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Melancolia (Poemas)

em 26/02/2010.
| Comentários: (8)
Nota: Definitivamente acho que este é um poema diferente do que costumo fazer - ou pelo menos postar aqui. Talvez siga uma linha mais próxima ao Vida Poética. De qualquer jeito, considerei-o realmente muito bom, ao ponto de colocá-lo entre meus favoritos. Não sei o que vocês irei achar (tem um áudio de brinde, hehehe, acho interessante que escutem para pelo menos saber o tom de leitura que eu imaginei, que pode ser sempre diferente do de vocês, é legal comparar).

(editado: houve um problema com a gravação, em breve, colocarei-a disponível novamente)


Melancolia

Sinto uma melancolia que me empurra ao poema.
Uma força motriz,
invisível,
porém sentida.

Os versos brotam da melancolia da vida,
da saudade,
de um momento de descanso;
ou de cansaço.
Somente quando inevitável, é que de quando em quando eu faço
um poema.

Vida serena,
que segue.

O poema é interrupção,
coisa inútil
e leve.
Coisa útil
e entregue,
do poeta ao mundo,
em um segundo,
ou em horas.
Deus sabe como custam os poemas
a sair da cabeça
e tingir o papel.

Melancolia.

Desta palavra tão vazia
e cheia de sensações incertas
é que nasce minha poesia
e deságua em mim o poeta.
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O Corpo (conto retirado do livro "Estudos sobre a leveza")

em 25/02/2010.
| Comentários: (6)
Com a permissão do autor, e como prometido, aqui segue um dos contos do livro Estudos sobre a leveza, de Fernando Torres (@novasvisoes). Creio que ele traz um pouco da vontade de desvendar "o humano", como mencionei na resenha sobre o livro. Neste conto em especial, essa investigação se dá de modo um pouco diferente do que costumamos ver na cultura literária nacional. Em vez de se voltar para dentro das personagens, como costumeiramente se faz no Brasil, o conto traz a reflexão por meio do que acontece no exterior delas, de uma maneira parecida com o que faz um dos meus contistas favoritos, o Gonçalo M. Tavares. Enfim, vejam o que acham do conto. Depois, participem da promoção e concorram a um exemplar do livro. Enviem suas frases!!


O CORPO

Naquela manhã, bem em frente da padaria, apareceu um corpo. Era uma mulher (alguns disseram que era uma menina) de boas roupas e absolutamente desconhecida a todos os frequentadores do estabelecimento.

“Uma drogada!”- gritou um senhor.

“Você chama todo mundo de drogado” - e era verdade.Aquele senhor já acusara a filha da senhora que replicava de drogada. Assim como o os filhos e netos de quase todos que estavam por ali.

O padeiro estava preocupado. Se abrisse os portões, teria lucro (já juntava uma multidão em volta do corpo) mas seus clientes teriam de pular o corpo para entrar, e isso poderia ser considerado ofensivo. Se fechasse a porta, seus clientes podiam perceber o inevitável: o pão três quadras acima tinha o mesmo preço e menos bromato. Podia perder clientes de qualquer maneira.

Um jovem chegou e olhou com cuidado. Parecia uma colega do colégio, mas um telefonema já contrariou a teoria. Um repórter passou e tirou foto para o jornal. A polícia simplesmente não aparecia. Até que alguns curiosos, já enfadados da falta de respostas sobre o corpo da menina, resolveram que poderiam tirar fotos eles mesmos. Um homem, desses já feitos mas sem cabelos brancos, pediu para um amigo bater umas fotos: abraçou o corpo, fez pose e brincou.

E veio a revolta.“pode ser filha de alguém!”,“podia ser sua irmã!”. E veio o linchamento. Da revolta, não se sabe muito bem quem, levantou-se o corpo, e a multidão poliforme seguiu a carregar a jovem em direção ao hospital, que sem espaço em seu necrotério negou armazenar a menina. A multidão seguiu em frente, e no rabo da revolta saíram médicos, enfermeiros, auxiliares e funcionários do hospital, em greve e carregando seus doentes até a autoridade mais próxima.

O rapaz linchado por conta da brincadeira chegou ao hospital com dificuldade. E este estava vazio.
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[Novos Autores] Estudos sobre a leveza, de Fernando Torres

em 23/02/2010.
| Comentários: (16)
Publicar um livro de contos é uma tarefa complicada. E não falo aqui da dificuldade de se produzir e vender um livro do gênero, que é maior do que fazê-lo com um romance. Falo da árdua tarefa de "garimpar" entre os seus contos aqueles que formam um livro coeso, uma obra que tenha um determinado sentido. No livro Estudos sobre a leveza, Fernando Torres (@novasvisoes - sigam e entrem em contato com o autor) consegue executar tal tarefa com precisão. Há um ou outro conto que até podem fugir - não muito - um pouco da proposta principal do livro, mas nada que atrapalhe - pelo contrário, alguns deles são até meus favoritos, como o Trinta e Três Rotações, que possui uma veia mais surreal.

