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Concurso de Contos - 1º Prêmio Uberaba de Literatura

em 29/06/2010.
| Comentários: (8)
Como sempre, fico atento e divulgo aqui projetos interessantes de valorização da literatura nacional. Hoje, apresento um concurso de contos muito interessante a todos aqueles que estão começando a escrever - e também aos já mais experientes. Trata-se do 1º Prêmio Uberaba de Literatura. É um concurso interessantíssimo, que pretende dar prêmios de R$ 1.500; R$ 1.000 e R$ 800. As inscrições são gratuítas, o que torna tudo ainda mais interessante. Portanto, leiam o regulamento com muita atenção e participem!

Editado: houve uma mudança no regulamento, conforme reclamaram nos comentários. Agora, a idade mínima de participação caiu para 18 anos.


I Prêmio Uberaba de Literatura

Após a decadência da exploração do ouro no Povoado de Desemboque (município de Sacramento - MG), no século XIX, o Major Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira e sua bandeira fixaram-se nas margens do córrego das Lages. O lugar oferecia condições favoráveis ao cultivo agrícola e à criação de gado. Aos poucos, fazendeiros, comerciantes, pequenos agricultores e outros foram atraídos por essas condições. Em 1820, Dom João VI elevou o vilarejo à condição de Freguesia e, desde então, Uberaba não parou de crescer, tornando-se importante centro comercial e cultural, reconhecido internacionalmente. O município, que se localiza na microrregião do Triângulo Mineiro e – num raio de 500 km – está equidistante de importantes capitais do país, atualmente conta com cerca de 399.000 habitantes.

O I Prêmio Uberaba de Literatura é um dos eventos que homenageiam a cidade pelos seus 190 anos de elevação à Freguesia.


1 – O CONCURSO:

1.1 – é promovido pela Fundação Cultural de Uberaba, com apoio do Arquivo Público, e visa a divulgação de novos talentos literários, o incentivo à leitura e à escrita, o estímulo ao escritor novato ou experiente e a manutenção da tradição literária;

1.2 - é aberto a qualquer brasileiro, maior de 21 anos (modificada para 18 anos), residente em qualquer estado do Brasil ou fora do país;

1.3 – tema: livre


2 – INSCRIÇÕES:

2.1 - cada participante poderá concorrer com apenas 1 (um) trabalho do gênero conto;

2.2 – o texto inscrito deve ser:

- inédito, isto é, não pode ter sido objeto de qualquer tipo de veiculação ou publicação antes da inscrição e até a divulgação do resultado e entrega dos prêmios;

- escrito em língua portuguesa e entregue devidamente revisado, de acordo com a norma culta;

- digitado em folha A4, corpo 12, fonte Arial, espaço 1,5, e conter até 45 linhas por folha, com – no máximo – 4 folhas, apenas frente;

- identificado apenas com o título e o PSEUDÔNIMO do autor, gravado em CD e impresso em 3 (três) vias;

2.3 – as inscrições para o concurso são gratuitas e só poderão ser feitas via Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, no período 29 de junho a 30 de agosto de 2010, valendo o carimbo da postagem como comprovante da data de inscrição;

2.4 – A Fundação Cultural de Uberaba não fará qualquer espécie de ressarcimento relacionado aos gastos com a postagem;

2.4 – para se inscrever, insira as 3 (três) vias do texto impressas e o mesmo texto gravado no CD em um envelope tamanho grande, identificado – em seu exterior – com o nome do texto e o pseudônimo do autor. Dentro desse envelope grande, junto às cópias e ao CD, um envelope menor, lacrado, em cujo interior deverão constar as seguintes informações: nome completo, endereço residencial completo (rua, bairro, cidade, cep), número de RG, telefone, e-mail, título da obra, pseudônimo e uma pequena biografia do autor. O envelope grande deve ser enviado ao:


ARQUIVO PÚBLICO DE UBERABA – I PRÊMIO UBERABA DE LITERATURA
Rua Onofre da Cunha Rezende, 78
Bairro São Benedito
CEP: 380120 -130


2.5 – o envio de mais de um conto implicará na desclassificação do participante;

2.6 - não serão permitidos retificação de autoria, alterações, acréscimos e revisões no conteúdo da obra depois de efetuada a inscrição;


3 – SELEÇÃO DOS TEXTOS PREMIADOS:

3.1 – os textos inscritos neste concurso serão analisados por uma Comissão Julgadora composta por 3 (três) pessoas de reputação ilibada e notória competência na matéria;

3.2 – as decisões das Comissões são soberanas, não cabendo contra elas quaisquer recursos;

3.3 – poderá a Comissão Julgadora deixar de premiar, nos três respectivos lugares, caso julgue que nenhum dos contos faz jus ao prêmio.


4 – PREMIAÇÃO:

4.1 - serão conferidos os seguintes prêmios:
1º lugar = R$1500,00 e troféu
2º lugar = R$1000,00 e troféu
3º lugar = R$800,00 e troféu

4.2 – do 4º ao 10º lugar, os autores receberão Menção Honrosa;

4.3 – a data e o local da premiação serão informados na mesma data de divulgação do resultado e os premiados deverão comparecer à solenidade. Em caso de impedimento, deverão enviar representante munido de procuração com firma reconhecida;

4.4 – o prêmio será pago em cheque nominal;


5 – RESULTADOS:

5.1 – os resultados serão divulgados a partir de 30 de setembro, no blog www.arquivopublicouberaba.blogspot.com, na página
www.uberaba.mg.gov.br/fundacaocultural e no jornal Porta-Voz;


6 – DISPOSIÇÕES FINAIS:

6.1 – os premiados concordam e permitem a divulgação de seu nome e imagem em quaisquer situações relacionadas a este concurso e autorizam a publicação dos textos inscritos, em qualquer modalidade de mídia, por tempo indeterminado, sem nenhum ônus para a Fundação Cultural de Uberaba;

6.2 – a inscrição do conto para participar do processo de seleção representa a concordância, por parte do autor, com todos os itens deste regulamento, sem nenhuma ressalva;

6.3 – todo o material enviado para ser submetido à seleção será inutilizado, ao final do concurso, e – em hipótese alguma – haverá devolução de trabalhos a seus autores;

6.4 – se duas ou mais pessoas enviarem a mesma obra ou obras que pareçam idênticas ou aquelas cujas autorias suscitem discussão ou controvérsia, ocorrerá a exclusão das referidas obras do processo de julgamento;

6.5 - os textos enviados pelos concorrentes, obrigatoriamente, não poderão ter conteúdo que: (a) possa causar danos a terceiros, seja por meio de difamação, injúria ou calúnia, danos materiais e/ou danos morais; (b) seja obsceno e/ou pornográfico; (c) constitua em ofensa à liberdade de crença e às religiões; (d) contenha dado ou informação racista ou discriminatória; (e) tenha intenção de divulgar produto ou serviço ou qualquer finalidade comercial; (f) faça propaganda eleitoral ou divulgue opinião favorável ou contra partido ou candidato;

6.6 – É vedada a participação de:

(a) membros da Comissão Julgadora do Concurso, bem como seus familiares (pais, filhos, irmãos e esposos/as ou aqueles que residem no mesmo domicílio);

(b) funcionários ou pessoas que prestam serviço à Fundação Cultural de Uberaba, seus parentes ou aqueles que residem no mesmo domicílio.

6.7 – casos omissos, não previstos neste regulamento, serão resolvidos pela Fundação Cultural de Uberaba, por meio de equipe designada pelo Presidente.


