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A ficção sobrenatural e a sociedade: o embate entre Fé e Razão

em 18 de jan de 2011.

Hoje resolvi falar sobre um tópico no qual penso muito: a relação entre sociedade e ficção. Como sempre defendi e defendo por aqui, os diversos universos ficcionais com os quais temos contato diariamente (novelas, filmes, noticiários e etc...) são de extrema importância na formação das noções do que é certo e do que é errado de todos os indivíduos, nas concepções sociais que nós teremos. Entretanto, a ficção que produzimos também reflete os anseios de nossa sociedade. Deste modo, quando nos deparamos com o crescente sucesso de obras literárias ou audiovisuais com a temática fantástica ou sobrenatural, há de se pensar um pouco. Por que este interesse repentino?

Na minha opinião, o sucesso deste tipo de criação se dá por dois motivos. Hoje, irei falar de um deles aqui, que envolve justamente esta relação entre ficção e sociedade, o tema que escolhi para a postagem de hoje.

Logicamente, como alguns já devem estar pensando, a exploração do sobrenatural na literatura não é nova, obviamente. Porém, se analisarmos com muita calma, poderemos notar que há épocas em que este tipo de literatura é mais presente. De uma maneira geral, isso acontece conforme o momento social, a situação em que a sociedade se encontra. Falo aqui, especialmente, da relação entre Fé e Razão. Isto é, na crença no imponderável e na crença científica.

Durante os muitos séculos de existência da humanidade, houve uma variância, especialmente significativa nos últimos séculos, entre a crença no sobrenatural e nos ideais científicos. E essa variância ocorre, pricipalmente, de acordo com a situação em que a sociedade se encontra em determinada época. No século XIV, por exemplo, quando o mundo ocidental passou por uma grave crise, em que milhões de pessoas morriam devido a peste bubônica, passou-se a se questionar a sabedoria da época, que era extremamente voltada para o religioso. No momento em que a humanidade não conseguia mais encontrar explicações no Divino para aquela aguda crise, ela se voltou então para o cientificismo, que prometia solucionar todos os nossos problemas, encontrar a cura para as doenças e etc...

Hoje, porém, parece-me que ocorre o processo contrário. Mesmo possuindo tanta tecnologia, vemos milhões de pessoas morrerem de fome todos os anos, deparamo-nos com doenças como a AIDS, que a ciência até agora não consegue erradicar. Enfim, o discurso científico não mais consegue dar todas as respostas de que as pessoas e a sociedade necessitam. Num contexto assim, o homem volta-se novamente para o sobrenatural, na esperança de encontrar nesta "nova" crença uma resposta aos seus anseios.

Deste modo, uma conclusão que pode ser tirada deste sucesso crescente de filmes, livros e séries voltadas para o fantástico é a de que a sociedade começa a viver uma nova crise de paradigma; isto é, mesmo inconscientemente, as pessoas começam a procurar por novas teorias que possam dar as respostas de que tanto necessitam.


Nota: isso me fez pensar no livro de auto-ajuda O Segredo, que vai bem por esse caminho, talvez por isso seu extremo sucesso.

Nota 2: acho que farei no futuro uma postagem para explicar a segunda razão, em minha opinião, pela qual algumas ficções sobrenaturais têm alcançado muito sucesso.

15 Comentários:

marcos nunes

Menos do que “ignorância” da ciência, a sobrevivência do sobrenatural se dá pela ignorância das pessoas, as quais o conhecimento científico não chega, até por falta de interesse das classes dominantes.

Ciência é sinônimo de conhecimento realmente existente; não há cientista que diga que somos capazes de compreender o universo, mas sim que somos capazes de administrar, com enormes graus de acerto, materiais e fenômenos, como somos capazes de criar a partir do existente coisas novas.

Alguns mistérios acerca da vida são menos que mistérios, mas insistência das pessoas em procurar pelo em casca de ovo.

Há extraterrestres? Pode ser que haja, mas, diante do fato de que uma viagem interplanetária rumo à Terra, a partir do planeta com possibilidade ínfima de vida mais próximo, levaria no mínimo 500 anos, a probabilidade de alguma criatura resistir a viagem tão longa em nave capaz de suprir fontes de energia que a capacitassem a cobrir tão longa distância... é mínima, desprezível.