[Nota: Confiram com exclusividade o conto O Corpo, do livro Estudos sobre a leveza.]

De uma maneira geral, interpretei o livro, não sei se o autor há de concordar, como uma tentativa de entender ("estudar") o que é o humano, encontrar e definir os traços humanos nas mais diversas situações, sejam elas dramáticas, cotidianas ou, até mesmo, surreais. Creio que é com este objetivo que Fernando Torres, em muitas das histórias, faz quase como um "retrato" de um determinado momento da vida do personagem, sem se preocupar com o que veio antes e depois, com a intenção de mostrar o sentimento daquele instante, o que o aflige, o que o anima e etc... Creio que os contos Os Vermelhos e O Corpo (que o autor me permitiu publicar aqui em alguns dias para vocês degustarem) fazem bem este papel, cada qual mostrando aspectos opostos. Um traz as lembranças de uma mulher mais velha diante de um objeto de desenho (um sapato) e o outro denuncia, também com alguns traços surreais, a banalização da violência e a falta de conectividade entre as pessoas.

Devo confessar também que diante de alguns contos fiquei com uma sensação de que talvez faltasse alguma coisa, às vezes gostaria de vê-los mais explorados, mas isso vai do gosto de cada um. Como todo o livro de contos, umas histórias irão agradar a uns e outras a outros. Estudos sobre a leveza é, para mim, uma excelente obra de estréia e, até pela entrevista dada pelo autor, creio que pode indicar o surgimento de um novo escritor muito bom, que estará sempre procurando melhorar.



CONCORRA A UM EXEMPLAR

Seguindo o mesmo padrão da última promoção, que teve um sucesso muito grande, utilizarei um combinação de comentário no blog mais twitter. Então, leiam com atenção para saberem como participar:

- Colem a seguinte mensagem no perfil de vocês do twitter: RT @leoschabbach Concorra a um exemplar do livro "Estudos sobre a leveza" do escritor entrevistado Fernando Torres! - http://migre.me/l3pf

- No blog, respondam a seguinte pergunta com um parágrafo de, no máximo, 5 linhas do Word nos comentários: para você, como poderíamos definir hoje o que é ser "humano" (como qualidade)?

Vocês poderão enviar frases para a promoção até o próximo domingo (27/02). O resultado será anunciado na segunda-feira. E no comentário, favor, identicar-se colocando o nick do twitter. Exemplo: o meu é @leoschabbach.



ENTREVISTA COM O AUTOR

Por que o nome Estudos sobre a leveza?

R: Essa é uma pergunta que muita gente me faz. "Estudos" tem um duplo senso para mim, por um lado é idéia de ir a fundo em um tema, ou seja, debruçar-se sobre a proposição que colocamos, assim faço um exercício quase acadêmico quando me proponho a escrever um conto, mas assim como Adorno, considero o exercício acadêmico, se feito como deve, uma forma de arte. Por outro lado, encarar a empreitada de escrever o primeiro livro como estudo é uma forma se colocar em uma posição de humildade que eu acho necessária, que salvo raras exceções (e cito de forma ilustrativa James Joyce) ninguém pode encarar seus primeiros trabalhos como obras primas. Alguns escritores se arrependeram muito de seus primeiros escritos e muitas vezes por verem neles o ranço da prepotência juvenil. Achei que encarar o trabalho dessa forma me ajudaria a encontrar o tom apropriado para a minha estréia na literatura.

Já a "Leveza" eu pesquei do primeiro capítulo de "Seis propostas para o novo milênio" de Italo Calvino (Cia. das Letras), pois eu fiquei apaixonado pelo conceito que ele trata. Eu acho que falta o olhar sobre a leveza em nossa literatura e o pesadume está presente em exagero. Claro que quando vamos fazer um estudo sobre a leveza, o pesadume está presente até como contraposição necessária. Mas é sobre a leveza que eu me debrucei ao escrever sempre. E digo isso por que eu acho que a arte enquanto "choque" está esgotada, nada mais choca as pessoas. Nós batemos palmas a exercícios de sadismos culturais, como são os "realities show" ou alguns programas de pretensa comédia. O mundo cão não pertence mais à arte como forma de chocar, mas à nossa cultura popular. A arte é dialética, ou seja, é necessária a contaposição àquilo que diagnosticamos como estabelecido.


