As Aventuras de Pi é plágio da obra de Moacyr Scliar. Divulguem!

Antes de entrar exatamente no que quero falar, deixe-me explicar a situação para quem ainda não a conhece. As Aventuras de Pi, livro mais do que premiado, que gerou a adaptação para o cinema, adaptação essa que faturou quatro estatuetas do Oscar ontem, trata-se de um plágio descarado da obra Max e os felinos, do autor brasileiro Moacyr Scliar.

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De onde vem a inspiração?

em 3 de jun de 2011.

A postagem de hoje faço em cima de um poema de Vinícius de Moraes. Quem acompanha o blog, deve ter me visto citá-lo uma ou duas vezes. Não é uma poesia super complexa, nem muito grande, mas é bem significativa. Inclusive, de uma maneira geral, são assim os poemas de Vinicius. Simples, com uma musicalidade e ritmo extremamente agradáveis e com belas mensagens; trata-se realmente de um talento único.

O texto de hoje e o poema que quero destacar falam um pouco daquilo que eu abordei na postagem Como lidar com o bloqueio criativo. Vejam o poema:


A Um Passarinho

Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.

Deixa-te de histórias
Some-te daqui!


Fica clara a mensagem transmitida pelo poeta aqui. A poesia, neste eu-lírico, viria exatamente dos momentos de melancolia ou tristeza, daquelas horas em que é necessário expor em versos sentimentos difíceis de serem racionalizados. Talvez o próprio Vinícius trabalhasse assim.

Acho que é um poema muito interessante, por trazer à tona parte da discussão que já coloquei aqui anteriormente. De onde cada escritor retira sua inspiração? De momentos tristes? De momentos felizes? E por que não questionar se ela existe? João Cabral dizia que um bom poema, para ele, se fazia com muito mais transpiração do que inspiração.

Enfim, é uma questão complicada, eu mesmo não saberia dizer. Muitas vezes, racionalmente, afirmo que não há algo como uma inspiração. É preciso que sentemos e nos coloquemos a produzir. Outras vezes, há poemas que vêm com tanta facilidade, tão de repente, que é difícil negar a existência de um processo, não necessariamente etéreo, que nos empurra ao poema.

Eu, basicamente, acredito que a inspiração vem da experiência. Quanto mais pessoas conheço - e quanto mais interessantes forem -, quanto mais situações me aparecem, quanto mais locais eu visito, mais idéias surgem, praticamente em qualquer lugar. Portanto, acho que é essa experiência, a vida, que se transforma em literatura. E se estivermos atentos aos detalhes, podem surgir poemas "do nada" e "já prontos" na nossa cabeça, tudo porque nós já estávamos observando e pensando nos versos sem perceber. Ao menos acho que o meu processo passa um pouco por aí.

Por fim, para quem nunca viu, deixo um poeminha engraçado que fiz sobre Inspiração já faz um tempo.

Inspiração

A inspiração entrou pela janela
assim que decidi tomar um ar.
Sentei e conversei com ela,
perguntei se podia me inspirar.

A tarefa, disse ela, é complicada,
me pediu dois bolinhos e um chá.
A noite foi, então veio a madrugada;
a inspiração e eu a conversar.

Metódica, do chá tomava um gole
a cada dois pedaços de bolinho.
É preciso primeiro matar a fome,
para depois descobrir o seu caminho.

Gesticulava e com os gestos desenhava
poemas concretos, poemas-bastão,
como aqueles da química escolada;
fórmulas, carbonetos, combustão.

Me surpreendeu, também era matemática,
se transformou em números na minha frente.
Assustado, gritei "Senhora?" de repente,
ela virou-se para mim e disse "fática"!

Corri e rabisquei no meu caderno
ela leu e olhou com reprovação.
Tinha escrito poemas de inverno,
ela queria poemas de verão.

Irritado, a coloquei para fora,
ela nada tinha a ver com os meus poemas.
E hoje quando escrevo tenho problemas
por causa de uma inspiração que chora.