Há vida após a morte? Há, comprovadamente, para a matéria orgânica após a morte do ser. Qualquer ser orgânico, equiparando, por exemplo, minhocas a humanos. Qualquer manifestação do que chamam de espírito deriva da projeção daquele que, por medo, ansiedade ou qualquer tipo de loucura, projeta a partir de sua própria mente seus fantasmas. Ninguém que não creia ao menos na possibilidade da existência de espíritos os veem. Sem esquecer a esquisitice sem par de um espírito aparecer com a aparência que ele tinha enquanto vivo, inclusive com as mesmas roupas...

Poderíamos continuar debatendo metafisicises por horas, mas a verdade é uma só: as relações humanas, em si mesmas, já são difíceis de mais, com seus discursos, sonhos e projeções, para nos preocuparmos com outras manifestações que, no final das contas, em nada alteram a substância das coisas, pois isso é feito pelas relações humanas: de paixão, de produção, de destruição. Tudo que é humano não nos é estranho, e tudo que existe deriva das ações humanas, à parte os desastres naturais que atingem a humanidade e os transformam em mais um problema humano.

O recrudescimento do sobrenatural é, portanto, apenas o retorno do mesmo: diante do medo do ser diante das coisas tanto mais incompreensíveis e infinitas quanto mais esse ser ignora o conhecimento científico que o faz, por exemplo, utilizar celulares e televisores sem cogitar minimamente como foi possível chegar até eles, o apelo dos deuses, cogitações de reencarnações e qualquer discurso sem pé nem cabeça que dê esperança diante do aparente absurdo de ser-para-a-morte (nada absurdo quando temos diante de nós milhões de espécies vivas cujas mortes não nos sensibilizam em nada) ganham adeptos, seguidores, tropas de loucos a gritar “Aleluia!” atrás de qualquer falso profeta (e 100% deles são falsos), ou se dirigindo a um Céu que não existe, apenas um Cosmos infinito e em expansão. Medo e angústia, estão são, em suma, as raízes do sobrenatural. Todo o resto (e aí sim, todas as absurdidades decorrentes da ignorância do existente e o mero medo da morte) decorre daí. No mais, refina-se, prolonga-se, depura-se.

Perdão pelo tamanho abusivo do texto.

Leonardo Schabbach

Primeiro, acho que você acabou indo por um caminho completamente diferente do que eu propus. Queria discutir aqui a relação entre a ficção e a sociedade e o que denota o crescimento da crença no sobrenatural - uma discussão social e literária, portanto. Então, não estou querendo ser grosso aqui, gosto dos comentários que trazem discussão, mas gostaria que mantivessemos nossa discussão neste aspecto.

Você é marxista e ateu, okay, mas não precisa chamar as pessoas que visitarão o blog de ignorantes só por eles terem uma crença diferente da sua. Esse é o pior tipo de arrogância possível.

Como deve ter ficado claro, discordo veementemente da afirmação de que a crença no sobrenatural - a fé ou seja lá o que for - é questão de ignorância. Você pode não acreditar, mas não pode relegar a crença a uma questão de ignorância apenas. Até porque, cientificamente falando, não acreditar em nada, o ateísmo, portanto, também é uma crença; não se pode provar que nada além do humano não exista.

Há muitos cientistas, inclusive, que possuem formação muito superior a minha e a sua, que, embora trabalhem com a ciência, também acreditam no sobrenatural. Você poderia chamar o próprio cientista de ignorante? Difícil.

Além disso, com o advento da física quântica, apareceram questões realmente complexas, questões inclusive que colocam em cheque a validade das bases de todas as nossas crenças científicas. Um problemão.

Portanto, essa questão de sobrenatural ou não, se existe um Deus ou não, é muito complexa para ser desfeita com a simples afirmação de que quem acredita nisso é ignorante, até pelo fato de que muita gente que acredita nessas coisas tem uma formação muito completa.

Exatamente por este motivo, não quero que entremos nesta discussão, pois ela não teria fim. Quero que apenas pensemos nos fatores de sucesso da ficção sobrenatural hoje, e como ela seria um reflexo dos tempos conturbados em que vivemos.

Cassio Barros

Na minha opinião, o sucesso da ficção sobrenatural atualmente se deve muito mais a uma necessidade de fuga da realidade. O indivíduo contemporâneo precisou em pouco tempo assimilar muitas e complexas transformações sociais que ainda continuam acontecendo. Infelizmente não houve tempo suficiente para um preparo capaz de habilitá-lo para lidar melhor com essas mudanças. E uma das saídas encontradas por ele é preterir o enfrentamento dos problemas reais em detrimento dos problemas sobrenaturais. O que não se consegue explicar; o que não tem resposta; o que foge do seu controle; lidar com tudo isso acaba sendo paradoxalmente mais confortável e mais fácil do que enfrentar a possibilidade do insucesso no trato com as questões práticas da realidade. Sei que não é possível em um comentário breve como esse tratar de toda a complexidade que permeia o tema, mas de qualquer forma essa é a síntese do que penso a respeito.