Montar um livro de contos é sempre tarefa complicada: às vezes é difícil de dar uma unidade ao livro. Como foi esta tarefa para você? Que direção tomou?

R: Com certeza. Eu demorei três anos entre escrever o primeiro conto e ver o "Estudos sobre a Leveza" publicado. Existe um trabalho intenso de escrever, revisar, reescrever, colher opiniões, escrever, revisar, reescrever. Eu já escrevi um texto no meu blog em que eu dizia que não escrever (ou seja tudo aquilo que não seja efetivamente criar) é tão importante quanto escrever.

Para esse livro eu parti de um conjunto de 30 contos e alguns simplesmente não se encaixavam na proposta, mesmo sendo contos que foram elogiados ou que eu gostava muito. Depois que fechei esse universo que se encaixava na idéia título do livro, reli com cuidado, depois pedi para uma amiga com experiência fazer a revisão do texto. Quando achei que poderia apresentá-los, mandei para um amigo escritor com mais experiência e pedi uma leitura crítica, que trouxe sugestões essenciais. Ou seja, depois de trabalhar bastante no texto pude encará-lo como obra pronta.

Todo esse processo requer paciência e humildade, pois temos que ter a sabedoria de aceitar sugestões e mudificar aquilo que escrevemos.


Você tem algum conto ou conjunto de contos favorito no livro?

R: É muito difícil dizer se há um conto favorito. Existem contos com os quais tenho uma relação emocional, como "Os Vermelhos" ou "Cheiro de Café Quente", pois foram os primeiros que escrevi. Existem outros em que acho que acertei em cheio na minha proposta, como "Punctum e Fiaba", que é uma fábula a meu próprio modo, e "Mandala de Areia", no qual acredito que melhor adeqüei forma, técnica e conteúdo. Por outro lado existem contos em que acho que fui longe e rompi com meus próprios padrões como "Abstrato!" e "Trinta e Três Rotações" que têm elementos oníricos. Por fim, existe dois que costumam agradar as pessoas e por isso mesmo acabo me afeiçoando a eles que são "Barulho Seco" e "Inesperado Gol". Como você pode ver, é muito difícil escolher, então prefiro que você e os outros leitores escolham e me contem os favoritos.


Quais os contistas que você mais admira? Acha que algum deles influenciou sua obra? E como?

R: Eu acho que essa uma pergunta que devemos dividir em duas partes. A primeira é falar dos grandes clássicos da literatura, como Machado, Tchekov, Guimarães, Hemmingway, entre tantos outros. Acho que aprendi a escrever na forma curta com Tchekov, essa busca pelo impacto com poucas palavras, a objetividade e a ironia (que eu encontro também em Machado). Com Hemmingway aprendi especialmente com os contos "Colinas como elefantes Brancos" e "Os Assassinos" em quais aprendi a importância daquilo que não é dito. Talvez na literatura seja mais importante o que não dizemos.

A segunda parte está em escritores fora do cânone tradicional, que acabam sendo aqueles escritores por quem temos especial afinidade. Nesse caso posso citar alguns também, como Otto Lara Resende (que poucos conhecem como contista), o catalão Quim Monzó, minha amiga Suzana Montoro, entre outros.


Pode nos falar um pouco sobre as dificuldades enfrentadas pelos novos autores no Brasil?

R: Acho muito fácil entrar na ladainha que é difícil publicar um livro no Brasil. Publicar um livro no Brasil até que é fácil, existem muitas editoras (algumas piratas, outras idôneas) que publicam mediante o pagamento por parte do autor. As livrarias estão repletas desses livros, alguns que nem imaginamos. Graciliano Ramos bancou uma de suas obras (não me recordo qual), e seu editor foi o grande José Olympio. Existem outras pequenas editoras que trabalham com pequenas tiragens e em breve teremos métodos que facilitarão a publicação.

O difícil é estabelecer uma carreira literária de respeito. E claro, para isso queremos publicar com as grandes editoras. E precisa ser difícil, quando pegamos um livro de uma editora que admiramos, com ela está seu padrão de qualidade, ali está o trabalho de uma dezena ou mais de profissionais que dedicaram anos de estudos na arte de confecção de um livro. Dentre esses profissionais está o escritor que é força motriz desse engenho que é editar uma obra literária. Eu estou percorrendo um caminho de muito investimento pessoal, assim como todos escritores que admiro, é difícil? Sim, mas você prefere ter um médico, advogado, publicitário, engenheiro que se dedicou a conhecer sua área ou ou um inexperiente? Com escritor é a mesma coisa. É difícil? Sim, mas assim separamos o joio do trigo.

