atacavam preferencialmente os exércitos de Thomas como uma forma de se defender.

Mais adiante, quase no fundo do porão, havia ainda três grandes alvos e outras duas bestas, desta vez de tamanho convencional. James segurava uma delas e a fitava com um ar levemente melancólico.

- Essas armas foram de meu pai... – ele disse.

Lanir se sentou na escada, estava disposto a escutar o que o garoto tinha a lhe dizer, tinha gostado dele; parecia ser um menino muito bom e também muito esperto.

- Ele participou da Grande Guerra, sabe... foi um grande caçador de dragões, era um dos homens de confiança de Thomas. Ele morreu em combate. Sir Brickmond ficou com muita pena da gente e nos deu esta casa para que montássemos a taverna. Eu nunca conheci meu pai, nasci pouco tempo depois da guerra... isso é tudo o que me resta dele... as suas armas. É por isso que pratico todo dia, assim me sinto próximo dele.

O garoto caminhou até onde Lanir estava e se sentou ao seu lado. Estava muito triste; lutava para evitar que as lágrimas lhe fugissem dos olhos. O mensageiro pegou a besta de sua mão e a examinou com cuidado.

- É uma bela arma, sem dúvida. Seu pai deveria ser um grande arqueiro.

O garoto soluçou.

- Era o melhor, era o melhor...

- Sim, sim... deveria ter percebido isso desde o começo. O nome dele era Alexius, não? Alexius Robinson. – o mensageiro sorriu.

- Como você sabe? – os olhos de James se iluminaram.

- Eu o vi derrotar alguns dragões junto do pequeno grupo que ele comandava. Foram três ao todo. Seu pai era um homem muito corajoso.

James se levantou da escada para encarar Lanir de frente e abriu um largo sorriso; gostara de ouvir tais palavras, gostara ainda mais de conhecer alguém que vivenciara a Grande Guerra, alguém que conhecera seu pai.

- Você estava lá?! Eu estava certo, não é? Você sabe bem mais coisas do que as pessoas pensam!

Lanir fez um sinal de positivo com a cabeça, sabia que de nada adiantaria mentir para o menino.

- Por que não me mostra o que sabe fazer com isso? – perguntou ele enquanto colocava a besta novamente nas mãos de James.
O garoto deixou escapar um sorriso confiante.

- Pode deixar.

*******************

Ao longo de muitas horas, Lanir e James permaneceram no porão. O garoto se animara em mostrar para o mensageiro tudo o que ele sabia fazer com as pequenas bestas. Atirava com duas ao mesmo tempo, em movimento, quase sem tempo para mirar, enfim, fazia tarefas cada vez mais difíceis e, raramente, acertava longe do centro do alvo. Os dois também conversavam, o mensageiro lhe falava sobre a Grande Guerra, descrevia os dragões, especialmente Raugh, o Destruidor. A luta entre ele e Thomas Brickmond foi narrada por mais de cinco vezes: James realmente se interessava por aquela parte da história.

Quando o cansaço tomou conta de ambos, eles se despediram e se retiraram aos seus quartos para dormir. Lanir estava especialmente preocupado: precisaria resolver algumas coisas bem cedo no dia seguinte.

Logo pela manhã, disparou em direção à praça. Conforme Davis tinha informado, um torneio seria anunciado por Gabriel. A multidão era grande, a expectativa também. No meio de todo o povo, no centro da praça, estava Gabriel, todo vestido de branco. Dois guardas que o acompanhavam soaram as trombetas, o anúncio do torneio ocorreria em breve.

Lanir passou pelo meio dos moradores da cidade aos empurrões, quase não teve tempo de chegar onde Gabriel estava antes que ele se pronunciasse. O general o fitou com curiosidade quando o viu sair do meio da multidão: o que será que o mensageiro queria agora?

- Gabriel... – sussurrou Lanir. – Cancele o torneio, já sei quem irá me acompanhar...

O general pareceu desconfortável; olhou para a multidão a sua volta por uns instantes e depois se voltou ao mensageiro.

- Você me diz isso logo agora?

Lanir sacudiu os ombros, como que pedindo desculpas. Gabriel levantou a cabeça novamente e fitou às pessoas a sua volta. Agora que já tinham soado as trombetas, todos esperavam por um anúncio seu. Não podia mais falar do torneio, mas ainda assim precisava dar alguma grande notícia aos presentes.

- Senhoras e senhores, prestem atenção, estou hoje aqui como porta-voz de nosso Rei, o grandioso cavaleiro Thomas Brickmond. – a praça ficou em silêncio, todos estavam ansiosos. – Ele sabe que passamos por momentos turbulentos, um período em que o medo toma conta de cada canto de nossos corações. Não temam, queridos súditos, nosso Rei saberá ser piedoso com aqueles que o seguem. Os impostos, senhoras e senhores, serão reduzidos! Haverá mais comida para suas famílias nesse momento difícil, e juntos poderemos enfrentar esse período de instabilidade, poderemos defender nosso povo e nossas famílias!

Um burburinho se espalhou por toda a praça. Alguns reclamavam, insatisfeitos: esperavam pelo anúncio de um grande torneio. Mas a maioria gritava em comemoração, especialmente as mulheres, que tanto sofriam para racionar o pouco alimento que tinham. Gabriel puxou o mensageiro pelo braço e deixou a praça, seus guardas o escoltavam.

- Espero que tenha um bom motivo para ter me forçado a fazer isso... Sei que Sir Thomas não irá se importar, mas muitos nobres irão reclamar desta decisão. Chame o guerreiro que irá lhe acompanhar e siga até o castelo. Eu e Sir Brickmond estaremos esperando. – dizendo isso, o general deu um tapa amigável nas costas de Lanir e se perdeu em meio à multidão.

O mensageiro permaneceu parado, olhando para a massa de camponeses que seguia Gabriel quase como em uma comitiva. Era hora de voltar à taverna e falar com a família Robinson: precisava convencê-los a deixar que James o acompanhasse.

1 Comentários:

J R

Essa história é cativante. Gosto de ver as diferenças nos personagens, faz tempo que busco uma história para acompanhar com o gosto com o qual acompanho esta.

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