MAIS INFORMAÇÕES:

Fundação Cultural de Uberaba/ Arquivo Público de Uberaba

Iara Fernandes ou Cíntia Gomide
(34) 3312 4315 - arquivouberaba@yahoo.com.br

Das 8h30 às 17h30, de segunda a sexta-feira
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Passos (Poema)

em 27/06/2010.
| Comentários: (15)
Esse é um poema bem antigo aqui do blog. Estou postando ele novamente, mas com algumas mudanças que fiz, cortei uma estrofe para ver o que vocês acham. Como ele é bem antigo, muito provavelmente a maioria não tinha lido, então poderá dizer se é legal ou não. Tinha mencionado antes que estou juntando poemas para formar um livro, então quando paro para analisar um ou outro, opto por ouvir a opinião do pessoal do blog a respeito, para ajudar na decisão. Portanto, leiam e, se puderem e quiserem ajudar, dêem suas opiniões.


Passos

Ouço passos lá fora,
passos em todo lugar.
Ouço passos nos corredores,
ecoando como o som de tambores
a marcar o ritmo de nossa vida.

Corrida.

Corrida.

Corrida.

E se espalham por todos os lugares,
ribombando entre bancos e bares,
ritmando os momentos e males,
a cada segundo passado ou vivido.

Corrido.

Corrido.

Corrido.

E quando os passos passam, o ritmo cessa,
não há mais movimentação,
nem há mais pressa,
nem o barulho de sapatos em colisão.

Não há mais corrida, não
há mais tempo, não
há mais vida.
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Como publicar de forma independente, dicas de Barbara Dewet

em 24/06/2010.
| Comentários: (7)
Hoje trago uma entrevista muito legal para vocês leitores do blog. Todos sabemos - e já cansei de dizer por aqui - que a vida de escritor é difícil, que são poucas as editoras que apostam em novos autores; o mercado é muito fechado e, para piorar, pequeno, o que significa que mesmo uma publicação por uma boa editora não garante uma exposição real para o autor. A vida de quem escreve é, de fato, difícil, mas nos últimos tempos há quem aposte na produção independente. Como disse na minha última postagem (veja Os e-books anunciam o fim das editoras?) esta é uma rota muito complicada. Entretanto, ela pode ser possível, se o autor souber como se destacar, seja por meio de propaganda, seja por meio de seu trabalho.

A entrevista de hoje pretende demonstar um pouco disso, mostrar que, seja você um autor independente ou um autor publicado por uma editora comercial, se batalhar por seu espaço, sabendo usar as ferramentas que estão à sua disposição, você poderá alcançar um sucesso inicial que pode ser benéfico para uma futura carreira como escritor. Esta é a mentalidade de Barbara Dewet (@babidewet), entrevistada da vez e dona de um espaço virtual muito interessante, que trata de literatura, resenhas e muitas outras coisas (tem muitas promoções por lá, para quem gosta): trata-se do blog da Babi Dewet, dêem uma olhada - hoje tem uma postagem interessante sobre o sucesso do André Vianco, que alcançou 500 mil exemplares vendidos, algo incrível para um escritor nacional.

Barbara Dewet começou no mundo das Fan Fics, criando seu próprio sistema para a publicação deste tipo de história, e o implementado em um site (http://fanficaddiction.com.br/), hoje muito movimentado. Depois, criou o seu próprio espaço na internet, assim como uma conta no twitter. Com tudo isso, conquistou uma série de leitores e seguidores, o que abriu espaço para uma publicação independente - que promete ter um sucesso considerável, se levarmos em conta o cenário literário brasileiro. Enfim, leiam a entrevista com atenção, há muita informação interessante:


O seu livro foi baseado em uma fanfic. Embora você tenha de ter executado algumas mudanças por causa de direitos autorais, você manteve esse caráter de fanfic do texto ou mudou radicalmente a história? Onde foi preciso realizar mudanças?
R: Mantive o caráter do meu texto. Mudei poucas coisas - os personagens acabaram se modificando bem pouco e por isso tive que acompanhar toda essa mudança. Mas em um geral, a história permanece com a mesma essência. Nada de mudanças radicais.

Suas histórias (fanfics) sempre foram postados apenas no seu blog ou anteriormente - e quem sabe ainda o faça - publicava em outros sites?
R: Nunca postei em meu blog pessoal. Sempre ficou hospedada no www.fanficaddiction.com.br, um site criado por mim e algumas amigas há alguns bons anos para hospedar o tipo de história que fazíamos. Diferente de outros sites, a gente utiliza scripts para que o leitor possa usar seu nome e características na história.


De onde surgiu a idéia da criação do blog? Quanto tempo ele tem de existência?
R: Sempre gostei de escrever. Quando mais nova tinha um blog básico para falar o que estava achando sobre a vida. Com o tempo mudei o foco para fansites, porque gosto de compartilhar as coisas. Isso é o que mais me atrai no fato de ter um site. Passar informações, achados, notícias... acho que meio me faz sentir parte de todo mundo que visita. Acabei criando meu site pessoal no final do ano passado para conhecer melhor o mercado, os fãs, leitores e poder me divulgar também.


O movimento no blog tem crescido? Ele tem lhe ajudado a conquistar novos leitores? Se possível, fale de algumas estratégias de divulgação.
R: O movimento cresce com a divulgação. Se tem uma coisa que aprendi tendo sites, dando aulas e pesquisando é o poder do marketing. Uma pessoa que sabe se vender e vender seu produto se dá bem no mercado que quiser ingressar. Com parcerias, comentários, colaborações, promoções... tudo facilita o aumento do número de visitas e faz com que as pessoas passem a te conhecer. Mas tem que fazer da forma certa. Sem forçar. Se gostam de você é um possível leitor. E então minha função está sendo bem exercida. Felizmente meu blog/site tem me ajudado a conquistar leitores dessa forma. As pessoas estão tendo oportunidade de me conhecer e conhecer o que faço. Hoje tenho um mínimo de 300 visitas no site por dia e mais de 57 mil visitas ao todo. E falamos aqui de seis meses de site pessoal.


Vocês está produzindo o seu livro de maneira independente. O que a motivou a fazer esta escolha?
R: Tive inspirações. Fui em uma palestra do autor André Vianco e o ouvi falar da sua batalha em lançar independente, mas o quão prazeroso foi. Sei que pode dar muito trabalho, mas estou disposta. Os autores brasileiros não ganham muito pela venda de seus livros e muitas vezes pode não valer a pena o esforço de tê-los escrito. Sábado à Noite é uma história que cresceu comigo. Antes de entregar nas mãos de alguém eu quis testar meu potencial.


Quais as dificuldades que você vê para o autor que tenta se lançar no mercado esta maneira? Alguma idéia de como superá-las?
R: A maior dificuldade provavelmente é a divulgação. O autor às vezes escreve bem, é criativo, mas não sabe se relacionar com o público. Ou quando sabe, não faz idéia por onde começar. A melhor forma é começar por algum lugar! Nem que seja preciso distribuir os primeiros capítulos do seu livro e deixar que as pessoas te procurem depois. A idéia é começar!


Como você tem utilizado o seu blog literário para ajudar na vendagem do livro? Ele tem ajudado muito na pré-venda de exemplares?
R: Faço divulgações quando posso, sempre comento no Twitter, mas não obrigo ninguém a respirar meu livro. Dou liberdade. O blog tem ajudado sim na minha divulgação e dessa forma as pessoas se interessam pelo que escrevo e faço. E com isso, claro, ajuda a vendagem no livro. Como não comecei a vender - só a registrar cadastros para pré-venda, ainda estou começando a ter uma idéia. Mas posso te informar que tenho mais de 600 cadastrados e isso é uma ótima notícia prum autor independente!


Como você vê o surgimento, com cada vez mais força, de um número cada vez maior de blogs sobre literatura?
R: Vejo de forma positiva. Acho que isso só indica que mais pessoas estão lendo e se interessando pelos livros. Desde o menor blog ao mais visitado. Se o objetivo de todo mundo é ler, mover o mercado, estimular a criatividade... acho positivo. 