Talvez eu seja meio duro até com alguns amigos. Mas existem muitos aspirantes a escritor querem as coisas de mão beijada, mas isso é uma doença de minha geração, que não sabe lidar com as frustrações.


A Editora Multifoco tem se esforçado muito para encontrar novos talentos. Como foi sua recepção pela editora? E como os livros são comercializados?

R: A Multifoco encontrou uma maneira aparentemente eficiente de explorar esse mercado. Esse trabalho está, junto com outras editoras, movimentando o mundo literário e isso é muito bom. Meu contato com eles foi sempre positivo, principalmente por entender a regra do jogo. O negócio deles é uma parceria de esforços entre o escritor e a editora. Nisso o escritor tem de entender que o reconhecimento é algo para ser conquistado com esforço. Meu livro não está nas prateleiras das livrarias, mas é um passo para eu conquistar esse espaço. Assim, fica um pouco difícil eu ter um leitor acidental, porém, eu estou certo que de alguma forma eu já conquistei cada um dos meus leitores antes de ler meu livro, por meus esforços.

Meu livro hoje só vendido na minha mão, a próxima tiragem deve ser vendida tanto pelo site da Multifoco como na minha mão. Acho legal essa relação direta com o leitor por que aproxima os dois e o livro não vira mero artigo de luxo em sua estante. Mas, reforço, exige dedicação do autor. O reconhecimento, espero, será fruto desse esforço.
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Publique seu conto ou poema

em 19/02/2010.
| Comentários: (27)
Desde que decidi utilizar o espaço do blog para entrevistar novos autores, falar sobre mercado editorial e coisas que envolviam a publicação, fui perguntado algumas vezes se dentro desta iniciativa autores não publicados também teriam espaço. É claro que sim. Tanto que as postagens sobre mercado editorial muitas vezes terão o intuito de ajudar o autor iniciante a buscar espaço nas editoras e nas prateleiras. Agora, inspirado pelo projeto de blog coletivo da @gisellezamboni, também resolvi tentar arriscar uma outra iniciativa: postar contos e poemas de outros aqui no blog. Creio ser algo que só trará bons frutos.

Entretanto, aviso como funcionará o processo inicialmente. Como ainda não sei a quantidade de textos que irei receber, pretendo postar sem nenhuma obrigação com periodicidade. Irei receber os contos e poemas e publicarei quando achar que combinam com o que vem sendo colocado no blog. Isto significa dizer que, mesmo que seu texto seja muito bom, pode acabar não sendo publicado, a escolha realmente terá como principal objetivo a qualidade, mas envolverá diversos outros fatores também.

Espero que gostem da iniciativa e, a quem tiver uma idéia boa para um nome, por favor, indicar. Por enquanto deixarei com o marcador Outros Autores, mas se alguém tiver um nome mais criativo e interessante, favor deixar nos comentários. Espero que tenham gostado da iniciativa e que ajudem a divulgá-la!! Caso eu receba realmente uma quantidade grande de bons textos, pode ser que eu decida postá-los com uma periodicidade demarcada (uma ou duas vezes por semana).


Publique seu conto ou poema

Se quiser enviar seu conto ou poema, encaminhar para o e-mail leoschabbach@uol.com.br (só receberá textos, nada mais). Coloque também na mensagem links para o perfil do twitter (se tiver) e para seus blogs. Ainda aceito que enviem uma biografia de não mais de 5 linhas no word para acompanhar o texto.
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3

Donatelo, o escritor - A poltrona verde

em 16/02/2010.
| Comentários: (3)
Esta é a continuação da série reiniciada aqui Donatelo, o escritor (clique para ver o primeiro conto). Se alguém acompanha o blog desde tempos mais remotos, talvez se lembre deste texto, a idéia é parecida, embora ele tenha sido reescrito do zero.


Donatelo, o escritor: A poltrona verde


Todos os dias, sem exceções, Donatelo se sentava em sua poltrona verde para olhar o movimento da rua pela janela. E ficava ali, por 131 pessoas. Não importava se teria de esperar horas ou apenas alguns minutos. Sentava-se rigorosamente até que um total de 131 pessoas atravessassem a sua janela. O tempo é uma contagem arbitrária, dizia Donatelo, eu posso medi-lo como quiser, é uma simples questão de escolha.

Sua mulher reclamava. Estava acostumada aos seus hábitos estranhos, mas este particularmente a irritava.

