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Donatelo, o escritor: A concisão

em 5 de dez de 2010.

Faço mais uma postagem do Donatelo aqui no blog, já que notei que o pessoal tem acompanhado, gostado e participado. Este escrevi em no trem de Amsterdã para Bruxelas. Também escrevi um novo projetinho legal que pretendo apresentar durante a semana. Acho que vocês vão gostar, tende a ser mais uma série literária - e talvez eu peça a opinião de vocês para definir alguns detalhes, como onde postar, se aqui no Na Ponta dos Lápis ou em algum hotsite. Enfim, lá vai o conto do Donatelo, gostei muito mesmo deste.


Donatelo, o escritor: A concisão

Papéis a sua frente, caderno, caneta colocada ao lado direito, boas condições de iluminação e uma temperatura extremamente agradável. Donatelo estava preparado, era hora de escrever um pequeno conto. O conforto nos momentos de escrita lhe era fundamental, disso não abria mão. Era capaz de escrever em qualquer lugar, desde que se sentisse confortável. E nem sempre isto podia ser medido pelo espaço da mesa ou da cadeira; era, de fato, uma grandeza subjetiva, somente Donatelo sabia o instante exato em que deveria escrever.

Com a caneta presa sutilmente entre os dedos, pois a escrita, como ele dizia, era uma arte suave e precisa, Donatelo rabiscou seu primeiro período:

“Haroldo era um cientista magnífico que decidira prever todos os acontecimentos futuros através de uma fórmula matemática”.

Após colocar o ponto final, ele se debruçou sobre a escrivaninha e se pôs a pensar, como sempre fazia nos momentos de criação. Definitivamente, tinha um personagem; o período falava muita coisa. Haroldo era um homem, um cientista brilhante que decidira antecipar pela matemática qualquer tipo de acontecimento. Naturalmente, um leitor atento pensaria: é um homem ambicioso, confiante em suas habilidades. A escolha pela fórmula matemática indicaria que ele realmente acredita ser possível obtê-la ou que imagina ter um potencial intelectual tão grande que lhe permitiria alcançar aquilo que é virtualmente impossível. Em ambos os casos, Haroldo perseguiria algo que nunca poderia obter, sofreria naturalmente uma frustração imensa, que só seria agravada com o passar dos anos e das décadas. Não haveria, portanto, caminho possível para Haroldo, ele certamente terminaria sua vida em profunda depressão – ou até mesmo completamente louco. Esse seria o seu fim, acabar internado em algum local, em alguma clínica de tratamento, afastado do mundo, apenas com sua loucura como companheira.

Donatelo, então, levantou-se e fechou seu pequeno caderno de couro, onde costumeiramente escrevia suas histórias, após rascunhá-las em papel. Para ele, não era necessário nada além daquele período; seu conto estava, indubitavelmente, finalizado.

3 Comentários:

Paul Law

A imaginação de Donatelo é surpreendente. Contou o que queria, em sua mente, para ele, na esperança de que seus leitores fossem assim, como ele, imaginadores ou quem sabe apenas espertos.

Que bom se fossem...

marcos nunes

Recordou-me O Alienista e um filme de um cineasta supervalorizado (Darren qualquer coisa parecida com Aronovsky), Pi; no primeiro o afã de compreensão da loucura faz com que Bacamarte a localize, mesmo assim imprecisamente, nele mesmo; no segundo, um matemático mergulha em cálculos derivados de cotações da Bolsa de valores para capturar-lhes a lógica precisa e oculta, óbvia metáfora para apreender no sentido do capitalismo o sentido da vida sob a razão absoluta dos números enquanto dinheiro.

Acho que Donatelo deveria terminar o conto assim:

“Haroldo era um cientista magnífico que decidira prever todos os acontecimentos futuros através de uma fórmula matemática. Era”.

Isie Fernandes

Nossa, Donatelo, que mente!

Os contos sobre esse personagem são maravilhosos, nos encantamos com a complexidade espiritual dele. Fico imaginando como seria ler algo do Donatelo narrado em 1ª pessoa, não como no conto A primeira pessoa... Se já é fantástico conhecê-lo pela visão de outro, quão precioso seria conhecer a forma do revelar a ele mesmo.

Ainda sobre o conto, Donatelo o considerou indubitavelmente finalizado, mas confesso que o "era" adicionado pelo Marcos Nunes terminou me levando a pensar mais sobre quem teria sido o Haroldo. Talvez eu não seja assim, como o Paul Law disse, uma imaginadora tão esperta.

=D

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