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[Conto] A Bandinha

em 23 de mai de 2011.



Era uma cidade de trabalho. Fria. Pausada. Irritadiça. Os moradores contavam os dias sem qualquer resistência, aceitavam pacificamente passar os anos em um mundo estressante e automatizado, numa existência sem adrenalina e sem cor. Viver, aparentemente, não era preciso.

Mas as aparências enganam, como todos sabem. Por trás de cada clichê, há uma série de histórias que o sustenta. É assim que se tornam verdade – ou ao menos parte da cultura popular.

Em um certo dia, Marcelo ligou para Renata, que ligou para Edu, que ligou para João, que ligou para Letícia. Estava formada a banda “Vitalícia”. Certo, rima desnecessária – pontos negativos para o narrador. Mas a banda, não. Esta era essencial. Para cada um de seus membros e, principalmente, para toda a cidade.

E aqueles músicos tinham essa consciência. Precisavam tocar, alegremente, marchinhas felizes que pudessem animar o bairro. No primeiro dia, colocaram-se na rua, em uma praça, em frente a uma padaria, bem ao cair da noite. Era justamente o horário em que todos voltavam de seus trabalhos. Por que não convidá-los à diversão? Quem sabe um pão quentinho com uma boa música não aquecesse aquela noite de inverno?

As pessoas passavam aos montes, apressadas, como sempre, e um pouco desconsertadas. Algumas pararam. Era diferente se deparar com aquilo, bem na volta para casa. Uma música, algumas pessoas; animação. Não sabiam como reagir, afinal, estavam programadas para voltar aos seus lares, ligar seus televisores e se esquecer do mundo até a manhã seguinte, quando novamente deixariam suas casas em direção a um trabalho infinito e irremediável.

Aquilo, porém, era muito diferente. Os sons, muitos agradáveis, aqueciam os ouvidos, tocavam a pele, suaves, como seda, e seduziam, sempre. E todos começaram a relaxar, junto com a bandinha, em frente à padaria. A noite caiu e a multidão aumentava. E assim foi, naquele dia, surpreendente como somente a música pode ser.

Nas semanas seguintes, Marcelo novamente ligou para Renata, que ligou para Edu, que ligou para João, que ligou para Letícia. E a bandinha seguiu seu percurso pela cidade. Cada dia em um local diferente.

Com o tempo, os habitantes já esperavam ansiosos pelo final do expediente. Mal podiam se conter, queriam saber onde a bandinha estaria, e por quanto tempo iria tocar. Alguns, inclusive, já convencidos a acompanhá-los. Por que não poderiam eles também produzir música? Por que se resignar em apenas ouvir?

Ao final do primeiro mês, Marcelo ligou para Renata, que ligou para Edu, que ligou para João, que ligou para Letícia, que ligou para Roberto, que ligou para Andressa, que ligou para Elisa, que ligou para Bianca, que ligou para Camilo, que ligou para Helena, que ligou para José, que ligou para Cassandra, que ligou para Bernardo, que ligou para Camila, que ligou para Cecília, que ligou para Dorneles, que ligou para Felipe, que ligou para Ronaldo, que ligou para Amélia, que ligou para Safira, que ligou para Karina, que ligou para Maurício...

A bandinha crescera. E a cidade, aos poucos, fazia parte.

Não demorou muito e todos saíam para cantar e tocar após as intermináveis horas de trabalho. Toda a noite se transformava em festa; e os habitantes pareciam finalmente felizes. Decorrido um ano, aquela cidade não era mais do trabalho. Era a cidade da música. E milhares de turistas passaram a visitá-la, sempre dispostos a retornar às suas casas e recriar aquilo que viveram; era hora de animar o seu próprio povo, pensavam eles enquanto se intoxicavam com o sabor das notas musicais.

9 Comentários:

Paul Law

Conto leve e mensagem bonita. São as pessoas que mudam tudo.

Parabéns, Leonardo. Um abraço.

marcos nunes

Muito a ver com A Banda, de Chico Buarque, com o mesmo lirismo que ele deixou para trás e que, depois, ganhou como sinônimos pejorativos "pieguice" e "sentimentalismo", inadequados aos anos de chumbo, depois ao hedonismo dos anos 80, e ao cinisco corrente desde os anos 90. O pequeno mundo da cidade dormitório, hoje tomado pelas parabólicas, pelo "gato net", video games. A gente lê e ressente-se da nostalgia, como coisa de mau gosto, ou ao menos inadequada aos tempos que correm, e como correm, com o abismo logo ali na frente.

Põe pra tocar, maestro.

Leonardo Schabbach

Quando criei não tinha pensado na música do Chico, foi mais por causa de algo que vi na rua em um certo dia. Mas, realmente, tem muito a ver com a música mesmo. Legal a conexão =)

R.A.M.P.

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TRAILER:
http://www.youtube.com/watch?v=BWTIuk2L7cU
SINOPSE:
Durante três anos investi meu tempo e dedicação para a conclusão de um projeto pessoal, até finalmente completar um romance baseado em uma longa pesquisa sobre a civilização medieval japonesa, contextualizado no século XI. Durante minhas pesquisas, encontrei dados históricos sobre alguns personagens com grande força no folclore japonês e decidi utilizá-los misturando suas façanhas com personagens e fatos fictícios, atitude abordada por vários autores premiados que admiro e, para mim, são referências, como: Bernard Cornwell, Conn Iggulden, Willian Napier e Steven Pressfield, dentre tantos outros. Procurando enriquecer o livro, traços da cultura japonesa, que tanto se contrasta com a nossa cultura ocidental, foram utilizados. Nesse mesmo intuito, um glossário com termos japoneses e uma rica nota histórica também estão inclusos.
A nossa aventura se encontra no início do shogunato de Kamakura, a conturbada era medieval japonesa. – A escolha do período Kamakura aconteceu porque nessa época sucedeu a consolidação da política dos samurais e também porque nessa época viveu um dos mais famosos heróis da história nipônica: Minamoto no Yoshitsune. – Após perder toda a sua família de uma forma trágica, Enokami vê sua vida se transformar drasticamente e só encontra na vingança um meio de seguir em frente. Seu inimigo é Yoritomo, chefe do Clã Minamoto e um dos líderes mais poderosos do Japão Medieval. Uma rixa de sangue que só terminará com o julgamento das suas espadas.
Às vezes os fatos históricos são bem mais impressionantes do que a ficção. Durante séculos, em locais e épocas diferentes, grandes guerreiros cometeram atos de bravura e os seus nomes se imortalizaram na história, resistindo ao tempo. Mas, não é só pelo afeto à história que decidi escrever esse livro e sim a minha admiração por qualidades como a coragem, a honra e a perseverança que me incentivou a dedicar infindáveis horas de trabalho para a conclusão dessa obra. Sem querer me alongar nesse texto introdutório, termino minhas palavras e espero que a sua leitura possa ser tão prazerosa quanto foi a minha experiência em escrevê-la.
“O destino é inexorável!”
Atenciosamente:
Robson André Mendes Pacheco

Fábio C. Martins

Leonardo, como disseram, não há outra forma de mudar a rotina sem que seja pelo mudança de vibração, e nada melhor do que a própria música pra isso.

Bem gostoso o conto, leve e animador.
Abraços

Anônimo

legal demais

Nunca fui, mas pelo que ouvi; em paris em cada esquina há um musico que faz a trilha sonora da sua viagem; também é a cidade da musica.

Beto

É impressionante como a música muda a vida das pessoas. Você escreve muito bem e esse conto é cheio de alegria e esperança. Parabens.

Beto
blogcoisastriviais.blogspot.com

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