- Não acredito que ainda está sentado nesta poltrona velha! Se demorar muito, seu café irá esfriar. Vê se toma juízo.

Donatelo a ignorava, não podia desviar os olhos da janela a sua frente; as pessoas passavam muito rápido. Trinta e nove... quarenta. Era impressionante. O seguinte sempre parecia mais apressado do que o anterior. Sessenta e seis... sessenta e sete. Às vezes até mesmo os carros pareciam mais lentos do que os pedestres; isso quando não passavam buzinando e tiravam a atenção de qualquer outra coisa. Mas Donatelo não podia se distrair. Oitenta três... oitenta e quatro.

Uma mulher tropeçou em uma pedra da calçada e caiu. Ninguém notou, ou pelo menos preferiram ignorar; tinham compromissos. Donatelo quase se levantou. Cento e três... cento e quatro. Depois, lembrou-se de sua contagem, não podia sair dali.

A mulher ainda não se movera, talvez tivesse se machucado seriamente. Cento e dez... cento e onze. As pessoas passavam como se ela fosse invisível. Pelas variadas expressões, só deviam enxergar dívidas, compromissos, dúvidas; talvez precisassem de óculos, ou de uma nova forma de contar o tempo, como ele felizmente tinha. Cento e vinte... cento e vinte e um. A mulher levantou, tirou o pó das roupas e foi embora. Sequer se sentira embaraçada, tinha certeza de que ninguém notara o seu tombo, era sempre assim: nunca tinham lhe desejado saúde.

Donatelo sorriu. Centro e trinta e um. Decidiu escrever sobre o que tinha acontecido, tinha ficado muito chocado com o comportamento das pessoas: como poderiam ter ignorado a mulher? Muito angustiado, pegou o seu caderno e anotou com detalhes tudo o que tinha percebido, como sempre fazia.

- Bom... agora que já anotei tudo em meu caderno, posso finalmente esquecer do assunto! – exclamou ele enquanto se dirigia à cozinha para tomar o seu café.
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Resultados da promoção do livro "A Filha do Livreiro", de Marcela Tagliaferri

em 14/02/2010.
| Comentários: (0)
Hoje divulgo os resultados da promoção trazida na entrevista com Marcela Tagliaferri (no twitter, @mar_tagliaferri), autora do livro "A Filha do Livreiro". Primeiro, agradeço a participação de todos. Tanto a promoção quanto a postagem foram um sucesso e tudo isso se deve também ao esforço dos leitores em ajudar a divulgar novos autores.

Aos que se interessaram pela história, sugiro que não deixem de conferir o livro, digo, comprá-lo. Para que valorizemos os autores nacionais, é preciso também que mudemos um pouco nossa mentalidade. Precisamos sugerir os livros de novos autores que gostamos para outras pessoas, dá-los de presente, enfim, tratarmos eles com o mesmo respeito que tratamos os livros dos autores consagrados.

O livro da Marcela está esgotado na Saraiva, mas há sites de outras grandes livrarias que também disponibilizam ele. Aconselho que entrem no site da autora ou em contato com ela mesma para saber mais. Confira o site oficial aqui (segue também o link para compra na editora 7Letras e também na loja da Martins Fontes). Como parte deste projeto, pretendo não só resenhar e trazer mais novos autores, como entrevistar algumas editoras que têm o objetivo de valorizar novos talentos.

Agora, sem mais delongas. A frase escolhida pela própria escritora foi a do @crosshackl. Em breve entrarei em contato para fazer a entrega.


Quem disse que as histórias de ficção são meras invenções? Quando um bom livro aporta em nossas mãos, vem com ele, em cada página, a certeza de que a imaginação e criatividade são reais e a dúvida se um enredo assim acontece de verdade. E porque não. Quando um bom livro de ficção cai em minhas mãos, a única coisa que eu sei é que adoraria fazer parte da sua história. É pra isso que os livros existem.
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Como ser publicado? Como se tornar escritor? Trabalho... trabalho... trabalho...

em 12/02/2010.
| Comentários: (18)
Além das entrevistas com novos autores e editoras que estou planejando, pretendo também trazer informações no blog a quem ainda quer publicar o primeiro livro, trazer reflexões sobre o mercado editorial e também sobre o processo da escrita. Por este motivo, resolvi falar nas postagens iniciais sobre o trabalho que dá ser escritor: não só pelo processo de criação, mas também pelo fato de termos de correr atrás de editoras e, especialmente, de precisarmos brigar para conseguir espaço nas livrarias e no mercado, vender é muito difícil.

Publicar, como falei, talvez já não seja tão complicado, até pelo surgimento da impressão digital, que permite aos autores disponibilizar suas obras online em sites como o Clube de Autores e o Bookess e vendê-las sob demanda: o livro somente é impresso quando alguém faz a compra. Já a publicação por editoras comerciais continua muito difícil, mas surgem no mercado algumas soluções interessantes, gente que aposta em novos autores, como a Editora Multifoco (leia entrevista sobre ela aqui), a Novo Século e a já mais conhecida 7Letras; mas deixarei para falar disso em outra postagem. Ainda assim, conseguir ser publicado dá trabalho. Não basta enviar o livro para que as editoras analisem, é preciso tentar fazer contatos, arrumar um bom agenciamento literário, enfim, procurar vários meios diferentes de chamar a atenção do mercado, formas de colocar a sua obra realmente na mão dos editores, pois o método tradicional de enviar os originais para análise é muito pouco efetivo neste sentido.

Entretanto, para que você se sinta confortável em correr atrás da maneira como falei, é necessário que você esteja certo de que tem um bom livro nas mãos, de que produziu uma obra de real qualidade (um blog pode ajudar nisso, leia aqui um artigo sobre). Novamente, a palavra trabalho volta à cena. Escrever é um processo trabalhoso. Exige muitas etapas. Primeiro precisamos pensar no que iremos criar, inventar os detalhes da história, pesquisar muito em alguns casos (romances policiais e históricos, ficção científica). Então vem a parte mais difícil: escrever, e depois reler, corrigir, saber ser impiedoso com o próprio texto de modo a deixá-lo pronto, de modo a torná-lo uma obra realmente boa. Falo isso, porque vejo muitas pessoas reclamarem da dificuldade em publicar um livro, mas, quando dou uma olhada no que elas fizeram, logo percebo que falta ali um pouco de preocupação, de comprometimento com a qualidade da escrita e da obra que produzem. Nestes casos, é realmente quase impossível de conseguir uma publicação comercial, afinal, para alguém resolver apostar em um novo escritor, é preciso que o livro seja muito bom, muito bem escrito e, infelizmente, essa é a parte ruim, comercialmente viável. Na realidade, das duas uma: ou os editores acham que seu livro dará lucro, ou resolvem apostar nele por acharem que ele trará benefícios à reputação da editora (o que os faria apostar em livros não tão lucrativos assim).

Enfim, como eu disse, ser escritor dá trabalho, exige não só um esforço muito grande da pessoa como uma confiança altíssima no que faz; confiança que deve chegar ao ponto de ela estar disposta até a gastar dinheiro para fazer seu nome, como se estivesse investindo em uma empresa que daria lucro no futuro, mas isso fica também para outra postagem, a de hoje é mais sobre a penosa vida dos escritores. Isso porque, depois de termos batalhado muito para finalizarmos a obra, criarmos um livro de real qualidade e conseguirmos uma boa editora, inicia-se a parte mais complicada: se manter no mercado, conquistar seu espaço; é preciso vender.

Como todos sabem, no Brasil existem poucas livrarias, o que significa que há pouco espaço nas vitrines. Convenhamos, dificilmente um autor novo conseguirá os espaços mais destacados. Mesmo autores da Record, a maior editora do país, costumam ficar não mais do que algumas semanas em exposição, pois logo são trocados por novas obras a serem expostas. Imagine, então, um autor desconhecido que foi publicado por uma editora de médio/pequeno porte. É, isso mesmo: vender é complicadíssimo. O escritor precisa, após ter realizado o seu sonho de publicar, continuar trabalhando; precisa correr atrás de ainda mais contatos, tentar aparecer na internet, oferecer seu livro a formadores de opinião, tentar descolar entrevistas e etc... etc... etc... Ou seja, quer ser escritor? Quer mesmo? Então, amigo, prepara-se para trabalhar, e muito!!

Nota: Tratei de muitas questões diferentes neste texto, aviso apenas que em futuras postagens pretendo aprofundar muitas dos pontos que trouxe hoje. É claro que seria difícil falar profundamente de tudo que citei acima, até porque isso tornaria a postagem pesada demais para a leitura; ficaria gigante. Por fim, espero que tenham gostado das dicas e que dividam pelos comentários as suas opiniões.




Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

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[Antologia] - Cruzada, Contos Medievais

em 11/02/2010.
| Comentários: (11)
É bom que todo o autor que quer ser publicado participe de antologias, publique uma ou outra coisa para reforçar o seu currículo. Claro que isso não é requisito obrigatório, mas não há dúvidas de que participações neste tipo de livros podem ajudar o autor a fazer seu nome e também contatos. Neste sentido, venho divulgar a vocês um concurso de Contos Medievais. Como disse anteriormente, na internet, se nos dispomos a fazer um trabalho legal, um monte de gente aparece para ajudar (tudo bem, tudo bem, alguns também surgem para atrapalhar). Uns dias atrás falei aqui sobre um Reality Show para escritores por indicação da @marilialia, hoje, falo deste concurso que me foi apontado pela @tykkaa.

Trata-se de uma iniciativa das escritoras Monica Sicuro ( Fiat 1, 2 e 3) e Georgette Silen ( O Grimoire dos Vampiros e Ufo - Contos não Identificados) que será publicada pelo selo Anthology da Editora Multifoco. Para quem não sabe, a Multifoco é uma editora nova, com boa qualidade, que vem apostando muito em novos autores. Inclusive, pretendo entrar em contato com eles e entrevistá-los para apresentá-los devidamente no blog, afinal, é algo que pode interessar a futuros escritores.

Particularmente, não sei como funcionará esta antologia; isso significa dizer que não sei se todos os custos serão cobertos pelo selo editorial, se os selecionados precisarão se comprometer a vender exemplares (coisa bem comum) ou se haverá qualquer tipo de obrigação financeira. Sei que é uma boa editora, e para quem tem contos medievais é uma boa oportunidade. (editado: conforme podem ler nos comentários, o concurso é excelente mesmo: cada autor recebe 15 exemplares para vender por consignação e, caso não consigam o feito, devolvem os livros sem ter prejuízo algum!!)

Se quiserem saber mais informações, sugiro que contactem as escritoras que irão organizar a antologia. Você pode encontrá-las na comunidade do Orkut sobre o concurso e pode checar o regulamento também neste blog.
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21

[Novos Autores] - A filha do livreiro, Marcela Tagliaferri

em 09/02/2010.
| Comentários: (21)
Inicio aqui o projeto de ajudar a divulgar novos e bons autores nacionais. Hoje, segue a resenha do livro “A filha do livreiro” de Marcela Tagliaferri (@mar_tagliaferri), da editora 7Letras. Vocês poderão conferir também uma entrevista com a autora e concorrer a um exemplar do livro. Quem se interessar, pode encontrá-lo no site da autora ou nos de grandes livrarias, como a Saraiva (editado: felizmente, afinal é uma boa notícia, os exemplares da Saraiva já se esgotaram; é possível comprar o livro na Martins Fontes ou no site da 7Letras). Leiam a postagem com atenção e participem!
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5

Rascunhos poéticos (4 poemas)

em 07/02/2010.
| Comentários: (5)
Na falta de título melhor, achei que esse caberia. Hoje resolvi dividir várias pequenas poesias com vocês. Mas, devo admitir, eu as chamo de rascunhos, pois elas são uma coisa bem mais solta, sem tanto trabalho, nem preocupação, que eu fiz. Talvez não devesse colocá-las por aqui, pois pode ser que muitos achem elas ruins, afinal, são "quase rascunhos", mas como de vez em quando eu leio e gosto de uma ou outra, decidi dividir com vocês. Veremos quais serão as reações.


Poeminha da Continuidade

Bem, digo-nos, amigos,
quando a vida apresentar-se impiedosa,
levemos um dedo de prosa,
batamos um pouco de bola,
guardemos, no saco, a viola
e sigamos por nossas estradas.


A busca

A cada dia,
de nada em nada,
preenchemos o vazio.


Sem tempo

Olhos marejados...
corpo cansado...
Tenho para onde ir?
Acho que não...
Sigo sozinho,
por um árduo caminho.
Sigo, enfim, sem qualquer direção.

A cidade é vaga, vazia, injusta...
Cada hora é um dia, cada dia uma luta.
Assim nos perdemos,
nesse tão vasto mundo,
onde o tempo que temos
dura nenhum segundo.


Sobre um prostíbulo

Uma puta, por uma hora, cento e vinte reais.
De segunda a domingo,
exceto na quarta.
Na quarta tem promoção.
Jogada de marketing.
Duas por setenta, e por uma hora.
Ah!
E o chopp é com dose dupla.
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Um "Reality Show" para escritores

em 05/02/2010.
| Comentários: (0)
Pois é. Aproveitando esta onda de Realities Show que aparecem em todos os cantos e de todas as formas, a Seleções decidiu criar uma competição parecida nas páginas de sua revista. Achei a idéia bem interessante e resolvi compartilhar com vocês no blog para saber o que acham e também por achar que pode ser uma excelente oportunidade para quem está começando a escrever e briga por um espaço no mercado editorial. Interessante ver como na internet quanto mais você divide, mais recebe em troca. Após minha postagem em apoio aos novos escritores, este concurso literário me foi indicado pela @marilialia, do Twitter.

