As Aventuras de Pi é plágio da obra de Moacyr Scliar. Divulguem!

Antes de entrar exatamente no que quero falar, deixe-me explicar a situação para quem ainda não a conhece. As Aventuras de Pi, livro mais do que premiado, que gerou a adaptação para o cinema, adaptação essa que faturou quatro estatuetas do Oscar ontem, trata-se de um plágio descarado da obra Max e os felinos, do autor brasileiro Moacyr Scliar.

Leia Mais

18

Dois pequenos contos

em 23/03/2011.

Voltando às postagens no blog, decidi colocar dois contos por aqui para descontrair. Eu, particularmente, gosto desse tipo de conto, fazendo algumas brincadeiras com as palavras, com o próprio conto, com a estrutura do texto, com a sociedade; enfim, gosto de um mini-conto que cause um impacto legal, que brinque um pouco, mas que faça pensar em alguma instância. É sempre bom para quebrar o ritmo dos contos e textos super sérios e pesados. São experimentações. Espero que seja do agrado do pessoal!


Heroismo

Ele usava um colete à prova de balas. Não importava que dia da semana, que dia do mês ou que dia do ano: ele sempre usava o seu colete à prova de balas. Era precavido, ele dizia. A cidade anda muito violenta; nunca se sabe o que pode acontecer. Isso é uma verdade!

Um belo dia, quando estava no banco, ocorreu um assalto. Três bandidos, armados de pistolas e metralhadoras, ameaçavam matar os reféns se o dinheiro não lhes fosse entregue com velocidade. Ele, muito seguro de si, sabendo da vantagem que levava sobre os assaltantes, afinal, seu colete estava bem escondido sob a camisa, disparou na direção de um deles para desarmá-lo. Um segundo depois, caiu morto.

Ataque cardíaco fulminante, disseram os legistas quando chegaram na cena do crime.



Genialidade

Eu sou um gênio da literatura, ele dizia. Eu sou um gênio da literatura, ele gritava. Eu sou um gênio da literatura, ele repetia.

Um dia, um passante, já bastante curioso, perguntou: É mesmo? E de qual história?

Alladin, ele respondeu. E saiu voando em seu tapete mágico.



Gostou do blog? Gostou dos textos? - o autor Leonardo Schabbach, que produz o conteúdo do Na Ponta dos Lápis lançou recentemente sua primeira obra literária, O Código dos Cavaleiros. Ajude-o a continuar produzindo! Informações sobre a obra (como comprar - autografada -, capítulos para degustação, capa, sinopse e muito mais) podem ser encontradas neste super hotsite (clique para acessar).

18 Comentários:

Ivana Maria

kkkkkkkkkk Adorei! Pequenos contos, nesse estilo, podem ser classificados como anedotas? Desejo aprender sempre mais. obg Um abraço.

Leonardo Schabbach

Hehe. Pois é, pode ser que possamos classificar como anedota mesmo. Mas eu quis trabalhar alguns conceitos por trás do humor também =D

Legal que gostou!

Isie Fernandes

Adorei, Leo! Sabe que microcontos me fascinam. Eles são críticos e divertidos. O primeiro, além de surpreender e fazer rir, denota claramente a sensação da impotência que persegue o cidadão brasileiro, e não é mesmo só a bala que mata, o estresse que o fator de risco provoca tem sido um grande assassino - em série e silencioso. Já o segundo conto me fez pensar na quantidade de "Alladin" que temos por aí. Quero distância dessa jactância, e do tapete voador também. Hahaha!

marcos nunes

Uma versão alternativa para Heroismo é fazê-lo morrer não de ataque cardíaco, mas com um tiro na testa. Assim: "...disparou na direção de um deles para desarmá-lo. Um segundo depois, levou um tiro na testa, caiu morto. Os assaltantes levaram seu colete"

Leonardo Schabbach

Sim, mas a brincadeira que quis fazer era mais ou menos com isso. Normalmente, pensaria-se, se morreu, é porque tomou um tiro na testa. Só que aí você se depara com o imponderável, hehe. Ataque cardíaco =P

marcos nunes

Ah, eu tinha sacado, mas achei também que a solução mais óbvia não ficaria ruim.

Fábio C. Martins

Muito bom! Nunca escrevi contos curtos... Ótima ideia! :D
Adorei o ataque cardíaco, perfeito... eheheh

Prof. Luciano

Gostei muito dos mini contos, gostei da maneira como você "fugiu" do óbvio, muito bom mesmo...
Um grande abraço!

Rui Sora Rodriguez

Achei adoráveis os seus minicontos. Mas tive uma ideia referente ao primeiro.
Se você dissesse que o protagonista sempre come uma coxinha (é só um exemplo) antes de vestir o colete e sair de casa, criaria um efeito bastante interessante ao mencionar o ataque cardíaco no fim. É como se estivesse inserindo, na apresentação da personagem e do seu mundo, um elemento que prepara o final, embora não o antecipe e não impeça o efeito da surpresa que se pretende.
Seria também uma boa forma de zombar da personagem que, ao se sentir seguro por usar um colete à prova de balas, não enxerga que sua má alimentação também é um risco para sua vida.
Espero que não tenha se importado com a sugestão. Apenas me ocorreu, haha.

Parabéns pelos textos, Leonardo!

Rui
http://pseudoanonimo.blogspot.com

Postar um comentário

Participe você também. Sinta-se convidado a postar as suas opiniões. Com a sua ajuda, o blog se tornará ainda melhor!

 
Copyright© 2010 Na Ponta dos Lápis
Apoio: Literatura Fantástica
Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger