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Donatelo, o escritor: A leitura

em 1 de fev de 2011.

Donatelo se sentou em sua poltrona verde, como sempre gostava de fazer; mas dessa vez não pretendia contar as pessoas que passavam na janela. Não. Quem o conhecia sabia bem que naquele horário ele se entregava à leitura, às fantásticas histórias contidas nos livros. Mas tinha de ser naquele específico horário e, principalmente, naquela poltrona.

Donatelo, inclusive, ponderava: como aquela relação era forte! O livro, a poltrona, um copo de água, afinal, precisaria molhar a garganta, e uma xícara de café, que tinha a exclusiva função de intoxicar o ambiente com seu aroma inebriante. Tudo estava, então, pronto para o início de sua viagem, ou melhor, de sua leitura, como sua mulher cismava em lhe corrigir.

As primeiras palavras do livro soavam hipnóticas, era uma sensação estranha. E como é estranha a sensação que se tem ao ler. Aquela voz começa a soar, a recitar um som silencioso de palavras. Mas logo ela some, se o livro for bom, é claro; a casa some, a poltrona some, tudo some. Donatelo logo se vê em outro lugar; não imagina, sente. Esse é o poder dos livros. Não via tanta graça em filmes ou mesmo na televisão. Eles não levam a lugar algum, te deixam estáticos, a observar apenas.

É nos livros que se realmente vive, ele repetia para sí. É nos livros que se sente e pensa, é uma experiência, por assim dizer. Depois, não pensou em mais nada, estava totalmente focado em sua viagem ao centro da terra. Vamos, Axel, não seja tão cético, ele pensava, chegou a hora de nos prepararmos.


*Axel é o personagem que narra a história Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne

2 Comentários:

marcos nunes

É interessante. Mas troquemos as reticências de Axel (da Viagem de Verne) pelas do recentemente falecido Roberto Bolaño, para quem (será mesmo?) o fato dos escritores e leitores viverem no mundo da literatura de certa forma enfraquece a todos - escritores, leitores e a própria literatura. Em 2666, por exemplo, ao final, Archimboldi termina por dirigir-se à Santa Teresa para tentar salvar seu sobrinho, às voltas com a violência real (daquela que é, na verdade, a ultraviolenta cidade mexicana de Ciudad Juárez) e o arbítrio da prisão. O mergulho nas nebulosidades pode provocar letargia e desconexão. Embora abra conexões, a literatura, atenção, também pode servir ao embotamento puro e simples, ou ao engajamento ao universo brutal que reivindica como visão do futuro. Em síntese, a antena crítica tem que estar sempre ligada.

Isie Fernandes

Bom, Leo, já sabe que gosto do Donatelo. E você conseguiu criar um ambiente particular dele. Nós lemos os contos sobre o Donatelo e até nos sentimos na pele dele - ou será que ele é que está na nossa? Talvez não faça muita diferença.

"Não via tanta graça em filmes ou mesmo na televisão. Eles não levam a lugar algum, te deixam estáticos, a observar apenas." Excelente!

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