A idéia da Revista Seleções é bem simples. Eles irão selecionar ao todo 10 participantes, levando em consideração algumas linhas que os escritores devem enviar para a revista tendo como base uma história que gostariam de escrever: ou seja, quase como o início de um livro, por assim dizer. Todo o "Reality Show" ocorrerá em 4 etapas, onde os escritores devem produzir novos textos e agradar ao público da Seleções. No final, o vencedor ganha um notebook e os três outros participantes que chegaram à final junto com ele levam um smartphone.

Enfim, parece-me uma idéia bem interessante. É de fato um concurso a ser considerado. É também uma idéia bem mais agradável a mim do que muitas das idéias de "Reality Show" que vejo por ai. Fica a dica.

Clique aqui para saber mais informações a respeito da competição

Veja ainda no site outra postagem com mais informações sobre concursos literários.
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[Mercado Editorial] Apoio a novos autores

em 03/02/2010.
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Ultimamente, venho pensando muito na questão dos novos autores no mercado editorial brasileiro. Como todos sabem, publicar um livro, embora pareça difícil, é na verdade a parte menos complicada do processo - e é neste exato ponto em que a maioria dos autores erra. Mesmo publicando sua obra em uma grande editora, conseguir real espaço no mercado, ainda mais para um escritor desconhecido, é tarefa quase impossível; ter uma vendagem boa então é ainda mais difícil. É preciso, por parte não só da editora, mas também do autor, um esforço enorme para conseguir promover uma publicação com a devida eficiência.


Com todas estas idéias na cabeça, deparei-me com um texto excelente da Laura Bacellar em seu site Escreva seu livro, que fala justamente de uma mudança de pensamento pela qual nós leitores devemos passar para estimular também a compra de novos autores nacionais: O movimento em prol dos novos escritores brasileiros. Normalmente, quando nos perguntam quais obras você lê e  indica, tendemos a falar dos grandes clássicos e nos esquecer dos novos autores, daqueles que estão surgindo agora e que mais precisam da nossa ajuda. O que Laura propõe é justamente que façamos o contrário, que procuremos nas livrarias por gente nova, desconhecida, e que falemos sobre estas pessoas para nossos amigos, parentes e etc...

É uma idéia muito boa, idéia que pretendo seguir aqui no blog. A partir de hoje, começarei a procurar por autores novos para divulgar por aqui, fazer entrevistas, resenhar livros; ainda estou definindo exatamente o que será feito. Peço aos leitores do Na Ponta dos Lápis, que indiquem novos escritores também, para que assim eu possa procurá-los e, quem sabe, entrevistá-los. Com esta mesma idéia, encontrei um blog muito legal, da @cellyborges, que pretende divulgar os autores de fantasia: é uma campanha definivitamente muito bonita e efetiva, portanto, decidi participar. Vocês podem conferir o banner nesta mesma postagem. E podem também entrar no Mundo de Fantas para saber mais.

Enfim, o que acham dessa nova idéia? Que tal todos participarmos?
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Carlos Drummond de Andrade - Poemas

em 01/02/2010.
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Fazia algum tempo que não colocava um poema dele aqui. Hoje, trago três poemas de Carlos Drummond de Andrade; bem curtos, mas com muita perspicácia e ironia. Retirei-os do livro Farewell, que na minha opinião é um dos melhores para comprar do poeta. No blog, além dos poemas, vocês ainda podem conferir alguns contos de Carlos Drummond de Andrade.


Fora de Hora

Entrega fora de hora
e posse fora de hora.
Quem mandou
você atrasar a hora,
você apressar a hora,
você aceitar a hora
não madurada
ou demasiado madura.

O tempo fora de hora
não é tempo nem é nada.
O amor fora de hora
é como rolar a escada.


Escravo de Papelópolis

Ó burocatas!
Que ódio vos tenho, e se fosse apenas ódio...
É ainda o sentimento
da vida que perdi sendo um dos vossos.


Aristocracia

O Conde de Lautréamont
era tão conde quanto eu.
Que sendo o nobre Drummond
valho menos que um plebeu.


Nota: Quem ainda não conferiu, pode ver no blog uma postagem com uma outros três poemas de Carlos Drummond de Andrade, sendo um deles declamado.




Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

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