Alguma dica para os novos escritores?
R: Minha dica é: escreva pra você e ao mesmo tempo pensando no seu público. Pesquise. Converse com as pessoas, se interesse pela vida delas. Personagens reais e bem elaborados são muito mais fáceis de serem escritos e de terem uma relação com o leitor. E quando for divulgar sua história, deixe bem claro sobre o que se trata e a que público se destina.
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Os e-books anunciam o fim das editoras?

em 23/06/2010.
| Comentários: (7)
Ultimamente, muito se tem discutido no mercado editorial sobre as novas tecnologias. Sem sombra de dúvida, algumas coisas irão mudar. As possibilidades da internet e o surgimento de novas formas de publicação abriram muitas portas aos novos autores, geraram, definitivamente, uma série de novas oportunidades a serem exploradas, novos meios de se entrar em contato com o leitor. Em resposta a minha última postagem (E-book: qual o preço certo?), o Ruberto Palazo (@rubertopalazo) levantou uma questão interessante no twitter: com a possibilidade de, no futuro, os autores poderem colocar seus e-books à venda em seus sites ou nos grandes sites, não seria possível se tornar independente das editoras?

A questão é, de fato, muito interessante e extremamente atual - há, inclusive, uma obra sobre o assunto do Robert Darnton, chama-se A questão dos livros. Podemos imaginar que a possibilidade de você pegar o seu texto e o transformar em um arquivo digital para depois vender pela internet possa, num futuro próximo ou não, tornar as editoras desnecessárias; afinal, o escritor estaria entrando em contato direto com seus leitores.

O cenário parece possível, mas eu, particularmente, não acredito que ele realmente o seja. O processo de edição e lançamento de um livro não é tão simples; na realidade, ele é por demais complicado, bem mais do que a maioria das pessoas pensa. Não é só produzir o texto e diagramar. É preciso pensar na diagramação com cuidado, criar um projeto gráfico. E antes disso, é preciso revisar o texto, notar se ele atrairia ou não o público, melhorar partes na narração (ou na argumentação, dependendo do livro), enfim, é necessário uma série de coisas que a maioria dos autores não seria capaz de fazer para se ter um livro pronto e bom nas mãos. Agora, as coisas não param por ai.

Talvez você até possa encontrar autores capazes de fazer sua própria revisão, ou que tenham algum amigo que possa fazer isso para eles. Teria como garantir que esta revisão possuiria a mesma qualidade do que a de um editor? Dificilmente, já que não se trata apenas de corrigir o que está gramaticalmente errado. Mesmo assim, ainda é possível, pode acontecer, naturalmente. A questão é que o lançamento de um livro no mercado não passa apenas por isso. É preciso ainda divulgar. Mesmo que a distribuição fique pela internet (o que já a limitaria muito, mas estamos falando de E-books), é crucial que o livro chegue às pessoas, que entre em contato com as pessoas.

Para isso, novamente, é necessário uma série de requisitos que nem todos os autores poderão preencher - ainda mais por estarmos falando de requisitos cumulativos: escrever o livro, revisar, editar e divulgar. Para que se tenha algum reconhecimento, será necessário enviar a obra para críticos literários, grandes e pequenos veículos midiáticos, blogs e etc...

Mas ainda tem mais: imagine um cenário em que centenas de milhares de autores coloquem seus e-books à venda em seus sites ou em sites especializados na venda desses produtos. Como o leitor definiria o que é bom ou ruim? Não quero dizer aqui, claro, que o leitor não saiba fazer essa distinção, muito pelo contrário. Mas diante de um número gigantesco de livros, como saber se aquilo que estou comprando é bom, como achar os bons livros? A crítica literária precisará adotar critérios, não terá como aceitar o livro de qualquer um para analisar. Se fizesse isso, receberia muito mais exemplares do que seria capaz de ler, como acontece hoje com as grandes editoras. Naturalmente, seria preciso haver a figura do editor e da editora para mediar esta relação, para selecionar, num universo completamente saturado de informação, aquilo que vale a pena ser lido. É claro que a seleção nunca será perfeita; livros ruins continuarão a ser publicados, assim como livros excelentes acabarão caindo no ostracismo.

De qualquer modo, sem a credibilidade dada por uma editora a um determinado autor, ele dificilmente conseguirá um espaço grande no mercado editorial e, com maior dificuldade ainda, conseguirá ser aclamado pela crítica. Por isso, os e-books, para mim, não irão acabar com o papel das editoras.

Ainda assim, haverá mudanças

E muitas. É claro que as editoras precisarão repensar uma série de coisas conforme os e-books forem se popularizando. Além disso, embora eu tenha falado que é difícil, numa escala macro, que os livros digitais substituam o papel das editoras, isso não quer dizer que numa escala menor isso não possa acontecer; alguns autores poderão sim se ver independentes delas.

Novamente entra em questão o poder da internet. Vou citar um caso atual. O Marcos Lemos, do Ferramentas Blog, criou um espaço virtual em que dá dicas para os demais blogueiros de como melhorar seus sites, como atrair mais visitas, produzir conteúdo de qualidade e etc... O Marcos conseguiu, em pouco tempo, um número muito grande de seguidores, de pessoas que assinam o Feed de seu blog e o acessam regularmente. Sabendo disso, lançou um e-book que fala justamente do ato de blogar, dá dicas de como tornar o seu blog melhor. Certamente, ele vendeu um bom número de exemplares e, conforme mais pessoas forem conhecendo o Ferramentas Blog através de sites de busca, mais gente comprará o e-book, o que torna a sua obra excelente, pois irá vender sempre. Ele, portanto, não precisa de uma editora, basta que faça, com calma, os processos de revisão e edição do livro (ou que terceirize, sabendo que esse dinheiro irá voltar).

O mesmo aconteceu com Eduardo Spohr (autor que pretendo entrevistar para o Na Ponta dos Lápis), mas não por causa do formato digital. Ele lançou o livro dele de maneira impressa por seu próprio site, o que acabou fazendo-o criar sua própria editora. A Batalha do Apocalipse vendeu mais de 5 mil exemplares no Brasil, sem o auxílio de livrarias, o que é incrível; aqui os livros não costumam vender nem 3 mil exemplares. É claro que o site do autor e o seu blog já tinham um número de seguidores enorme, mas este é mais um caso em que as editoras se tornaram desnecessárias.

Naturalmente, com a popularização do e-book, mais casos como estes se tornarão realidade - especialmente quando tratarmos de livros educacionais ou que trazem informação; também acho que esse poderá ser um caminho muito interessante para a poesia. Além disso, vejo também novas perspectivas para os grandes autores de best-sellers, principalmente os americanos. Com a popularização dos e-books e novas formas de impressão, eles poderiam, sem muita dificuldade, criar suas mini-editoras e lançar seus próprios livros por elas, obtendo assim muito mais lucro.

Enfim, a postagem acabou ficando muito grande, mas creio ser um assunto muito interessante, por isso ocupei um espaço maior. Algumas ponderações ainda ficaram de fora, mas acredito que este texto já retrata bem algumas das coisas que vinha pensando sobre o assunto.
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Poemas dos leitores - Isabel Furini e Franciele Minoto

em 21/06/2010.
| Comentários: (12)
Na última semana entreguei os resultados do Mini-concurso Drummond de Poesia, realizado pelo Na Ponta dos Lápis. Hoje, posto mais dois poemas que chegaram após o período de inscrição para o concurso, mas que me agradaram muito. Ambos têm uma construção muito interessante e um trabalho legal com a palavra. Achei que vocês leitores gostariam, por isso decidi publicar. Leiam, desfrutem e emitam suas opiniões!


O processo de Kafka
Por Isabel Furini

Gárgulas procuram o Processo
e o misterioso Castelo de Kafka.