Leonardo Schabbach

Cassio, eu concordo com você.

No texto eu falo em dois motivos, e hoje falei de um deles. O segundo passa muito por isso tudo que você falou mesmo. Vivemos em um mundo incerto e, na ficção, os indivíduos encontram as certezas que não podem ter na vida real.

Seu comentário realmente completa as idéias que tenho sobre o assunto. Valeu!

marcos nunes

Oj, Leonardo; embora considere suas contestações insatisfatórias, incompletas, ou mesmo sofísticas, não vou treplicar. Mas vale dizer que, quando falo de ignorantes, falo de todos nós, sem exceção. Não crer em algum deus não transforma ninguém em intelectual ou superior. Arrogantes crentes são tão arrogantes quanto os ateus. Mas deixa pra lá.

Basta dizer que a ficção que tende à exploração do sobrenatural existe pelas mesmas questão que alguns buscam no inexistente explicações sobre o existente, porque a complexidade dos conflitos gerados pelas relações humanas parecem indevassáveis, não resultando de suas análises conclusões que logrem eliminar os medos da vida e da morte (e consequênte angustia existencial).

Assim, a literatura nada mais faz do que por em dúvida as realidades construídas pelos homens, alternando-as com as realidades ratificadores dos mistérios, pela via da ficção, servindo assim à tergiversação acerca dos problemas que, de tão humanos e demasiadamente humanos, não devem ser resolvidos, pois isso implicaria no rompimento de algumas lógicas de poder, inclusive as teológiocas.

Por isso, no que tange à literatura com veios fantásticos, fico ainda com o velho realismo maravilhoso (ou fantástico), de autores como Alejo Carpentier e Juan Rulfo.

Paul Law

Acho que suas palavras foram muito bem colocadas. Juntadas ao que o Cassio disse, completam mesmo os motivos para o sucesso dos livros fantásticos.

Não posso deixar de dizer que acredito na permanência das "fantasias" por muitos anos ainda.

Ótima postagem reflexiva.

Um abraço, Leonardo.

Wander Shirukaya

Bom, a "moda" sobrenatural, a meu ver reflete como vc bem destacou, os interesses de nossa geração. Desde o fim do século passado estamos numa sensação de inércia contra tudo; a projeçao de nossas expectativas para a ficção então se torna natural, bastando-nos o exemplo do espiritismo q já é tema ercorrente nas novelas. O sobrenatural na literatura, se não resulve o problema do dia-a-dia, transforma-se numa alternativa que nos possa propiciar a resolução desse problema. Isso de fato é algo bom, pois sem isso a vida se tornaria insuportável. Entetanto, tm graves desvantagens, tais como trazero perigo do leitor/ apreciador achar que a ficção substitui a realidade, causando uma alienação condenável.
Boa discussão, Leonardo!
^^

Yokuo

Bem, geralmente eu falo muito, mas tentarei ser bem breve aqui:

Acho simplesmente que o sobrenatural nas histórias é uma "fuga divertida" para nós que vivemos no mundo real. Eu, como ateu, considero histórias sobre magia, mitologia, anjos e Deus muito interessantes porque, como não acredito nessas coisas, é justamente na ficção onde eu posso apreciá-las, onde elas podem aparecer sem que eu reclame de algum crente querendo me converter, onde tudo, TUDO, as coisas mais malucas podem acontecer e eu achar a coisa mais natural do mundo.

Pelo mesmo motivo eu gosto de escrever esse tipo de ficção. Meu mundo, minhas regras, minhas contestações usando exatamente aquilo que contesto, e endossando aquilo que acharia fantástico caso existisse.

O Homem criou muitas coisas nas quais eu não acredito. Coisas demais para que eu não as use ao menos na ficção. Em algum lugar elas têm de existir para mim. :)

Leo

"Há muitos cientistas, inclusive, que possuem formação muito superior a minha e a sua, que, embora trabalhem com a ciência, também acreditam no sobrenatural. Você poderia chamar o próprio cientista de ignorante? Difícil.

-Um dos mais fundamentais princípios científicos é que o conhecimento nao pode ser baseado em autoridades. Nao é porque Einstein falou (apenas um exemplo avulso) que a Terra é quadrada, que ela realmente seja quadradda. A ciência não é baseada em autoridade, mas sim em experimentação e hipóteses, até inferir-se o mais próximo da verdade.

