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Jogos Vorazes, uma ficção científica a ser respeitada
Hoje faço uma resenha aqui no blog da trilogia “Jogos Vorazes”, uma vez que terminei de lê-la no meu Kindle um pouco antes de sair a versão cinematográfica do primeiro livro. Creio que o título da resenha já passe muito do que quero dizer com este texto.

O Homem e a Palavra - pequena homenagem aos escritores
De onde vem o impulso de escrever? De onde vem a vontade de contar uma história, de se conectar com o outro e de nele provocar mudança? O que estimula uma pessoa a construir literatura, a tecer mundos tão únicos em uma inerte folha de papel?

[Resenha e Indicação] O Nome do Vento e Patrick Rothfuss
Hoje falo sobre um dos melhores livros de literatura fantástica que já li (senão o melhor). Coloco, inclusive, a resenha marcada como livros de cabeceira, pois de fato trata-se de uma obra incrível...

Alguns poemas selecionados, com comentários e indicações
Desencanto
Por Manuel Bandeira
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústica rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
Comentário: Eu acho esse poema simplesmente espetacular. Como falei anteriormente, a musicalidade aqui é incrível - tentem lê-lo em voz alta e perceberão, as palavras fluem com muita naturalidade, encaixam-se com perfeição. É um poema sincero também, se conhecerem a história de Manuel Bandeira - querendo saber um pouco mais dela, podem checar a postagem do poema Testamento, que, além de genial, é também levemente autobiográfico.
Canção
Por Cecília Meireles
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Comentário: Este é outro poemas dos meus favoritos. Tem também a característica musical já citada, mas traz um aspecto interessante de sonho, algo diferente, provocado pelo uso de sinestesias e metáforas. Considero um poema lindo mesmo, como muitos da Cecília. Outro de que gosto muito e de que vocês podem gostar também é Mulher ao Espelho, que, embora tenha sido escrito anos atrás, indica muito bem a situação em que estamos hoje em relação à preocupação com a aparência (tanto em relação aos aspectos estéticos como em relação à imagem social).
Autopsicografia
Por Fernando Pessoa
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Comentário: nem tenho muito o que comentar sobre este poema. Já é mais do que conhecido, quis colocá-lo apenas por causa de sua magnitude. Eu sou simplesmente apaixonado pelos poemas de Pessoa quando eles apresentam uma veia mais musical. A capacidade dele não só de colocar a musicalidade nas suas obras, como também rimar de uma maneira fantástica e inesperada, fazem dele, de fato, um dos maiores poetas de todos os tempos. Isso sem falar na sua capacidade de pensar, que faz com que seus poemas tenham também fortes veias filosóficas - ou seja, sejam belos e ainda provoquem profunda reflexão.
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2 Comentários:
O poema "Canção" de Cecilia, lembrou-me uma canção feita a partir de outro poema da mesma autora, gravado há quase 40 anos atrás por Carlos Walker (agora Wauke, se não me engano e se ainda estiver vivo), que cito de memória (pode estar errado, ou conter erros - compreensíveis):
Suas palavras antigas
deixei-as todas, deixei-as
junto com as minhas cantigas
espalhadas nas areias
Tantos sóis e tantas luas
brilharam sobre essas linhas
das palavras que eram suas
das cantigas que eram minhas
O mar de língua sonora
sabe o presente e o passado
canta o que é seu e vai se embora
que o resto é pouco e apagado
que o resto é pouco... e apagado
Com esta canção me despeço por um longo período, por ter cismado de escrever mais um romance e publicá-lo em blog próprio (veja em http://harumoresdevidaemmarte.blogspot.com), o que me tomará o tempo que utilizava em comentários em blogs alheios.
Tenha bons momentos e alegrias nesses meses que virão.
Marcos Nunes
Boa sorte nessa sua nova empreitada! Depois darei uma olhada por lá.
E sinta-se sempre convidado a voltar. Nessa semana, devo fazer uma propagandazinha dos seus livros no Clube de Autores, hehe, é que eles enviaram uns cupons de 5 reais de desconto para distribuir.
Abraço!
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