Gárgulas ferozes
conspiram no silêncio,
escalam as muralhas
e descobrem invisíveis paredes de pedra e solidão.

Medos instintivos
voam por ruas ignoradas,
poeirentas,
em uma cidadela de fracassos
e desamor.

Cobras de emoções envenenam antigos alfabetos
e invadem os livros de Kafka,

                                         (triunfantes)

reeditam o processo

                                         (eterno)

no labirinto do tempo.



O Corpo
Por Franciele Minoto

Eu não te amo;
Meu corpo te ama.
Amor sudorêico,
Inundado de ocitocina, endorfina, serotonina, prostaglandina, dopamina.
Estrogenizado,
Androgenizado,
Agoniado; e
Amargurado.
Eu não te amo,
Meu corpo te ama.
Taquicárdico; dispnéico;
Ruborizado;
Vasodilatado;
Lubrificado.
Eu não te amo,
Meu corpo te ama.
Obnubilado, alucinado,
Extasiado.
Eu não te amo,
Meu corpo te ama.
Fala sem emitir som,
Implora sem curvar-me.
Eu não te amo,
É meu corpo que te quer!
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Uma homenagem a José Saramago

em 18/06/2010.
| Comentários: (7)
Um homem. Um escritor. Um gênio. Talvez alguns possam discordar; ele tinha muitos opositores e desafetos, pregava uma série de coisas com as quais nem todos concordam, idéias que podem provocar a antipatia de muitos. Mas ninguém pode negar o talento, a habilidade com a palavra, com a prosa, a maneira fácil de guiar o leitor pelos caminhos de suas histórias, que, por sinal, são cheias de imaginação, de uma capacidade criativa única e original. Saramago escrevia, defendia, dissertava. Delineava com a ponta de seus lápis mundos novos, que nos faziam pensar e viajar; experiências em forma de prosa, prosa em forma de poesia.

O mundo perde o talento de um grande homem, de um notável escritor. A literatura ganha um ícone. E nossas vidas ficam um pouco mais tristes por sermos privados da possibilidade de entrar em contato com mais das fantásticas obras do autor.
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E-books: qual é o preço certo?

em 17/06/2010.
| Comentários: (10)
Na semana passada, uma discussão muito interessante me foi colocada pelo Marcelo Cazado, da @bookess (já postei aqui sobre o site). Ele relatou uma conversa que teve com editores sobre a questão do preço dos e-books, uma vez que este tipo de livro, digital, tende a se popularizar aos poucos (na minha opinião, bem aos poucos) no Brasil conforme os Ipads, Iphones, Kindles e demais leitores começarem a ter preços mais acessíveis. A pergunta era simples: qual o preço certo para este tipo de formato?

Segundo o Marcelo, os editores, de maneira geral, especialmente das editoras mais tradicionais, têm defendido a idéia de que os livros digitais devem ter, mais ou menos, 70% do valor de capa do livro em formato físico. De acordo com eles, no Brasil não há uma cultura de leitores, o que significa dizer que a redução do preço não aumentaria a procura pelas obras.

Eu, particularmente, não concordo com a idéia, mas a colocação é realmente pertinente. Já falei aqui sobre este assunto (confira: o preço dos livros no Brasil) e acho que, de fato, as pessoas poderiam ler mais no país; embora muita gente justifique a não compra dos livros devido ao alto preço, o fato é que gastam em uma ida ao cinema o mesmo que gastariam no exemplar de alguma obra (há um ótimo texto sobre isso também no blog O Bule). Então, por que eu sou contra esta idéia?

Bem, tenho três razões. A primeira é simples. O preço pode não ser o maior vilão quanto a pouca vendagem de livros no Brasil, mas é, de fato, um deles. Um preço mais baixo será sempre mais atrativo. E já tivemos prova disso. Um tempo atrás, li uma matéria em que determinada editora tinha experimentado vender exemplares de uma obra ao preço de R$9,90, com anúncios em catálogos da Avon. O livro vendeu cerca de 300 mil exemplares, algo absurdo para o mercado brasileiro. Ou seja, eles juntaram um bom preço a uma boa divulgação, um incentivo à compra. Deu certo, tanto que a prática hoje é muito comum; a Avon se tornou uma das maiores vendedoras de livros do país (se informe mais sobre isso aqui).

Enfim, o que quero dizer é que: um livro digital por três ou cinco reais poderia muito bem surpreender em número de vendas. Primeiro, porque convencer alguém a gastar três reais é bem mais fácil do que convencer alguém a gastar quinze. Isso significa dizer que uma resenha positiva já seria capaz de vender um número de exemplares bem maior. A pessoa, muitas vezes, vendo que o preço é tão reduzido e lendo uma resenha positiva, poderia comprar o livro por mera curiosidade, afinal, não estaria desperdiçando muito dinheiro. Pode parecer uma idéia estranha, mas é assim que funciona; o consumidor é movido por impulso, por curiosidade. Quinze reais pode parecer muito para essa curiosidade, mas três reais não, é "quase de graça". Se repararem bem, é esta a mesma lógica que tem sido usada nos aplicativos de Iphone e etc... e nas vendas de mp3 pela amazon.com e Itunes. Para terem uma idéia, o aplicativo do Iphone que simulava o barulho de um peido (parece ridículo, não?), vendido por 99 centavos de dólar, gerou uma receita de milhões. Por que as pessoas gastavam dinheiro em algo que parecia quase completamente inútil? Porque era "quase de graça", engraçadinho, então, não custava nada comprar.

O segundo motivo está intimamente ligado ao primeiro - e é também motivo pelo qual as músicas em mp3 têm sido vendidas a preços muito baixos. Quando pensamos em livros, digitais temos de pensar na pirataria. Alguém que gosta de ler no formato digital, irá procurar por livros desse tipo. Entretanto, se tiver de pagar 15 reais por um livro, acabará baixando-o de forma ilegal pela internet.

Levemos em conta as seguinte proposições: 1) o mercado de pessoas que lêem já é pequeno, 2) o mercado de pessoas que lêem em formato digital é ainda mais reduzido. Se os preços dos e-books tiverem uma diferença muito pequena para o formato físico, você perderá, basicamente, TODO o mercado de leitores digitais para a pirataria. Já quando você tem um produto de preço bem mais baixo, um bom número de pessoas preferirá comprar o livro da editora por quererem dar suporte ao autor ou simplesmente por preferirem não alimentar algo ilegal. Mais uma vez, essa é uma prática adotada lá fora que já deu muito certo. É claro que ainda irá se perder um bom número de leitores para a pirataria, mas esse número será muito reduzido.

Agora, tratarei do terceiro motivo, para mim o mais importante. Eu, como disse, concordo que o número de leitores no Brasil seja pequeno, mas não acho que seja tão pequeno quanto dizem por ai. Na minha opinião, é preciso ter incentivo. O livro por aqui ficou para trás nesse mundo midiático em que vivemos. Uma pessoa não compra uma blusa de tal marca por gostar de comprar blusas ou por uma necessidade de seu ser, ela compra pelo fato de que diversos dispositivos midiáticos, a propaganda sendo o maior, agrega outros valores àquela marca, que fazem a pessoa comprar. Olhem as propagandas de Coca-Cola, ela vende liberdade, atitude, felicidade... tudo, menos o produto. O livro não tem esse tipo de exposição no Brasil, não se faz uma propaganda do livro, da leitura, não se agrega valor a ela. O que nos salva, é que ler é uma atividade que realmente agrada a muitos, traz conhecimento e, por isso, mesmo sem incentivos, existem muitos leitores. Mas isso não quer dizer que, se tivéssemos melhores suplementos culturais e maior visibilidade para as questões literárias, não teríamos um público maior e mais interessado. É só verem o sucesso que eventos como a FLIP e a Bienal têm. Muita gente que vai sequer lê? É verdade. Agora, quem garante que não podem começar? É preciso de um incentivo inicial.