Além disso, com o advento da física quântica, apareceram questões realmente complexas, questões inclusive que colocam em cheque a validade das bases de todas as nossas crenças científicas. Um problemão."

-Outro erro frequentemente mencionado. Essa moda péssima que pegou no início do séc. XXI, o chamado "misticismo quântico". A maioria das pessoas que promovem essa tolice realmente não entende nada de quântica, e aproveitam-se desse cenário pra lançar teorias totalmente absurdas e anticientíficas, um exemplo claro de pseudociência, promoção de pseudoconhecimento, que é um mal de nossa sociedade. Pra quem realmente entende de física, sabe que a quântica nada mais é queo estudo do muito pequeno, o que nos levar a um patamar mais avançado na compreensão das forças da natureza, e de como elas se relacionam com o "Muito grande". Portanto, por favor, desmitifique-se a respeito da física quântica.

A parte que citei mostra exatamente onde há precariedade no entendimento real de ciência na sociedade. A ciência ainda permanece mistificada, sombria, e seu comentário só demonstra alguns desses erros primários.

Leonardo Schabbach

Bem, no seu primeiro argumento você disse exatamente o que eu quis dizer. Só porque uma pessoa diz que nada existe você deve acreditar? O que eu quis colocar é que mesmo as pessoas que trabalham com a ciência têm suas dúvidas quanto a existir ou não algo além de nossa compreensão - e elas não são pessoas "ignorantes". Isso, portanto, coloca a questão de haver ou não Deus e etc... ao menos num patamar de dúvida. Ninguém teria como precisar ao certo se existe ou não existe, mas é errado tratar quem acredita no sobrenatural, divino e etc... como ignorante; era apenas isso que eu queria defender com meu argumento, não queria defender a idéia de que o sobrenatural exista.

Sobre a física quântica. Eu não sou a favor deste "misticismo" quântico que você menciona. Mas o que falei é verdadeiro. Há descobertas na física quântica que são sim um problema para a base do que vinha sendo a ciência até então. E falo isso, porque meu orientador mesmo, que é filósofo e participou por muitos anos de grupos de discussão com físicos muito bem graduados, discutia junto com eles exatamente este tipo de coisas.

Um exemplo do mais básico, é aquele em que em um experimento o fóton ("luz") se comporta de formas diferentes quando observado de maneiras diferentes. Isto é, em alguns experimentos a luz (fóton) se comporta como partícula e em outros como ondas. Ou seja, ela seria onda e partícula ao mesmo tempo. Somente isso já altera radicamente alguns alicerces da ciência, como o da não-contradição de Aristóteles (uma coisa não pode ser ela e outra ao mesmo tempo; no caso do fóton, pode) e o próprio conceito de objetividade.

Antigamente, acreditava-se que as coisas eram como eram sempre, e que precisavamos descobrir através da ciência como elas são. Com o advento dessas novas descobertas, vê-se que o observador, o ato de observar, pode modificar qualidade essenciais do objeto. Ou seja, isso coloca em dúvida qualquer observação feita anteriormente; afinal, quem garante que aquilo que foi observado se comporta daquela exata mesma forma quando não o é?

Só coloquei que a física quântica nos fez repensar algumas regras que eram alicerces da ciência - e que a ciência, portanto, está longe de explicar todas as coisas. Não quis, com isso, defender que o sobrenatural exista ou pregar um misticismo.

Mais uma vez, aviso que NÃO quero que este tipo de argumentação se alastre, estamos aqui para falar de literatura. Sabia que o post poderia descambar para esse tipo de argumentação, porque há sempre fanáticos religiosos ou céticos fanáticos (não me refiro a você, Marcos, aqui) para só enxergarem a parte do post que tocou neste tipo de assunto - e para pensar que estou defendendo um lado ou outro. Você imediatamente já tocou no assunto do "misticismo quântico", quando eu falava apenas que a física quântica trouxe novas questões para a ciência resolver. Resolveu me atacar apenas por ter imaginado que eu discordava da verdade absoluta de que nada existe, que também é uma crença.

NOVAMENTE, estamos aqui para falar de sociedade e literatura. Peço que não se façam mais comentários em relação à religião ou ceticismo. E muito menos comentários agressivos quando sequer se entendeu o que estava realmente escrito (vai ver você, como um homem da ciência, não tenha aprendido a interpretar textos com precisão). Desculpe pela minha agressividade, porém, ao dizer que eu tinha cometido erros primários sem parar para entender o que eu queria dizer, abriu-me um precedente.

