Este texto que coloco agora dá uma espécie de plano de fundo para uma série de contos. Vejam se acham interessante.
A Sociedade da Rosa - Relato primeiro
Muitas vezes algo de extrema importância nos bate à porta, choca-se conosco e altera radicalmente nosso destino sem que tenhamos escolha. Isso aconteceu comigo cinco anos atrás, quando encontrei alguns diários em um antigo sebo de Veneza. O dono não conseguia lê-los e me vendeu bem barato; os livros estavam escritos em português: retratavam a história de vida de um homem chamado Felipe Pereira Meinham, um brasileiro que me deu pistas sobre uma organização extremamente complexa e influente; a Sociedade da Rosa.
Antes de continuar com meus relatos, porém, acho prudente me apresentar. Chamo-me Marcos Costa de Oliveira, sou um historiador com mestrado e doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nunca pensei que me envolveria em algo tão grande como o que estou prestes a relatar, sempre fui um acadêmico centrado, não dado a nenhuma especulação histórica, a nenhuma pesquisa que envolvesse pressupostos nebulosos, sem visíveis bases concretas, mas sinto que, de algum modo, as coisas não poderiam ter acontecido de maneira diferente.
Como já bem lhes relatei, faz cinco anos, deparei-me com alguns diários em Veneza que me abriram os olhos para um mundo novo. De lá para cá, fiz muitas pesquisas, no mundo inteiro e, principalmente, no Brasil, para reconstruir a vida deste misterioso homem chamado Felipe Pereira Meinham – e muitas vezes cheguei a arriscar a minha vida para isso. Infelizmente, devo admitir, fiz descobertas terríveis, coisas que muitos achariam repugnantes – e que a maioria teria dificuldade em acreditar. Conheci uma organização que já atua faz centenas de anos na sociedade ocidental e que, desde o princípio, foi responsável por dar um destino ao mundo, mesmo que tudo parecesse obra do acaso.
Escrevo, a partir do dia de hoje, para transmitir o que descobri a todas as pessoas, escrevo também para impedir que a Verdade – uma vez que a organização me parece quase uma entidade metafísica – possa ser silenciada, para ter certeza de que minha história chegará às mãos de outros, mesmo que algo de terrível aconteça a mim. Sou apenas um mero pesquisador, não sei se tenho as habilidades literárias necessárias, mas tentarei reconstruir tudo aquilo que descobri da vida de Felipe Pereira Meinham para revelar, por meio de sua história, mais detalhes a respeito da Sociedade.
Ass. Marcos Costa de Oliveira

























13 Comentários:
Acho a ideia muito interessante. Acredito que usar o espaço do blog para divulgar esta nova história é inteligente. Também facilita para nós leitores.
Já divulguei onde posso, Leonardo, no meu blog: http://estermenina.blogspot.com/2010/12/sociedade-da-rosa-de-leonardo-schabbach.html.
Um abraço
Não sei se você conhece, mas esse começo me lembra exatamente os roances de investigação história do Isaías Pessotti, "Aqueles cães malditos de Arquelau" e "O manuscrito de Mediavilla". O gênero, aliás, andou em moda no Brasil, basta recordar de Boca do Inferno, da Ana Miranda, até mesmo em seu estilo parodístico, com o José Rpberto Torero (Terra Papagalli, O Chalaça). Preocupação: descer a Dan Brown.
É, não conheço o romance citado. No caso, não é bem uma investigação histórica por ser uma história bem inventada, hehe. Mas haverá interseções. Eu quero muito tentar criar um personagem legal. A idéia macro, a que não envolve o personagem, mas os conceitos envolvendo a Sociedade, tem um caráter bem filosófico; filosofia da qual até discordo, mas é bem filosófico, um exercício nesse sentido (se quiser que eu estrague a história e não se importar, posso até adiantar qual a idéia por trás da coisa). Agora, até que haja o desfecho em que há as colocações filosóficas, eu mesmo ainda não sei como será o caminho. Estou me arriscando mesmo por aqui, até porque os contos não serão sempre investigativos, afinal, alguém conta uma história e investiga, mas as histórias contadas não são investigação. Complicado, hehehe.
Só recaptulando o comentário, tinha me fugido à vista. Aconselho a todo mundo ler Terra Papagalli, gostei muito mesmo quando li. Interessante, engraçado, irônico, vale a leitura.
Eu vi nesses dias um filme com um tema parecido. Ele se chama O último templário, eu gostei, é bem legal. E boa sorte para sua nova história, Leo.
Olá!
Este conto apresenta-se bem instigante. Gostei dos contos de Donaleto, são bem peculiares. Sou nova e desde pequena gosto muito da arte da leitura, elas não me deixam só. Continue, é bom!
Celeste Costa.
Fiquei muito curiosa, fico esperando o próximo capítulo!
Voltando ao Torero, esqueci outro pequeno romance "histórico" dele, "Xadrez, truco e outras guerras", com as invenções de praxe no contexto da Guerra do Paraguai, cujo caráter humanista descamba até para um certo sentimentalismo demagógico, superado, contudo, pelo imperativo categórico da verdade que se impõe aos falsos interesses da guerra
Muito interessante o projeto, Leonardo. Instigante, como sempre deve ser.
Gostaria de saber a respeito dos rumos das antologia de contos Alethéia, umas vez que faz já um tempo que não sabemos mais dela.
Abraços, Pedro Garcia
Seguimos esperando pelos contratos dos participantes. Neste último e-mail que mandei, mais algumas pessoas enviaram, acho que faltam 2 ou 3 autores. Vou enviar e-mails pessoais diretos para eles, se não responderem em breve, creio que teremos de cortá-los da antologia e dar procedimento aos trabalhos.
Marcos, gostei muito do texto. Tenha certeza que ganhou um leitor. (seguirei no dihitt).
Aliás, essa "sociedade" me lembrou o filme "Batman Begins". Foi inevitável. Mas mesmo assim, não me deixou curioso em saber como essa história irá seguir.
Mas o que me fez vir até o teu blog foi um convite.
Um convite para participar do Concurso: Um conto de Livro, que dará três livros: - Coleção as Brumas de Avalon; - A Batalha do Apocalipse; - Alice no País das Maravilhas e através do Espelho. Basta escrever um conto natalino. Visite e leia o regulamento.
Espero que te interesse.
Abraços
Hehe, Marcos é o historiador que eu inventei, que contará a história do Felipe. Eu me chamo Leonardo, dono do blog.
Acho legal a idéia do conto natalino. Mas nem me vale muito a pena, eu já tenho toda a coleção do Brumas e recebi da Record (devo até sortear por aqui depois, se conseguir terminar de ler o livro) o "A Batalha do Apocalipse".
Mas espero que o pessoal que lê o blog se interesse pelo seu projeto!
Olá, Leonardo.
Ainda rindo pela leitura dos dois comentários anteriores, eu nem tinha percebido... Mas, vamos lá.
Eu amei esse novo projeto. Parece uma história daquelas, que nos prende e provoca, totalmente intrincada e instigante. Já estou animada para acompanhá-la.
Desejos de muito sucesso!
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