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Eduardo Spohr: de autor independente à lista dos mais vendidos

em 15 de fev de 2011.

Como havia prometido algum tempo atrás, volto a tentar colocar pelo blog mais entrevistas e matérias com autores brasileiros. Sei que tem muita gente que gosta de acompanhar, por isso procuro, toda vez que tenho tempo, fazer postagens do estilo. Acho legal também valorizar os autores nacionais, como sempre digo.

Hoje, trago uma história que, para mim, é muito interessante, animadora e que pode servir de exemplo para muita gente. Falo do escritor Eduardo Spohr (@eduardospohr) e do enorme sucesso alcançado por seu livro, A Batalha do Apocalipse. Também conversei com o Eduardo, sempre muito prestativo, e irei trazer duas entrevistas diferentes para vocês, uma hoje e outra na quinta-feira, quando irei postar a resenha do livro com uma promoção: portanto, fiquem ligados.


Imagino que boa parte dos leitores já tenha ouvido falar da obra. Se passarmos em qualquer das grandes livrarias a encontraremos com facilidade. Entretanto, a história nem sempre foi assim. Eduardo fez sua pesquisa, escreveu o seu livro, que tem um grande número páginas, o que torna difícil a publicação por parte das editoras, e decidiu apostar em seu próprio projeto - após receber, segundo fui informado, em um concurso, alguns exemplares impressos como premiação. O que começou, então, com uma pequena tiragem vendida pela internet no site do Jovem Nerd, ganhou novos contornos; pessoas comentavam com outras pessoas sobre o livro e a obra começou a se vender sozinha. Após algum tempo, segundo pude apurar, A Batalha do Apocalipse havia vendido algo em torno de 5 mil exemplares sem o auxílio de nenhuma livraria, feito que já seria considerado excelente mesmo que o livro tivesse sido lançado com investimento e por uma grande editora. Notamos, então, como a divulgação da obra pela internet foi bem feita e como ela tem a capacidade de gerar propaganda boca a boca; isto é, o poder que ela tem de fazer com que as pessoas a indiquem para amigos e conhecidos.

O sucesso, naturalmente, chamou a atenção dos editores; e a obra foi retocada e reimpressa pelo selo Verus, da Editora Record. A partir daí, o até então escritor independente Eduardo Spohr passou a dividir a lista dos livros mais vendidos com balados autores estrangeiros, o que é um feito bem difícil para um autor nacional, ainda mais um estreante.

Enfim, uma história de sucesso legal, que nos mostra que o autor nacional pode sim conquistar o público e que, por isso, deve ser valorizado. Arrisco-me a dizer também que A Batalha do Apocalipse mostra, uma vez mais, a força da literatura fantástica (da qual sou muito fã, embora se dê pouca atenção aos autores nacionais do gênero).

Bom, agora que já sabem um pouco mais da história do Eduardo, vocês podem acompanhar a primeira entrevista que fiz com ele, falando um pouco sobre suas experiências:


De onde surgiu a idéia de fazer uma publicação independente? Você chegou a enviar o original de seu livro para editora comerciais?

R: Enviei para várias editoras, mas como não houve resposta decidimos investir nós mesmos, fazendo a produção independente.


Muita gente sabe que seu livro está vendendo muito agora, uma vez que foi relançado por um selo da Record, mas pouca gente sabe que somente com vendas online você chegou a vender, pelo que fui informado, mais de 5 mil exemplares, algo muito difícil de acontecer até mesmo com autores de grandes editoras. Você esperava por este sucesso estrondoso que o livro fez por meio do universo online?

R: É impossível prever se uma obra fará ou não sucesso, portanto não tínhamos certeza. Mas acreditávamos no potencial do livro, e resolvemos arriscar.


Você acha que a internet abre portas para os novos autores? Até que ponto? Como acha que ela deve ser utilizada?

R: A Internet é só mais um meio de divulgação e comunicação. O que vai abrir portas é a pessoa ser persistente, trabalhar, ir atrás do que gosta.


Acha que mais autores independente nacionais podem obter o mesmo sucesso que você? E quais as maiores dificuldades que você encontrou ao fazer sua publicação independente?

R: Não só podem como já estão fazendo. O André Vianco, por exemplo, está aí na estrada há muitos anos. Outros como o Raphael Draccon e o Leonel Caldela são exemplos de escritores nacionais de fantasia que fazem grande sucesso.

Sobre a produção independente, o único problema é que você tem que pôr a mão no bolso e bancar a produção inicial. Mas isso não é diferente de qualquer empreendimento, em que o empreendedor deve entrar com um capital inicial.


Os autores de literatura fantástica nacional são sempre deixados em segundo plano pelas editoras tradicionais, algo que parece até mesmo estranho, uma vez que este é um gênero que tem feito um sucesso incrível tanto aqui como lá fora. O que você pensa sobre este assunto? Você tem a percepção de que o sucesso do seu livro pode abrir espaço para os novos autores nacionais?

