Quer meu livro de graça? Assine minha newsletter e venha conversar comigo!

Além disso, a newsletter é para ser algo mais pessoal, nela vocês podem responder e conversar diretamente comigo. E eu ainda pretendo enviar uma série de textos exclusivos por lá, sendo alguns mais pessoais, alguns capítulos antecipados de livros que serão lançados, assim como alguns e-books gratuitos.

Leia Mais

8

Alguns poemas selecionados, com comentários e indicações

em 26 de set de 2011.

Faz algum tempo que quero colocar um pouco mais de poesia no blog, seja de outros autores ou de minha autoria. Infelizmente, não tenho produzido muito, talvez por causa da correria do dia-a-dia, não sei. Então decidi hoje trazer uma pequena seleção de poemas que até já coloquei no blog, mas tem muito tempo, e que considero fantásticos. Assim as muitas pessoas que passaram a acompanhar o Na Ponta dos Lápis poderão também apreciar a seleção. Destas vez, trago três autores diferentes: Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Fernando Pessoa. A seleção se dá em muito por eu achar que os três têm algumas características primárias em comum, coisas evidentes, como uma poesia """razoavelmente simples""" (assim, com muitas aspas), porém cheia de musicalidade. Nestes três poetas, a presença da musicalidade é muito forte (não é à toa que o título de um dos poemas colocados aqui é Canção - e que Pessoa tem um livro chamado Cancioneiro). Enfim, eu particularmente gosto de poemas que têm essa qualidade musical - o que justifica a seleção. Comecemos por Manuel Bandeira:


Desencanto
Por Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústica rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.


Comentário: Eu acho esse poema simplesmente espetacular. Como falei anteriormente, a musicalidade aqui é incrível - tentem lê-lo em voz alta e perceberão, as palavras fluem com muita naturalidade, encaixam-se com perfeição. É um poema sincero também, se conhecerem a história de Manuel Bandeira - querendo saber um pouco mais dela, podem checar a postagem do poema Testamento, que, além de genial, é também levemente autobiográfico.


Canção
Por Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


Comentário: Este é outro poemas dos meus favoritos. Tem também a característica musical já citada, mas traz um aspecto interessante de sonho, algo diferente, provocado pelo uso de sinestesias e metáforas. Considero um poema lindo mesmo, como muitos da Cecília. Outro de que gosto muito e de que vocês podem gostar também é Mulher ao Espelho, que, embora tenha sido escrito anos atrás, indica muito bem a situação em que estamos hoje em relação à preocupação com a aparência (tanto em relação aos aspectos estéticos como em relação à imagem social).


Autopsicografia
Por Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Comentário: nem tenho muito o que comentar sobre este poema. Já é mais do que conhecido, quis colocá-lo apenas por causa de sua magnitude. Eu sou simplesmente apaixonado pelos poemas de Pessoa quando eles apresentam uma veia mais musical. A capacidade dele não só de colocar a musicalidade nas suas obras, como também rimar de uma maneira fantástica e inesperada, fazem dele, de fato, um dos maiores poetas de todos os tempos. Isso sem falar na sua capacidade de pensar, que faz com que seus poemas tenham também fortes veias filosóficas - ou seja, sejam belos e ainda provoquem profunda reflexão.

8 Comentários:

marcos nunes

O poema "Canção" de Cecilia, lembrou-me uma canção feita a partir de outro poema da mesma autora, gravado há quase 40 anos atrás por Carlos Walker (agora Wauke, se não me engano e se ainda estiver vivo), que cito de memória (pode estar errado, ou conter erros - compreensíveis):

Suas palavras antigas
deixei-as todas, deixei-as
junto com as minhas cantigas
espalhadas nas areias

Tantos sóis e tantas luas
brilharam sobre essas linhas
das palavras que eram suas
das cantigas que eram minhas

O mar de língua sonora
sabe o presente e o passado
canta o que é seu e vai se embora
que o resto é pouco e apagado

que o resto é pouco... e apagado

Com esta canção me despeço por um longo período, por ter cismado de escrever mais um romance e publicá-lo em blog próprio (veja em http://harumoresdevidaemmarte.blogspot.com), o que me tomará o tempo que utilizava em comentários em blogs alheios.

Tenha bons momentos e alegrias nesses meses que virão.

Marcos Nunes

Leonardo Schabbach

Boa sorte nessa sua nova empreitada! Depois darei uma olhada por lá.

E sinta-se sempre convidado a voltar. Nessa semana, devo fazer uma propagandazinha dos seus livros no Clube de Autores, hehe, é que eles enviaram uns cupons de 5 reais de desconto para distribuir.

Abraço!

Anônimo

Bom Mesmo e se toda pessoa pudesse fazer oque diz .
E demontrar oque sente.
E ser sincero na hora certa , mentir menos do que sabem fingir ..
Afinal amar e algo puro , pra pessoas especiais
Lourival santos de Jesus

Pedro Lins e Silva

Para os que curtem Drummond e Bandeira, inaugurei um Blog pictorial, com imagens dos livros de minha coleção. Um guia bacana das características tipográficas e principais detalhes das primeiras edições destes dois poetas gigantes. Obrigado http://colecaodrummondbandeira.blogspot.com.br

Janaína Nunes

Impressionante o poder da Poesia... A leitura conduz ao mundo onde só existem dois: o poeta e o leitor. Adoro Fernando Pessoa. Parabéns pela seleção.

Postar um comentário

Participe você também. Sinta-se convidado a postar as suas opiniões. Com a sua ajuda, o blog se tornará ainda melhor!

 
Copyright© 2010 Na Ponta dos Lápis
Apoio: Literatura Fantástica
Tema original "Solitude" Modificado por Mundo Blogger