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Debate sobre a pobreza

em 28 de set de 2011.

Era um das maiores convenções das últimas décadas. Todos os políticos daquele país, junto a todos os considerados grandes intelectuais, haviam se reunido para debater um problema que assolava a nação: o índice de pobreza era altíssimo, acima dos 30%. E não podia aquele, um país tão único, tão cheio de recursos e de indústrias, ter uma estatística preocupante como aquela. Alguma coisa precisava ser feita.

Durante muitos dias, a convenção continuou: não sairiam dali até que resolvessem a situação. Alguns intelectuais vieram com idéias mirabolantes, que envolviam a redução da taxa de crescimento econômico em função de uma sociedade mais igualitária. Nada feito, havia empresários poderosos na convenção. E mesmo a população não ficaria satisfeita, já que sentiria mais rapidamente os efeitos de uma redução na velocidade do desenvolvimento econômico. Nenhum político se reelegeria.

Eis que, após um mês de discussão, um senhor jovem, bem vestido, de terno perfeitamente alinhado, com toda a calma, olhando para algumas anotações no papel, proclamou:

- Encontrei uma solução!

E todos o encararam: duvidavam de tal pomposa afirmativa.

- Basta que mudemos nossa maneira de configurar estas estatísticas. Segundo os órgãos reguladores, uma pessoa pobre é aquela que ganha apenas um salário mínimo.

A platéia o fitava em total silêncio; uma excitação sutil tomava conta do lugar.

- Se em vez disso considerarmos pobres apenas aqueles que recebem metade de um salário, nosso índice de pobreza cairá para 5%, teríamos operado um inacreditável milagre!

O silêncio ainda se prolongou por alguns segundos, enquanto políticos, intelectuais e empresários digeriam a idéia. Assim que perceberam a genialidade do homem, aplaudiram, adotaram as medidas por ele indicadas e ainda elegeram-no presidente.

A população estava em festa. A pobreza naquele país fora praticamente erradicada.

2 Comentários:

Paul Law

É simples como as coisas se resolvem no conto; como o que acontece nele reflete realidade.

Sutil, ameno, de fácil interpretação como tudo que é bom. Parabéns, Leonardo. Principalmente pela mensagem.

Um abraço.

Gisela Santana

Nossa... e a gente pensa que isso só acontece nos contos. Hoje mesmo presenciei algo parecido no trabalho.
Muito bom, o seu texto!!! (como sempre!)

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