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A Grande Torre Vigia - Parte II

em 17 de set de 2011.

Segue a continuação de mais um capítulo de O Legado dos Dragões. Como sempre, àqueles que nunca leram, aconselho a começarem a acompanhar, a história está ficando bem legal, vocês podem conferir tudo desde o início bem aqui. A quem já acompanha, peço desculpas por não ter postado a atualização ontem, como havia prometido, mas enfrentei alguns probleminhas técnicos. Na próxima sexta, planejava postar o início de um novo conto da Sociedade da Rosa, mas nos últimos dias tive algumas idéias para O Legado e estava com vontade de terminar pelo menos a primeira fase da história logo, o que implicaria mais postagens, deixando A Sociedade da Rosa de lado por um período curto. Mas ainda não me decidi, são só idéias. Enfim, leiam, comentam e, claro, ajudem a divulgar!

*****************

- Olá, senhores. Em que posso ajudá-los?

James e Lanir tinham acabado de chegar ao ponto mais alto da Grande Torre Vigia e o capitão Galliard viera lhes atender. Era um homem mais velho, provavelmente da mesma idade de Sir Lance, mas ainda muito temido; tanto por suas habilidades em combate quanto por sua inteligência. Poucos eram os generais que tinham melhor visão estratégica do que aquele capitão. Sua carreira, no entanto, nunca decolara – e isso se dava em muito por sua própria vontade. Galliard preferia ter uma milícia própria, que ora trabalhava para Sir Brickmond e ora trabalhava para Sir Lance. Era um mercenário, portanto, e sempre estivera mais interessado em riquezas do que na honra e na coragem, que eram qualidades prezadas pelos mais poderosos cavaleiros e generais.

A parte mais alta da torre era bem ocupada, com cerca de vinte e cinco soldados espalhados pelo imenso salão oval. Não havia móveis, exceto por uma grande luneta prateada e uma bela mesa de mogno, onde se situava o capitão Galliard.

- Olá, capitão. – cumprimentou Lanir. – Vejo que continua muito bem, agora com um cargo tão importante.

O homem apenas levantou as pernas e as colocou sobre a mesa, cruzadas, numa postura de certo desdém e relaxamento.

- Sabe como é... precisam proteger essa torre, e nenhuma milícia é mais poderosa do que a minha. Você bem sabe... fomos nós que sobramos em maior número na última guerra, contra os dragões, eu também trabalhava para Robert na época.

Lanir sorriu.

- Sim, claro... eu me lembro.

- E como eu sempre digo, se não tivemos medo de lutar contra dragões, porque temeríamos essas criaturas. – Galliard riu, levou um cachimbo à boca e o acendeu cautelosamente. – Além disso, eles me pagam muito bem aqui.

Lanir permaneceu quieto. Não simpatizava tanto com o capitão – e também não sabia a razão pela qual a conversa parecia se arrastar. A situação era simples, eles ficariam ali por um tempo até seguir para a Floresta Escura. No entanto, seria bom poder dar uma olhada na luneta de prata, que se voltava justamente para a floresta; ela poderia revelar onde estava o garoto que tanto procuravam.

- E porque trouxe esse menino? Sir Brickmond não tinha um guerreiro melhor para te indicar? – o capitão se levantou, enquanto dava uma tragada em seu cachimbo, e deu as costas para James e Lanir, conforme observava, por uma das janelas da torre, a imensidão negra formada pela floresta logo ao pé da montanha.

- Isso não é de seu interesse. Foi minha escolha, imagino que nunca vá entender. – respondeu Lanir, um pouco contrariado.

- Bem... depois de velho e depois de rodar tanto por esse mundo, meu caro, nós aprendemos muita coisa.

Galliard soava um pouco sombrio, seus olhos ainda se mantinham fixos na floresta. Por um momento, foi possível observar todo o peso de sua idade em sua expressão. As rugas, as olheiras, o cansaço. Certamente, tratava-se de um homem que vivera muita coisa, que conhecera muitos segredos do mundo; segredos aos quais muito poucos tinham acesso.

- Você procura pelo jovem, não? Eu o vi pela luneta algumas semanas atrás. Ele vive na floresta, sozinho.

James, que até este momento permanecia quieto, animou-se ao ouvir aquelas palavras. Embora o capitão ainda soasse um pouco distante e sombrio, era bom saber que a missão poderia ser cumprida, que o bebê abandonado tantos anos antes ainda vivia nas florestas.

- E como ele está? Onde você o viu? – o garoto perguntou.

Galliard saiu de sua espécie de transe e encarou o menino com alguma irritação.

- Não dirija a palavra a mim a não ser que tenha recebido permissão. É assim que funcionam os exércitos, garoto. Só quem pode falar diretamente comigo são meus iguais ou superiores.

- Mas ele tem as armas de Sir Brickmond, capitão. Ele representa um reino inteiro. – completou Lanir.