R: Esse é justamente o objetivo. Sempre digo que a missão deste livro é abrir portas e incentivar a literatura de fantasia nacional.


Conte-nos um pouco sobre as estratégias que você utilizou para divulgar o seu livro, quando ele ainda era independente.

R: Usamos basicamente o blog, o podcast e as redes sociais, especialmente o Twitter. Fizemos um hotsite e nele colocamos imagens e trailers em áudio.


Como foram as conversas com a Record?

R: Depois da repercussão na Internet, eles vieram me procurar e ofereceram um contrato.


Você acompanha a produção literária nacional, digo, está atento aos novos autores, principalmente de fantasia, que estão surgindo no mercado? Se sim, algum lhe chama a atenção?

R: Com certeza. Esses três autores que eu mencionei acima - André Vianco, Raphael Draccon e Leonel Caldela – são os nomes mais importantes, ao meu ver.


Você acha que os autores nacionais conseguiriam ter tanto sucesso como os estrangeiros se as editoras gastassem o mesmo dinheiro com propaganda e com altas tiragens como gastam com títulos importados?

R: Acho que depende mais do conteúdo e da qualidade do livro do que da propaganda. Afinal, a melhor divulgação é o boca-a-boca.

15 Comentários:

R.A.M.P.

Gostei muito da entrevista. Eu sou só mais um dentre tantos escritores brasileiros a procura de seu espaço. Há dois anos que procuro a melhor forma de lançar meu primeiro livro, mas acabo sempre na dúvida de como proceder.

Gostei muito do livro "A batalha do Apocalipse"e com certeza comprarei mais livros do Eduardo.

Abraços

Robson André

marcos nunes

O que me preocupa um pouco é a abordagem já a partir do escritor da literatura como "negócio", business. Fala em investimento, empreendedor, capital inicial... Ok, é necessário porque a visão dos editores é tacanha - se dependesse deles, Shakespeare seria autor inédito - mas também revela o escritor menos como artista e mais como aquele cara que sonha, sobretudo, com o sucesso comercial para levar sua vidinha de escritor de maneira confortável, burguesa. Não que o escritor tenha que sofrer, viver paupérrimo, sacrificar-se até o martírio, mas dá perfeitamente para viver para seus próprios livros enquanto, por exemplo, se trabalha em uma Companhia de Seguros - o exemplo é Franz Kafka. Escritores são pessoas comuns, não devem se achar os caras mais injustiçados do planeta; bilhões de outras pessoas igualmente comuns o são à frente deles. No final, ser autor publicado e reconhecido por um número razoável de leitores é fruto do encontro de dois entes afins, o escritor e o leitor, e esse encontro é balizado não pelo mercado como regente das relações sociais, e sim pelas relações sociais como estruturantes das relações de mercado... ou seja: é o conjunto de leitores que apontam a direção, e os exploradores mercadeiros vão atrás babando em suas gravatas. O escritor, sem ser olímpico, não precisa, contudo, ser uma criatura rastejante. Eduardo Spohr não o é; basta saber - não lhe foi perguntado - onde, para ele, a literatura entra nessa mixórdia de paixões humanas, uma vez que algumas direções são previsíveis, por mais que a vida nunca o seja.

Paul Law

esta postagem foi muito interessante para nós que estamos começando uma carreira literária. Saber que o autor nacional está vencendo é muito bom.

Parabéns ao blog e ao autor do livro aqui em questão.

Abraços.

CLODOALDO BASTOS

Escrevi um pequeno romance e estou esperando a revisora me entregar, como marinheiro de primeira viagem tenho dúvidas e e receios em relação a publicação do primeiro livro. Essa entrevista me anima e é uma injeção de ânimo na luta para publicar o livro.

Leonardo Schabbach

Marcos, uma vez mais, vou dizer que entendo sua posição em relação à literatura. Mas, uma vez mais, vou dizer também que você julgou um autor sem nem conhecê-lo e nem conhecer a obra. E o julgou negativamente simplesmente por causa de sucesso editorial, na minha opinião, posso, e espero, estar errado, só não acho que seja o caso.

Em relação ao autor ter falado numa visão mais mercadológica, isso se deu por causa das minhas perguntas, que foram voltadas nesta direção justamente por este ser o tema da matéria que eu ia fazer.

Na segunda entrevista, falamos mais de criação literária, e de assuntos mais ligados ao livro.

marcos nunes

Leo, mais uma vez vou dizer que você não entendeu o que escrevi.

Não julguei negativamente, só não concordo com a abordagem da literatura A PARTIR de uma "visão de mercado". O autor, o livro, não conheço, nada disse sobre. O problema, então, foram mesmo as perguntas, o foco, o destaque ao não literário, que virá depois.

Os comentários em 90% do texto acima não se referiam a ninguém, mas à literatura &/versus mercado, com alusões genéricas e só duas (Kafka e Shakespeare) específicas.