Leonardo Schabbach

Yokuo, eu tenho mais ou menos o mesmo sentimento que você em relação à ficção sobretural e fantástica. Gosto muito de ler e escrever este tipo de ficção também.

E gosto mais ainda quando a utilizam, quando usam o fantástico, sobrenatural ou absurdo para criticar nossa própria sociedade.

marcos nunes

Jardins de Júpiter

Diria que a caneta escorregou no infinito
e, como um espírito, psicografou, em linhas extensas
detalhes sobre a vida nos jardins de Júpiter.
Acordo do sonho; o dia virou noite, o sol
cedeu lugar às estrelas, e o azáfama das pessoas
prossegue, passo após passo, em direções definidas.
Recorro mais uma vez à escrita; de olhos abertos
a vida nos jardins de Júpiter é ainda
mais fácil de imaginar.

Michel Filipe

Eu sou pobre gente, e pobre voces sabem, amam bafões! hahahahahahahahahaha

Brincadeira gente, foi só pra dar um humor aqui na parada... hehehe

bom, eu acredito que essa fama da ficção já é de berço. Corrigindo, as pessoas amam histórias.

A época de ouro da Grécia é um exemplo, com seus bardos e poetas, tudo fascinante. A criatividade deles eram incríveis, tanto que inspira até hoje. e pra ter idéia pra tanta história deve dar trabalho. Prender o publico? ainda mais e não parecer repetitivo... nossa que dor de cabeça.

E todo mundo sabe que ficção chama mais atenção. Não só a sobre natural, mas também aquela que um homem parece um herói que fez de tudo pelo prazer de ver um sorriso no rosto de uma menininha por salvar um gato em uma árvore.

O povo gosta de ouvir, gosta de falar. pronto! juntou a fome com a vontade de comer. E se passa isso para um livro... sucesso.

Mas nem todos, é claro. Tem que ter muita criatividade e um pouquinho de sorte. hehehe

Além disso, por mais que os anos passem continuaremos sempre a ser crianças. Em grau elevado, mas no fundo criança. Umas chateadas e irritadas por não ter todas as respostas. Outras com mente abertas para tudo que seja interessante. E assim por diante.

Carlos Leal

Primeiramente gostaria de dizer q as pessoas têm mania de interpretar uma palavra de uma só forma. Foi só colocar a palavra Fé no título, q alguns já acharam q era uma discussão sobre religião e ciência !!! Bem, enfim, na minha opinião o sucesso da ficção sobrenatural se deve justamente por nos proporcionar coisas q não temos no dia a dia, serve como uma fuga da nossa própria realidade. Da nossa própria concepção de fé, pois fé, não se limita ao religioso. A fé, nada mais é do que uma crença inquestionável de uma pessoa.
Pode-se crer sólidamente na NÃO existência de gnomos, fadas, elfos, vampiros, lobsomens etc..., porém, quando lemos um livro onde a personagem faz um pacto com forças malígnas, certamente nos questionaremos se isso é possível. Porque já vimos tantas loucuras serem cometidas em nome do Diabo e até mesmo em nome de Deus na nossa sociedade, que livros com esta temática acaba sendo mais realista do que aqueles com outros seres fantásticos já citados. Enfim, a verdadeira ficção sobrenatural põe à prova a fé, a crença que temos em algo. Enquanto a outra, apenas nos diverte com figuras do lendário humano que a maioria crê sólidamente não existir.

CLODOALDO BASTOS

Com a chamada pós modernidade ficou um certo vazio, aquela sociedade moderna e cientificista que criticou o metafísico religioso em nome de uma crença na ciênça, sem negar a religião em sua maioria, foi critica por intelectuais e artistas que negaram a absolutização filosófica e científica. Dentro do vazio deixado pela pós modernidade, aqui em sentido bem amplo, ouve uma redescoberta do religioso e do fantástico, mas o curioso é que esse retorno se dá com temas e releituras do romantismo com sua idealização do medieval e sua carência e desejo por uma identidade nacional. A literatura fantástica sempre existiu, mas nos últimos quarentas anos ela teve uma retomada, ou melhor, um crescimento, as discuções entre fé e razão passaram a ter um novo enfoque, agora as duas são alvos de críticas e de relativismos. Assim como alguns colegas que escreveram seus comentários eu também sou ateu, mas gosto dos temas fantásticos nas artes, são válvulas de escapes para nossa imaginação, para criarmos mundos fora de nossa realidade, porém sem deixar de ter ligações diretas com a nossa cotidiana e ordinária vida "real".

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