A grande prova de que o que falo é correto está nos best-sellers estrangeiros que vemos pelo Brasil. Como são de autores de fora, que já venderam muito, as editoras se sentem confortáveis em gastar um dinheiro alto para produzir grandes tiragens e também com muita promoção. Enviam os exemplares para vários blogs, fazem eventos, colocam propagandas na parte de traz dos ônibus; isto é, nós vemos o convite à leitura daquele livro em todos os lugares. E, em geral, o que acontece? Esses livros acabam vendendo absurdamente bem.

_______________________________________________
RESULTADO DAS ÚLTIMAS PROMOÇÕES

Aproveito a postagem para revelar os vencedores dos sorteios dos livros do Francisco Pipio e do Paulo Henriques Britto.

Seguem os resultados: 

- As cidades, Francisco Pipio, vencedor @_thiagoneves_, url do sorteio: http://sorteie.me/tBU

- Trovar Claro
, Paulo Henriques Britto, vencedora @tykkaa, url do sorteio: http://sorteie.me/tC0
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Alétheia: capa da antologia

em 16/06/2010.
| Comentários: (18)
Trago a vocês, hoje, uma prévia de como será a capa de nossa antologia de contos, Alétheia. Digo que é a provável capa, porque ainda há de se ver se não haverá algum problema apontado pela Editora Multifoco a ser consertado. Além disso, nesta capa, vocês ainda não verão o selo Antology, o designer, Henrique Abrantes, - e devo agradecer muito pelo trabalho - colocou um outro selo para que possamos ter uma boa idéia de como irá ficar. Enfim, eu gostei muito do resultado, transmite bem a idéia da antologia. Convido todos a darem uma olhada e emitirem suas opiniões!

Não sabe ainda sobre a antologia? Clique aqui e veja o regulamento.


 Clique na foto para ampliar
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Poemas dos leitores e resultado do sorteio e do mini-concurso Drummond

em 13/06/2010.
| Comentários: (6)
Recebi uma boa quantidade de textos de diversos poetas nos últimos dias para o Mini-concurso Drummond. De tudo que recebi, escolhi três autores e quatro poemas para dividir com vocês, não foi lá tão fácil. Também aproveito a postagem para comunicar quem ganhou o sorteio do livro "Quando é dia de futebol", de Carlos Drummond de Andrade. E a vencedora foi a Lídia Michelle (@michellelidia) - vejam aqui o link para o resultado do sorteio: http://sorteie.me/rRG. Já o poeta que selecionei como vencedor do mini-concurso foi o Ricardo Ventura; portanto, entrarei em contato com ele para que ele escolha que título dentre as obras de Drummond publicadas pela Editora Record (@Editora_Record) ele irá selecionar. Leiam os poemas abaixo, desfrutem e, se puderem, deixem seus comentários para os autores. Eles certamente irão gostar!

Editado: acrescentei um poeminha da @anamello que também tinha achado bem interessante, mas que tinha esquecido de colocar no ar.


Poemas de Richardson Ventura (@rventura) - professor de Português e Literatura em Belo Horizonte.

verso e vida

verso e vida
se misturaram todos
numa dada avenida
e se acharam tolos
rua e rima
ao perceberem no rosto
a forma, o cheiro, o gosto
da mesma argila.


ausência

a presença tua na roupa suja
o resquício, a lacuna
de que aqui passaste.

mas que fazer se lá fora chama a luta
a ferida arde?

te perco sem alarde
na certeza de que amor é ida
vida é combate.


Poema de Evandro Constâncio - Jornalista, escritor e poeta. Vive nos Estados Unidos desde 1998. Foi repórter e editor no jornal Hoje em Dia (Belo Horizonte, MG), repórter do jornal O Tempo (Betin, MG), colaborador de "O Globo", "Folha de São Paulo" e "Veja".

Partido de Mim

Tive vergonha de ter chorado,
vergonha de ter torcido, e comemorado.
Tive vergonha de ter sorrido.
A esperança venceu o medo,
mas continuou o seu caminho, de esperança.
Gerações começaram,
gerações acabaram,
e sempre houve a esperança.
Mas até quando?
Até quando ela vai poder persistir?
Até quando vamos chorar,
quando nos prometeram sorrir?
Até quando?
Vamos ter uma refeição,
ao invés de três; ou nenhuma?
Até quando?
Vamos ser enganados,
torturados,
matados a faca, de bala perdida, executados,
sequestrados ou torturados?
Até quando?
Vamos morrer de fome ou pendurados,
no prego da salvação na mercearia da esquina?
A esperança venceu o medo,
Mas continua o seu caminho, de esperança.


Poema de Márcia Luz - Confiram o blog da autora.

As mensagens que lhe escrevo

Hoje, à falta de papel,
escrevo mensagens no celular.
Na hora de lhe enviar, deleto-as.
Você lerá apenas a minha ausência
e imaginará:
“Esqueceu-se ela de mim?”


Poema de Ana Mello


POETRIX: Lobisomem
noite escura, infortúnio,
as nuvens encobrem
o plenilúnio
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Passado (Poemas)

em 10/06/2010.
| Comentários: (9)
Depois de algum tempo sem colocar nada meu por aqui, segue este poema, já que estamos tratando de uma Semana de Poesia. Gostei do resultado, acho que combina bem com o meu estilo; talvez o pessoal que acompanha o blog com mais frequência possa saber disso até melhor do que eu. Tenho reduzido o número de poemas meus postados por aqui por começar a pensar em juntá-los em um livro, para depois tentar publicar. Então não é bom que eu entregue o conteúdo todo antes de uma possível (embora distante) publicação. Enfim, espero que gostem desse!


Passado

O passado é o pior dos sentimentos,
é a sensação da passagem do tempo,
que sempre passa,
inevitavelmente,
e se acaba.

O passado é uma entidade amarga,
um eterno desconstrutor de momentos.

O passado é a não-existência
que persiste,
a não-existência que existe
na memória
e na experiência.

O passado é a presença da ausência,
palpável,
de matéria humana,
sensível ao toque
e sujeita,
eternamente,
à subjetividade objetiva dos recortes.
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Trovar Claro, por Paulo Henriques Britto (com resenha, entrevista e sorteio)

em 09/06/2010.
| Comentários: (11)
Hoje trago a vocês mais uma entrevista com Paulo Henriques Britto, desta vez acompanhada da resenha do livro Trovar Claro e do sorteio de um exemplar autografado! A entrevista, como poderão acompanhar, é interessantíssima, traz aspectos muito legais sobre o fazer poético. O autor falou sobre sua predileção por sonetos e também pela musicalidade, além de dar uma dica importante para os novos poetas (só publique quando tiver um livro muito bem trabalhado em mãos).

Para os que não sabem, Paulo Henriques Britto é um dos mais renomados escritores brasileiros da atualidade, especialmente no que se trata de poesia. Em 2004, foi vencedor do prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira e o Prêmio Alceu Amoroso Lima, pelo seu livro "Macau". Além dessas premiações, também conquistou muitas outras, como o Prêmio Jabuti - de maior renome em âmbito nacional - na categoria Contos e Crônicas pelo livro Paraísos Artificiais.

Nesta postagem, falarei de meu livro predileto, o Trovar Claro (vencedor do prêmio Prêmio Alphonsus de Guimaraens). Para mim, trata-se de leitura obrigatória para todos aqueles que gostam de poesia - tudo bem que talvez tal julgamento se dê pelo fato de eu apreciar muito o estilo de escrita do Paulo Henriques Britto, que, embora traga reflexões em suas obras, também coloca em seus poemas muita musicalidade, algo que me agrada muito. Há também uma boa quantidade de sonetos, uma forma pela qual o autor admitiu ter uma certa predileção, como poderão observar na entrevista. De uma maneira geral, Trovar Claro passa suas mensagens de uma forma direta, porém extremamente poética, utilizando de diversos recursos formais que tornam a leitura muito interessante. Além disso, há sempre uma forte presença de ironia nos poemas, alguns momentos que nos surpreendem nas leituras, o que é uma outra coisa que me agrada muito, algo que vejo muito presente também nas obras de Carlos Drummond de Andrade.