6 Comentários:

Ivana Maria

Achei tão graciosa essa poesia Inspiração! Creio ser esse um tema comum de reflexão entre os que ousam escrever as suas idéias e pensamentos. Não sei porque mas acho que a inspiração para poesias vêm menos na felicidade, creio que deve ser poque nesses instantes ao invés de escrevê-las estamos vivenciando-as. bjs

Maíra da Fonseca Ramos

Uns precisam da tristeza, outros, da alegria. Ainda bem que cada um é cada um... Gostei do teu poema!

marcos nunes

Penso que quando se escreve a inspiração vem de tudo, de todo lugar, envolta em todo tipo de sentimentos; se manifesta sempre, enquanto se caminha para o trabalho, se tom a café, se lè o jornal, se distrai quando passa a mulher bonita, se prende no farfalhar das folhas dum arbusto ou duma árvore; inspiração não falta enquanto não falta viver; só mesmo quando as tarefas do dia são pesadas, cansativas, repetitivas, massacrantes, a inspiração foge; daí porque a inspiração é uma flor do ócio, o ócio de um minuto ou de uma hora, o ócio que permite a contemplação de tudo e de si mesmo para que tudo se consagre numa linha, numa página, num poema, num conto, romance, tese. A inspiração, em suma, é inerente ao viver: sem inspiração não há vida e vice-versa, por mais que a vida nos embruteça, nos aparvalhe, nos devore.

Natan

Concordo com você. Acho que a experiência é a principal fonte de inspiração. Seja por situações que vivemos, ou livros que lemos ou filmes que assistimos, toda inspiração tem uma fonte.
É claro que a criatividade existe também, e não podemos negá-la. Contudo, até na criação de algo totalmente novo, percebemos detalhes que são inspirados por nossa mente, dada alguma experiência que tenhamos vivido. A pura criação é algo dificílimo, mas quando ocorre, conta diretamente com a inspiração de alguma fonte.

Olhares não me dizem nada

acredito que não há algo como uma inspiração em si, creio que o que impulsiona muitos escritores a aflorarem belos sentimentos e coloca-los em papel de forma mágica não é vivência de vida, mas sim A PERCEPÇÃO QUE TEMOS DE MUNDO. uma linda flor pode estar ali debaixo de seu nariz e ao olhar para ela muitos não sentem nada, porém, outros, sensibilizam-se com sua beleza e percebem nela algo que os emociona, entristece ou causa melancolia, despertando sensações e comportamentos criativos.

Creio nisso, inspiração está em tudo, mas são poucos que conseguem ter percepção para encontra-la, as vezes chegamos ao fim da vida, sem nunca provarmos do doce sabor da inspiração pois nunca paramos para perceber o mundo a nossa volta.

Adorei a postagem, ficaria honrado em compartilhar os textos de de meu blog com vcs.

http://brechadoolhar.blogspot.com/

Paulo de Andrade


Do poeta: Paulo de Andrade

facebook / recado

E-mail: recadodopoeta@hotmail.com

Na ponta do lápis,
Escrevi uma frase de amor,
Inspirada da minha mente,
Como um poeta sonhador.

Diante da beleza nua,
De quem assim se exibia,
Sem mesmo se intimidar,
Seu corpo molhado eu via.

Como se estivesse saído do chuveiro,
Diante dos meus olhos se apresentou,
Da sua casa com a porta entre aberta,
E assim pela primeira vez me inspirou.

Estando a rua completamente deserta,
A morena nua se exibia sem se intimidar,
Fui seu amigo o bastante pra não querer,
Pelo seu erro contra essa menina ficar.

Mais de dez anos se passaram,
E eu estou aqui a recordar,
Aponto de sentir um grande amor,
Só de ver aqui ela me olhar.

Como se tivesse envergonhada,
Também do seu erro a lembrar,
Como se quisesse quem sabe?,
Querer do seu erro se desculpar.

Na ponta do lápis escrevi,
Tamanhos versos de amor,
Que me fez sentir sua beleza,
Sua nudez me inspirou.

Inspirado nessa morena,
Que me fez a vida inteira muito amar,
Ela era ainda tão menina,
E numa mulher pode se transformar.

Do poeta: Paulo de Andrade


Do poeta: Paulo de Andrade

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E-mail: recadodopoeta@hotmail.com






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