A minha preocupação é por o literário à frente, não a reboque, não preocupado com, questões de mercado. É com a educação e formação e leitores. E, creio, não é uma boa tentar formar leitores aludindo sistematicamente a questões "de mercado". Ok?

Leonardo Schabbach

É, até peço desculpas, lendo de novo acho que julguei mal o comentário. Seu comentário inteiro para mim tinha sido excelente, exceto a parte final, onde tinha me parecido haver um julgamento negativo desnecessário, mas acho que me enganei mesmo.

Entendo a preocupação. Mas como falei, as perguntas aqui foram mais voltadas para mercado mesmo por causa da matéria.

Sobre o livro em si. É um livro voltado mais para entretenimento mesmo, mas o Eduardo não o fez pensando meramente em termos mercadológicos, o fez porque era um tema que ele já pesquisava e sobre o qual sempre teve vontade de criar uma história. Ainda assim, certamente será um livro que atrairá novos leitores (pessoas que talvez não viessem a se interessar em literatura), e abrirá portas para outros autores brasileiros, o que pode ser muito importante.

Fábio C. Martins

Não tive o prazer de ler o livro ainda, apesar de o ter comprado, mas as boas críticas que tenho escutado só aumentam a vontade de ler, ainda mais por ter adquirido as primeiras tiragens, quando ainda estavam vendendo no site do Jovem Nerd.

Daí, vem você e coloca essa entrevista, chamando ainda mais a atenção para o livro... desse jeito vai ser impossível não ler dois livros ao mesmo tempo!

Abraços e espero a promoção.

Leonardo Schabbach

Hehe. Então leia, hahaha. Amanhã vou tentar postar a resenha, com promoção. Mas se não der pra postar amanhã, colocarei na terça que vem.

marcos nunes

Entendi o que você talvez tenha entendido mal. O que escrevi foi que o Eduardo não era uma criatura rastejante, mas ficamos sem saber, porque ficou para depois - a entrevista foi editada dessa forma - como a paixão pela literatura entra nisso tudo e o faz ser o escritor que ele é, qualquer que ele seja, qualquer que seja seu foco, vocação, interesses, enfim, sua vida. Nenhum julgamento de valor sobre ele, que não me cabe e sequer seria possível a partir da entrevista, que tratou, em sua primeira parte, apenas da colocação do escritor no, ahn, "mercado".

Qualquer coisa, me desculpe, mas é que essa conversa de "mercado" me deixa, como dizem os portugueses, "nas tintas"!

Leonardo Schabbach

É, eu sei, hehehe. E entendo, às vezes me bate uma revolta em relação a estas coisas também.

Anônimo

"...Não que o escritor tenha que sofrer, viver paupérrimo, sacrificar-se até o martírio, mas dá perfeitamente para viver para seus próprios livros enquanto, por exemplo, se trabalha em uma Companhia de Seguros..."

Essa obrigação de se ter um emprego principal e deixar a vocação em segundo, terceiro, último plano é que é revoltante.

Anônimo

a entrvista foi muito boa porem, faltou apenas uma só pergunta de onde um autor tão jovem pode ter tirado essa linda e magnifica história, pois já li centenas de livros de todos os generos e de autores com muito mais experientes mas nada comparado A BATALHA DO APOCALISE de EDUARDO SPHOR
(layz)

Anônimo

eu concordo em algumas coisas dos comentários do Marcos Nunes. Algumas. Sucesso comercial do autor não quer dizer que ele é um grande autor, às vezes é justamente ao contrário (não é o caso do Spohr, que é bom mesmo e escreve bem): existem autores que foram um fracasso comercial em vida mas que depois de mortos viraram bestsellers. Eu gostei desta de vender seguros e escrever nas horas vagas. Eu faço isso, escrevo nas horas vagas, e não vendo muito mas gosto de escrever e me sinto escritor (no sentido de profissão de fé mesmo). Enfim,não vou esperar um belo contrato com uma editora grande para ser feliz com o que escrevo; escrevo como quem bebe chope ou cerveja. Mas o que eu acho engraçado é a sanha comercial das editoras, e ainda mais agora com a net, elas estão tão desesperadas que inventaram até essa coisa de antologias e obras sob demanda. Essas antologias então é um crime, trabalho escravo mesmo, e ainda obrigam o autor a vender a quantidade x de exemplares sem ganhar um exemplar como cortesia. Há, naturalmente, exceções; gente honesta e que respeita o autor e os participantes das antologias. A editora Estronho por exemplo, faz um trabalho interessante e valoriza e respetia o autor partícipe das antologias.
Rogério
www.rogsildefar.tk

Metamorphoses felipe

Eu tenho meu blog também.
http://fellcontos.blogspot.com.br/
Estou exatamente no mesmo caminho, nossa, muito bom saber disso. Que inspiração isso me da, bom trabalho, está de parabéns.

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