Enfim, fica aqui a dica desse livro excelente de poemas, que será sorteado no blog. Desfrutem a entrevista com o autor e depois leiam com atenção para saber como participar.



ENTREVISTA COM PAULO HENRIQUES BRITTO

Há aqui no Na Ponta dos Lápis uma outra entrevista com o autor, onde ele fala sobre muitos outros assuntos, vale a pena checar. Se quiser lê-la, basta conferir aqui.


Eu sempre tenho uma curiosidade em saber a razão dos nomes de cada livro; em alguns casos, é uma informação de grande importância. Então, pergunto: por que o nome "Trovar Claro"? Tem alguma relação com a proposta estética da obra?

R: Na verdade, era o nome de um poema meu que acabei não publicando. Na época que eu o escrevi, estava lendo as traduções do Augusto de Campos da poesia provençal, e na introdução ele falava sobre o trovar clus, que era uma poesia propositadamente obscura. Aí me deu a ideia de usar uma expressão que tivesse o sentido contrário.


Sei que costuma utilizar diferentes formas poéticas em sua obra. Há, por sua parte, uma predileção por alguma forma específica?
R: Acabei desenvolvendo um certo fetiche pelo soneto, não é? É uma forma longa o bastante para desenvolver estruturas semânticas razoavelmente complexas, e ao mesmo tempo curta o bastante para que não se perca de vista a totalidade da forma. Gosto em particular de intervir na forma do soneto, de fazer "sonetoides".


Em muitos dos poemas de "Trovar Claro" vemos uma presença constante de musicalidade. Esta era uma das intenções da obra? Para você, qual a importância da musicalidade - que pode se mostrar presente ou não - em um poema?

R: Sou um músico frustrado, uma pessoa que abandonou os estudos musicais por constatar não ter o menor talento para a coisa. A poesia me oferece uma possibilidade de trabalhar com sons e ritmos na esfera da palavra, na qual me sinto bem mais à vontade. Para mim, a musicalidade é fundamental.


Como você vê o panorama poético atual? Acha que está havendo uma renovação de estilo?

R: Falar em renovação é difícil num momento em que não há um estilo dominante, e sim uma pluralidade enorme de dicções. Mas estão surgindo novos poetas muito interessantes, o que é o principal.


Poesia é algo que, segundo muitos, não vende. O mercado para os novos poetas é, portanto, muito reduzido. Que dicas você daria ao novo escritor que decide tentar publicar um livro de poemas?
R: O melhor toque que dou é: não tenha pressa, escreva o que você gosta de escrever, publique só o que você escreveu de melhor, depois de trabalhar bastante em cima do texto.


Ultimamente, após uma crônica de Flora Süssenkind no jornal "O Globo", iniciou-se um intenso debate sobre a crítica literária. Como você vê a crítica literária no Brasil? Acha que uma crítica mais forte poderia abrir mais espaços para os novos poetas, como acontecia há algumas décadas atrás?

R: Há de fato pouco espaço para uma crítica mais aprofundada na grande imprensa, que se contenta com resenhas breves que às vezes são pouco mais que releases. Seria bom, sim, se os cadernos culturais abrissem mais espaço para uma crítica menos imediatista. E seria muito bom, também, que os críticos estabelecidos dessem mais atenção aos novos autores que surgem.


Por mais difícil que seja expressar algum tipo de critério, para você o que define um bom poema?

R: Bob Dylan em uma boa definição de canção: "Qualquer coisa capaz de andar com as próprias pernas." Acho que também serve para a poesia.


Além de poeta, você também é um grande tradutor. Quais as dificuldades enfrentadas durante a tradução de uma poesia? Que critérios você usa para traduzir um poema sem perder a poesia original?

R: Obrigado pelo qualificativo. Essa pergunta precisaria de muito espaço para responder. Vou tentar ser bem resumido. Ao traduzir um poema, a gente tenta depreender quais são os recursos mais importantes de que o poeta se valeu -- recursos semânticos, sintáticos, fonológicos, rítmicos, etc., etc. -- e tenta achar efeitos razoavelmente equivalentes a eles na língua-meta.



CONCORRA A UM EXEMPLAR DO LIVRO

Para concorrer a um exemplar do livro basta deixar um comentário no blog sobre a resenha, a entrevista ou sobre sua opinião a respeito da obra do poeta (não se esqueçam de deixar o nome de você no twitter, exemplo: @leoschabbach) e tuitar a seguinte mensagem:

RT @leoschabbach Concorra a um exemplar autografado do livro "Trovar Claro", do premiado poeta Paulo Henriques Britto - http://migre.me/N5Fu
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Poesia, blogs e mercado editorial

em 07/06/2010.
| Comentários: (10)
Um comentário na postagem sobre a importância dos blogs para escritores me estimulou a escrever sobre a questão dos blogs, da poesia e do mercado editorial. A leitora, na ocasião, perguntou sobre o problema dos direitos autorais e também se há instâncias de consagração dos poetas que publicam na internet. São duas questões realmente muito interessantes. Cheguei a responder nos comentários, mas decidi discorrer um pouco mais sobre o assunto.

Em primeiro lugar, não. Não há, de fato, nenhuma instância de consagração de poetas pela internet. É claro que há inúmeros leitores e poetas espalhados pelas diversas redes sociais, é claro que, com um bom blog, um bom trabalho de divulgação e uma disciplina grande na periodicidade das postagens, é possível conquistar alguns leitores e amigos. É possível conseguir algum reconhecimento pela internet. Mas ninguém, por favor, vá imaginar que isso possa levar a algum tipo de consagração. Mesmo que leve, de repente, a uma publicação, isso pode não significar muito, tendo em vista a maneira com o mercado e os leitores tratam a poesia. Infelizmente, ela não vende, o que chama muita atenção dada a sua alta popularidade na internet. É enorme a quantidade de pessoas que procura por poemas online, que acompanha poetas online. Ainda assim, tal interesse não se reflete em termos de venda.

Isso até poderia nos fazer pensar: por que há uma procura tão grande pela poesia no mundo cibernético e tanto desinteresse no mundo "real"? Será que a falta de apoio das próprias editoras não poderia estar bloqueando o crescimento de uma arte que ainda tem muito mercado?

Ao meu ver, essas questões são bem complicadas. Acho que é um pouco de tudo. A falta de apoio, o fato de leitores optarem sempre pelos poetas consagrados ou, então, a idéia absurda que se tem de que poesia tem que ser de graça. Talvez, se tivessemos uma crítica literária mais forte, com mais espaço na mídia, os autores pudessem se tornar mais conhecidos e, conseguir, com esse reconhecimento, ter uma expressão maior em termos nacionais - e em termos de vendagem também. Ainda assim, mesmo que fosse possível que tudo isso acontecesse, ninguém deve imaginar que vai viver de poesia. Mesmo o Paulo Henriques Britto (um dos maiores poetas brasileiros - do qual falarei esta semana) mal ganha dinheiro com seus livros de poema - excetuando-se aqui os casos de premiação, que não vêm, claro, do número de livros vendidos.

Por estes motivos, acho que a produção de poesia na internet deve seguir pelo caminho apontado pelo Francisco Pipio (poeta resenhado e entrevistado semana passada, confira aqui). É preciso produzir e continuar produzindo para manter a arte da poesia viva, como resistência. Produz-se online, as pessoas lêem, discutem. Publica-se também, mesmo que em baixas tiragens, mas se mantém a poesia viva, o interesse pela poesia vivo. Acho que a internet nos traz essa possibilidade, ou melhor, a multiplica, já que não se submete apenas à publicação física tradicional.

Além disso, bons blogs pessoais de poesia e bons sites que dêem apoio a esta arte, que aproximem o leitor do poeta - e também os poetas de outros poetas -, podem ser de extrema importância para a popularização do gênero, para o crescimento do mercado. Isso, na minha opinião, se deve muito ao que é apontado por alguns marketeiros atualmente: as pessoas não compram aquilo que você produz, elas compram aquilo que você é. Em outras palavras, o reconhecimento dado a um escritor pela crítica ou o reconhecimento conquistado por esse autor através das diversas redes sociais (um reconhecimento ainda mais forte, já que nessas redes há uma troca de experiências, há uma aproximação ainda maior) é o que pode ajudá-lo a cravar de vez seu pé no universo literário e até mesmo no mercado - embora, devo alertar novamente aqui, ninguém vá vender milhares de exemplares de um livro de poesia, salvo raríssimas exceções.


Sobre os direitos autorais: eu, como alguém que publico na internet, não tenho tantas preocupações assim com os direitos autorais. Naturalmente, sempre vai haver o plágio e sempre estaremos correndo atrás de quem está plagiando para nos protegermos disso. Mas, de fato, você não precisa se preocupar tanto com isso, já que, até por você publicar na internet e ter várias pessoas que acompanham o que você produz online, sempre será possível se provar o dono daquilo que foi publicado. Mesmo assim, caso alguém tenha uma preocupação ainda maior, coloque código nos sites em que você escreve para inibir a cópia do conteúdo. Eu quase fiz isso aqui, mas como tem algumas postagens (especialmente as promoções) que requerem a cópia do texto, optei por deixar a cópia em aberto.

Enfim, tentei colocar algumas questões interessantes por aqui, espero que isso estimule uma discussão saudável sobre o assunto.
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Algumas novidades e um poema de Manoel de Barros

em 04/06/2010.
| Comentários: (5)
Bom, seguindo a programação da Semana de Poesia - que virou Quinzena e teve a velocidade diminuída nesse feriado, já que muito pouca gente entra na internet -, coloco dois poemas de Manoel de Barros por aqui. É a primeira vez que coloco algo do poeta no Na Ponta dos Lápis, mas, devido a alguns pedidos que recebi pelos comentários e pelo twitter, decidi que já era hora de fazê-lo. Além disso, falo também das novidades, tanto sobre a programação da Semana de Poesia, quanto sobre o blog. Os mais atentos devem ter notado mudanças.

O layout foi modificado, tentando torná-lo ainda mais agradável (dos comentários à navegabilidade). A ferramenta de destaque de postagens no topo da página está aperfeiçoada e há agora uma estante no pé do blog com alguns livros que resenhei e aos quais quero dar algum destaque, além de livros que estão em promoção (como a coleção Brumas de Avalon, que está com um desconto absurdo: quatro exemplares por 29,90).

A Semana de Poesia definitivamente virou uma Quinzena. Quando comecei a iniciativa, descuidei-me e não notei o feriado, então vou reduzir a velocidade das postagens até domingo. Além dos eventos e promoções que já estão rolando (Mini-Concurso Drummond de Poesia - que contém também um sorteio do livro "Quando é dia de futebol" - e a resenha do livro As Cidades, de Francisco Pipio, também com promoção) teremos na semana que vem uma resenha do livro Trovar Claro, do Paulo Henriques Britto e também uma entrevista com o poeta, um dos maiores da atualidade. Fica para semana que vem também a postagem (ou as postagens) com os bons poemas para mim enviados, assim como algumas reflexões sobre poesia e mercado editorial. Se tiverem sugestões tanto em relação ao layout como em relação à programação da Semana de Poesia, favor, deixar nos comentários, elas são sempre bem vindas. Agora, para que desfrutem bem, seguem trechos e poema de Manoel de Barros.


O Guardador de Águas

I
O aparelho de ser inútil estava jogado no chão, quase
coberto de limos -
Entram coaxos por ele dentro.
Crescem jacintos sobre palavras.
(O rio funciona atrás de um jacinto.)
Correm águas agradecidas sobre latas...
O som do novilúnio sobre as latas será plano.
E o cheiro azul do escaravelho, tátil.
De pulo em pulo um ente abeira as pedras.
Tem um cago de ave no chapéu.
Seria um idiota de estrada?
Urubus se ajoelham pra ele.
Luar tem gula de seus trapos.
II
Esse é Bernardo. Bernardo da Mata. Apresento.
Ele faz encurtamento de águas.
Apanha um pouco de rio com as mãos e espreme nos vidros
Até que as águas se ajoelhem
Do tamanho de uma lagarta nos vidros.

No falar com as águas rás o
exercitam.
Tentou encolher o horizonte
No olho de um inseto - e obteve!
Prende o silêncio com fivela.
Até os caranguejos querem ele para chão.
Viu as formigas carreando na estrada 2 pernas de ocaso
para dentro de um oco... E deixou.
Essas formigas pensavam em seu olho.
É homem percorrido de existências.
Estão favoráveis a ele os camaleões.
Espraiado na tarde -
Como a foz de um rio - Bernardo se inventa...
Lugarejos cobertos de limo o imitam.
Passarinhos aveludam seus cantos quando o vêem.

V
Eles enverdam jia nas auroras.
São viventes de ermo. Sujeitos
Que magnificam moscas - e que oram
Devante uma procissão de formigas...
São vezeiros de brenhas e gravanhas.
São donos de nadifúndios.
(Nadifúndio é lugar em que nadas
Lugar em que osso de ovo
E em que latas com vermes emprenhados na boca.
Porém.
O nada destes nadifúndios não alude ao infinito menor
de ninguém.
Nem ao Néant de Sartre.
E nem mesmo ao que dizem os dicionários:

coisa que não existe.
O nada destes nadifúndios existe e se escreve com letra
minúscula.)
Se trata de um trastal.
Aqui pardais descascam larvas.
Vê-se um relógio com o tempo enferrujado dentro.
E uma concha com olho de osso que chora.
Aqui, o luar desova...
Insetos umedecem couros
E sapos batem palmas compridas...
Aqui, as palavras se esgarçam de lodo.

VIII
Idiotas de estradas gostam de urinar em morrinhos de
formigas. Apreciam de ver as formigas correndo de
um canto para o outro, maluquinhas, sem calças, como
crianças. Dizem eles que estão infantilizando as
formigas. Pode ser.

XX
Com 100 anos de escória uma lata aprende a rezar.
Com 100 anos de escombros um sapo vira árvore e cresce
por cima das pedras até dar leite.
Insetos levam mais de 100 anos para uma folha sê-los.
Uma pedra de arroio leva mais de 100 anos para ter murmúrios.
Em seixal de cor seca estrelas pousam despidas.
Mariposas que pousam em osso de porco preferem melhor
as cores tortas.
Com menos de 3 meses mosquitos completam a sua
eternidade.
Um ente enfermo de árvore, com menos de 100 anos, perde
o contorno das folhas.
Aranha com olho de estame no lodo se despedra.
Quando chove nos braços da formiga o horizonte diminui.
Os cardos que vivem nos pedrouços têm a mesma sintaxe
que os escorpiões de areia.
A jia, quando chove, tinge de azul o seu coaxo.
Lagartos empernam as pedras de preferência no inverno.
O vôo do jaburu é mais encorpado do que o vôo das horas.
Besouro só entra em amavios se encontra a fêmea dele
vagando por escórias...
A 15 metros do arco-íris o sol é cheiroso.
Caracóis não aplicam saliva em vidros; mas, nos brejos,
se embutem até o latejo.
Nas brisas vem sempre um silêncio de garças.
Mais alto que o escuro é o rumor dos peixes.
Uma árvore bem gorjeada, com poucos segundos, passa a
fazer parte dos pássaros que a gorjeiam.
Quando a rã de cor palha está para ter - ela espicha os
olhinhos para Deus.
De cada 20 calangos, enlanguescidos por estrelas, 15 perdem
o rumo das grotas.
Todas estas informações têm uma soberba desimportância
científica - como andar de costas.