- Eu trabalho para Sir Lance. – Galliard retrucou, ainda muito irritado. – Mas, se quer saber, eu o vi próximo às bordas da floresta. Eu observava uma das tropas de criaturas que se movimentava em nossa direção. Ele as encontrou primeiro. – o capitão fez então uma pausa, voltando a olhar pela janela. – Foi incrível. Derrotou quatro delas, com apenas duas facas que carregava consigo. Nunca vi algo assim... um menino, sem qualquer treinamento... nunca vi tanta velocidade.

Lanir colocou a mão direita no ombro esquerdo do capitão, que, embora tenha ficado um pouco mais rígido, talvez incomodado, não demonstrou qualquer irritação.

- É por isso que precisamos encontrá-lo. Você me permite olhar pela luneta?

Galliard se virou e olhou para Lanir, com um sorriso irônico no rosto.

- Claro. Quanto você pode pagar?

O mensageiro também sorriu ironicamente.

- Nada, afinal, qual a possibilidade de eu encontrar, com uma simples luneta, um pequeno jovem em uma floresta tão grande como esta? – ele indagou, apontando para a janela. – Não tente me convencer a pagar qualquer coisa, você não irá conseguir.

O capitão riu novamente.

- É. Você está certo. Pode olhar o quanto quiser, eu irei averiguar como andam as coisas pelo restante da torre.

- Está certo, então. Mas não se preocupe, em breve partiremos daqui, não abusaremos de sua hospitalidade.

Galliard deu de ombros e seguiu em direção às escadarias da torre. James e Lanir se aproximaram da luneta. O garoto a olhou por alguns segundos, ainda muito intrigado, algo soava estranho naquele objeto.

- Isso não é uma luneta simples, é?

O mensageiro sorriu ao escutar a pergunta do menino.

- E o que te faz pensar assim?

- Isso não é prata, não pode ser. – afirmou James, enquanto passava as mãos pela luneta e depois colocava seu ouvido atento próximo às partes de metal.

Lanir apenas o observou, surpreso e impressionado.

- E o que ela tem de diferente?

- O metal, ele tem uma vibração muito, muito leve. Dá pra sentir. E se escutarmos com atenção, acho que dá pra ouvir algo como uma música, uma nota musical.

O mensageiro sorriu novamente.

- É isso mesmo. Essa luneta é antiga, de quando esta torre primeiramente foi levantada. Galliard não sabe, mas é claro que não é um objeto comum. – disse Lanir enquanto retirava do bolso uma pequena barra de metal, normalmente utilizada para afinar instrumentos musicais. Ele, então, deu uma leve batida no objeto, fazendo-o vibrar. Neste mesmo instante, a luneta começou a se mover sozinha, bem lentamente.

- Uau... o que é isso?! O que você fez? – perguntou James enquanto dava um salto para trás, os olhos completamente abertos com a surpresa.

- Muito me impressiona que você tenha escutado as vibrações. São, sim, música. Aliás, muito do nosso mundo é controlado pelas vibrações, pela música, ou melhor, pelas notas musicais. Raramente os homens são capazes de notar esta estrutura sutil presente nos objetos.

- Você pode me ensinar a fazer isso? – perguntou o garoto enquanto olhava para a luneta, fascinado. Era realmente incrível vê-la se mover como que por mágica; certamente se tratava do mesmo tipo de habilidade utilizada por Lianor Vikti nas montanhas, uma vez que ele também executava seu poder por meio da música; mas saber que Lanir era também capaz de tais feitos o deixara muito animado.

- Talvez... com o tempo. Se você foi capaz de notar as vibrações nesta luneta, é bem provável que seja capaz até de aprender a fazer coisas como esta sozinho. Mas agora precisamos encontrar o menino nas florestas. E parece que tivemos uma resposta. – disse o mensageiro enquanto se debruçava sobre uma das extremidades da luneta para observar para o que ela apontava. No meio da floresta, pôde ver um garoto, com apenas uma espécie de saia de couro no corpo e duas facas na mão. Era um jovem forte para sua idade, os músculos marcados em todas as partes do corpo, mas não chegava a ser robusto. Era leve e ágil – e se movia com muita velocidade por entre as árvores; era até difícil de persegui-lo com o olhar.

- E então, encontrou ele? – James perguntou, curioso, embora seus pensamentos ainda se voltassem parcialmente para a luneta e para toda aquela história envolvendo música, magia e notas musicais.

- Sim, ele está na floresta, já sei em mais ou menos qual região. Partimos agora mesmo. Se não nos querem aqui, não temos motivos para permanecer. – afirmou Lanir, resoluto. – Pegue mais alguns suprimentos para viagem com os soldados e vamos em frente.

James apenas concordou com a cabeça. Estava muito animado por finalmente entrar na Floresta Escura, embora também sentisse muito medo. De acordo com as lendas, quem quer que entrasse naquele local nunca retornaria. O garoto confiava em Lanir, sabia que ele conhecia alguns dos segredos do mundo, mas ainda assim não podia dizer que estava completamente certo de que os dois conseguiriam voltar em segurança. De qualquer maneira, a aventura parecia apenas se aprofundar. Finalmente iriam atrás do garoto, novamente por um caminho perigoso. E agora ainda tinha que lidar com todas aquelas novas informações. Música e magia, será que algum dia ele compreenderia aquela arte?

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