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Entreter é preciso

em 19 de dez de 2011.

Essa é uma postagem um pouco ampla, em que pretendo falar sobre algo que me ocorreu durante uma palestra de longas horas que assisti algumas semanas atrás. Tem a ver com o processo de transmissão de conhecimento e também de reflexão, que pode acontecer em aulas, palestras e, claro, na literatura. A questão é muito simples. Em muito se critica a questão do entretenimento hoje; no entanto, o que se percebe é que, cada vez mais, entreter é necessário, para tudo, inclusive para a transmissão de conhecimento. Saber lidar com o público, saber  atraí-lo é fundamental, atualmente, em todas as áreas da vida acadêmica e social.

Por mais que se possa achar este um conceito estranho e um pouco radical, é a mais pura verdade. No mundo de hoje, com toda a correria que envolve o cotidiano, as pessoas simplesmente não pararão para escutar nada que, de algum modo, não as atraia. É um tempo de sedução, em que é essencial envolver o leitor, o ouvinte ou o aluno para que se possa transmitir aquilo que se pretende.

A idéia de fazer a postagem, como eu havia dito, veio-me em meio a uma longa palestra, em que muitos nomes consagrados falavam sobre as mais diversas teorias literárias e filosóficas. O grande ponto a se destacar é que muitos deles, alguns simplesmente brilhantes, fantásticos, não conseguiram transmitir com muita qualidade as suas idéias para o público, não conseguiram cativá-los a ponto de realmente os fazer prestar atenção no que era passado. E isso ocorreu justamente por uma inabilidade de se conectar com a audiência, de apresentar as informações de um modo sedutor.

Por isso, resolvi escrever este texto, pois acho que a mesma situação se aplica à literatura. Eu já disse muitas vezes, e vou repetir, que gosto muito da literatura apenas de entretenimento e que gosto ainda mais da literatura reflexiva. No entanto, o que começo a defender aqui é que uma não precisa ser necessariamente dissociada da outra. É possível - ou melhor - é necessário hoje, com o mundo estruturado da maneira como está, entreter o leitor para lhe transmitir conhecimento ou reflexões. É algo simplesmente crucial.

E não falo disso sem nenhuma base para meu argumento. Este é um caminho que eu mesmo escolhi no meu livro O Código dos Cavaleiros e também é, em alguma instância, o estilo de um dos maiores escritores dos últimos tempos: José Saramago. Todos os seus livros possuem reflexões muito complexas, possuem uma potência questionadora enorme. No entanto, todos eles, por mais reflexivos que venham a ser, têm também um caráter muito forte de entretenimento. São histórias diferentes, com algumas sacadas geniais, que deixam o leitor preso do início ao fim do livro, querendo saber como tudo aquilo se resolve, acompanhando o processo de evolução da história e de cada personagem - processo que nos leva a profundas reflexões. Talvez por isso o autor tenha alcançado, além do sucesso de crítica, um enorme sucesso entre os leitores (algo que veio muito antes de lançarem o filme de O Ensaio sobre a Cegueira - resenha aqui). Intencionalmente ou não, Saramago produziu uma série de obras poderosamente adaptadas à sociedade pós-moderna. São livros mais do que bem escritos, com uma enorme força questionadora e também capazes de instigar quem ler, de entreter quem lê. Um entretenimento com muita qualidade, com muita reflexão. E, hoje, creio que seja esta uma característica essencial a quem escreve - não só questionar, mas também entreter, pois sem o entretenimento, na nossa sociedade, a história permanecerá na obscuridade, sem exercer aquilo que se desejava.

Um outro grande exemplo disso que argumento é Umberto Eco, com seu clássico livro O Nome da Rosa; uma grande obra da literatura mundial, que traz consigo uma qualidade enorme, uma grande capacidade de contestação, e se trata também de um grande livro de entretenimento, um grande romance policial.

Enfim, não é muito fácil dizer exatamente onde quero chegar com este texto, ele serve mais para que todos pensemos sobre o assunto. Mas, o que me parece, é que podemos sugerir um novo modo de se trabalhar a literatura. Um modo que fique mais no meio termo entre a ridícula "guerra" entre o que é literatura de "qualidade" e o que é literatura de entretenimento. E creio que Stieg Larsson (da trilogia Millenium) seja um bom nome para representar isso.