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Dois poemas de Francisco Pipio

em 02/06/2010.
| Comentários: (2)
Na resenha de ontem, apresentei o livro As Cidades, do poeta Francisco Pipio (se quiserem ler uma breve entrevista com o autor e ainda concorrer a um exemplar do livro é só clicar aqui). Já hoje, coloco para a apreciação do pessoal do blog nesta Semana de Poesia - que deve se transformar em um Quinzena, até por causa do feriado - dois poemas do autor para que saibam mais ou menos o que vão encontrar no livro. Também os coloco aqui por achá-los bons e interessantes. Espero que gostem!


As Cidades

Definitivamente a cidade tem coração
apesar de ser apenas aço o que corre
em suas veias de concreto.

Senão onde se guardariam os sentimentos
das pessoas que insistem em habitá-la?


Receita para um poema

Ingredientes:
Palavras. Nem tantas, nem poucas. O essencial.

Modo de fazer:
Misture-as bem.
Como se amassasse a massa de um bolo.
Como se juntasse massa de cimento
a tijolos numa construção.
Como se agrupasse muita gente
formando uma enorme procissão.
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[Novos Autores] As Cidades, de Francisco Pipio

em 01/06/2010.
| Comentários: (9)
Trago aqui no blog mais uma resenha, com entrevista e promoção, de um novo escritor. Como já tinha falado, finalmente temos um poeta. Trata-se de Francisco Pipio, autor do livro As Cidades, publicado pela 7Letras. Quem por acaso se interessar pela compra, pode encontrar a obra no site da editora e na Livraria Cultura. Abaixo segue uma resenha feita por mim, uma entrevista com o Francisco e as regras para participar da promoção. Espero que gostem, é sempre bom poder divulgar novos autores!

Devo dizer que apreciei muito a leitura de As Cidades. É um livro muito interessante, pois, ao meu ver, sua grande força está realmente mais no conjunto de poemas, em toda a ambientação que eles trazem quando lidos um após o outro, do que em cada poema em específico. Quero dizer com isso que toda a estrutura da obra é muito bem pensada, focada em um tema. Creio que mesmo aqueles que não são muito fãs de poesia poderão gostar do livro, já que a sensação que tive é de que ele retrata a cidade, trazendo várias imagens poéticas para tal, quase como uma espécie de livro de contos, mas em poesia. Os versos, em sua maioria, são livres e brancos, mas têm uma potência imagética muito grande, algo que é extremamente difícil de se fazer. De bêbados, ruas, vigas de ferro e poetas faz-se o livro, trazendo uma leitura bem dinâmica, diferente e agradável. Inclusive, perguntei-me se algumas das situações retratadas não teriam sido vivenciadas pelo próprio Francisco, ou observadas; a resposta vocês verão logo abaixo, na entrevista. O fato é que muito dos poemas os farão pensar, parecerão familiares; podem até fazer rir. Nesta obra, Francisco Pipio nos faz enxergar as cidades por um prisma diferente, poético e verdadeiro, de quem reflete sobre coisas que, para muitos, parecem banais, mas que tem um valor muito grande quando são devidamente observadas, dissecadas pelo olhar atento de um poeta. Essas foram as sensações que tive já no poema presente na contra-capa:


Falsa Premonição

A vidente
que prediz
dia após
dia

o futuro da cidade

espreita no
buraco
da fechadura


Durante todo o livro, aparecem poemas bem variados entre si, mas bem pensados; poemas que se interligam e formam uma imagem de uma cidade na cabeça do leitor. São várias facetas diferentes e saborosas de se ler. Junto a isso, encontram-se também alguns versos sobre o próprio fazer poético, como em "Receita para um poema". Enfim, As Cidades é de fato uma obra muito boa, que tem ainda mais força quando vista assim, como obra, completa, livro fechado, que, como um todo, discorre sobre determinado tema por intermédio da veia poética do autor.



ENTREVISTA COM O AUTOR

Vemos uma preocupação nesta obra, em específico, com a temática. O que você buscou alcançar em seu livro "As Cidades"?
R: Minhas primeiras poesias eram desprentenciosas em relação à publicação. Eu não visava coletâneas e, portanto, escrevia sobre temas variados. As pessoas e seus sentimentos eram a temática mais recorrente. Quando me pus a escrever com a intenção de publicar um livro, busquei encaixá-los em uma temática. A complexidade das grandes cidades e o marasmo das pequenas, bem como as feições de seus habitantes, me chamaram à atenção para "As Cidades".

Como foi o processo de criação e seleção dos poemas para a obra? Demorou muito tempo? Você trabalhou apenas nisso?
R: Na verdade "As Cidades" foi a minha primeira coletânea de poemas. Quando iniciei o processo de criação, já tinha o tema. Aliás, o título do livro veio primeiro. Passei um ano fazendo anotações, como é comum no meu processo criativo, e três meses para escrever o livro.

A obra, muitas vezes, parece o olhar de um observador sobre os acontecimentos do dia-a-dia em uma cidade, um observador, é claro, com visão de poeta. Você se inspirou em cenas que presenciou no cotidiano em alguns de seus poemas? Em quais deles?
R: Fica difícil dizer em qual dos poemas de "As Cidades" especificamente me inspirei em cenas do cotidiano. Penso que todos retratam o dia-a-dia de uma cidade. Sobretudo as feições, como friso em um dos poemas.

Na poesia "Receita para um poema", você fala em "Palavras. Nem tantas, nem poucas. O essencial". Para você o que caracteriza um bom poema? Tem predileção pelos versos brancos e livres ou é uma característica de "As Cidades"?
R: Para mim, o que caracteriza um bom poema é extamente poder dizer tudo, ou pelo menos muito, em poucas palavras. Minha preferência é pelo versos brancos e livres. Não é apenas uma caracteristica de "As Cidades".

Como você vê o panorama poético atual?
R: A poesia não vende e, portanto, não interessa aos editores. Porém, ela também não se vende, e por isso, ainda está viva. Viva a poesia.

O que acha dos fenômeno do blogs e sites como divulgadores de poesia?
R: Todo processo de divulgação da poesia vale a pena. Se nos resumirmos apenas à edição de livros de impressos estamos fadados a desaparecer. Eu ainda não me familiarizei com esse mundo da divulgação virtual. Ainda não tenho um blog nem um site para divulgar minha poesia.

Quais dicas vocês daria ao novo escritor?
R: Ler, ler e ler ... Escrever, escrever e escrever.


CONCORRA A UM EXEMPLAR

Como distribuirem apenas um exemplar de As Cidades, autografado pelo autor, optei por manter o método de sorteio, assim qualquer pessoa, mesmo as menos criativas tem a oportunidade de ganhar um exemplar. Vejam as regras para particpar (o resultado deve sair no final da Semana - ou Quinzena, pois penso em ampliar devido ao feriado - de Poesia):

- Deixar um comentário no blog sobre a resenha, sobre a sensação que tiveram do livro ou até mesmo sobre o poema que coloquei, enfim, para o autor saber o que acharam. Não esqueçam de assinar o comentário com o nome de você no twitter. Exemplo: @leoschabbach

- Digitar a seguinte mensagem via twitter: RT @leoschabbach concorra a um exemplar do livro As Cidades, do poeta Francisco Pipio. Valorize os autores nacionais! - http://migre.me/KW7A
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