8 Comentários:

Leandro Freire

Concordo. Apesar de alguns escritores acharem que não, uma obra, atualmente, tem que ser comercial e voltada para o entretenimento. No entanto, é necessário cuidado para que o entretenimento não seja raso. Não se pode entreter somente para passar tempo. O conteúdo lido precisa agregar algo na bagagem do leitor.

Leonardo Schabbach

Sim, concordo plenamente. Não que seja preciso sempre ler livros com esse conteúdo reflexivo, mas que seja pelo menos a maioria. E que os autores procurem colocar coisas que acrescentem em suas obras.

Como eu falei, em "O Código dos Cavaleiros" a idéia é justamente essa. Já "O Legado dos Dragões" é um pouco mais entretenimento mesmo.

Agora, de uma maneira geral, são esses autores capazes de entreter e provocar reflexões que são meus favoritos: como Saramago, Borges, Ítalo Calvino, Gonçalo Tavares e etc...

Luiz Teodosio

Como agora estou numa faculdade de Letras, lendo textos acadêmicos ali e cá, escutando palestras de intelectuais, estou conseguindo, gradualmente, olhar mais a fundo para esse problema. Acho interessante a sua analogia com a sedução de uma aula ou de uma palestra: um mesmo assunto pode ser transmitido de maneiras diferentes, mais ou menos sedutora; isso percebe-se muito em aulas de literatura na escola, pois os professores não se tocam que prcisam se adaptar ao público juvenil e seduzi-los. ( Se quiser estou fazendo uma postagem sobre isso, dividida em partes, lá no meu blog).

Livros de entretenimento realmente podem ser rasos ou profundos, mas a crítica apedreja tanto essa chamada "paraliteratura" que cria-se a ciência de que ela é inferior e desnecessária ao "bom" leitor. Você usou a palavra certa: sedução. Infelizmente, isso geralmente é confundido com "perda de tempo". Chega a me dar nos nervos!

Nunca li nada do Saramago. Ainda lerei "O ensaio sobre a cegueira", não sei quando, mas lerei, hehe.

Boa postagem. abraços.

Leonardo Schabbach

Ah, leia sim, que "Ensaio sobre a Cegueira" é talvez o melhor livro que já li.

E ponha aí os links para a postagem cara, para que eu e outros possamos entrar.

Abraço. E feliz natal!

Luiz Teodosio

Por enquanto só tenho a primeira parte publicada. Mas está aqui o link. http://luizdreamhope.blogspot.com/2011/12/onde-estao-os-leitores-literatura-em.html

Feliz Natal. Hm, por 3 minutos agora é dia 26, mas vou fingir que o relógio está adiantado. :P

Adriane Santos

Seu ponto de vista é interessante... Há algum tempo eu achava muito difícil haver uma relação entre entretenimento e reflexão, mas hoje nem tanto. É inteligente a correlação que você faz entre "entretenimento" e "sedução", para argumentar realmente é preciso seduzir. Parabéns pelo blog :)

Quadrinhos&livros

A literatura ideal é aquela que diverte e informa, impossível fazer que uma literatura interamente científica possa agradar aos leitores- ela, então se torna chata, travada e cheia de informações enfadonhas. Prefiro o escritor que cria um enredo fenomenal, personagens interessantes e intrigas apaixonantes - tudo isso com muitas informações, questionamentos e muita, muita diversão.
escrevi o livro O REINO MARINHO - cujo objetivo maior é denunciar o que a humanidade está fazendo com os oceanos, poluindo e destruino-o, porém, apresento as mazelas contra os mares numa trama que se passa no fundo do mar, num dos reinos de Netuno, onde uma guerra entre os antigos Atlanthis querem deflagrar uma guerra para elinar a humanidade que vive nos continentes - tudo isso em defesa dos sete mares. Ainda passo a informação de que o homem conhece mais a lua do que o fundo do mar.

Quadrinhos&livros

Concordo que a boa literatura é aquela que informa, questiona e diverte, diverte muito. A literatura científica, puramente informativa, torna-se chata, enfadonha e cansativa. Acredito muito no escritor que cria uma trama cheia de mistérios, persoangens sedutores e passe muitas informações e muitos questionamentos. escrevi o livro O REINO MARINHO - questiono a detruíção promovida pela sociedade atual, com a poluíção e a destruíção dos estatuários marinhos, dos manguezais, dos corais e de todo tipo de poluíção promovida pela transporte de petróleo, combustíveis e pela pesca descabida.
Bolei uma história que se passa no fundo do mar, onde os antigos Antlinthis querem uma guerra para exterminar o homem dos continentes, os pulmonares.

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